Estado ocupa a 14ª posição nacional no indicador de pesquisa científica, enquanto aparece em 16º no conjunto do pilar de Inovação do Ranking de Competitividade dos Estados 2026
RIO BRANCO (AC) — A pesquisa científica no Acre alcançou a melhor posição da Região Norte e colocou o estado em 14º lugar entre as 27 unidades da Federação no Ranking de Competitividade dos Estados 2026. O Acre obteve 21,8 pontos no indicador, resultado que o deixa à frente de Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. O dado, porém, revela apenas uma parte da capacidade de inovação do estado.
Quando o levantamento amplia a análise e considera outros componentes ligados à inovação — como patentes, investimentos públicos em pesquisa e desenvolvimento, bolsas de pós-graduação, infraestrutura de apoio e empresas de alto crescimento —, o Acre ocupa a 16ª posição nacional no pilar de Inovação e fica atrás do Amazonas na Região Norte.
A diferença entre os dois resultados ajuda a compreender melhor o cenário acreano: o estado apresenta desempenho relativamente forte na produção científica, mas isso não significa, por si só, igual desempenho na transformação do conhecimento em inovação econômica e tecnológica.
Acre fica à frente de todos os estados do Norte em pesquisa científica
No indicador específico de Pesquisa Científica, o Acre registrou 21,8 pontos, ficando duas décimas acima do Amazonas, que aparece em 15º lugar no país, com 21,6.
O Amapá ocupa a 17ª posição nacional, com 20,6 pontos. Em seguida aparecem Pará, em 20º, com 19,3; Rondônia, em 24º, com 16,4; Roraima, em 26º, com 13,4; e Tocantins, na última posição, com 12 pontos.
No cenário nacional, a liderança é do Distrito Federal, com 34 pontos. Pernambuco e Espírito Santo aparecem em seguida, ambos com 31 pontos.
A comparação também dimensiona o resultado acreano. Apesar da liderança regional, os 21,8 pontos do estado ainda representam uma diferença de 12,2 pontos em relação ao Distrito Federal, primeiro colocado.
O que o ranking chama de pesquisa científica
Há uma distinção importante para interpretar corretamente os números.
O indicador não contabiliza simplesmente quantas pesquisas foram realizadas no Acre nem mede isoladamente quanto o governo estadual investiu em ciência.
Segundo a metodologia apresentada no levantamento, Pesquisa Científica considera a média ponderada do desempenho das instituições de ensino superior na dimensão de pesquisa do Ranking Universitário Folha (RUF), levando em conta o número de matrículas registrado pelo Censo da Educação Superior do Inep.
A avaliação considera elementos como produção e citações científicas, produtividade dos professores, impacto das publicações, presença em periódicos indexados, recursos destinados à pesquisa, bolsas de produtividade e produção acadêmica.
Portanto, a posição do Acre deve ser compreendida principalmente como um retrato do desempenho científico associado ao ensino superior, dentro da metodologia adotada pelo ranking.
Pesquisa científica é apenas uma parte da inovação
Esse ponto muda a leitura do resultado.
A Pesquisa Científica integra o pilar de Inovação, responsável por 7,1% da composição do Ranking de Competitividade. Mas ela é apenas um dos sete indicadores considerados nessa área.
Além da pesquisa, entram na avaliação Investimentos Públicos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), Patentes, Bolsas de Mestrado e Doutorado, Estrutura de Apoio à Inovação, Informação e Comunicação e Empresas de Alto Crescimento.
É justamente quando esses elementos são reunidos que surge uma diferença relevante.
O Acre, primeiro do Norte em Pesquisa Científica, aparece em 16º lugar no Brasil no pilar completo de Inovação. Regionalmente, ocupa a segunda posição, atrás do Amazonas, que aparece em 8º lugar nacional.
Isso significa que duas afirmações podem ser verdadeiras ao mesmo tempo: o Acre lidera o Norte no indicador de Pesquisa Científica, mas não lidera a região quando a capacidade de inovação é avaliada de forma mais ampla.
Acre avançou seis posições em inovação
Há, entretanto, outro dado relevante na comparação temporal.
O Acre estava em 22º lugar no pilar de Inovação em 2025 e passou para a 16ª posição em 2026, avanço de seis colocações. O resultado é apontado como o melhor desempenho do estado nessa área desde o início da série histórica do indicador, em 2016.
O avanço ganha peso quando comparado ao desempenho geral do estado.
Considerando os 100 indicadores distribuídos pelos dez pilares do Ranking de Competitividade, o Acre permanece na 26ª posição nacional. Na Inovação, portanto, o estado está dez colocações acima de sua classificação geral.
É uma diferença que ajuda a identificar uma área em que o Acre apresenta desempenho proporcionalmente melhor do que no conjunto da competitividade estadual.
O próximo desafio: da universidade para a economia e para a sociedade
A liderança regional em pesquisa científica abre uma segunda pergunta, que os números isolados não respondem: quanto do conhecimento produzido nas instituições acreanas consegue atravessar os limites acadêmicos e chegar à economia, aos serviços públicos e à vida da população?
A resposta exige observar os demais indicadores do próprio ranking.
Patentes ajudam a medir a transformação de conhecimento em propriedade intelectual. Investimentos em P&D mostram a capacidade de financiar pesquisa e desenvolvimento. Estruturas de apoio indicam se existe ambiente institucional para inovação. Empresas de alto crescimento ajudam a mostrar se esse ecossistema encontra espaço na atividade econômica.
O ranking, sozinho, não permite estabelecer uma relação causal entre a produção científica acreana e resultados econômicos ou sociais. Também não permite concluir que pesquisas realizadas no estado estejam deixando de chegar ao mercado.
Ele permite, entretanto, identificar uma diferença que merece acompanhamento: o Acre é 1º do Norte em Pesquisa Científica, mas 2º no pilar completo de Inovação e 26º no ranking geral de competitividade.
É nessa distância entre produzir conhecimento, convertê-lo em inovação e transformar inovação em desenvolvimento que está a próxima etapa da análise.
O Cidade AC News seguirá acompanhando os demais indicadores do Ranking de Competitividade dos Estados 2026 para identificar onde o Acre ganha posições, onde perde competitividade e quais fatores ajudam a explicar essa diferença.




