Clínica de Stanley Bittar enfrenta debandada de sócios, fechamento de unidades e demissões, diz jornal

Até a última segunda-feira (12), a Stanley’s Hair — rede que tem como um dos donos o médico acreano Stanley Bittar e possui 32 unidades no Brasil, além de filiais nos Estados Unidos (Orlando) e Paraguai — era considerada um dos maiores cases de sucesso do setor de transplante capilar e estética médica. Hoje, vive seu momento mais crítico.

Diversas unidades amanheceram com comunicados em suas fachadas informando o encerramento das atividades, deixando clientes e colaboradores sem explicações claras. Um dos avisos afixados dizia:

“Informamos o encerramento das atividades da Stanley’s Hair neste endereço. Solicitamos que entre em contato com a central para reagendamentos e maiores esclarecimentos. Contamos com sua colaboração e compreensão de todos. Contato: 0800.500.2515.”

Demissões em massa e esvaziamento da diretoria

Nos últimos 15 dias, mais de 100 colaboradores foram demitidos, evidenciando a instabilidade interna da empresa. A política de retaliação também teria sido intensificada: diretores e executivos que divergiam da condução do CEO foram desligados ou pediram demissão em protesto à gestão autoritária.

Entre os principais nomes que deixaram seus cargos estão o CFO (diretor financeiro), o diretor jurídico, o diretor médico, o diretor-geral da rede e o diretor comercial.

“A gestão tornou-se insustentável. Não havia espaço para diálogo, apenas imposições”, revelou um ex-diretor sob sigilo.

Estopim da crise: falta de repasses e má gestão

Fontes ouvidas com exclusividade revelam que o rompimento generalizado teve como estopim a ausência de repasses de dividendos a diversos sócios — há mais de quatro trimestres — mesmo com unidades que chegaram a faturar acima de R$ 10 milhões apenas em 2024.

Médicos dermatologistas e especialistas romperam com a gestão do CEO e fundador da rede, alegando decisões unilaterais, falta de transparência e ausência de governança corporativa.

“A conta não fecha. Produzimos, geramos resultados, investimos em estrutura, construímos reputação e não vimos retorno. Isso não é sociedade, é exploração”, desabafou um dos ex-sócios.

Histórico controverso do CEO

O CEO da Stanley’s Hair já esteve no centro de outras controvérsias no setor. Ele foi responsável por uma rede de clínicas médicas encerrada por decisão judicial, com dezenas de ações trabalhistas ainda em trâmite.

Apesar da fachada de sucesso nas redes sociais, os bastidores indicavam uma rotina marcada por cancelamentos de reuniões, promessas não cumpridas e falta de prestação de contas.

“Sem governança, não existe futuro sustentável”, reforçou outro ex-sócio.

Operação colapsada e risco de judicialização

Com a saída em massa de sócios e diretores — muitos dos quais também atuavam operacionalmente nas clínicas —, o funcionamento da rede está seriamente comprometido. Especialistas alertam para a possível pulverização da marca, queda no valor de mercado e uma onda de processos judiciais por parte de clientes e investidores.

Ex-franqueados já se organizam para lançar novas clínicas com um modelo pautado por ética, gestão participativa e transparência.

“Falar de gratidão nas redes é fácil. Difícil é praticar respeito e profissionalismo com quem construiu o sucesso ao seu lado”, critica um antigo parceiro.

Clientes sem respostas

Com o fechamento de unidades, clientes que já haviam pago por procedimentos permanecem sem informações claras sobre reembolsos ou remarcações. O comunicado da empresa orienta o contato com a central, mas advogados e ex-sócios recomendam que os consumidores também acionem judicialmente a holding e o CEO por danos financeiros e morais.

“Nos colocamos à disposição para colaborar no que for possível. Mas a responsabilidade legal é da holding e do CEO”, afirma um ex-franqueado.

Conclusão: um alerta para o setor de estética médica

O colapso da Stanley’s Hair expõe as consequências de uma gestão sem governança, ética e transparência. O que começou como um fenômeno de expansão pode agora se tornar um símbolo de como o sucesso mal administrado implode — deixando prejuízos para sócios, médicos, funcionários, clientes e para a credibilidade do setor como um todo.

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