terça-feira, 3 março, 2026
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OPINIÃO. O Senado vai consertar a tributação de dividendos?

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OPINIÃO. O Senado vai consertar a tributação de dividendos?

A impressionante votação unânime do PL 1087/25 na Câmara dos Deputados (493 x 0), que ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda e instituiu uma tributação sobre os chamados “super ricos”, parece confirmar a célebre advertência de Nelson Rodrigues: “toda unanimidade é burra; quem pensa com a unanimidade não precisa pensar.”

Não se trata aqui de discutir a justiça da medida, mas de evidenciar inconsistências e armadilhas técnicas que podem gerar distorções relevantes, sobretudo para as empresas e seus acionistas.

Um dos pontos mais delicados do projeto é o risco de se tributar lucros acumulados antes da vigência da nova lei.

A versão original do PL previa a incidência sobre resultados pretéritos, o que afronta grosseiramente os princípios da segurança jurídica e da irretroatividade da lei tributária. Embora o relator na Câmara, Dep. Arthur Lira, tenha anunciado que corrigiria essa inconstitucionalidade, o texto aprovado condiciona a isenção ao cumprimento de duas exigências: a realização, até 31/12/25, de ato societário que aprove o pagamento dos lucros apurados até essa data, e o seu efetivo pagamento até 2028.

A primeira condição é praticamente inexequível, já que é humanamente impossível fechar o balanço deste ano em 31/12 e dado que a Lei permite às empresas  um prazo de quatro meses após o encerramento do exercício fiscal para aprovar suas demonstrações financeiras. A segunda condicionante, por sua vez, esbarra na própria Lei das SA e no Código Civil, que determinam o pagamento dos dividendos dentro do mesmo exercício social em que forem declarados.

Renan CalheirosNa prática, a tentativa de Arthur Lira de “corrigir” a inconstitucionalidade produziu o contrário: se não alterado no Senado, o texto causará uma corrida dos contribuintes ao Judiciário para assegurar a irretroatividade da nova tributação.  Faria bem o Senado se suprimisse aquelas duas condicionantes que, na prática, inviabilizam a isenção pretendida.

Para piorar, o relator, Senador Renan Calheiros, sinalizou a intenção de aprovar o projeto sem devolvê-lo para a Câmara (ou seja, sem mudanças substanciais), e classificou a isenção dos lucros acumulados como uma “brecha” a ser fechada. Tremei, contribuintes!

Calma que tem mais: o PL famosamente prevê a retenção de 10% de IR sobre dividendos pagos a pessoas físicas residentes no Brasil (acima de R$ 50 mil mensais) e a não-residentes (independentemente do valor).

A medida busca compensar a perda de arrecadação decorrente da ampliação da isenção do IRPF,  mas deve, segundo estimativas da própria Câmara, gerar uma arrecadação adicional de R$ 34 bilhões no primeiro ano, enquanto a renúncia fiscal trazida pelo PL é estimada em R$ 25 bilhões. Ou seja, o Governo ainda vai ficar com um “troco” de R$ 9 bilhões.

Entretanto, diferentemente de projetos anteriores, que vinculavam a tributação dos dividendos à redução da alíquota corporativa, o novo texto mantém a carga total de 34% (IRPJ + CSLL) sobre o lucro das pessoas jurídicas, adicionando ainda os 10% sobre os dividendos.

Para evitar que a carga global ultrapasse 34%, o PL que está no Senado cria um redutor que devolve parte do imposto sobre a “renda mínima” caso a tributação efetiva da empresa já atinja aquele patamar.

Ocorre que o mecanismo de cálculo da alíquota efetiva ignora o efeito dos prejuízos fiscais acumulados. Assim, empresas que compensarem prejuízos passados terão uma alíquota efetiva inferior a 34% e, portanto, não poderão usufruir integralmente do redutor, sujeitando-se aos 10% adicionais.

O resultado é uma espécie de anulação prática dos prejuízos fiscais: a Receita Federal permite o abatimento formal, mas o desconsidera na apuração da renda mínima. Desse modo, o imposto incide sobre um lucro artificial, ferindo o princípio de que o IR deve atingir apenas o aumento real de riqueza. A Receita acaba, assim, transformando-se em uma sócia perfeita: participa dos ganhos, mas não das perdas.

11213 1cfd225b 5f04 29ce 244d c3536e4fe5eaSomando-se a manutenção da alíquota de 34%, a incidência de 10% sobre dividendos e a desconsideração dos prejuízos fiscais, a carga tributária de IR e CSLL das empresas brasileiras pode atingir 44%. (Sem falar no novo IVA, que será o maior do mundo.)

O mesmo problema do prejuízo fiscal também atingirá os benefícios fiscais da SUDAM, SUDENE, os Juros sobre o Capital Próprio, a amortização de ágio para fins fiscais, o Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT), dentre vários outros.

Os efeitos de todos esses benefícios serão eliminados, não obstante cada um possua um fundamento particular para sua existência.

Assim, o PL 1087/25, que pretendia ser um instrumento de justiça tributária, corre o risco de converter-se numa galinha dos ovos de ouro para o Fisco em 2026, especialmente se vier a atingir lucros acumulados ou resultados artificiais.

A pretensa simplicidade da nova “renda mínima” esconde armadilhas técnicas capazes de violar princípios constitucionais e comprometer a segurança jurídica das empresas. Ignorar essas incoerências é arriscar-se a criar uma tributação mais injusta do que aquela que se pretende corrigir.

A expectativa é de que o texto seja votado hoje na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado antes de seguir para o Plenário.

Luiz Gustavo Bichara é sócio do Bichara Advogados.

