Entre buzinas e ofensas: o desafio de ser ciclista no Acre

Francisco Mesquita - CidadeacNews
⏱️ 2 min de leitura

O pedal acreano segue firme, vencendo quilômetros e preconceitos. O que antes era apenas lazer de fim de semana, hoje é movimento, é estilo de vida e, para muitos, até o principal meio de transporte. O ciclismo cresce a cada dia no Acre — nas ruas, nas trilhas e nas pistas de competição. Mas, junto com o avanço do esporte, também aumentam os desafios de quem tenta coexistir em um trânsito que, muitas vezes, não reconhece o ciclista como parte dele.

Foto: Arquivo da Federação
Foto: Arquivo da Federação

Presidente da Federação Acreana de Ciclismo, Tuxaua Marques vive essa realidade no asfalto. Entre um treino e outro, ele testemunha o que chama de “trânsito caótico e desumano”. “Infelizmente, não somos aceitos pela maioria dos condutores. Seja carro pequeno, caminhão ou ônibus, o ciclista quase nunca é visto como um cidadão com direito de estar ali. E quando há disputa por espaço, sempre vence o maior”, lamenta.

Foto: Arquivo da Federação
Foto: Arquivo da Federação

Para Tuxaua, o problema vai além da imprudência: é cultural. Ele conta que, durante os treinos, ciclistas já foram xingados, e até jogado para fora da via. “Tem motorista que acha que ciclista é vagabundo, que está pedalando enquanto ele trabalha. Não entende que por trás do capacete tem pai de família, trabalhador, gente que pedala por saúde, por esporte, por amor à vida”, desabafa.

Outro ponto crítico é a situação das ciclovias, que deveriam garantir segurança, mas acabam se transformando em mais um obstáculo. “Boa parte delas precisa de manutenção. O que a gente mais encontra é entulho, carros estacionados e sujeira. Em muitos trechos, o ciclista é forçado a voltar para a pista, justamente onde está mais vulnerável”, destaca.

Foto: Arquivo da Federação
Foto: Arquivo da Federação

Mesmo diante das dificuldades, o presidente da federação acredita no potencial do ciclismo como instrumento de transformação. “O pedal une pessoas, muda hábitos e pode até salvar vidas. O que falta é consciência e vontade política. A bicicleta não é inimiga do carro — ela é parte de uma cidade mais humana”, afirma.

Tuxaua Marques encerra com um apelo que resume o sentimento de toda uma comunidade: respeito. “Não queremos privilégios, só o direito de pedalar em paz. De sair de casa e voltar com segurança. Porque por trás de cada ciclista, há uma história, uma família e um sonho que também pedala.”

Mais Lidas

Mais Saúde realiza eletrocardiograma sem agendamento em Rio Branco

Mais Saúde realiza eletrocardiograma sem agendamento em Rio Branco, com laudo incluso.

Mais Saúde realiza exame de espirometria simples e com broncodilatador em Rio Branco

Mais Saúde realiza espirometria simples e com broncodilatador em Rio Branco.

Ansiedade e depressão exigem atenção: procure ajuda profissional

Ansiedade e depressão exigem avaliação profissional em adultos, crianças e adolescentes.

AcreCap Legal sorteia R$ 200 mil neste domingo, 14

AcreCap Legal terá prêmio de R$ 200 mil neste domingo; título custa R$ 20.

Educação orienta estudantes sobre inscrições do Enem 2026 no Acre

Estudantes da rede pública do Acre têm até sexta para confirmar inscrição no Enem 2026.

Últimas Notícias

Categorias populares