STF encerra sustentações no caso Marielle; votação começa nesta quarta (25)

⏱️ 3 min de leitura

          O julgamento da ação penal sobre o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes avança para a etapa decisiva no Supremo Tribunal Federal (STF). Depois de uma tarde dedicada às sustentações orais das defesas, a Primeira Turma retoma a sessão nesta quarta-feira (25/2), às 9h, quando o relator Alexandre de Moraes apresenta seu voto. Em seguida, votam Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e, por último, o presidente do colegiado, Flávio Dino.

          No processo, são réus: Domingos Brazão (conselheiro do TCE/RJ), João Francisco “Chiquinho” Brazão (ex-deputado federal), Rivaldo Barbosa (delegado e ex-chefe da Polícia Civil do RJ), Ronald Paulo de Alves (ex-policial militar) e Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe” (ex-assessor do TCE). Eles respondem por acusações ligadas a duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves, além da imputação de organização criminosa no caso de Robson e dos irmãos Brazão.

          Leia Também

          Um dos focos recorrentes das argumentações foi a crítica à colaboração premiada de Ronnie Lessa, apontado como autor dos disparos e já condenado em outro processo. A defesa de Chiquinho Brazão, por exemplo, sustentou que o acordo do ex-PM seria inconsistente e não estaria apoiado em provas independentes, alegando que as declarações teriam como objetivo a obtenção de benefícios, como redução de pena. No mesmo sentido, o advogado também afirmou que não há elementos que indiquem que o ex-parlamentar tenha sido o mandante do crime e negou ligação com milícias.

          No caso de Rivaldo Barbosa, a defesa pediu absolvição e afirmou que a acusação teria se apoiado na ideia de corrupção como motivação, sem demonstrar de forma concreta valores, origem e forma de pagamento de supostas propinas. Os advogados também negaram que a nomeação do delegado para chefiar a Polícia Civil tenha sido articulada pelos irmãos Brazão, destacando que, segundo eles, não há registros de conversas entre os envolvidos nos autos.

          Já a defesa de Ronald Paulo de Alves argumentou que não existem fatos que conectem o ex-policial aos demais acusados. O advogado ressaltou que Ronald seria adversário declarado de Ronnie Lessa, o que, na tese apresentada, tornaria improvável qualquer atuação conjunta.

          A equipe jurídica de Domingos Brazão contestou a suposta motivação ligada a interesses fundiários e disse que a acusação não teria indicado, de forma objetiva, áreas que os irmãos Brazão teriam invadido, loteado ou explorado com lucro.

          No bloco final das sustentações, a defesa de Robson Calixto Fonseca alegou nulidade da denúncia ao afirmar que a acusação contra ele teria sido recebida com base essencialmente na colaboração premiada de Lessa, sem provas autônomas que justificassem sua inclusão na ação penal. O advogado também levantou o argumento de que o crime de organização criminosa exige um número mínimo de participantes e questionou a credibilidade de depoimentos usados como base para a acusação.

          Com as sustentações encerradas, o STF passa agora a analisar os votos dos ministros para decidir se condena ou absolve os réus. Em caso de condenação, o colegiado fixa penas individualizadas; se houver absolvição, o processo é arquivado. Em ambas as hipóteses, ainda cabem recursos.

          Mais Lidas

          Bancada federal tenta vender união em agenda rural enquanto 2026 já reorganiza o poder no Acre

          Bancada federal do Acre tenta transformar união rural em força política antes de 2026.

          Custo do Legislativo expõe peso da máquina pública em um Acre que ainda cobra resultado

          Custo do Legislativo no Acre reacende debate sobre máquina pública e entrega pública.

          BR-364 volta ao centro da cobrança e expõe o custo político da infraestrutura abandonada no Acre

          BR-364 volta ao debate e expõe impacto da infraestrutura na vida do Acre.

          MP mira contrato da Ricco e leva transporte coletivo ao centro da pressão sobre Bocalom

          ônibus do transporte coletivo em Rio Branco após investigação sobre contrato da Ricco Transportes

          PSDB reage a pesquisa e tenta recolocar Bocalom no centro da disputa de 2026 no Acre

          PSDB no Acre contesta pesquisa e reposiciona Bocalom na disputa política de 2026

          Últimas Notícias

          Categorias populares