O Brasil estreou com goleada na edição inaurgural da Copa do Mundo de futsal feminino, na cidade de Pasig, próxima à capital Manila (Filipinas). Atual número 1 do mundo, a seleção brasileira derrotou o Irã (9ª no ranking) por 4 a 1, com gols de Ana Luiza, Débora Vanin e Emilly, que balançou a rede duas vezes na Arena PhilSports.
O triunfo deixou a seleção na vice-liderança da chave D, que tem ainda Itália e Panamá. Em primeiro lugar no grupo está a Itália, que aplicou 17 a 0 no Panamá, na abertura da rodada.
As brasileiras voltam a campo na próxima quarta-feira (26), contra a Itália (7ª), às 9h30 (horário de Brasília) em duelo que deve definir a liderança da chave. O último duelo da fase de grupos será no sábado (29), às 8h30, contra o Panamá (79ª).
Camisa 9 da Amarelinha, a ala Emily foi eleita pela Fifa a melhor jogadora na partida de estreia.
“Nunca espero ser a melhor, mas espero ser melhor que eu sempre. Acho que o mérito é todo da equipe. Para receber a bola tem que ter um roubo, tem que ter uma defesa compacta, tem que ter ideias claras da parte da comissão. Ser a melhor é só consequência do trabalho”, disse a atleta. “A seleção tem uma força que representa muito. Com essa união tudo se transforma. Graças a Deus pude fazer uma boa estreia”, concluiu Emyly.
Autora de dois gols na vitória do Brasil na estreia do Mundial de futsal, a ala Emily foi eleita pela Fifa a melhor jogadora da partida – Fábio Souza/CBF/Direitos Reservados
O Mundial é o primeiro da modalidade organizado pela Fifa. A Amarelinha faturou todos os títulos entre 2010 e 2015, quando a competição ficava sob responsabilidade das confederações. A primeira edição do evento reúne 16 seleções, divididas em quatro grupos com quatro times cada. As duas melhores de cada chave na fase de grupos se classificam às quartas de final. A decisão do título está programada para 7 de dezembro.
Estão abertas as inscrições para 9.590 vagas temporárias de trabalho no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As vagas são para atuação nas pesquisas domiciliares, econômicas e geocientíficas. Segundo o IBGE, este é o maior processo seletivo do instituto para a rede de coleta regular. A remuneração é a partir de R$ 2.676,24.
As inscrições devem ser feitas no site da Fundação Getúlio Vargas (FGV) até o dia 11 de dezembro de 2025. A seleção será feita por prova objetiva de múltipla escolha, que será aplicada no dia 22 de fevereiro de 2026. As provas serão aplicadas presencialmente em todos os municípios em que há oferta de vagas.
A aplicação será em dois turnos, possibilitando a participação dos candidatos nas provas das duas funções disponíveis no concurso: Agente de Pesquisas e Mapeamento (APM) e Supervisor de Coleta e Qualidade (SCQ). Pela manhã, será aplicada a prova para a função de APM e, à tarde, para a de SCQ.
Segundo o presidente do IBGE, Marcio Pochmann, a seleção atende a “uma demanda antiga que não vinha sendo atendida”. Ele ressalta que os novos funcionários “estarão à disposição da realização do plano de trabalho do IBGE e de toda a coleta que é feita em termos nacionais”.
Vagas e benefícios
Ao todo, são 8.480 vagas para APM, sendo 5.512 destinadas à ampla concorrência, 2.120 a pessoas autodeclaradas pretas ou pardas (25%), 254 a indígenas (3%), 170 aos quilombolas (2%) e 424 a pessoas com deficiência (5%).
A remuneração é de R$ 2.676,24, e as atribuições envolvem coleta de dados estatísticos em domicílios e estabelecimentos, o apoio a levantamentos geográficos e cartográficos, o registro e transmissão de informações em sistemas eletrônicos e a elaboração de relatórios.
Para SCQ, há 1.110 vagas temporárias. São 715 vagas destinadas à ampla concorrência, 275 a pessoas autodeclaradas pretas ou pardas (25%), 33 a indígenas (3%), 22 aos quilombolas (2%) e 55 a pessoas com deficiência (5%). A remuneração é de R$ 3.379.
