Abandono à vista: Hospital de Feijó opera sem autoclave e expõe pacientes a risco de infecção

Cidade AC News – Adm. Eliton Muniz
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“Falta o mínimo”: Hospital de Feijó atua sem esterilização adequada e transporta riscos junto aos pacientes.

O que deveria ser um centro de atendimento e proteção à saúde em Feijó tornou-se o retrato da omissão. Na última segunda-feira (9), uma equipe técnica do Sindicato dos Médicos do Estado do Acre (Sindmed-AC) visitou o Hospital Geral de Feijó e confirmou aquilo que servidores da unidade já denunciavam há semanas: o hospital não possui autoclave — equipamento indispensável para esterilizar instrumentos cirúrgicos e médicos.

Sem o aparelho, o que ocorre é um improviso que pode custar caro. Os materiais utilizados em atendimentos são enviados para o município de Tarauacá, onde passam pelo processo de desinfecção, retornando para Feijó. Nesse vaivém entre cidades, o que se transporta, além dos equipamentos, é o risco à vida de pacientes e o temor constante de infecções hospitalares.

“A situação é inadmissível. A ausência de um autoclave compromete diretamente a segurança do paciente. Não há procedimento seguro sem material esterilizado”, protestou a diretora do Sindmed-AC, Luíza Zamith.

Estrutura improvisada, dor multiplicada

Ao percorrer as instalações, os técnicos se depararam com mais que a ausência de um aparelho. Encontraram uma estrutura frágil, improvisada e insuficiente. O espaço destinado ao atendimento da população, que deveria ser provisório até a entrega da nova sede da OCA, é reduzido e desconfortável. Pior: caso um paciente atenda no pronto-socorro e necessite de internação, precisa ser transferido por um corredor externo, sem cobertura, mesmo sob chuva ou sol forte — uma jornada de abandono dentro da própria unidade.

A precariedade vai além. A sala de exames de imagem está inoperante por falta de raio-X. Hoje, para realizar simples exames, os pacientes precisam ser levados em uma van até o prédio antigo do hospital — cuja obra de reconstrução está inacabada há mais de um ano, sem previsão de conclusão.

Obras paradas, promessas esquecidas

A reforma do Hospital Geral de Feijó teve início em agosto de 2023, com previsão de entrega para abril de 2024. Já se passaram dois meses do prazo e o cenário permanece o mesmo: paredes nuas, equipamentos ausentes e nenhuma resposta concreta por parte do governo. Os profissionais de saúde fazem o possível. Mas não é possível salvar vidas quando se trabalha em condições de guerra.

Sindmed exige respostas e ação imediata

Diante do atraso e da gravidade das denúncias, o Sindmed-AC anunciou que irá formalizar todas as constatações em documentos que serão encaminhados ao Ministério Público Estadual (MPE), ao Conselho Estadual de Saúde (CES) e ao Conselho Regional de Medicina (CRM). A entidade também exige que o governo do Estado apresente um plano emergencial de resposta, com prazos reais e ações práticas.

Quando a esterilização falha, o risco é letal

O caso de Feijó expõe muito mais que uma falha administrativa. Revela uma crise ética e moral na forma como a saúde pública vem sendo tratada no interior do Acre. Não há como defender o que é indefensável: não se faz medicina segura com improviso, nem se protege a vida com descaso.

Feijó pede socorro — e não apenas através de seus pacientes, mas também por meio dos médicos, enfermeiros e servidores que todos os dias enfrentam o abandono com coragem.

E o mínimo que se espera é uma resposta.

Por Eliton Muniz – Cidade AC News

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