Pai de bebê queimada durante banho em hospital relata falta de atendimento adequado em Minas Gerais

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A recém-nascida Aurora Maria Oliveira Mesquita, vítima de queimaduras durante o primeiro banho no Hospital da Mulher e da Criança do Juruá, em Cruzeiro do Sul (AC), foi transferida na tarde desta quarta-feira, 25, para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte (MG). A unidade mineira é considerada o maior centro de referência em tratamento de queimaduras no país.

A transferência, realizada em uma UTI aérea, foi anunciada pelo secretário de Saúde do Acre, Pedro Pascoal, como medida para garantir um atendimento especializado à criança. No entanto, segundo relatos do pai da bebê, Marcos Oliveira, a realidade no hospital mineiro está longe do que foi prometido pelas autoridades acreanas.

Visivelmente abalado, o pai desabafou sobre a situação em que a filha se encontra e as dificuldades enfrentadas desde a chegada a Minas Gerais.

Em sua fala, Marcos relata que a criança não está recebendo o atendimento isolado e especializado que seria necessário para um quadro grave de queimaduras:

“A nenê tá numa salazinha aqui junto com um bocado de gente e lá tem até um menino do lado dela com pneumonia. Foi totalmente diferente do que o secretário falou.”

Ele questiona a conduta da equipe hospitalar e o desencontro de informações, alegando que, no local, os profissionais demonstram não ter certeza sobre o diagnóstico da criança:

“Tão nem sabendo direito como é que é, se era queimadura ou não, tão pensando que é doença.”

Diante da situação, Marcos conta que buscou ajuda junto à maternidade no Acre e chegou a entrar em contato com a diretora, mas afirmou que se o problema não for resolvido, tomará providências legais.

Ele também relatou que, em meio à angústia, recebeu mensagens de solidariedade de moradores e da imprensa de Minas Gerais, perguntando se haviam conseguido chegar ao hospital.

Outro ponto que o pai destacou foi a restrição de acesso à filha, afirmando que não conseguiu entrar na sala onde a bebê está internada e se mantém desde a manhã na recepção do hospital:

“Eu já chorei tanto aqui já e nem deixaram eu entrar também. Tô aqui fora na recepção.”

Segundo ele, a mãe da bebê, identificada como Laura, também não está em boas condições de saúde e permanece dentro da unidade hospitalar acompanhando a filha:

“Pois é, Laura tá lá com ela, que também não tá bem, tá com tortura. Desde de manhã chegou, a menina tá lá no mesmo canto, ela chegou de madrugada.”

Marcos afirma ainda que os exames feitos na bebê foram inconclusivos e que a equipe médica teria aventado a possibilidade de doença, esquecendo, segundo ele, o principal motivo da internação: as queimaduras.

“O médico falou com ela lá e disse que era o caso da doença. Estão esquecendo que é queimadura, pô.”

Sem respostas oficiais

A equipe de reportagem tentou contato com a Secretaria de Estado de Saúde do Acre para obter informações sobre o acompanhamento da criança e os procedimentos adotados em Belo Horizonte, mas até o fechamento desta matéria não recebeu retorno.

O caso de Aurora Maria causou comoção na comunidade acreana e nas redes sociais, e a família segue cobrando providências e respeito à condição de saúde da bebê.

Juruá Online

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