Entre as atribuições, estão planejamento e a gestão das atividades de coleta, a supervisão das equipes e da qualidade dos dados, a avaliação técnica dos questionários e a elaboração de relatórios. Para serem contratados nesta função, os aprovados devem ter Carteira Nacional de Habilitação (CNH) categoria B dentro do prazo de validade.
Para ambos os cargos, são assegurados benefícios como Auxílio Alimentação (R$ 1.175); Auxílio Transporte; Auxílio Pré-escolar; férias proporcionais e 13º salário proporcional.
Governo apresenta nova rota ao Pacífico pelo Acre na Rússia em busca de atrair indústrias de fertilizantes ao estado
O governo do Estado, por meio de uma comissão institucional designada pela Casa Civil, participou ao longo da última semana de agendas estratégicas em Moscoucapital da Rússia, após convite da Câmara Brasil-Rússia de Comércio, Indústria e Turismo. Os representantes acreanos apresentaram até o último sábado, 22, a Rota Quadrante Rondon, que liga o Brasil ao Pacífico pelo Acre, as atividades da economia local e a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) para autoridades e empresários russos a fim de atrair indústrias de fertilizantes do país ao estado.
Os integrantes da comitiva foram designados pelo governador Gladson Camelí e pela vice-governadora Mailza Assis. A missão empresarial teve duração de cinco dias e reuniu órgãos políticos, empresariais e institucionais russos com o objetivo de ampliar o diálogo bilateral, atrair investimentos e apresentar o novo cenário logístico que posiciona o Acre como elo de integração entre o Brasil, o Pacífico e a Ásia. A participação acreana se dá no contexto em que o país avança em projetos estruturantes de conexão com o Pacífico e realiza os estudos da ferrovia bioceânica.
Missão em Moscou foi realizada até o último sábado, 22, entre gestores públicos e empresários acreanos com membros do governo russo e diversas entidades do país. Foto: cedida Com a recente inauguração do porto de Chancay, no Peru, empreendimento de grande porte com conexão direta até Xangai, na China, o estado acreano consolida-se como um novo caminho de acesso à rota marítima entre a Ásia e a América do Sul. Essa infraestrutura instalada no país vizinho cria um fluxo mais curto, já que reduz o tempo de envio de produtos brasileiros ao mercado asiático em até 17 dias em comparação as rotas marítimas utilizadas atualmente pelo Brasil, competitivo e estratégico para escoamento de commodities e importação de insumos.
A partir disso, o Acre destaca-se como ponto de entrada dessa nova rota para o território brasileiro, por já dispor de infraestrutura rodoviária em operação, posição geográfica privilegiada e um ambiente logístico em consolidação. Além disso, o estado está em fase de conclusão da implantação da Zona de Processamento de Exportações, área alfandegada no município de Senador Guiomard, interior do estado, que possui uma série de incentivos especiais que têm como missão principal estimular à instalação de empresas industriais com foco na exportação de bens.
Em diversas agendas da missão, membros do governo do Acre demonstraram os potenciais logísticos e econômicos do estado. Foto: cedida A comitiva acreana levou à Rússia a apresentação completa desse novo cenário, expondo não apenas o potencial do Acre como corredor internacional, mas também oportunidades comerciais relacionadas ao agronegócio regional. Estados como Acre, Rondônia e Mato Grosso somam mais de 15 milhões de hectares plantados e são altamente dependentes de fertilizantes. A Rússia, por sua vez, é uma das maiores produtoras globais do insumo e responde por cerca de 50% dos fertilizantes importados pelo Brasil, o que representa mais de US$ 5 bilhões anuais em todo país.
Secretário de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict), Assurbanípal Mesquita destacou que a missão é decisiva na estratégia de internacionalização do Acre. Segundo ele, o estado está no centro de uma nova dinâmica logística continental, o que cria vantagens inéditas para atração de investimentos. Mesquita afirmou ainda que a missão deixa bases para futuras etapas de cooperação, especialmente no campo industrial e logístico. As informações apresentadas serão consolidadas em agendas de continuidade junto à Câmara Brasil-Rússia e demais instituições.
