Projeto reúne escritores para transformar memórias, personagens e trajetórias pouco conhecidas em registro literário da história acreana; lançamento está previsto para dezembro
Por Fábio Lopes

Projeto reúne escritores para transformar memórias, personagens e trajetórias pouco conhecidas em registro literário da história acreana; lançamento está previsto para dezembro
Por Fábio Lopes
RIO BRANCO (AC), 17 de setembro de 2026 — Há histórias que estão nos livros. Outras sobrevivem apenas na memória de uma família, na conversa entre antigos moradores, em uma fotografia guardada ou na lembrança de quem conheceu personagens que ajudaram a construir uma comunidade.
É justamente para essas histórias que a Antologia Acreana “Vozes Esquecidas” pretende abrir espaço.
O projeto propõe reunir textos literários sobre pessoas, grupos sociais, comunidades e trajetórias que contribuíram para a formação histórica, cultural e humana do Acre, especialmente aquelas que nem sempre receberam destaque nos registros mais conhecidos do estado.
O edital define a obra como uma homenagem aos “heróis anônimos que ajudaram a construir a história do Acre” e estabelece que a publicação terá caráter cultural, colaborativo e editorial, sem funcionar como concurso literário.
A iniciativa reúne três instituições ligadas à literatura e à produção cultural acreana. O documento é assinado por José Dourado de Souza, presidente da Academia Acreana de Letras; Socorro Camelo, presidente da AJEB Acre; e Rosângela Fonseca, presidente da Sociedade Literária Acreana.
Mais do que reunir textos em um livro, a proposta coloca uma questão no centro da iniciativa: quantas histórias importantes para compreender o Acre permanecem apenas na memória de quem as viveu?
Nem todo herói tem seu nome em uma praça
Quando se fala na construção da história do Acre, grandes acontecimentos e personagens conhecidos ocupam naturalmente parte dos registros.
Mas um estado também é construído no cotidiano.
Por trabalhadores, famílias, professores, artistas, moradores de comunidades, lideranças locais e personagens populares. Por pessoas que ensinaram, cuidaram, produziram, organizaram, resistiram e participaram da transformação dos lugares onde viveram.
Nem todas chegaram aos livros.
Algumas permanecem conhecidas somente dentro de uma família, de um bairro, de uma colocação, de uma comunidade ou de determinado município.
É esse universo que ajuda a explicar o título “Vozes Esquecidas”.
A antologia pretende transformar parte dessas lembranças em registro literário, permitindo que experiências preservadas pela memória oral atravessem gerações também pela escrita.
Isso não significa substituir a pesquisa histórica formal pela literatura. A proposta do projeto é outra: registrar literariamente memórias, personagens e experiências humanas relacionadas à formação do Acre.
Uma história pode caber em quatro páginas
Talvez esteja aí uma das características mais interessantes da proposta.
Não é necessário escrever um livro inteiro para registrar uma vida.
O edital aceita crônica, conto, relato literário, texto memorialístico, poema e prosa poética. O trabalho precisa ser inédito, escrito em língua portuguesa e relacionado ao tema “Vozes Esquecidas”. Cada participante pode inscrever apenas um texto.
Cada autor terá até quatro páginas diagramadas para o texto, além de uma página destinada à fotografia e à minibiografia. O edital permite ainda o envio de até duas fotografias relacionadas à história apresentada.
É uma dimensão pequena no papel, mas potencialmente grande para a memória.
Uma lembrança de infância pode virar crônica.
A história de um antigo morador pode finalmente ser registrada.
A trajetória de uma pessoa conhecida apenas em determinada comunidade pode chegar às páginas de uma obra coletiva.
Uma fotografia guardada durante décadas pode encontrar contexto.
E uma memória que corria o risco de desaparecer com o passar das gerações pode permanecer acessível a outros leitores.
Quem pode participar
O chamamento estabelece a participação de autores brasileiros, acreanos ou residentes no Acre, maiores de 18 anos. Cada participante poderá apresentar um único texto.
A participação ocorre mediante adesão ao projeto editorial, com taxa de R$ 300. A inscrição somente é homologada depois do recebimento do material exigido e da confirmação do pagamento.
Cada autor participante receberá dois exemplares da obra. O edital informa ainda que exemplares adicionais poderão ser adquiridos por R$ 65.
O documento estabelece como período original de inscrições 15 de junho a 15 de setembro de 2026. Como esse prazo já terminou, eventual prorrogação precisa ser confirmada diretamente com a organização antes de se afirmar que novas inscrições continuam sendo recebidas.
Curadoria e direitos dos autores
Os trabalhos serão submetidos à curadoria editorial, que analisará o cumprimento das normas, a adequação ao tema e a observância dos princípios éticos e legais.