 

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OPINIÃO. Decisão do STF sobre a Cide põe o Brasil na contramão do mundo

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OPINIÃO. Decisão do STF sobre a Cide põe o Brasil na contramão do mundo

O Supremo Tribunal Federal recentemente proferiu uma decisão reconhecendo a constitucionalidade da Cide (as Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico) sobre remessas ao exterior ainda que inexista qualquer vínculo — direto ou indireto — entre o fato gerador da contribuição e a finalidade de fomento à ciência e à tecnologia.

O entendimento surpreendeu a comunidade jurídica e econômica, pois o Supremo afirmou que basta a destinação dos recursos ao setor tecnológico para legitimar a contribuição, independentemente de haver conexão entre a operação tributada e o objetivo da intervenção estatal.

Com essa interpretação, a Corte validou a incidência da Cide não apenas sobre contratos de transferência de tecnologia mas também sobre toda e qualquer remessa ao exterior por serviços técnicos, administrativos, de assistência técnica ou royalties de qualquer natureza, abrangendo atividades de todos os setores da economia. Na prática, a contribuição passou a ter amplitude equivalente à de um imposto, distanciando-se de sua natureza interventiva original.

A decisão caminha em sentido oposto ao projeto de reforma tributária do consumo recentemente aprovado, cujo objetivo central é harmonizar o nosso sistema tributário com as melhores práticas internacionais, em especial a adoção de um modelo de IVA dual (IBS/CBS) fundado nos princípios de neutralidade e não cumulatividade.

Enquanto a reforma busca eliminar distorções e sobreposições na tributação de bens e serviços, a manutenção da Cide em moldes tão amplos cria uma nova camada de incidência sobre importações, sem qualquer mecanismo de crédito para compensação. Assim, o tributo transforma-se em custo adicional (um “resíduo tributário”) nas cadeias produtivas, violando o princípio da neutralidade econômica e prejudicando a competitividade das empresas que desenvolvem negócios e atividades no Brasil.

A amplitude conferida à Cide pela decisão do STF leva a um cenário ainda mais preocupante do que aquele observado com as chamadas digital taxes adotadas por alguns países europeus e asiáticos. Enquanto essas tributações estrangeiras delimitam hipóteses específicas — como a receita gerada por plataformas digitais ou publicidade online — a Cide brasileira, segundo o STF, atinge todos os tipos de serviços e remessas indistintamente.

O resultado é um modelo de tributação difuso, imprevisível e descolado das práticas internacionais, potencialmente gerador de dupla tributação e de insegurança jurídica para empresas nacionais e estrangeiras.

Um possível desdobramento positivo, ainda que indireto, é que o próprio STF reconheceu que cabe ao legislador definir os contribuintes da Cide. Nesse contexto, esse tema pode — e deve — ser levado à mesa de negociações nas conversas bilaterais entre Brasil e EUA que acabam de ser retomadas.

A partir de um diálogo institucional, o governo americano poderia propor ao brasileiro o alinhamento da tributação sobre tecnologia e serviços com os padrões internacionais. Este alinhamento poderia se concretizar mediante a edição de um projeto de lei ou medida provisória que revogue integralmente a cobrança da Cide sobre remessas desvinculadas de transferência de tecnologia ou restrinja expressamente, com efeito interpretativo, as hipóteses de incidência às operações que guardem relação direta com ciência e tecnologia.

A decisão do STF expandindo o alcance da Cide rompe com a lógica de um sistema tributário racional e neutro, ampliando o custo Brasil e afasta o País das diretrizes de simplificação e harmonização tributária que inspiraram a recente reforma do consumo. A reação do Executivo e o diálogo internacional podem representar a última oportunidade de reconduzir a contribuição ao seu propósito original, evitando que ela se converta em mais um obstáculo à modernização do sistema tributário brasileiro.

Luiz Roberto Peroba é
 sócio da área tributária do Pinheiro Neto.

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Na eleição de Miami tem de tudo. Inclusive gente esquisita

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Na eleição de Miami tem de tudo. Inclusive gente esquisita

Enquanto os holofotes estão voltados para quem vai ocupar a Prefeitura de Nova York, Miami vive uma disputa eleitoral ainda mais caótica e imprevisível.

Os miamenses vão às urnas hoje para escolher entre 13 candidatos a prefeito — alguns deles coronéis com um longo (e problemático) histórico de gestão pública.

Um exemplo é o pai do atual prefeito Francis Xavier Suarez, Xavier Suarez

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Suarez Pai também já foi prefeito de Miami, teve chapa impugnada por fraude eleitoral em outra oportunidade e agora está concorrendo novamente — desta vez contra um velho adversário político, o também ex-prefeito Joe Carollo, que é condenado por utilização da máquina pública para prejudicar negócios de eleitores rivais.

Mas a disputa deste ano vai além dos feudos locais. 

Apesar de não haver envolvimento formal de partidos no pleito, democratas e republicanos vão acompanhar os resultados de perto para reforçar (ou negar) a tese de transformação da Flórida, antes considerada um swing state, em um estado republicano.

Nessa linha, em um momento de encarecimento da vida na cidade, também será posta à prova nas urnas a transformação de Miami em um polo financeiro e tecnológico com impostos baixos. 

Até o Presidente Trump estará de olho, já que tem negócios na região e pretende construir sua biblioteca presidencial na cidade.

Diferentemente do prefeito de NYC, o chefe do executivo de Miami tem poderes menores — quem controla os orçamentos de transporte e segurança pública, por exemplo, é o prefeito do condado de Miami-Dade.

Entre as atribuições do prefeito de Miami estão: apontar o city manager, que é quem toca o dia a dia da cidade; presidir as reuniões da comissão municipal (a câmara legislativa da cidade, com 5 membros) podendo vetar as decisões do colegiado; e direcionar as prioridades de investimento.

Trata-se muito mais de um embaixador da cidade do que de um formulador de políticas públicas.

O grande legado do atual prefeito, Francis Xavier Suarez, foi atrair empreendedores e dar uma cara global a Miami, que renasceu como uma potência econômica nos últimos anos.

