Após bloqueio judicial, influenciador acreano desativa perfis e é intimado a depor sobre tráfico de seguidore

Decisão da Vara Cível de Rio Branco aponta que influenciador promovia comercialização ilegal de curtidas e contas falsas para candidatos e empresários

✍️ Eliton Muniz – Caboco das Manchetes
⏱️ 3 min de leitura

[Cidade AC News – Rio Branco (AC)] — A Justiça do Acre bloqueou judicialmente, nesta quinta-feira (24), os perfis nas redes sociais do influenciador digital Bruno T. R., acusado de operar um esquema de venda de seguidores, curtidas e engajamento falso para perfis de políticos, empresários e até igrejas evangélicas. A decisão foi emitida pela Vara Cível de Rio Branco, após denúncia formalizada pelo Ministério Público Estadual (MPAC), que investiga um possível tráfico digital de influência com fins eleitorais e comerciais.

Segundo o inquérito, Bruno oferecia pacotes de visibilidade digital a partir de R$ 400, com a promessa de aumentar números em redes sociais como Instagram, TikTok e YouTube. O serviço incluía seguidores “internacionais”, curtidas em tempo real, visualizações programadas e até manipulação de enquetes.

“Não se trata apenas de vaidade. Existe aqui um possível uso ilegal de influência digital para desequilibrar disputas políticas, fraudar o consumo e enganar a opinião pública”, afirmou um dos promotores do caso, sob condição de anonimato.

A investigação teve início após denúncias de usuários que pagaram por pacotes e não receberam os serviços prometidos. A partir daí, a Polícia Civil do Acre identificou movimentações bancárias suspeitas, ligações com empresas fantasmas e registros de CPF utilizados para criar contas robôs — muitas delas baseadas na Índia e no Paquistão.

O influenciador, que conta com mais de 70 mil seguidores em um de seus perfis, desativou temporariamente suas redes sociais assim que soube da medida judicial. Ele também foi intimado a depor na próxima semana, podendo responder por estelionato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

O MPAC investiga, ainda, quem são os “clientes” do esquema — entre eles, segundo fontes ligadas ao caso, estariam ao menos dois pré-candidatos a vereador em Rio Branco, um pastor influente da Baixada da Sobral e uma loja de perfumes importados com forte presença digital no Instagram.

Para o advogado digital e professor da Ufac, Marcos Fontenele, o caso é simbólico e marca uma virada no entendimento do que é fraude eleitoral ou publicitária no ambiente digital:

“Seguidores falsos manipulam percepção social e violam o princípio da isonomia, seja no comércio, seja na política. Não é só feio, é ilegal.”

A Justiça determinou também que os perfis citados na denúncia sejam monitorados pela Meta (controladora do Instagram e Facebook), e que o Google Brasil forneça os acessos vinculados a canais de YouTube operados pelo influenciador. Há suspeita de que parte da monetização dos vídeos era inflada artificialmente.

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre (OAB/AC) publicou nota defendendo o avanço das investigações e a punição para quem usa a rede digital de forma enganosa:

“A democracia exige autenticidade também no mundo virtual. É inaceitável que mecanismos criados para fortalecer vozes legítimas sejam sequestrados por práticas enganosas.”

Com a repercussão do caso, outras denúncias começaram a surgir nos bastidores — inclusive entre influenciadores menores e perfis ligados a campanhas publicitárias no interior. O MPAC já estuda a criação de um núcleo de combate à manipulação digital no período eleitoral, com apoio da Justiça Eleitoral e parcerias com plataformas de mídia.

Enquanto isso, o nome do influenciador segue sendo mantido sob sigilo judicial, já que o caso ainda está em fase de apuração formal. O advogado de defesa afirmou, em nota, que seu cliente “trabalha com marketing digital há anos e jamais cometeu qualquer irregularidade”, prometendo colaborar com a investigação.


✍️ Eliton Lobato Muniz – Cidade AC News – Rio Branco – Acre

Mais Lidas

O que está por trás do fim da escala 6×1 — e por que 4 horas viraram símbolo de dignidade no Brasil

Fim da escala 6x1 expõe desgaste estrutural do trabalhador brasileiro.

Escala 6×1 expõe desgaste do trabalhador e crise estrutural no Brasil

Escala 6x1 reacende debate sobre desgaste e dignidade do trabalhador.

Acre aparece entre os piores estados em qualidade de vida e reacende debate sobre saída de moradores

Acre aparece entre os estados com pior qualidade de vida do Brasil.

Quando a eficiência pública começa a perder legitimidade

Eficiência administrativa perde força quando as regras deixam de valer igualmente.

Por que está cada vez pior dirigir em Rio Branco?

Trânsito em Rio Branco revela pressão urbana, frota alta e deslocamentos mais difíceis.

Últimas Notícias

Categorias populares