Tanízio Sá denuncia abandono de indígenas e critica possível terceirização da AMAC em discurso na Aleac

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Na sessão desta terça-feira (8), na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), o deputado estadual Tanízio Sá (MDB) fez um discurso cobrando ações do poder público em favor das comunidades indígenas e denunciando a situação de vulnerabilidade enfrentada por povos originários da região do Purus.

O parlamentar relatou sua recente visita à Sena Madureira, onde mantém um gabinete de apoio para atender a população. Ele disse que foi surpreendido pela chegada de aproximadamente 40 indígenas da etnia Madja Kulina, liderados pelo cacique Pedrito. Ainda segundo o deputado, os indígenas haviam percorrido mais de 200 quilômetros a pé, muitos descalços, após virem até Rio Branco para realizar perícias no INSS sem recursos para custear o retorno às suas aldeias.

“Parece que os indígenas estão sendo tratados como animais silvestres. Não posso admitir que em pleno século XXI, no ano de 2025, pais de família, mulheres, crianças, tenham que andar essa distância imensa no sol e na chuva por falta de apoio do Estado”, disse, emocionado.

O deputado informou que está encaminhando ofícios à presidente da Funai, e à secretária estadual dos Povos Indígenas, Francisca Arara, para que providências sejam tomadas com urgência. Ele defendeu a instalação de um núcleo da Funai em Manoel Urbano e cobrou uma política estruturada de assistência para os povos indígenas do Purus, especialmente os Kulinas, que de acordo com ele, ainda mantêm costumes tradicionais e têm dificuldades com o idioma português.

Além disso, o deputado mencionou a postergação da audiência pública que debateria a criação do Conselho de Políticas Públicas para os Povos Indígenas, inicialmente prevista para o dia 14 de abril, agora remarcada para o final de maio.

Tanízio também elogiou a parceria com a Energisa, que irá instalar energia solar em aldeias indígenas até o final de junho, e anunciou que destinará emenda parlamentar para aquisição de pintos (filhotes de galinha) e estrutura para produção de ração, a fim de incentivar a agricultura e segurança alimentar nas comunidades.

“Eles não têm mais caça como antigamente. Os rios estão secando, os peixes sumiram, as comunidades cresceram. Precisamos garantir, no mínimo, um alimento digno para esses brasileiros”, alertou.

Críticas à possível terceirização da AMAC

Na segunda parte de seu discurso, o deputado Tanízio Sá manifestou preocupação com o rumo da Associação dos Municípios do Acre (AMAC), que segundo ele estaria passando por um processo de terceirização. O parlamentar afirmou que há demissões em massa de engenheiros, arquitetos e servidores da entidade, o que ameaça sua função de apoio técnico às prefeituras, especialmente as de menor porte.

“A AMAC sempre foi referência nacional. Tinha uma equipe eficiente em Brasília, garantindo recursos para os municípios sem custo adicional. Agora querem terceirizar tudo, o que vai custar o dobro. É inaceitável”, criticou.

Tanízio afirmou que irá mobilizar os prefeitos dos municípios pequenos, que são os mais dependentes dos serviços prestados pela AMAC, para reverter essa decisão.

“Os municípios pequenos não conseguem contratar engenheiro civil, ambiental, arquiteto. A AMAC sempre foi o braço técnico dessas cidades. Se isso for adiante, quem perde é a população”, concluiu.

Texto: Mircléia Magalhães/ Agência Aleac

Foto: Sérgio Vale

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