Ucrânia reage à exclusão de atleta nos Jogos de Inverno e fala em “momento de vergonha”

O governo da Ucrânia criticou a decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) de desclassificar o piloto de skeleton Vladislav Heraskevich nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026. O atleta foi impedido de competir após se recusar a utilizar um capacete diferente do modelo que trazia imagens de esportistas ucranianos mortos no conflito com a Rússia.

A medida foi condenada publicamente pelo ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou: “O COI vetou não apenas o atleta ucraniano, mas também a sua própria reputação. As gerações futuras se referirão a isso como um momento de vergonha”.

Veja as fotos

Reprodução
Jogos Olímpicos de Inverno começam em 22 de fevereiroReprodução
Reprodução/COB
Brasil no desfile dos atletas em Pequim 2022Reprodução/COB

Em comunicado, o COI informou que o competidor “não poderá participar” dos Jogos Olímpicos de Inverno “após se recusar a cumprir as diretrizes do COI sobre a expressão dos atletas”. A decisão foi confirmada por um porta-voz do Comitê Olímpico Ucraniano: “Foi desclassificado”.

A entidade olímpica explicou que havia proposto, na terça-feira (10/2), uma alternativa ao atleta: o uso de uma braçadeira preta no lugar do capacete com as imagens. Segundo o COI, na manhã seguinte, Heraskevich se reuniu com a presidente Kirsty Coventry.

“Esta manhã, ao chegar às instalações da competição, Heraskevich se reuniu com a presidente do COI, Kirsty Coventry, que lhe explicou pela última vez a posição do COI. Como nas reuniões anteriores, ele se recusou a mudar a sua”, afirmou a entidade.

Diante da recusa, o caso foi encaminhado aos juízes da Federação Internacional de Bobsleigh e Skeleton (IBSF). “Foi tomada a decisão por parte dos juízes da Federação Internacional (de Bobsleigh e Skeleton, IBSF), com base no fato de que o capacete que ele queria usar não está de acordo com o regulamento”, informou o comunicado.

O COI acrescentou: “O COI decidiu, portanto, com pesar, retirar sua credencial para os Jogos Olímpicos de 2026. Apesar das numerosas conversas e discussões presenciais com Heraskevich (…) ele não quis chegar a um ponto de encontro”.

Porta-bandeira da Ucrânia na competição, Heraskevich havia treinado na segunda-feira (9/2) e na quarta-feira (11/2) utilizando o que pessoas próximas definiram como um “capacete memorial”, de cor cinza, com imagens serigrafadas de atletas ucranianos mortos na guerra.Após a decisão, o piloto se manifestou na rede social X: “Este é o preço da nossa dignidade”.

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, também comentou o caso. Em publicação no Instagram, escreveu: “Essa decisão parte o meu coração. Sinto que o Comitê Olímpico Internacional (COI) está traindo os atletas que fizeram parte do movimento olímpico ao não permitir que eles sejam homenageados onde nunca mais poderão competir. E nossos atletas mortos pela Rússia. O patinador artístico Dmytro Sharpar, caído em combate perto de Bakhmut; Yevhen Malyshev, biatleta de 19 anos, morto pelos ocupantes perto de Kharkiv; e outros atletas ucranianos cujas vidas foram ceifadas pela guerra travada pela Rússia”, afirmou.

O presidente ainda acrescentou: “Heraskevich lembrou para o mundo o preço de nossa luta. Esta verdade não pode ser considerada vergonhosa, inapropriada nem ser classificada como uma ‘manifestação política em um evento esportivo’”.

O atleta anunciou que pretende recorrer. Citando precedentes “nos quais o COI autorizou homenagens do tipo”, declarou: “Estamos preparando uma apelação formal perante o COI e vamos lutar para poder competir com este capacete”.

Mais Lidas

Expoacre soma 254 mil visitas, mas maioria dos rio-branquenses dizia não pretender ir

A Expoacre 2026 acumulou 254 mil entradas nos seis primeiros dias, enquanto pesquisa Fecomércio/DataControl mostra que 56,5% dos entrevistados em Rio Branco disseram que não pretendiam visitar a feira. Os números medem fenômenos diferentes e ajudam a explicar alcance, frequência e adesão ao maior evento do Acre.

PF investiga fraude no Seguro-Defeso no Acre e apura participação de agentes públicos

A Polícia Federal deflagrou a Operação Maré de Apate para investigar suspeitas de emissão e utilização irregular de registros de pescador artesanal no Acre. Seis mandados foram cumpridos em Rio Branco e Cruzeiro do Sul. A apuração também alcança a possível participação de agentes públicos e particulares e busca dimensionar eventual prejuízo aos cofres públicos.

Expoacre 2026: veja os principais fatos que marcaram as últimas 24 horas no maior evento do Acre

A Expoacre 2026 segue concentrando a agenda econômica, política e institucional do Acre. Confira os principais acontecimentos das últimas 24 horas e os impactos do maior evento do estado.

Marilza Brás e Cadmiel Bomfim: dois nomes ligados à Assembleia de Deus na disputa pela Aleac

Marilza Brás e Cadmiel Bomfim pretendem disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa pelo PL. Enquanto Cadmiel recebeu o apoio da direção da Assembleia de Deus em Rio Branco, Marilza apresenta currículo técnico, formação acadêmica e ligação com a mesma tradição religiosa. A disputa revela os limites do chamado “candidato da igreja” e reforça que a decisão eleitoral pertence ao cidadão.

Tião Viana e Peixes da Amazônia: após arremate de R$ 13,151 milhões, falta explicar qual é o papel atual

Tião Viana afirmou no Papo Informal que continua ajudando no “resgate” da Peixes da Amazônia. A antiga empresa está falida, enquanto os ativos do complexo foram arrematados pela OZ Earth. A declaração não esclarece se a atuação do ex-governador terminou na busca de investidores ou continua na estruturação da nova operação.

Últimas Notícias

Categorias populares