Francis gostou tanto do próprio trabalho que chegou a decidir, com o apoio da câmara local, que as eleições deste ano só ocorreriam no ano que vem, juntamente com o pleito que decidirá o novo governador da Flórida. 

O prefeito afirmou que a mudança — que coincidentemente o manteria no cargo durante a Copa do Mundo, que terá jogos em Miami — aumentaria o comparecimento eleitoral e tornaria a operação mais barata para os cofres públicos.

11 04 Emilio Gonzalez ok

Mas seu correligionário republicano Emilio Gonzalez levou o caso à Justiça e garantiu a realização da eleição este ano.

Gonzalez, que já foi city manager de Miami e chefiou o aeroporto da cidade, é tido como o candidato MAGA do pleito e recebeu o apoio do governador Ron DeSantis, mas não de Trump.

Suas grandes promessas são acabar com o imposto sobre a propriedade e reformular os sistemas de emissão de alvarás e licenças da cidade.

Outro candidato republicano é Alex Díaz de la Portilla, que já foi deputado estadual e comissário municipal (uma espécie de vereador) de Miami.

Ele foi retirado da comissão em 2023 por DeSantis após ser acusado de lavagem de dinheiro e suborno — mas foi inocentado.

Suas prioridades são reduzir o crime e melhorar o acesso a moradia. Para isso, ele propôe que as construtoras com projetos na cidade colaborem com um fundo voltado para a construção e reforma de moradias populares.

Os velhos conhecidos Xavier Suarez e Joe Carollo são os outros dois candidatos republicanos com pelo menos 5% das intenções de voto segundo sondagens da Downtown Neighbors Alliance e da Griffin Catalyst (o braço de filantropia de Ken Griffin), segundo a Axios.

Xavier Suarez foi prefeito de Miami entre 1985 e 1993, teve sua chapa impugnada por fraude eleitoral em 1998 e atuou como comissário de Miami-Dade County entre 2011 e 2020. 

Ele pretende expandir o bonde de Miami e vai pleitear que a Flórida congele os impostos sobre propriedade de casas até US$ 575 mil e assuma o seguro contra catástrofes das moradias populares.

Seu antigo rival, Joe Carollo, tenta voltar à prefeitura após governar a cidade entre 1998 e 2001. Ele é atualmente um dos cinco comissários da cidade, um cargo que reveza com o irmão Frank Carollo desde 2007. (Com Joe vagando o cargo de comissário, Frank tentará ocupar a vaga novamente.)

Joe, cujas propostas de campanha são melhorar a segurança pública e a oferta de moradias populares de Miami, foi condenado a pagar US$ 63,5 milhões a empresários apoiadores de políticos rivais por utilizar a prefeitura para estrangular os seus negócios.

Os quatro candidatos republicanos batalham por uma vaga no segundo turno, projeta o New York Times; o segundo turno ocorrerá em dezembro caso nenhum postulante alcance mais de 50% dos votos nesta terça-feira.

11 03 Eileen Higgins ok

A outra vaga tende a ficar com Eileen Higgins, que segundo o NYT é tratada pelos concorrentes como a favorita. 

No Polymarket, a democrata aparece com 83% de chances de vitória, contra 6% de Emilio Gonzalez.

Eileen, que é comissária do condado de Miami-Dade desde 2018, quer construir moradias populares e oferecer empréstimos para auxiliar os miamenses a manter suas casas.

O outro candidato democrata com chances de vencer a eleição é Ken Russell, que foi comissário da cidade entre 2015 e 2022.

Além de também querer criar moradias populares, Russell diz ter um plano anticorrupção que prevê expandir a comissão da cidade de cinco para sete membros e implementar limites de mandato mais rigorosos.

Caciques republicanos da região têm dito às suas bases que os dois candidatos democratas são extremistas e atentarão contra a agenda de Trump caso sejam eleitos, disse o Politico.

Mas Eileen e Russell garantem que seus eventuais governos não seriam partidários.

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Educação do Acre apresenta novo modelo de construção para escolas do campo

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Educação do Acre apresenta novo modelo de construção para escolas do campo

O governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), apresentou o novo padrão arquitetônico de escolas do campo, que propõe uma estrutura moderna, sustentável e adaptada à realidade amazônica. O projeto, que mescla alvenaria e madeira, busca garantir maior durabilidade, conforto térmico e acessibilidade, mantendo a simplicidade construtiva e o baixo custo de execução.

Educação do Acre apresenta novo modelo de construção para escolas do campo | Cidade AC News – Notícias do Acre
Projeto contou com a colaboração da comunidade. Imagem: Projeto SEE

Elaborado de forma coletiva, o projeto contou com a participação das comunidades escolares do campo e de técnicos do Departamento de Manutenção da SEE. Segundo o arquiteto e urbanista Matheus Filgueira, responsável técnico pelo modelo, a proposta “representa um avanço importante na infraestrutura das escolas do campo, unindo tradição e inovação para atender melhor nossos estudantes e profissionais”.

A previsão é que em 2026, sejam construídas 22 escolas no novo modelo. “Esse novo modelo de escola rural representa um avanço histórico para a educação do campo no Acre. Nós pensamos em cada detalhe com um olhar sensível às realidades das nossas comunidades, respeitando o modo de vida amazônico e garantindo mais conforto, acessibilidade e segurança para alunos e professores”, declara o secretário de Estado de Educação, Aberson Carvalho.

Educação do Acre apresenta novo modelo de construção para escolas do campo | Cidade AC News – Notícias do Acre
As novas escolas terão blocos integrados. Imagem: Projeto SEE

O modelo foi pensado para enfrentar os desafios climáticos e logísticos da Amazônia. As novas unidades terão dois blocos integrados por um pátio-refeitório, sendo o setor de serviços (banheiros, cantina e depósito) totalmente em alvenaria, e o setor de ensino com parte inferior em alvenaria e superior em madeira.

