“Negar direitos é negar a essência de uma sociedade democrática”, diz deputado durante audiência sobre o Plano Pena Justa

⏱️ 4 min de leitura

Na manhã desta quinta-feira, 26, foi realizada, na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), uma audiência pública promovida pelo deputado estadual Arlenilson Cunha para discutir a construção e implementação do Plano Estadual Pena Justa, com o objetivo de adaptar o plano nacional às realidades do sistema penitenciário acreano.

O Pena Justa é um plano nacional coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ele foi elaborado por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), a partir do julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 347, que reconheceu o “estado de coisas inconstitucional” nas prisões brasileiras. O plano nacional foi homologado em fevereiro deste ano e os estados têm o prazo de seis meses para elaborar suas versões locais.

Segundo a assistente técnica do CNJ, Rúbia Evangelista, o plano é fruto de um processo de construção coletiva, envolvendo representantes de diversas instituições e ampla participação social.

“A decisão da ADPF 347 afirma que há um estado de coisas inconstitucional no sistema carcerário, responsável por violações massivas de direitos fundamentais dos presos. Por isso, exige-se uma atuação cooperativa entre União, estados, Poder Judiciário e sociedade civil”, explicou.

“Negar direitos é negar a essência de uma sociedade democrática”, diz deputado durante audiência sobre o Plano Pena Justa

Durante a audiência, o deputado Arlenilson destacou a importância do debate público. “Discutir esse plano na Casa do Povo é essencial. Temos mais de 300 metas para cumprir até 2027 e precisamos da colaboração de todos para garantir que essa proposta se torne realidade. O foco é a dignidade humana”, afirmou.

Com carreira na Polícia Penal, o parlamentar ressaltou que conhece de perto as dificuldades enfrentadas por servidores e internos. “Negar os direitos dessas pessoas é negar a própria essência de uma sociedade democrática. O plano busca combater a superlotação, melhorar as condições de saúde, higiene e alimentação, ampliar o acesso à educação e ao trabalho, e reintegrar os egressos. Mas para isso, também é preciso cuidar dos profissionais que estão na linha de frente”, disse.

A representante do CNJ explicou que o plano se organiza em quatro eixos: controle de entrada e vagas, ambiência e estrutura das unidades, reintegração social e políticas de não repetição das violações. Rúbia enfatizou que o racismo estrutural é considerado a base do problema.

“A superlotação do sistema prisional brasileiro tem como um de seus principais fatores o racismo estrutural. O plano parte dessa premissa e todas as metas são pensadas com esse olhar”, enfatizou Rúbia.

O corregedor-geral do Tribunal de Justiça do Acre, desembargador Raimundo Nonato Maia, afirmou que o Judiciário estadual está empenhado em fazer do plano um instrumento de transformação.

“Temos orientado magistrados para que suas decisões estejam alinhadas com o Pena Justa, principalmente nas varas de execução penal e audiências de custódia. A Central de Regulação de Vagas será uma ferramenta essencial nesse processo. Mas é preciso dizer: o Judiciário não pode mudar essa realidade sozinho. É necessária uma governança compartilhada entre os poderes e a sociedade civil”, afirmou Maia.

“Negar direitos é negar a essência de uma sociedade democrática”, diz deputado durante audiência sobre o Plano Pena Justa

O defensor público Cássio Tavares destacou a atuação da Defensoria Pública, especialmente nos eixos 3 e 4, que tratam da reintegração social e da não repetição do estado de violação de direitos.

“O trabalho da Defensoria vai além da atuação nos tribunais. Atuamos também no momento em que a pessoa deixa o presídio, seja por monitoramento eletrônico ou regime aberto, fortalecendo os vínculos familiares e prestando orientação jurídica. É um trabalho contínuo para garantir que essa pessoa não retorne ao sistema”, frisou Tavares.

Já o presidente do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (IAPEN), delegado Marcos Frank, destacou que o plano não se trata de concessão de benefícios indevidos. “Estamos falando de dignidade humana. O preso possui todos os direitos não atingidos pela pena. Se o Estado não acolher essa população, ela será absorvida pelas organizações criminosas”, alertou.

Frank também mencionou a possibilidade de parcerias com o setor privado para ofertar trabalho aos apenados e egressos, além de ferramentas como a remoção cautelar, que antecipa a progressão de pena com monitoração eletrônica.

O deputado Arlenilson Cunha fez um apelo pela valorização dos servidores do sistema penitenciário, mencionando casos de adoecimento mental e até suicídio entre policiais penais.

“É fundamental cuidar de quem cuida. Precisamos garantir melhores condições de trabalho, ampliar efetivos e oferecer apoio psicológico para esses profissionais”, concluiu o deputado.

Mais Lidas

Vagas de estágio do CIEE no Acre exigem cadastro atualizado

Estudantes regularmente matriculados podem consultar vagas de estágio do CIEE no Acre. Cada oportunidade possui critérios próprios de curso, cidade, jornada, bolsa e prazo de inscrição.

Estudantes do Acre podem concorrer a vagas de estágio na área administrativa ofertadas pelo CIEE

O Centro de Integração Empresa-Escola- CIEE está com vagas abertas de...

AD Rio Branco reúne mais de 1.500 participantes no 8º Encontro Estadual de Lideranças

A Assembleia de Deus Ministério Rio Branco realizou, entre 23 e 25 de julho, o 8º Encontro Estadual de Lideranças. Segundo a organização, mais de 1.500 participantes estiveram na programação, que terminou com a consagração de mais de cem obreiros.

Alysson Bestene anuncia revitalização do Parque Chico Mendes aos 30 anos, mas custo e cronograma ainda não foram divulgados

A Prefeitura de Rio Branco realizou uma vistoria técnica no Parque Ambiental Chico Mendes em 10 de julho de 2026 e anunciou melhorias no pavimento, na academia ao ar livre e nos brinquedos. O espaço completa 30 anos em 31 de julho e possui 57 hectares de floresta preservada, reunindo lazer, educação ambiental, pesquisa e conservação da fauna e da flora amazônicas. A gestão do prefeito Alysson Bestene também apresentou, em maio, o projeto de um novo mirante com 30 metros de altura, elevador panorâmico e espaço para café ou lanchonete. Apesar dos anúncios, ainda não foram divulgados o orçamento consolidado, a fonte dos recursos, o cronograma, a modalidade de contratação e a data prevista para início e conclusão das intervenções. A reportagem acompanhará a transformação da vistoria e dos projetos anunciados em obras contratadas, executadas e entregues.

Quanto custa preparar a Expoacre 2026? Prefeitura e Governo ainda não detalham o investimento total da operação

A preparação da Expoacre 2026 já mobiliza centenas de trabalhadores, máquinas e estrutura pública em Rio Branco. Embora a dimensão operacional tenha sido divulgada, informações fundamentais sobre o custo total da operação, contratos, origem dos recursos, patrocínios e estimativa oficial de retorno econômico ainda não foram detalhadas pelos órgãos responsáveis. A reportagem reúne as informações confirmadas, identifica os agentes públicos responsáveis e aponta quais dados permanecem pendentes de divulgação.

Últimas Notícias

Categorias populares