Recordemos.

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Publicado em 02/03/2026

Em 1.989, vieram as nossas pretendidas Diretas-já isto, após 21 anos de ditadura.

Se a praça é do povo como o céu é do condor, como pregava o poeta baiano, Castro Alves, para além das nossas praças, as nossas ruas impuseram o fim de uma ditadura que já durava mais de longevos e sofríveis 20 anos.

Porém, o que as ruas queriam não resultaram no que as próprias ruas haviam imaginado, e a provar que não, nas eleições de 1.089, figuras politicamente expressivas como Ulisses Guimarães, Mário Covas, Leonel Brizola, Paulo Maluf e Aureliano Chaves sequer conseguirão chegar ao 2º da referida disputa eleitoral, e os aparentemente inexpressíveis, Fernando Collor de Melo e Luís Inácio Lula da Silva, chegaram ao 2º turno, enquanto o senhor Diretas, Ulisses Guimarães, ficou num incômodo e inesperado 7º lugar.

Daí a pergunta que não poderia calar: a emenda restou pior que o soneto? Pelo que veio se suceder, sobretudo, dada a eleição de Fernando Collor de Melo e seu consequente impeachment, o nosso ambiente político tornou-se um tanto quanto conturbado, já que o seu vice, Itamar Franco, dado o seu jeito de ser e de agir, não inspirava a confiança política que se fazia necessária.

Entretanto, foi na sua gestão que foi criado o Plano Real, o mais importante plano econômico de toda a nossa história, e como resultado, o seu ministro da Economia, Fernando Henrique Cardoso, enquanto herdeiro direto do referido plano, habilitou-se como candidato à presidente da República, e com a implantação do instituto da reeleição, conseguiu se reeleger.

Na espreita, desde que havia competido com Fernando Collor e outras duas vezes contra o próprio Fernando Henrique Cardoso, o persistente presidenciável, Luis Inácio Lula da Silva, conseguiu chegar ao poder nas eleições de 2022, e nele se manteve e continua sendo o mais expressivo expoente do nosso mundo político, a despeito de ter passado angustiosos 580 dias na prisão.

Apenas nas eleições de 2018, dada a sua elegibilidade, feito um meteoro, Jair Bolsonaro conseguiu se eleger presidente, porém ao se tornar elegível, o próprio Lula acabou derrotando o e então presidente Jair Bolsonaro quando este buscava sua reeleição, e tornar-se o único brasileiro a ocupar pela 3ª vez, a presidência da nossa república.

Lamentavelmente, o nosso país, após a derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro, emergiu o que de mais desgraçado poderia acontecer, no caso, a polarização Lula/Bolsonaro. Concordo com o que preceituou Bertolt Brecht: desgraçado é o país que precisa de heróis.

 

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