Essa solução evita o contato direto da madeira com o solo, reduzindo drasticamente a necessidade de manutenções e substituições futuras, um dos principais problemas das antigas estruturas escolares rurais.

Educação do Acre apresenta novo modelo de construção para escolas do campo | Cidade AC News – Notícias do Acre
Projeto mescla alvenaria e madeira. Imagem: Projeto SEE

Além disso, o projeto utiliza alvenaria aparente com acabamento em resina acrílica, o que dispensa pintura e reboco, tornando a manutenção mais simples e barata, especialmente nas áreas de difícil acesso onde há perdas de material durante o transporte fluvial.

As novas escolas atenderão integralmente às normas de acessibilidade (NBR 9050 e NBR 16537) e às exigências da Lei Brasileira de Inclusão (LBI). Rampas com corrimão, banheiros acessíveis e piso tátil em todos os ambientes garantirão autonomia a estudantes e profissionais com deficiência.

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Escolas atenderão normas de acessibilidade. Imagem: Projeto SEE

As cantinas escolares também seguirão padrões sanitários equivalentes aos das escolas urbanas, com revestimento cerâmico, depósito de merenda com prateleiras em concreto e sistema de exaustão, assegurando mais conforto e higiene no preparo das refeições.

Outro avanço é a inclusão de itens de prevenção e combate a incêndio, como extintores, luminárias e sinalização fotoluminescente de emergência, o que possibilitará que as unidades atendam plenamente aos critérios da Resolução CEE/225/2023, garantindo o credenciamento escolar junto ao Conselho Estadual de Educação do Acre.Educação do Acre apresenta novo modelo de construção para escolas do campo | Cidade AC News – Notícias do Acre

Mesmo em regiões sem energia elétrica, o modelo garante ventilação natural e conforto térmico. A cobertura alta, as amplas beiradas e a técnica de ventilação cruzada permitem a circulação constante do ar e o uso das janelas mesmo em dias chuvosos.

“O projeto nasceu da observação direta da realidade amazônica. Precisávamos de uma escola que respirasse, que fosse resistente e acolhedora ao mesmo tempo”, destaca Matheus Filgueira.

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Acre inicia qualificação para oferta do implante contraceptivo Implanon pelo SUS

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Acre inicia qualificação para oferta do implante contraceptivo Implanon pelo SUS

A Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) realiza, nesta terça-feira, 4, na Escola Técnica Maria Moreira da Rocha, em Rio Branco, a oficina de qualificação para implantação do implante subdérmico contraceptivo, o Implanon, na Atenção Primária à Saúde.

No Acre, 40 profissionais, entre médicos e enfermeiros, participam da formação voltada à inserção e ao manejo clínico do implante de etonogestrel, método contraceptivo de longa duração já incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e destinado a mulheres de 14 a 49 anos.

A implantação do implante subdérmico contraceptivo marca o início de uma nova etapa na ampliação do acesso das mulheres acreanas a métodos seguros e de longa duração. Inicialmente, a ação será implementada em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, com expansão prevista para todo o estado em 2026.

Acre inicia qualificação para oferta do implante contraceptivo Implanon pelo SUS | Cidade AC News – Notícias do Acre
Participaram da capacitação profissionais de saúde de Rio Branco e Cruzeiro do Sul. Foto: Tiago Araújo/Sesacre

“Estamos iniciando essa implantação com o compromisso de garantir o acesso equitativo das mulheres a um método contraceptivo eficaz e moderno, fortalecendo a autonomia sobre seus direitos reprodutivos e sexuais. Neste primeiro momento, o Ministério da Saúde priorizou municípios com mais de 50 mil habitantes, mas nossa meta é alcançar todas as regionais. À medida que novas remessas do insumo chegarem, seguiremos qualificando mais profissionais e ampliando a oferta do serviço em todo o Acre”, destacou Natan Ossami, chefe do Núcleo de Saúde da Mulher da Sesacre.

A ampliação do acesso aos métodos contraceptivos de longa duração reforça uma das prioridades Sesacre, o fortalecimento do planejamento sexual e reprodutivo. A iniciativa busca promover o cuidado integral à saúde da mulher, prevenindo gestações indesejadas e reduzindo riscos associados à gravidez precoce e à mortalidade materna.

“Reafirmamos o compromisso do governo do Estado em garantir o direito das mulheres a decidirem sobre sua vida reprodutiva de forma segura e consciente. Uma gestação indesejada pode colocar em risco tanto a vida da mulher quanto a do futuro bebê. Com a expansão de métodos como o Implanon, que antes estava disponível apenas na rede privada, estamos democratizando o acesso, fortalecendo a prevenção da gravidez na adolescência e contribuindo para a redução das mortes maternas relacionadas à gestação”, afirmou o coordenador estadual da Rede Alyne, Walber Carvalho.

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Coordenador estadual da Rede Alyne, Walber Carvalho destacou o compromisso do Estado com a saúde reprodutiva das mulheres. Foto: Tiago Araújo/Sesacre

A capacitação integra o processo nacional de qualificação promovido pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), que está sendo desenvolvido em todas as 27 unidades federativas do país.

“O Ministério da Saúde tem chegado aos estados para promover oficinas de qualificação voltadas à chegada dos implantes contraceptivos na Atenção Primária à Saúde. É um momento importante de troca de conhecimento e de aproximação com os territórios, reunindo profissionais da Atenção Primária, como médicos, enfermeiros e gestores, especialmente dos municípios que participam desta primeira fase da estratégia. Essa é uma ação que está sendo desenvolvida em todo o país, e o Acre tem a satisfação de estar entre os primeiros estados a receber a oficina de qualificação, fortalecendo a preparação das equipes para a oferta desse novo método contraceptivo”, salientou a consultora técnica de Atenção à Saúde das Mulheres do Ministério da Saúde, Hortência Medeiros.

