Com presença do MEC e Socorro Neri, Acre sedia seminário sobre Plano Nacional de Educação e estabelece metas até 2035

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O Teatro Universitário da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco, recebe, nesta sexta-feira (27), a partir das 9h, o seminário sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE), promovido pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados.

O evento faz parte do ciclo de escutas públicas realizado nas capitais brasileiras e tem como objetivo reunir contribuições para a formulação das metas e estratégias da educação no país para o período de 2025 a 2035.

A atividade é aberta ao público e conta com a presença da deputada federal Socorro Neri (PP), vice-presidente da Comissão Especial do PNE.

Segundo a parlamentar, o debate busca assegurar que o novo plano contemple as especificidades regionais, com atenção especial à Amazônia.

“A discussão precisa considerar a diversidade da Amazônia, como a educação do campo, das águas, das florestas e a escolar indígena, levando em conta as particularidades de acesso e infraestrutura da região. Temos realidades em que, durante seis meses, é possível navegar pelos rios e, nos outros seis, trafegar por ramais, o que dificulta o transporte escolar e o acesso à educação”, afirmou Neri.

O Ministério da Educação (MEC) também esteve representado no seminário. Segundo o representante da pasta, Leo de Brito, a construção coletiva do novo plano é essencial para garantir avanços em todas as etapas da educação no país.

“Esse é um momento fundamental para a educação do Brasil e do nosso querido estado do Acre. Estamos aqui discutindo um plano que nasceu das conferências, inclusive realizadas no próprio estado, e que agora é aprimorado com a participação da sociedade e do parlamento. Queremos garantir qualidade, acesso e permanência nos diversos níveis da educação. Já avançamos na última década, mas, com esse novo plano, feito a várias mãos, poderemos avançar ainda mais”, afirmou.

O palestrante do evento foi o conselheiro nacional de educação, Israel Batista, integrante da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. Ele destacou os desafios impostos pela inteligência artificial ao ambiente escolar.

“A inteligência artificial é uma tecnologia de propósito geral que vai mudar tudo: a forma como aprendemos, processamos informação e entendemos o mundo. A escola precisa se preparar para isso. Deve ser um lugar de pausa e reflexão, voltado para a formação humana, competências socioemocionais e habilidades para a vida. Se hoje é possível automatizar a produção de textos, por exemplo, precisamos ensinar os estudantes a entender a importância da autoria e da agência humana”, explicou Batista.

O conselheiro também ressaltou a importância da presença da comissão no Acre:

“Estou muito contente por trazer esse debate à região Norte, às populações amazônicas. O Norte do Brasil é um grande vetor de desenvolvimento e precisa estar incluído nas discussões sobre o Plano Nacional de Educação. Estamos aqui para escutar”, completou.

O reitor do Instituto Federal do Acre (Ifac), Fábio Storch de Oliveira, também participou do seminário e defendeu a inclusão do chamado “fator amazônico” no planejamento da educação nacional.

“Hoje é um momento dos mais importantes para o futuro da educação no Brasil. O Plano Nacional de Educação discute o futuro da educação pública gratuita pelos próximos dez anos. Aqui no Acre, essa discussão é ainda mais significativa. Temos contratos e serviços na área educacional que podem custar até 60% mais do que em outras regiões. Nosso pedido é que o plano trate dessa realidade e garanta investimentos proporcionais às dificuldades de se oferecer uma educação pública de qualidade no nosso estado, assegurando equidade, justiça e respeito ao nosso povo”, afirmou.

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