Dólar dispara a R$ 5,55 com tensões no Oriente Médio e IOF em pauta

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Às 15h16 desta quarta-feira, 25 de junho de 2025, o dólar comercial alcançou R$ 5,55, registrando alta de 0,66% em relação ao real, impulsionado por uma combinação de fatores globais e domésticos. A escalada das tensões no Oriente Médio, mesmo após um cessar-fogo entre Irã e Israel, mantém investidores cautelosos, enquanto o mercado acompanha a votação de um projeto que pode revogar o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na Câmara dos Deputados. No Brasil, o Banco Central realizou leilões de US$ 1 bilhão no mercado à vista, conjugados com swaps cambiais, em uma tentativa de estabilizar o câmbio. A valorização da moeda norte-americana reflete ainda discursos de líderes globais, como o presidente dos EUA, Donald Trump, e do Federal Reserve, além de um movimento sazonal de saída de capitais no fim do semestre.

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O cenário externo pesa significativamente no comportamento do câmbio. Apesar do anúncio de uma trégua entre Irã e Israel, a possibilidade de retomada de conflitos mantém o mercado em alerta. Donald Trump, em declarações recentes, sugeriu que novos embates podem ocorrer, enquanto negociações sobre o programa nuclear iraniano seguem sem avanços. No âmbito doméstico, a pressão fiscal e as discussões sobre o IOF intensificam a volatilidade. O Banco Central, por sua vez, adota medidas para conter oscilações, mas o impacto imediato no mercado é limitado.

  • Principais fatores da alta do dólar:
    • Tensões no Oriente Médio, com incertezas sobre o cessar-fogo.
    • Leilões do Banco Central para equilibrar o mercado de câmbio.
    • Discussões no Congresso sobre o aumento do IOF.
    • Saída de capitais no fechamento do semestre.

A valorização do dólar também reflete a força do DXY, índice que mede a moeda norte-americana frente a uma cesta de divisas globais, que subiu 0,12% no mesmo horário. No Brasil, o mercado financeiro acompanha de perto os desdobramentos políticos e econômicos, que podem definir os rumos do câmbio nas próximas semanas.

Pressão global sobre o câmbio

O mercado internacional permanece como o principal motor da alta do dólar. A instabilidade no Oriente Médio, mesmo com a trégua anunciada, mantém os investidores em busca de ativos seguros, como o dólar. As declarações de Donald Trump, que participa de reuniões da OTAN, reforçam a incerteza. Ele afirmou que tanto Irã quanto Israel estão exaustos, mas não descartou a possibilidade de novos conflitos, o que eleva a percepção de risco. Além disso, a falta de progresso nas negociações sobre o programa nuclear iraniano, após um ataque dos EUA a instalações do país, contribui para a cautela.

No campo econômico, o Federal Reserve (Fed) também influencia o mercado. Jerome Powell, presidente do Fed, reiterou em depoimento ao Senado que as tarifas propostas por Trump podem impactar a inflação, justificando a manutenção dos juros entre 4,25% e 4,50%. A expectativa de apenas dois cortes de 25 pontos-base até o fim do ano limita a atratividade de moedas de países emergentes, como o real. A força do dólar no exterior, refletida pelo DXY a 97,975 pontos, pressiona ainda mais o câmbio no Brasil.

Movimentações domésticas e o IOF

No cenário interno, a discussão sobre o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) ganha destaque. Anunciado pelo governo para reforçar a arrecadação em R$ 20,5 bilhões em 2025, o ajuste elevou alíquotas para operações como compras internacionais com cartão (de 3,38% para 3,5%) e remessas ao exterior (de 1,1% para 3,5%). A medida, porém, enfrenta resistência no Congresso. O presidente da Câmara, Hugo Motta, incluiu na pauta um projeto de decreto legislativo para revogar as mudanças, o que pode ser votado ainda hoje. A incerteza sobre o desfecho da votação injeta volatilidade no mercado financeiro.

A alta do IOF também afeta o comportamento dos investidores. Empresas que dependem de crédito ou operações internacionais enfrentam custos maiores, o que pode impactar preços e reduzir a competitividade. Para pessoas físicas, a medida encarece viagens e compras no exterior, além de aportes em previdência privada do tipo VGBL, que agora têm alíquota de 5% para valores acima de R$ 50 mil mensais. A pressão sobre o câmbio é agravada por essa percepção de aumento de custos operacionais.

  • Impactos do aumento do IOF:
    • Compras com cartão internacional: alíquota de 3,5%.
    • Remessas ao exterior: de 1,1% para 3,5%.
    • Previdência VGBL: 5% para aportes acima de R$ 50 mil/mês.
    • Crédito para empresas: alíquota anual de até 3,95%.

Ação do Banco Central

O Banco Central entrou em cena para conter a volatilidade do câmbio. Na manhã desta quarta-feira, a autarquia realizou um leilão de US$ 1 bilhão no mercado à vista, combinado com a oferta de 20 mil contratos de swap cambial reverso, equivalente a mais US$ 1 bilhão. Conhecida como “casadão”, a operação é neutra no curto prazo, pois as quantidades se equilibram, mas visa ajustar o cupom cambial, que reflete a diferença entre as taxas de juros em reais e em dólares. Operadores de mercado apontam que a medida busca oferecer liquidez em um momento de saída sazonal de capitais, comum no fim do semestre.

A estratégia do BC, embora técnica, não impede a valorização do dólar no curto prazo. A percepção de risco doméstico, somada às incertezas externas, mantém a moeda norte-americana em alta. Profissionais do mercado destacam que a saída de capitais no fim de junho é um movimento esperado, mas a combinação com os fatores globais amplifica a pressão sobre o real.

Reação do mercado financeiro

A Bolsa de Valores brasileira (B3) também sente os impactos do cenário. Após operar em alta na terça-feira, o Ibovespa registrou queda de 0,44% no fechamento, a 137.272 pontos, refletindo a cautela com o aumento do IOF e as tensões globais. O mercado financeiro, representado por associações como a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), critica a alta do imposto, argumentando que ela eleva custos operacionais e desestimula investimentos.

No exterior, o S&P 500 se aproxima de máximas históricas, impulsionado pelo alívio temporário das tensões entre Irã e Israel. No entanto, a alta do petróleo, com o barril Brent subindo 1,4% a menos de US$ 70, reflete a persistência de incertezas no Oriente Médio. Esses movimentos globais reforçam a busca por ativos seguros, como o dólar, em detrimento de moedas emergentes.

  • Indicadores financeiros afetados:
    • Ibovespa: queda de 0,44%, a 137.272 pontos.
    • S&P 500: próximo de máxima histórica.
    • Petróleo Brent: alta de 1,4%, abaixo de US$ 70.
    • DXY: alta de 0,12%, a 97,975 pontos.

Perspectiva para o câmbio

O dólar a R$ 5,55 reflete um momento de alta volatilidade, mas operadores de mercado avaliam que a moeda pode se estabilizar caso as tensões no Oriente Médio diminuam e o Congresso defina o futuro do IOF. O Barclays, em relatório recente, reduziu sua projeção para o dólar no terceiro trimestre de R$ 5,95 para R$ 5,40, citando o elevado “carry” do real, que atrai investidores devido às altas taxas de juros no Brasil, atualmente em 14,75%. A visão otimista, porém, depende de avanços fiscais e de um cenário externo menos conturbado.

A pressão sazonal de saída de capitais deve se dissipar no início de julho, mas o mercado seguirá atento às decisões do Banco Central e às movimentações políticas em Brasília. A votação do projeto que revoga o IOF, em particular, será um divisor de águas para o câmbio nas próximas semanas.

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