Durante a oficina, também será realizada reunião do grupo gestor responsável pela logística de distribuição dos implantes no estado, com a participação de representantes da Sesacre, da Secretaria Municipal de Saúde de Rio Branco (Semsa), do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Acre (Cosems), dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSeis) e da Universidade Federal do Acre (Ufac).

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Implantação marca início de uma nova etapa na ampliação do acesso das mulheres acreanas a métodos seguros e de longa duração. Foto: Tiago Araújo/Sesacre

Participante da oficina, a médica da família e comunidade Lídia Martins ressaltou a importância da iniciativa para ampliar o acesso das mulheres a métodos contraceptivos seguros e fortalecer o vínculo com a Atenção Primária à Saúde.

“É muito significativo oferecer às mulheres a possibilidade de acesso a um contraceptivo de longa duração como o Implanon, garantindo liberdade para que escolham o melhor momento para serem mães. Muitas dessas mulheres talvez nunca tivessem acesso a um método como esse, e agora poderão encontrá-lo em uma unidade básica de saúde próxima de casa, com um profissional que já conhecem e confiam. Esse acompanhamento contínuo é essencial para esclarecer dúvidas, orientar sobre possíveis efeitos colaterais e garantir um cuidado integral durante todo o período de uso do contraceptivo”, afirmou.

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Plano Pena Justa auxilia Acre a reduzir número de pessoas que cumprem pena em unidades penitenciárias

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Plano Pena Justa auxilia Acre a reduzir número de pessoas que cumprem pena em unidades penitenciárias

O Sistema Penitenciário do Acre segue avançando nas metas do Plano Pena Justa, elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela União, que tem como principal objetivo o enfrentamento à superlotação e à inconstitucionalidade no sistema prisional brasileiro. Prova desse avanço se vê na redução do número de encarceramentos.

Segundo dados do Departamento de Execução Penal do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) referentes a setembro de 2025, cumprindo pena em cela física, ou seja, nos presídios do Acre, são 5.314 presos e outros 3.177 em monitoração eletrônica, enquanto, no mesmo período, no ano anterior, havia 5.479 presos em cela física e 2.539 em monitoração eletrônica, portanto, cumprindo pena fora dos presídios por meio de medidas alternativas, com as ferramentas que o Pena Justa proporciona. Dessa forma, em um ano, o Acre reduziu em 165 o número de pessoas encarceradas.

Plano Pena Justa auxilia Acre a reduzir número de pessoas que cumprem pena em unidades penitenciárias | Cidade AC News – Notícias do Acre
Número de encarceramento no Acre apresentam redução. Foto: Zayra Amorim

O presidente do Iapen, Marcos Frank Costa, explica que o resultado foi conquistado por meio de um trabalho responsável e comprometido, prova que o sistema penitenciário segue avançando: “Experimentamos uma pequena redução que ainda não consideramos significativa, mas que demonstra que estamos na direção correta. Iniciamos o ano com 5.390 pessoas presas e hoje temos 5.314 que cumprem penas nas unidades penitenciárias”.

O gestor destaca as aplicações das medidas alternativas com referência às ferramentas de regulação de porta de saída. “O plano Pena Justa nos traz algumas ferramentas, que devem ser trabalhadas para que seja realizada a redução da superlotação dos presídios no que diz respeito ao déficit de vagas, e eu trago aqui uma especial referência às ferramentas de regulação de porta de saída. Temos uma ferramenta que é denominada remoção cautelar, isso possibilita que algumas pessoas que cumprem penas nas unidades penitenciárias, após uma seleção e uma autorização judicial, possam trabalhar. No Acre, temos o aproveitamento dessa força de trabalho, por exemplo, no cultivo de café e na indústria de cerâmica”, informa.

Plano Pena Justa auxilia Acre a reduzir número de pessoas que cumprem pena em unidades penitenciárias | Cidade AC News – Notícias do Acre
Presidente do Iapen durante verificação no presídio. Foto: Zayra Amorim

O Plano Pena Justa tem apoio de diversos parceiros institucionais e da sociedade civil. No Acre, o plano estadual, que traça metas específicas para o Estado, foi construído pelo governo do Acre, por meio do Iapen, Tribunal de Justiça (TJAC), Ministério Público, sociedade civil organizada, universidades públicas e privadas e Defensoria Pública, tendo sido assinado no dia 7 de agosto deste ano, pelo governador Gladson Camelí e pelo presidente do TJAC, desembargador Laudivon Nogueira, e homologado no dia 17 de outubro pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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Governo do Acre promove curso sobre indicação e execução de emendas parlamentares na Lei Orçamentária Anual

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Governo do Acre promove curso sobre indicação e execução de emendas parlamentares na Lei Orçamentária Anual

Para promover uma gestão pública mais técnica, participativa e voltada para resultados, fortalecendo a integração entre os poderes Legislativo e o Executivo na construção de um orçamento mais eficiente e transparente, o governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan), deu início, nesta terça-feira, 4, em Rio Branco, ao curso “Emendas parlamentares estaduais na Lei Orçamentária Anual (LOA) 2026 – da indicação à execução orçamentária”.

Com duração de três dias, o evento tem por objetivo capacitar servidores públicos e assessores parlamentares sobre as etapas que envolvem o processo de indicação, análise e execução das emendas no orçamento estadual.

Promovida em parceria com o Departamento de Capacitação de Pessoas da Secretaria de Estado de Administração (Sead), a iniciativa faz parte das ações de fortalecimento da cultura de planejamento e aprimoramento da gestão orçamentária no Estado. O curso aborda desde os aspectos técnicos e legais da elaboração das emendas até os procedimentos necessários para sua execução eficiente, garantindo maior transparência e efetividade na aplicação dos recursos públicos.

