Presidente do ICMBio rebate notícias falsas sobre operação: ‘Estão trazendo fatos do Amazonas para confundir o Acre’

⏱️ 3 min de leitura

A Operação Suçuarana, em curso na Reserva Extrativista Chico Mendes, em Xapuri, tem sido “alvo de notícias falsas e distorções”, envolvendo interesses contrários à preservação ambiental, segundo esclarecimento do presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Mauro Oliveira Pires, durante entrevista ao Gazeta Entrevista, desta sexta-feira, 20.

“Está circulando muita notícia falsa, muita coisa esquisita, associando essa operação do Instituto Chico Mendes a fatos que sequer aconteceram aqui. Estão trazendo situações ocorridas no Amazonas, por exemplo, para confundir a população do Acre”, afirmou o presidente.

A operação tem como foco combater a pecuária ilegal dentro da reserva, criada há 35 anos para garantir o sustento de cerca de 3 mil famílias de seringueiros, castanheiros e extrativistas que vivem na floresta. Pires explicou que o ICMBio foi impedido de fiscalizar a área durante anos, o que contribuiu para o aumento das ocupações irregulares.

“Infelizmente, essa é uma área pública federal, e muita gente começou a vender terrenos ilegalmente. Muitas pessoas compraram acreditando estar fazendo um bom negócio, mas não estavam. Quem vendeu não podia vender, e quem comprou fez um péssimo negócio”, destacou Pires.

O presidente ressaltou que o verdadeiro objetivo da reserva é preservar a floresta e garantir a subsistência das famílias extrativistas, muitas das quais mantêm pequenas criações de gado para consumo próprio ou venda pontual. O problema, segundo ele, foi o surgimento de fazendas extensivas com centenas de cabeças de gado, expulsando moradores tradicionais e promovendo desmatamento ilegal.

“Encontramos áreas com até 300 cabeças de gado. Isso não pode acontecer numa reserva extrativista, que existe justamente para manter a floresta em pé”, afirmou Mauro. “Essa operação atende a determinações da Justiça, do Ministério Público Federal e ao compromisso que temos com a sociedade.”

Pires explicou que o ICMBio priorizou casos mais graves e reincidentes. “Fomos atrás de processos que começaram em 2011 e, mesmo depois de várias notificações e multas, os responsáveis continuaram desmatando. Estamos retirando o gado dessas áreas como última alternativa”, disse.

De acordo com ele, 91% da Reserva Extrativista Chico Mendes ainda permanecem preservados graças à atuação das famílias extrativistas. Porém, as ocupações ilegais e a expansão da pecuária extensiva colocam em risco esse esforço histórico, além de gerar insegurança e ameaças a lideranças locais.

“Essas famílias são responsáveis por garantir a floresta em pé. Infelizmente, algumas pessoas de fora chegaram dizendo que aquela área não pertencia mais a elas. Famílias foram ameaçadas, lideranças foram perseguidas. Precisamos garantir o direito dessas famílias de viverem com dignidade na floresta, como sempre foi”, reforçou o presidente.

Pires também lamentou o ambiente de animosidade criado em torno da operação, inclusive com o incentivo de agentes políticos. “Obstruir fiscalização é crime federal. Já tivemos episódios em que entraram em frigorífico de madrugada, arrombaram cadeado, quebraram muro para soltar gado apreendido”, relatou. “Estamos atuando com o apoio da Força Nacional, do Exército e da Polícia Rodoviária Federal.”

Além da fiscalização, o ICMBio também atua com educação ambiental, apoio às atividades produtivas sustentáveis e fortalecimento das comunidades locais. “O Acre é um grande produtor de castanha, que gera renda e mantém a floresta em pé. A pecuária extensiva é incompatível com a proposta dessa reserva”, destacou.

O presidente defendeu ainda a importância da preservação para a qualidade ambiental da região. “Se não fosse pela Reserva Extrativista, as dificuldades e as cheias que assolam todos os anos o Estado do Acre seriam infinitamente mais graves. A floresta ajuda a garantir o clima, a qualidade da água e até mesmo a produtividade agrícola”, completou.

Pires encerrou afirmando que a maioria das famílias que vivem na reserva trabalha corretamente e deve ser valorizada. “Quem está lá dentro, 95% a 98%, são trabalhadores honestos, cuidando do seu bem-estar e preservando a floresta. Vamos continuar agindo contra quem insiste em descumprir a lei, porque é nosso dever defender a Amazônia e quem vive dela de forma correta”, concluiu.

Mais Lidas

Vagas de estágio do CIEE no Acre exigem cadastro atualizado

Estudantes regularmente matriculados podem consultar vagas de estágio do CIEE no Acre. Cada oportunidade possui critérios próprios de curso, cidade, jornada, bolsa e prazo de inscrição.

Estudantes do Acre podem concorrer a vagas de estágio na área administrativa ofertadas pelo CIEE

O Centro de Integração Empresa-Escola- CIEE está com vagas abertas de...

AD Rio Branco reúne mais de 1.500 participantes no 8º Encontro Estadual de Lideranças

A Assembleia de Deus Ministério Rio Branco realizou, entre 23 e 25 de julho, o 8º Encontro Estadual de Lideranças. Segundo a organização, mais de 1.500 participantes estiveram na programação, que terminou com a consagração de mais de cem obreiros.

Alysson Bestene anuncia revitalização do Parque Chico Mendes aos 30 anos, mas custo e cronograma ainda não foram divulgados

A Prefeitura de Rio Branco realizou uma vistoria técnica no Parque Ambiental Chico Mendes em 10 de julho de 2026 e anunciou melhorias no pavimento, na academia ao ar livre e nos brinquedos. O espaço completa 30 anos em 31 de julho e possui 57 hectares de floresta preservada, reunindo lazer, educação ambiental, pesquisa e conservação da fauna e da flora amazônicas. A gestão do prefeito Alysson Bestene também apresentou, em maio, o projeto de um novo mirante com 30 metros de altura, elevador panorâmico e espaço para café ou lanchonete. Apesar dos anúncios, ainda não foram divulgados o orçamento consolidado, a fonte dos recursos, o cronograma, a modalidade de contratação e a data prevista para início e conclusão das intervenções. A reportagem acompanhará a transformação da vistoria e dos projetos anunciados em obras contratadas, executadas e entregues.

Quanto custa preparar a Expoacre 2026? Prefeitura e Governo ainda não detalham o investimento total da operação

A preparação da Expoacre 2026 já mobiliza centenas de trabalhadores, máquinas e estrutura pública em Rio Branco. Embora a dimensão operacional tenha sido divulgada, informações fundamentais sobre o custo total da operação, contratos, origem dos recursos, patrocínios e estimativa oficial de retorno econômico ainda não foram detalhadas pelos órgãos responsáveis. A reportagem reúne as informações confirmadas, identifica os agentes públicos responsáveis e aponta quais dados permanecem pendentes de divulgação.

Últimas Notícias

Categorias populares