A organização poderá sugerir ajustes editoriais e, conforme o edital, serão recusados os textos que estiverem em desacordo com as regras do chamamento.
Há ainda uma definição importante sobre propriedade intelectual: os autores permanecem titulares dos direitos autorais de seus textos. Ao aderirem ao projeto, autorizam gratuitamente a publicação e a divulgação do material no âmbito da antologia.
O compromisso com a memória
Existe uma dimensão da memória que documentos oficiais nem sempre conseguem alcançar.
Uma fotografia antiga.
Um nome que quase ninguém mais conhece.
Uma história repetida pelo avô.
A professora que marcou gerações.
O trabalhador que participou da construção de uma comunidade.
A mulher que ajudou dezenas de famílias e nunca apareceu em uma homenagem pública.
O personagem popular que todos conheciam pelo apelido, mas cuja história nunca foi registrada.
Isoladamente, essas lembranças podem parecer pequenas. Juntas, ajudam a formar a memória social de um lugar.
E existe um risco simples: quando uma geração deixa de contar determinada história, a geração seguinte pode nem sequer saber que ela existiu.
É nesse ponto que literatura e memória se encontram na proposta de “Vozes Esquecidas”.
A antologia não pretende definir sozinha quem construiu o Acre nem transformar toda lembrança em documento histórico. O que ela pode fazer é abrir páginas para narrativas que dificilmente encontrariam espaço nos registros tradicionais.
Porque esquecer também é perder uma parte da história
Talvez a maior importância de uma iniciativa como essa esteja justamente naquilo que não aparece imediatamente.
Uma história contada dentro de casa pode carregar parte da memória de um bairro.
A lembrança de um trabalhador pode ajudar a compreender como uma comunidade se formou.
Uma trajetória individual pode revelar costumes, dificuldades, transformações e relações sociais de determinada época.
Quando essas experiências não são registradas, parte desse patrimônio imaterial corre o risco de desaparecer junto com as pessoas que ainda conseguem contá-lo.
“Vozes Esquecidas” nasce, portanto, de uma proposta simples: abrir espaço para que essas histórias continuem existindo por meio da literatura.
O Acre que conhecemos hoje não foi construído somente pelos grandes nomes registrados oficialmente.
Foi construído também por pessoas que trabalharam, criaram, ensinaram, cuidaram, enfrentaram dificuldades e participaram da vida de suas comunidades sem imaginar que, décadas depois, alguém poderia decidir escrever sobre elas.
Agora, algumas dessas histórias podem ganhar páginas.
E talvez uma delas ainda esteja guardada na memória de quem lê esta matéria.
O próximo movimento
O cronograma previsto no edital estabelece setembro e outubro para revisão editorial e diagramação dos trabalhos.
A impressão gráfica está programada para novembro e o lançamento da antologia para dezembro de 2026.
É nesse processo que as histórias apresentadas pelos autores deixarão arquivos pessoais, lembranças familiares e narrativas transmitidas oralmente para assumir a forma de uma obra coletiva.
Serviço
Antologia Acreana: Vozes Esquecidas
Tema: personagens, grupos sociais, comunidades e trajetórias ligados à formação histórica, cultural e humana do Acre
Período de inscrições previsto no edital: 15 de junho a 15 de setembro de 2026
E-mail: [email protected]
WhatsApp: (68) 98423-1872
Taxa de adesão: R$ 300
Lançamento previsto: dezembro de 2026
Perguntas e respostas
O que é a Antologia Acreana “Vozes Esquecidas”?
É um projeto editorial colaborativo destinado a reunir textos literários sobre personagens, comunidades, grupos sociais e trajetórias relacionadas à formação histórica, cultural e humana do Acre.
Quais tipos de texto são aceitos?
Crônica, conto, relato literário, texto memorialístico, poema e prosa poética, desde que inéditos e relacionados ao tema.
Quem pode participar?
Segundo o edital, autores brasileiros, acreanos ou residentes no Acre, maiores de 18 anos. Cada participante pode apresentar apenas um texto.
Existe taxa de participação?
Sim. O edital estabelece taxa de adesão de R$ 300. Cada participante recebe dois exemplares da obra.
Quando será lançado o livro?
O cronograma prevê o lançamento da antologia para dezembro de 2026.
Ainda é possível se inscrever?
O edital estabelece 15 de setembro de 2026 como data final das inscrições. Como o prazo previsto no documento já terminou, eventual prorrogação precisa ser confirmada diretamente com a organização.
PADRÃO EDITORIAL CIDADE AC NEWS
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AUTOR
Fábio Lopes — Jornalista | Cidade AC News



