Acre recebe 1º Seminário Nacional de Saúde Indígena e Mudanças Climáticas

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O Acre sedia o 1º Seminário Nacional de Saúde Indígena e Mudanças Climáticas, que reúne lideranças indígenas, profissionais de saúde e organizações parceiras para discutir os impactos dos eventos climáticos extremos na saúde dos povos indígenas. A programação se iniciou nesta quarta-feira, 24, e se estende até sexta, 26, no espaço e-Amazônia, na Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco.

Organizado pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde do Acre (Sesacre), a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do Sistema Único de Saúde (AgSUS) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o evento tem como principal objetivo produzir subsídios para o Programa Nacional de Resiliência Climática em Saúde Indígena.

“É um privilégio para o Acre sediar o primeiro Seminário Nacional de Saúde Indígena e Mudanças Climáticas, um tema de grande relevância não apenas para a saúde, mas também para outras áreas, que precisam se unir na construção de estratégias de cuidado aos povos indígenas. Recebemos este seminário com muito orgulho e entendemos como uma oportunidade de contribuir de forma significativa, voltando as atenções para o nosso território e oferecendo o apoio necessário às comunidades indígenas”, destacou a secretária adjunta de Atenção à Saúde da Sesacre, Ana Cristina Moraes.

Acre recebe 1º Seminário Nacional de Saúde Indígena e Mudanças Climáticas
Encontro promove compartilhamento de informações, experiências e estratégias. Foto: Tiago Araújo/Sesacre

A iniciativa busca construir soluções coletivas com a participação de lideranças indígenas, profissionais de saúde, o público atendido pelo Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS) e instituições parceiras.

“Estamos reunindo lideranças de todos os biomas para discutir, em nível nacional e local, os impactos das mudanças climáticas na saúde indígena. É muito significativo que o primeiro evento nacional aconteça no Acre, um território que tem sofrido intensamente com eventos extremos, como longos períodos de seca e cheias muito intensas. Trazer essa discussão para cá nos permite avançar em etapas de construção coletiva, com a expectativa positiva de iniciar a elaboração do programa junto aos parceiros”, explicou o assessor do gabinete da Sesai e coordenador do Comitê de Resposta a Eventos Extremos na Saúde Indígena, Vanderson Brito.

Durante os três dias de programação, o encontro promove o compartilhamento de informações, experiências e estratégias voltadas para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, como secas, queimadas, enchentes e outros eventos extremos que impactam diretamente a vida das comunidades indígenas.

A importância de fortalecer o debate a partir das vivências nos territórios também foi destacada por Marciane Tapeba, participante do seminário: “Discutir mudanças climáticas é de extrema importância. Até pouco tempo atrás, tratávamos o tema como algo distante, mas hoje vivemos seus efeitos de forma concreta. Trazer esse debate para o centro, envolvendo lideranças, especialistas, profissionais de saúde e o controle social, é fundamental, porque as mudanças climáticas atravessam todas as áreas e impactam diretamente a saúde indígena. Buscamos construir diretrizes, propostas e encaminhamentos coletivos a partir dos territórios, ouvindo quem está na ponta e fortalecendo estratégias que possam ser levadas também a nível nacional”.

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Lideranças indígenas, profissionais de saúde e organizações parceiras discutem impactos dos eventos climáticos extremos na saúde dos povos indígenas. Foto: Tiago Araújo/Sesacre

O secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, ressaltou que o seminário é também um espaço de planejamento estratégico para superar os desafios que os povos indígenas enfrentam diante dos eventos extremos.

“Este é um momento de organização, planejamento e preparação de estratégias para enfrentar os impactos dos eventos extremos na saúde. Nos últimos anos, tivemos muitas dificuldades em levar assistência aos territórios, especialmente diante de enchentes, secas e queimadas na Amazônia. Agora, buscamos trocar experiências e construir protocolos e medidas mais eficientes, inclusive no âmbito regulatório e normativo, para garantir financiamento e apoio às políticas de saúde indígena em todo o país”, disse.

Tapeba acrescentou que a Sesai já vem estruturando medidas para ampliar o enfrentamento. “Criamos um comitê de respostas rápidas a eventos extremos na Sesai e nossa intenção é desenvolver um Programa de Resiliência Climática em Saúde Indígena. Já temos pronto o Programa Nacional de Saneamento Indígena, que será lançado na COP 30, e a ideia é integrar as duas iniciativas. A partir desses programas, queremos consolidar protocolos e garantir recursos que permitam superar as dificuldades enfrentadas pelos territórios indígenas diante dos eventos climáticos extremos”, explicou.

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