Viva Maria debate o Dia Mundial da Água e o Marco do Saneamento

Viva Maria! No próximo domingo, 22 de março, o planeta celebra o Dia Mundial da Água. Mas, para além das celebrações, a data nos convoca a uma reflexão profunda sobre a água como um direito humano fundamental, essencial à vida e à dignidade. E para conversar sobre esse tema, recebemos hoje o sociólogo Edson Aparecido da Silva, secretário-executivo do ONDAS, o Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento. Seja muito bem-vindo ao Viva Maria, Edson!

Olá, Mara! É um prazer imenso estar aqui com vocês e com as ouvintes do Viva Maria. Falar de água é falar de sobrevivência, especialmente para as populações mais vulneráveis, que são as que mais sofrem com a falta de acesso.

 Edson, quando dizemos que a água é um direito humano, o que isso significa na prática das políticas públicas? Porque, infelizmente, o que vemos é uma lógica cada vez mais voltada para o mercado, não é?

Exatamente, Mara. Em 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas reconheceu explicitamente o direito humano à água e ao saneamento. Isso significa que o Estado tem a obrigação de garantir que todas as pessoas, sem distinção, tenham acesso a uma quantidade mínima de água potável, com qualidade e a um custo acessível. Na prática, isso deveria nortear as leis e os investimentos. No entanto, o Brasil vive um momento de grandes desafios com o chamado Novo Marco do Saneamento, a Lei 14.026 de 2020, que tem impulsionado a privatização dos serviços. E a lógica do setor privado é o lucro, o que muitas vezes colide com a garantia do direito de quem não pode pagar tarifas elevadas.

E este ano temos um marco importante, que são os 20 anos da Política Nacional de Águas e Saneamento, não é mesmo? Como você avalia esse percurso?

São duas décadas de muita luta. Tivemos avanços importantes no sentido de planejar o setor, mas a universalização ainda está longe, especialmente nas áreas rurais e nas periferias das grandes cidades. O ONDAS tem batido muito na tecla de que a água não é mercadoria. Precisamos fortalecer os serviços públicos e as formas de gestão comunitária. Não podemos permitir que o acesso a um elemento essencial à vida dependa da capacidade financeira do cidadão.

Com certeza, Edson. Água é vida, não é negócio! Muito obrigada pela sua participação e por trazer luz a essa discussão tão urgente neste Dia Mundial da Água.

 

8:21

Mais Lidas

Expoacre soma 254 mil visitas, mas maioria dos rio-branquenses dizia não pretender ir

A Expoacre 2026 acumulou 254 mil entradas nos seis primeiros dias, enquanto pesquisa Fecomércio/DataControl mostra que 56,5% dos entrevistados em Rio Branco disseram que não pretendiam visitar a feira. Os números medem fenômenos diferentes e ajudam a explicar alcance, frequência e adesão ao maior evento do Acre.

PF investiga fraude no Seguro-Defeso no Acre e apura participação de agentes públicos

A Polícia Federal deflagrou a Operação Maré de Apate para investigar suspeitas de emissão e utilização irregular de registros de pescador artesanal no Acre. Seis mandados foram cumpridos em Rio Branco e Cruzeiro do Sul. A apuração também alcança a possível participação de agentes públicos e particulares e busca dimensionar eventual prejuízo aos cofres públicos.

Expoacre 2026: veja os principais fatos que marcaram as últimas 24 horas no maior evento do Acre

A Expoacre 2026 segue concentrando a agenda econômica, política e institucional do Acre. Confira os principais acontecimentos das últimas 24 horas e os impactos do maior evento do estado.

Marilza Brás e Cadmiel Bomfim: dois nomes ligados à Assembleia de Deus na disputa pela Aleac

Marilza Brás e Cadmiel Bomfim pretendem disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa pelo PL. Enquanto Cadmiel recebeu o apoio da direção da Assembleia de Deus em Rio Branco, Marilza apresenta currículo técnico, formação acadêmica e ligação com a mesma tradição religiosa. A disputa revela os limites do chamado “candidato da igreja” e reforça que a decisão eleitoral pertence ao cidadão.

Tião Viana e Peixes da Amazônia: após arremate de R$ 13,151 milhões, falta explicar qual é o papel atual

Tião Viana afirmou no Papo Informal que continua ajudando no “resgate” da Peixes da Amazônia. A antiga empresa está falida, enquanto os ativos do complexo foram arrematados pela OZ Earth. A declaração não esclarece se a atuação do ex-governador terminou na busca de investidores ou continua na estruturação da nova operação.

Últimas Notícias

Categorias populares