A LOA é o instrumento que define, para cada exercício financeiro, a previsão de receitas e a fixação das despesas do Estado, sendo fundamental para assegurar o equilíbrio fiscal e o cumprimento das políticas públicas planejadas. As emendas parlamentares estaduais são parte integrante desse processo, pois permitem aos deputados direcionar recursos para atender demandas específicas das comunidades que representam. Por isso, compreender todas as etapas da LOA, da elaboração à execução, é essencial para uma aplicação correta e eficaz dos recursos públicos.

Governo do Acre promove curso sobre indicação e execução de emendas parlamentares na Lei Orçamentária Anual | Cidade AC News – Notícias do Acre
Capacitação tem como objetivo aprimorar o conhecimento técnico de servidores e assessores parlamentares sobre o processo de elaboração e execução das emendas. Foto:Ascom/Seplan

De acordo com o chefe do Departamento de Convênios Estaduais da Seplan, Elison Reis, a iniciativa busca qualificar o trabalho dos profissionais que atuam diretamente nesse processo.

“Melhorar a qualidade da indicação das emendas é um grande desafio. Quando elas são formuladas corretamente, a execução pelo Poder Executivo se torna mais rápida e eficiente. Por isso, capacitamos os assessores, para que compreendam todo o processo, desde a elaboração, passando pela legislação orçamentária, até a execução final, junto aos beneficiários das emendas”, explicou Reis.

Governo do Acre promove curso sobre indicação e execução de emendas parlamentares na Lei Orçamentária Anual | Cidade AC News – Notícias do Acre
Servidores e assessores parlamentares aprendem como transformar emendas bem elaboradas em resultados reais para a população. Foto: Ascom/Seplan

Representando o gabinete do deputado estadual Arlenilson Cunha, o assessor parlamentar Marcus Huck destacou a importância da formação para aprimorar o trabalho com as emendas como instrumento de alcance social, levando benefícios diretos à população. “Esse curso é essencial para compreendermos melhor todo o processo, tanto do ponto de vista legislativo quanto executivo, garantindo que os recursos cheguem de forma mais efetiva a quem mais precisa”, avaliou.

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Resiliência climática e economia circular são temas de publicações do Sebrae lançadas na COP30

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Resiliência climática e economia circular são temas de publicações do Sebrae lançadas na COP30

Resiliência climática e economia circular são temas de publicações do Sebrae lançadas na COP30 | Cidade AC News – Notícias do Acre

Com trabalho reconhecido dentro de um setor formado por mais de 23,6 milhões de pequenos negócios, o Sebrae se consolida como impulsionador de uma economia mais verde, sustentável e inovadora. Por isso, a entidade preparou duas publicações para apoiar pequenos negócios, gestores e especialistas na elaboração de políticas públicas e discussões sobre resiliência climática e economia circular. O lançamento dos materiais será realizado durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, no Pará.

Além disso, a entidade vai realizar em seu estande na Green Zone duas semanas com debates, apresentações e troca de experiências que conectam diretamente o universo do empreendedorismo às grandes discussões climáticas globais.

Os pequenos negócios são protagonistas na implementação deste novo modelo de economia. Pesquisas do Sebrae indicam que, embora o conhecimento sobre o tema ainda seja limitado, há um crescente engajamento em práticas como digitalização, reciclagem e extensão da vida útil de produtos que podem contribuir para este movimento.

Décio Lima, presidente do Sebrae

Conheça as publicações

  • Economia Circular e Pequenos Empreendedores no Centro da Implementação Climática

A publicação posiciona a economia circular e o papel dos pequenos negócios como eixos centrais para o combate às mudanças climáticas e a construção de um futuro mais sustentável e inclusivo.

O documento destaca que 45% das emissões de gases de efeito estufa estão ligadas ao modelo linear de produção (“extrair-produzir-desperdiçar”), tornando a transição para uma economia circular – baseada em eliminar resíduos e poluição, circular produtos e materiais, e regenerar a natureza – fundamental. O documento ressalta que a colaboração entre setor público, privado e sociedade civil é essencial para acelerar a transição.

O texto aponta ainda a necessidade de mecanismos financeiros robustos, incluindo incentivos fiscais, linhas de crédito e uma futura Taxonomia da Economia Circular, para direcionar investimentos a projetos e negócios sustentáveis, com foco em micro e pequenas empresas (MPEs) e cooperativas. O Sebrae apresenta também projetos como o “Inova Amazônia”, que apoiou a empresa Engenho Café de Açaí na reutilização de caroços de açaí; o “Pró-Catadores”, focado na inclusão socioprodutiva de catadores; e parcerias para o desenvolvimento de biogás na agroindústria.

  • Desenvolvimento Territorial e Resiliência Climática com Foco nos Pequenos Negócios

A publicação destaca o papel estratégico dos pequenos negócios e do desenvolvimento territorial na construção de um futuro mais resiliente e sustentável. O documento enfatiza que a transição para um desenvolvimento resiliente ao clima não é apenas uma etapa, mas uma redefinição do próprio conceito de desenvolvimento, exigindo a articulação de mitigação, adaptação e sustentabilidade sob os princípios de equidade, justiça social, cidadania climática e inclusão produtiva.

A iniciativa reforça que os pequenos negócios são considerados a base da economia real e a linha de frente para soluções inovadoras em bioeconomia, economia circular e transição energética. Além disso, o Sebrae recorda seus compromissos de liderar e apoiar iniciativas que promovam a parceria, o mapeamento, o financiamento e a capacitação de empreendedores, municípios e estados sobre o tema.

O Sebrae na COP30

O Sebrae lidera movimento para posicionar as micro e pequenas empresas no centro da inovação sustentável. Para os empreendedores interessados em ficar por dentro das oportunidades de negócios geradas pela realização da COP30, já é possível acessar um ambiente criado pelo Sebrae para os donos de pequenos negócios de todo o Brasil.

