Detentos do Acre são aprovados em Sisu e Prouni e podem cursar nível superior

“No momento que eu soube dessa aprovação, eu fui pro meu cantinho onde eu posso orar e agradeci ao senhor (as lágrimas caindo)”, essa foi a reação de C. M. quando descobriu que havia sido aprovado, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), no curso de Engenharia Florestal, na Universidade Federal do Acre, campus de Cruzeiro do Sul.

Assim como ele, outras cinco pessoas privadas de liberdade no Acre, totalizando seis, foram aprovadas em cursos superiores por meio do Sisu e do Programa Universidade para Todos (Prouni), com a nota do Enem 2024. Para que os detentos possam cursar o ensino superior, é necessária uma autorização judicial, que vai garantir o acesso dessas pessoas às aulas.

C. M. cumpre pena na Divisão de Estabelecimento Penal de Cruzeiro do Sul e conta que escolheu Engenharia Florestal porque já tinha algum conhecimento na área e acredita que o curso superior é a chave para mudar de vida: “Estou pensando no futuro que eu vou ter. Pode mudar minha vida com o conhecimento que eu vou obter”.

A coordenadora técnica da Divisão de Estabelecimentos Penais de Cruzeiro do Sul, Vanilla Pinheiro, explica que apesar de o cenário de educação superior para as pessoas privadas de liberdade ainda ser muito restrito, essa tem sido uma causa abraçada por toda a equipe do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen) e da Secretaria de Estado de Educação (SEE): “Muitos reclusos chegam no sistema prisional sem o ensino fundamental completo. Então, ao longo dos anos, a gente tem tentado inserir o maior número deles para que obtenham ensino fundamental, posteriormente o ensino médio e, consequentemente, a oportunidade de fazer o Enem PPL”.

Para a chefe da Divisão de Educação Prisional do Iapen, Margarete Santos, muitos detentos procuram os serviços de educação ofertados no sistema prisional apenas pensando na remição da pena, mas ao longo das atividades, a mudança de pensamento vai acontecendo: “Temos muitos casos de pessoas que entenderam que aquilo [a educação] vai ajudá-los a ter uma nova condição de vida. Para essas pessoas, o nível superior abre um horizonte em espaços onde antes não se viam participando. Não é só o diploma, é um exercício mental de ‘eu faço parte dessa sociedade’”.

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