Bioeconomia, minerais críticos e infraestrutura subfluvial tornam o Norte estratégico para o país

⏱️ 5 min de leitura

Jornada Nacional de Inovação realiza último encontro para discutir desafios e diferenciais da região Norte; evento reuniu empresas e instituições de fomento em Belém (PA)

Não dá para falar de um projeto de desenvolvimento para o Brasil sem considerar as demandas e os potenciais de cada região. Olhando para trás, a Região Norte ficou isolado desse projeto por muito tempo. E é olhando para a frente, para os desafios não só nacionais, mas globais, em médio e longo prazo, que é possível assimilar a relevância estratégica da região.

Com um ecossistema de inovação focado em bioeconomia, uma das maiores reservas em minerais críticos do mundo, conectividade e logística de baixa emissão de carbono, o Norte parece estar no futuro. Apesar dos diferenciais competitivos, sofre com problemas estruturais do século passado, como formação profissional, energia e transporte.

“Temos a capacidade de transformar a realidade da região Norte e deixar de ser fornecedor de insumos não processados para nos tornarmos uma cadeia de conversão de novos negócios. Com respeito as nossas características regionais e ancestralidades, e de maneira integrada ao projeto de país. Eu não me convenço de que a nossa região tenha que ser uma sub-região da nação. Então vamos agir, e é isso que estamos fazendo aqui”, reforçou o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), Alex Carvalho.

Jornada termina com encontros em 49 cidades

A Jornada Nacional de Inovação da Indústria surgiu com a proposta inédita – e ousada – de percorrer todos os estados brasileiros para ouvir dos empresários quais são os principais desafios e oportunidades para inovar.

Depois de passar por 48 cidades, a caravana promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) fez sua última parada em Belém, com o encontro regional Norte. Os resultados consolidados das cinco regiões serão apresentados no Congresso Nacional de Inovação, no WTC em São Paulo, dias 25 e 26 de março.

“Inovação precisa não só de ciência e tecnologia, mas de infraestrutura, energia, ambiente regulatório favorável. Nosso objetivo é pensar num Brasil de 10 anos para frente, reclamando do Brasil de 10 anos para trás. Conversamos sobre infraestrutura, pessoas, regulação, modelos de negócio”, destacou o diretor de Desenvolvimento Industrial, Tecnologia e Inovação da CNI, Jefferson Gomes.

Bioeconomia, minerais críticos e infraestrutura subfluvial tornam o Norte estratégico para o país

Principais conclusões da região Norte

Conforme levantamento e escuta dos empresários, a região é referência em bioeconomia, com centros de pesquisa e startups dedicadas a estudar e produzir com recursos biológicos da floresta.

Concentra 30% do estoque total de todos os minerais críticos e estratégicos do país, que são insumos para baterias elétricas e ímãs de alta performance para energia limpa. E detém 22% das reservas globais de níquel, lítio e grafite, que também são minerais estratégicos indispensáveis para a transição energética.

Apesar de ter infraestrutura digital e de logística de baixa emissão de carbono, os empresários apontam necessidade de mais investimentos em transporte e conectividade. Assim como outras regiões do país, carece de formação de capital humano e desburocratização de acesso a incentivos financeiros para inovação.

Outro grande salto que a região pode dar é integrar a bioeconomia com tecnologias da indústria 4.0 como Inteligência Artificial e blockchain para rastreabilidade dos ativos da biodiversidade. A rastreabilidade é importante para garantir a legalidade e transparência na cadeia produtiva, permitindo monitorar da origem à destinação final dos insumos.

O Norte também deve estar atento ao potencial de arrecadação via REDD+ Jurisdicional até 2030 com a preservação da floresta Amazônica. O REDD+ é um incentivo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) para recompensar financeiramente países em desenvolvimento por seus resultados de Redução de Emissões de gases de efeito estufa provenientes do Desmatamento e da Degradação florestal.

Mas, para isso, é preciso superar os principais desafios levantados:

  • Infraestrutura logística e de transporte deficiente (24,8%)
  • Escassez e evasão de talentos (23,8%)
  • Acesso a fundos e financiamentos (20,8%)
  • Instabilidade regulatória e carga tributária (18,8%)
  • Infraestrutura energética para escalar produção (11,9%)

Programação do regional tem treinamento e visitas técnicas

A programação do encontro regional vai além da apresentação dos resultados da região Norte. Durante a manhã, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) apresentou como acessar os centros de pesquisa e os recursos não reembolsáveis da instituição.

