Racismo algorítmico, deepfakes e controle de dados: a rebelião ética da geração Z

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Mais do que consumidores de tecnologia, jovens exigem transparência, inclusão e justiça nas mãos de quem cria a inteligência artificial.

Enquanto muitas gerações anteriores encararam as inovações tecnológicas com certo deslumbramento, a Geração Z – formada por jovens nascidos entre meados dos anos 1990 e 2010 – observa a ascensão da Inteligência Artificial (IA) com um olhar mais crítico e responsável. Crescidos em meio à internet, redes sociais e algoritmos, esses jovens demonstram uma postura ética cada vez mais consciente diante dos impactos sociais, culturais e políticos que a IA pode causar.

Ao contrário da simples aceitação passiva da tecnologia, a Geração Z se mostra atenta aos efeitos colaterais do avanço desenfreado da inteligência artificial. Um dos principais pontos de questionamento é o racismo algorítmico — quando algoritmos utilizados em reconhecimento facial, seleção de currículos ou vigilância reproduzem preconceitos históricos, afetando desproporcionalmente minorias raciais e grupos marginalizados. Essa geração não apenas identifica o problema, mas exige que as empresas e desenvolvedores tomem medidas reais para enfrentá-lo.

Outro ponto em destaque é a manipulação de dados pessoais. Nativos digitais por excelência, os jovens da Geração Z compreendem a importância da privacidade digital e sabem que, muitas vezes, seus dados são coletados e utilizados sem o devido consentimento ou transparência. Por isso, tendem a pressionar por políticas de proteção mais rigorosas, que limitem o uso indevido de informações sensíveis.

Além disso, os deepfakes e a desinformação gerada por IA despertam grande preocupação. Em uma época em que a confiança nas fontes de informação é constantemente colocada à prova, os jovens compreendem o risco de uma sociedade onde imagens, vídeos e falas podem ser falsificados com facilidade. Eles reconhecem o potencial dessa tecnologia, mas também defendem a criação de mecanismos de checagem e identificação dessas manipulações.

Essa postura crítica reflete em seu posicionamento político e social. Pesquisas recentes indicam que a Geração Z é mais propensa a apoiar legislações específicas que regulem o uso da IA, com ênfase na transparência, responsabilidade e supervisão ética por parte das empresas de tecnologia. Eles buscam modelos de governança mais humanos, inclusivos e justos, em que a tecnologia esteja a serviço do bem-estar coletivo, e não apenas do lucro corporativo.

A Geração Z demonstra que é possível conviver com a inovação sem abrir mão dos princípios éticos. Ao levantar questionamentos e exigir mudanças estruturais, esses jovens estão moldando o futuro da inteligência artificial com base na equidade, na justiça e na verdade. Em vez de apenas aceitar a IA como uma realidade inevitável, eles escolhem participar ativamente de sua construção — com consciência, coragem e visão de longo prazo.

“A tecnologia progride, mas é a consciência que define o rumo da história.”

Adriano Gonçalves 
Master Coaching in Business International 
@apadrianocoach.ofc

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