Depósitos na poupança superam saques pelo 2º mês; rentabilidade é baixa

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Depósitos na poupança

A caderneta de poupança registrou captação líquida de R$ 2,124 bilhões em junho, marcando o segundo mês consecutivo em que os depósitos superaram os saques, segundo dados divulgados pelo Banco Central em 7 de julho de 2025. Apesar do resultado positivo, o acumulado do ano ainda reflete uma retirada líquida de R$ 49,649 bilhões, após saques expressivos nos quatro primeiros meses. A rentabilidade da poupança, atrelada à taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR), mas segue menos atrativa que outras opções de renda fixa. O desempenho recente levanta questões sobre a popularidade do investimento e sua competitividade em um cenário de juros altos.

O movimento de captação líquida positiva em junho, com R$ 2,124 bilhões, reflete uma mudança em relação aos primeiros meses de 2025, quando a poupança enfrentou saques significativos. Em maio, a entrada líquida foi de R$ 8,2 bilhões, enquanto fevereiro registrou uma saída de R$ 8,007 bilhões. Esses números indicam uma volatilidade no comportamento dos investidores, influenciada por fatores como o pagamento de benefícios sazonais, como o 13º salário, e a busca por alternativas mais rentáveis.

O Banco Central destacou que, mesmo com os resultados positivos em maio e junho, o saldo acumulado do ano permanece negativo. A poupança, tradicionalmente vista como um porto seguro, enfrenta desafios para manter sua relevância em um contexto de alta da Selic e maior oferta de investimentos de renda fixa.

  • Entradas e saídas em 2025:
    • Janeiro: Saída líquida de R$ 20,15 bilhões.
    • Maio: Entrada líquida de R$ 8,2 bilhões.
    • Junho: Entrada líquida de R$ 2,124 bilhões.
    • Acumulado do ano: Retirada líquida de R$ 49,649 bilhões.

O desempenho de junho foi impulsionado por depósitos sazonais, mas especialistas alertam que a poupança pode não sustentar essa recuperação ao longo do ano.

Rentabilidade da poupança em 2025

A rentabilidade da caderneta de poupança é determinada por uma fórmula que considera a Taxa Referencial (TR) mais 0,5% ao mês, válida quando a Selic está acima de 8,5% ao ano. Com a taxa básica de juros em 15%, a poupança rendeu 0,63% em junho e 7,55% nos últimos 12 meses, segundo a Elos Ayta. Apesar de isenta de Imposto de Renda, essa rentabilidade é considerada baixa frente a outras opções de renda fixa.

A TR, calculada pelo Banco Central com base nas Letras do Tesouro Nacional, teve variação de 0,17% em julho de 2025. Esse componente, somado à taxa fixa, garante um retorno nominal que, embora estável, não acompanha a inflação em muitos casos, resultando em rentabilidade real negativa.

Por que a poupança ainda atrai investidores?

A caderneta de poupança mantém sua popularidade devido à simplicidade e segurança. Garantida pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF e instituição, ela é uma opção de baixo risco para quem prioriza liquidez imediata. Além disso, a isenção de taxas e impostos a torna acessível para pequenos investidores.

No entanto, a captação líquida positiva em junho não reflete uma preferência pela poupança como investimento de longo prazo. Muitos brasileiros utilizam a caderneta como uma conta de transição, depositando recursos temporariamente antes de direcioná-los para outros ativos. O aumento dos depósitos em maio e junho pode estar ligado a fatores sazonais, como o pagamento de benefícios trabalhistas.

Comparação com outros investimentos

A poupança enfrenta concorrência de investimentos como o Tesouro Selic, CDBs e fundos DI, que oferecem maior rentabilidade, especialmente em um cenário de Selic elevada. Um levantamento da plataforma Yubb apontou que o Tesouro Selic pode render até 5,87% ao ano, já descontada a inflação e o Imposto de Renda, enquanto CDBs de bancos médios chegam a 7,53% ao ano.

  • Vantagens de alternativas à poupança:
    • Tesouro Selic: Liquidez diária e garantia do governo federal.
    • CDBs: Rentabilidade de até 110% do CDI em bancos médios.
    • LCIs e LCAs: Isenção de IR e proteção do FGC.
    • Fundos DI: Diversificação com gestão profissional.

A poupança, por outro lado, rende menos que a inflação projetada para 2025, estimada em 5,55% pelo Boletim Focus. Isso significa que, em termos reais, o investidor pode perder poder de compra ao longo do tempo.