O portal Sebrae COP30 reúne conteúdos exclusivos para quem quer se preparar para as oportunidades que o evento trará para o país e tornar seus negócios mais sustentáveis. São informações de empreendedorismo internacional, de inserção na agenda global de desenvolvimento sustentável e muitos exemplos de soluções criativas, inovadoras e responsáveis.

Sebrae abre portas para pequenos cafeicultores na Semana Internacional do Café

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Sebrae abre portas para pequenos cafeicultores na Semana Internacional do Café

Mais do que uma simples bebida, o café tornou-se um verdadeiro agente de transformação social, econômica e ambiental. É essa força que será destacada e debatida na 13ª Semana Internacional do Café (SIC), marcada para os dias 5 a 7 de novembro, no Expominas, em Belo Horizonte. Com expectativa de reunir mais de 25 mil participantes e gerar movimentação de R$ 150 milhões, o evento se consolida como um palco global para inovação e práticas sustentáveis na cafeicultura.

O Sebrae é um parceiro histórico do setor, apoiando a produção em 15 estados, e vai estar presente no encontro valorizando o protagonismo dos pequenos produtores rurais, em especial das variedades de café já reconhecidas como Indicações Geográficas brasileiras. O Brasil já soma 20 regiões produtoras com registro de indicação Geográfica, seja na modalidade de Denominação de Origem (DO) ou Indicação de Procedência (IP). Atualmente, o Sebrae atua em 43 regiões produtoras de café, em 15 estados, e tem um total de 5,8 mil produtores atendido.

Esse número pode crescer ainda mais. No Brasil, existem cerca de 300 mil propriedades rurais dedicadas ao café, sendo 70% pertencentes à agricultura familiar, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Por isso, é essencial oferecer apoio à gestão, à internacionalização e à adequação às exigências socioambientais, garantindo o fortalecimento do setor e dos empreendedores.

Sebrae abre portas para pequenos cafeicultores na Semana Internacional do Café | Cidade AC News – Notícias do Acre
Foto: Divulgação

“Reconhecido como o evento brasileiro mais aguardado do setor, a Semana Internacional do Café-SIC oferece uma oportunidade única e promissora de negócios para pequenos produtores, além de estimular parcerias estratégicas e antecipar tendências de mercado. A presença do Sebrae na SIC, incentivando a participação desses empreendedores, tem como objetivo apoiar a conquista de novos mercados, promover qualidade e rastreabilidade na produção, gerar renda para o homem do campo e fortalecer práticas voltadas à sustentabilidade”, destaca a analista de Competitividade do Sebrae Carmen Sousa.

“Essa atuação também contribui para a profissionalização do setor, o fortalecimento do cooperativismo, a disseminação de tecnologias, a agregação de valor aos produtos, a ampliação do conhecimento e a busca por certificações”, completa Carmen Sousa.

Sebrae abre portas para pequenos cafeicultores na Semana Internacional do Café | Cidade AC News – Notícias do Acre
Foto: Marcus Desimoni/NITRO

Serviços

No estande do Sebrae, neste ano, os produtores e empresas do setor terão acesso a diversas soluções que podem ser inseridas nos pequenos negócios – seja no campo ou na cidade. Empretec, Empretec Rural, Empretec Startup, Decola MEI, cursos sobre empreendedorismo feminino, marketing e finanças (UP Digital) e o Aplicativo do Sebrae são algumas das ações que estarão disponíveis no local durante os três dias de evento.

A programação da Semana Internacional do Café conta ainda com rodadas de negócios, salas de cupping, campeonatos, além das premiações Coffee of the Year, em que os melhores cafés brasileiros da safra nova serão conhecidos, e Expresso Design, que elege as melhores embalagens de café.

Bioeconomia nos cocais: indústria sustentável do babaçu gera renda e qualidade de vida

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Bioeconomia nos cocais: indústria sustentável do babaçu gera renda e qualidade de vida

“Quem diria que um dia nós íamos falar para o mundo?”. A pergunta é da quebradeira de coco babaçu Maria Leonarda Brandão, de 59 anos, ao relatar a luta diária com a quebra manual da matéria-prima que abastece o município de Coroatá (MA), localizado a 251 quilômetros de São Luís. Na região, rica em cocais, 32 famílias conheceram novas utilidades do babaçu após a iniciativa da Apoena, uma startup que compra o coco in natura das comunidades e trabalha a mecanização do produto, a fim de gerar renda, qualidade de vida às quebradeiras e maior produtividade.

Há seis anos, as quebradeiras do povoado Centro do Chico, em Coroatá, trocaram o trabalho árduo de quebra manual do babaçu pela coleta e venda do coco inteiro para a indústria. O resultado foi a otimização do serviço e a maior lucratividade.

A dificuldade nossa era muito grande no mato para passar o dia inteiro quebrando coco no sofrimento para ganhar muito pouco pelo quilo da amêndoa limpa. A gente só juntando e entregando o coco inteiro para a fábrica é muito melhor. Nós conseguimos produzir e ganhar mais.

Antônia Raimunda Honorato, quebradeira

Até quem trabalha na diária com outros serviços também se beneficia, agora, com a coleta do babaçu nos terrenos. “Aqui, raramente, aparece uma semana para ter duas, três diárias. E com essa renda dos cocos, no decorrer do mês, eu pego uma renda boa. Dá para pagar alguma conta, comprar algum alimento para dentro de casa, e desafogou mais”, contou o lavrador Antônio da Silva Silveira.