À tarde, participaram da abertura, Alex Carvalho, presidente da Fiepa; Jefferson Gomes, diretor de Desenvolvimento Industrial da CNI; Fabio Krieger, gerente de Competitividade Setorial do Sebrae Nacional; Mariana de Oliveira Santos, coordenadora-geral de Instrumentos de Apoio à Inovação do
MCTI; e Renata Batista, gerente de Sustentabilidade e Inovação do Sebrae no Pará.

Além da apresentação de resultados da passagem da Jornada de Inovação pela região, ocorreram mesas de debate com empresas e instituições de fomento.

Estiveram presentes Larissa Sato Dias, sócia e fundadora da GSA Deeptech Educacional e Instituto Hator; Pedro Ferreira, diretor-executivo da Premint Pré-moldados Inteligentes; Sérgio Ferreira, gerente executivo de Projetos de Energias Renováveis da Hydro Alunorte; Fábio Cavalcante, coordenador de Relações com o Mercado da Embrapii; Rodrigo de Lima, gerente do Departamento Regional Norte da Finep; Luiza Sidonio, gerente de Inovação e Estratégia Industrial do BNDES; e William Medeiros, que apresentou o programa Procel.

Na quinta-feira (12), os inscritos poderão participar de um treinamento do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) sobre registro de marcas e depósito de patentes; e de visitas técnicas à fábrica da Natura e aos Institutos de Tecnologia da Vale e do SENAI de Inovação em Tecnologias Minerais (ISI-TM).

O post Bioeconomia, minerais críticos e infraestrutura subfluvial tornam o Norte estratégico para o país apareceu primeiro em Sistema Federação das Indústrias do Estado do Acre – FIEAC.

Mais Lidas

Vagas de estágio do CIEE no Acre exigem cadastro atualizado

Estudantes regularmente matriculados podem consultar vagas de estágio do CIEE no Acre. Cada oportunidade possui critérios próprios de curso, cidade, jornada, bolsa e prazo de inscrição.

Estudantes do Acre podem concorrer a vagas de estágio na área administrativa ofertadas pelo CIEE

O Centro de Integração Empresa-Escola- CIEE está com vagas abertas de...

AD Rio Branco reúne mais de 1.500 participantes no 8º Encontro Estadual de Lideranças

A Assembleia de Deus Ministério Rio Branco realizou, entre 23 e 25 de julho, o 8º Encontro Estadual de Lideranças. Segundo a organização, mais de 1.500 participantes estiveram na programação, que terminou com a consagração de mais de cem obreiros.

Alysson Bestene anuncia revitalização do Parque Chico Mendes aos 30 anos, mas custo e cronograma ainda não foram divulgados

A Prefeitura de Rio Branco realizou uma vistoria técnica no Parque Ambiental Chico Mendes em 10 de julho de 2026 e anunciou melhorias no pavimento, na academia ao ar livre e nos brinquedos. O espaço completa 30 anos em 31 de julho e possui 57 hectares de floresta preservada, reunindo lazer, educação ambiental, pesquisa e conservação da fauna e da flora amazônicas. A gestão do prefeito Alysson Bestene também apresentou, em maio, o projeto de um novo mirante com 30 metros de altura, elevador panorâmico e espaço para café ou lanchonete. Apesar dos anúncios, ainda não foram divulgados o orçamento consolidado, a fonte dos recursos, o cronograma, a modalidade de contratação e a data prevista para início e conclusão das intervenções. A reportagem acompanhará a transformação da vistoria e dos projetos anunciados em obras contratadas, executadas e entregues.

Quanto custa preparar a Expoacre 2026? Prefeitura e Governo ainda não detalham o investimento total da operação

A preparação da Expoacre 2026 já mobiliza centenas de trabalhadores, máquinas e estrutura pública em Rio Branco. Embora a dimensão operacional tenha sido divulgada, informações fundamentais sobre o custo total da operação, contratos, origem dos recursos, patrocínios e estimativa oficial de retorno econômico ainda não foram detalhadas pelos órgãos responsáveis. A reportagem reúne as informações confirmadas, identifica os agentes públicos responsáveis e aponta quais dados permanecem pendentes de divulgação.

Últimas Notícias

Categorias populares