Investimentos
Investimentos – Foto: Sichon/Shutterstock.com

Fatores que influenciam o desempenho da poupança

O comportamento da poupança em 2025 é influenciado por variáveis econômicas e sociais. A redução do desemprego, que atingiu 6,1% no trimestre até novembro de 2024, e o aumento do salário médio real contribuíram para uma menor fuga de recursos nos últimos meses. Além disso, o pagamento de precatórios e o reajuste do salário mínimo podem sustentar o consumo e, consequentemente, os depósitos na caderneta.

Por outro lado, a perspectiva de novas altas na Selic, sinalizadas pelo Copom para as reuniões de janeiro e março de 2026, pode intensificar a migração para investimentos mais rentáveis. A política monetária restritiva, adotada para conter a inflação, eleva o custo do crédito e reduz o consumo, impactando a capacidade das famílias de poupar.

Segurança e liquidez como diferenciais

A poupança continua sendo uma opção atrativa para quem busca segurança e acesso imediato aos recursos. Diferentemente de outros investimentos, que podem exigir prazos de carência ou cobrar taxas, a caderneta permite resgates instantâneos sem perda de rentabilidade. Essa característica a torna ideal para reservas de emergência ou objetivos de curto prazo.

A garantia do FGC é outro ponto forte. Para valores até R$ 250 mil, o investidor tem proteção contra falências bancárias, o que reforça a confiança na modalidade. No entanto, para montantes superiores, especialistas recomendam diversificar entre instituições ou optar por ativos como o Tesouro Direto, que contam com a garantia do governo federal.

Histórico de captação da poupança

Nos últimos anos, a poupança apresentou resultados mistos. Em 2020, a captação líquida recorde de R$ 20,6 bilhões foi impulsionada pela pandemia e pelo auxílio emergencial. Já em 2024, a retirada líquida de R$ 15,47 bilhões refletiu a busca por investimentos mais rentáveis. O ano de 2025 segue essa tendência, com saques predominando nos primeiros meses.

  • Captação líquida anual:
    • 2020: Entrada de R$ 20,6 bilhões.
    • 2024: Saída de R$ 15,47 bilhões.
    • 2025 (até junho): Saída de R$ 49,649 bilhões.

Esses números mostram que, apesar de momentos de recuperação, a poupança enfrenta dificuldades para competir com outras opções de investimento.

Como funciona o rendimento da poupança

O rendimento da poupança é creditado mensalmente, na data de aniversário do depósito. Se o investidor resgatar os recursos antes de completar 30 dias, não haverá correção. Para depósitos anteriores a maio de 2012, a rentabilidade é fixa em 0,5% ao mês mais TR, independentemente da Selic. Para aplicações posteriores, a regra varia:

  • Selic acima de 8,5%: 0,5% ao mês + TR.
  • Selic igual ou abaixo de 8,5%: 70% da Selic + TR.

Com a Selic em 15%, a fórmula atual garante um retorno nominal de cerca de 8,3% ao ano, mas a inflação reduz o ganho real.

Alternativas para pequenos investidores

Para quem considera a poupança, mas busca maior rentabilidade, os CDBs com liquidez diária são uma opção acessível. Bancos digitais oferecem esses títulos com retornos de até 110% do CDI, superando a poupança mesmo após a incidência de Imposto de Renda. As LCIs e LCAs, isentas de IR, também são indicadas para quem pode esperar prazos de carência.

O Tesouro Selic, por sua vez, é recomendado para reservas de emergência, com rentabilidade próxima à Selic e liquidez diária. Fundos DI, embora sujeitos a taxas de administração, oferecem diversificação para investidores que preferem gestão profissional.

Cenário econômico e perspectivas

O aumento da Selic para 15% em junho de 2025 reflete a estratégia do Banco Central para controlar a inflação, projetada em 5,55% para o ano. Essa política monetária eleva a atratividade de investimentos atrelados ao CDI e à Selic, enquanto a poupança permanece em desvantagem. A próxima reunião do Copom, marcada para agosto de 2025, pode trazer novas sinalizações sobre a trajetória dos juros.

O consumo das famílias, sustentado por fatores como o reajuste do salário mínimo, pode continuar a impulsionar depósitos na poupança no curto prazo. No entanto, a desaceleração econômica prevista para 2026, combinada com a alta dos juros, pode limitar esse movimento, incentivando a busca por alternativas mais rentáveis.

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