Bioeconomia nos cocais: indústria sustentável do babaçu gera renda e qualidade de vida | Cidade AC News – Notícias do Acre
Márcia Werle, administradora com MBA em gestão, empresária e CEO da startup Apoena | Foto: Taciano Brito/Amazônia Vox

Da matéria-prima que antes se retirava apenas a amêndoa, hoje é possível aproveitar o epicarpo, uma fibra externa capaz de produzir adubo, carvão e outras fontes de energia, e o mesocarpo, que dá origem a produtos como farinha, cosméticos e biocombustíveis. Tem também o endocarpo, a terceira e mais dura camada do babaçu, que se transforma em carvão ativado, produto utilizado no tratamento de desconfortos abdominais e na filtração de água.

A indústria também produz o óleo e o tradicional azeite de coco babaçu a partir da quebra mecanizada. O projeto começou a partir da iniciativa da empresária Márcia Werle, que enxergou no coco babaçu um potencial de mercado e também fonte de renda para as comunidades tradicionais da Região dos Cocais, no Maranhão. “A pessoa que me apresentou o coco mostrou a nobreza dele e disse que daria para se produzir vários produtos a partir dele. Ela falou que desse coco, de onde só aproveitava 6%, que era a amêndoa”, disse Márcia.

A empresária conta que, sabendo que milhares de mulheres dependem dessa fonte de renda para criar e educar os filhos, resolveu fazer uma parceria para encontrar uma alternativa mecanizada que pudesse quebrar e separar esse coco. “A experiência que a gente tem trabalhando com as comunidades e conversando com elas, em um dia, elas conseguem coletar uma tonelada de coco, e isso representa uma boa renda”, acrescentou a empresária.

Bioeconomia nos cocais: indústria sustentável do babaçu gera renda e qualidade de vida | Cidade AC News – Notícias do Acre
Coco babaçu fornece matéria-prima para diversos produtos | Foto: Taciano Brito/Amazônia Vox

Desde o início das operações, em 2019, a empresa já processou mais de 268 toneladas de coco babaçu. Por meio da extração da matéria-prima, a Apoena comercializa óleo corporal, óleo extravirgem, massa de babaçu, bebida Aroma da Floresta e o bioativo para diesel. A venda é feita principalmente por meio da internet. A startup participou dos programas de aceleração Inova Amazônia e Inova Cerrado, promovidos pelo Sebrae. Além disso, recebe soluções do Sebraetec e realiza a exposição dos produtos em feiras nacionais. Hoje, a empresa emprega 10 pessoas e 32 famílias fornecedoras do babaçu.

“Já trabalhamos o desenvolvimento de embalagens, onde eles puderam ter um especialista ajudando a desenvolver a arte e a identidade visual nas embalagens para os produtos, trabalho de acesso ao mercado, onde eles puderam expandir e ter acesso a investidores e novos mercados, para desenvolver todos os segmentos da empresa”, disse Stênio Pinheiro, gerente regional do Sebrae em Caxias (MA).

Bioeconomia nos cocais: indústria sustentável do babaçu gera renda e qualidade de vida | Cidade AC News – Notícias do Acre
Maria Leonarda Brandão, quebradeira de coco babaçu, lavradora e atua na separação industrial das camadas do fruto na fábrica da Apoena | Foto: Taciano Brito/Amazônia Vox

O babaçu na COP30

O modelo de negócio construído no povoado Centro do Chico revela o alto potencial da bioeconomia no Maranhão. De acordo com a Embrapa, o estado tem cerca de 8 milhões de hectares de coco babaçu e é a unidade da federação que tem a maior população vivendo da extração do fruto. Com a exposição dos produtos extraídos dos cocais, as quebradeiras e a Apoena apresentarão para o mundo a riqueza do coco babaçu na COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025), com o objetivo de buscar parcerias e incentivar a economia sustentável.

O produto de destaque da Apoena em exposição na COP30 será o bioativo para diesel, que é um aditivo natural desenvolvido a partir dos compostos do coco babaçu. Ele foi produzido para ser misturado ao óleo diesel e pode ser utilizado em operações industriais de baixo custo, como geradores e maquinário pesado. De origem vegetal e renovável, o produto é obtido por meio de um processo sustentável e de baixo impacto ambiental. Ele melhora o desempenho do diesel, promove maior eficiência na combustão, redução do consumo de combustível em até 15% e diminuição das emissões de CO2.

O produto é utilizado pela Apoena de forma experimental em fazendas. Nessa fase, estão sendo fechados os primeiros contratos de venda. “Vamos mostrar todo o potencial do babaçu e dos nossos produtos, em especial, o bioativo para diesel. É uma oportunidade para que as pessoas conheçam o nosso produto em que colocamos o babaçu como um bioativo da Amazônia, que faz a diferença na redução de mudanças climáticas”, ressaltou o diretor de produtos da Apoena, Marco Antônio Silva.

Bioeconomia nos cocais: indústria sustentável do babaçu gera renda e qualidade de vida | Cidade AC News – Notícias do Acre
Foto: Taciano Brito/Amazônia Vox

Contribuição local 

A renda gerada pelo babaçu é vista com bons olhos em Coroatá. Com o destaque conquistado pela indústria do fruto, agora mecanizada, a expectativa é que o município colha bons resultados na economia. “Eu tenho certeza que todos esses produtos, a partir da comercialização, com a indústria sendo aqui, vai gerar renda, fomentando a economia, e isso é muito legal para trazer desenvolvimento para nossa cidade”, disse a secretária municipal de Indústria e Comércio, Jaciara Póvoa de Sousa.

A quebradeira de coco Maria Leonarda observa a importância da contribuição de toda a sociedade no incentivo à bioindústria. O trabalho começa com a preservação dos cocais e a proteção ao meio ambiente. “A gente está vendo, andando por esses lugares assim, que as coisas estão ficando mais difícil, porque a gente só vê o pessoal desmatando tudo. Eu espero que eles entendam que não é destruindo as coisas que vão para frente. Eles realmente têm que cuidar para a gente ter um futuro melhor”, disse.

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