Titular da Seict, Assurbanípal Mesquita apresentou Rota Quadrante Rondon, que liga o Brasil ao Pacífico pelo Acre, ao longo de várias reuniões. Foto: Cedida “O Acre entra definitivamente no mapa das grandes rotas internacionais de comércio. Mostramos que existe um corredor logístico real, competitivo e capaz de reposicionar o fluxo comercial entre a América do Sul e a Ásia. A ZPE, somada a essa nova rota, transforma o Acre em um ambiente estratégico para instalação de indústrias, especialmente as de fertilizantes, que são essenciais para milhões de hectares produtivos da nossa região. O interesse manifestado pelas instituições russas demonstra que estamos em um novo capítulo na política de desenvolvimento”, falou o secretário.
De acordo com Ítalo Medeiros, representante da Casa Civil do Acre, a participação do estado reforça a busca por soluções que conciliam desenvolvimento econômico e proteção florestal. “O governo segue com a missão de buscar um equilíbrio entre produção agrícola e preservação florestal. Temos 85% de florestas que devem ser tratadas da forma correta, e nos 15% de áreas sem floresta precisamos produzir mais para não desmatar. Estamos tratando do fortalecimento da produção com várias rodadas de conversa. Queremos uma solução definitiva para os fertilizantes, que é uma pauta essencial para o agro do Acre, mas de todos os estados brasileiros”, afirmou ele.
Atração de indústrias
Diante da demanda crescente, o governo do Estado tem trabalhado para atrair indústrias interessadas em produzir fertilizantes dentro da ZPE, aproveitando a proximidade logística com o mercado consumidor da Amazônia Ocidental, do Centro-Oeste, do Peru e da Bolívia. Segundo o titular da Seict, mais de 35 milhões de habitantes em um raio de 100 km se apresentam como um dos maiores mercados de consumo na região. A produção local permitiria reduzir custos, ampliar oferta, recuperar áreas degradadas e aumentar a produtividade sem novos desmatamentos.
Reuniões em diversas instituições russas visaram atrair empresas de fertilizantes do país europeu à ZPE do Acre. Foto: cedida Durante a agenda em Moscou, a comissão acreana apresentou a nova rota Brasil-Pacífico-Ásia, os atrativos da Zona de Processamento de Exportação, o ambiente de negócios do estado e a carteira de produtos acreanos, incluindo carne bovina, carne suína, madeira, castanha, soja e milho. Esses itens vêm ampliando o volume exportador do Acre ano após ano. A ideia das apresentações foi despertar o interesse de empresas russas tanto na compra dos produtos acreanos quanto na instalação de plantas industriais no estado, especialmente no segmento de fertilizantes.
As explanações foram realizadas na Rússia Business, que representa mais de 10 mil empresas, União dos Fabricantes de Fertilizantes Orgânicos da Rússia, Embaixada do Brasil na Rússia, Câmara Cívica da Federação Russa, órgão ligado à Presidência da Rússia, Organização de Cooperação Eurasiática e a Comissão de Interesses Internacionais do Parlamento Russo. Novas reuniões serão conduzidas pelo governo do Acre e pela Câmara Brasil–Rússia para avançar nas pautas estabelecidas durante a agenda institucional e concretizar avanços no setor econômico.
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Vice-governadora Mailza Assis participa da 1° Corrida do Colégio Militar Dom Pedro II em Cruzeiro do Sul
A manhã deste domingo, 23, começou animada no pátio da Escola Estadual Dom Pedro II, local do aquecimento e largada da 1° corrida realizada pela unidade escolar em parceria com a Federação Acreana de Desporto Escolar (Fade). A vice-governadora Mailza Assis participou da largada e do percurso de 5 km, demonstrando apoio e incentivo à prática esportiva aos participantes.
Mailza Assis participa da 1ª Corrida do Colégio Militar Dom Pedro II em Cruzeiro do Sul. Foto: Marcos Santos/Secom A iniciativa, conforme destacou diretor do colégio, o Capitão José dos Santos Corrêa, teve por objetivo integrar a comunidade escolar e fortalecer os vínculos:
“É uma satisfação, um prazer poder realizar essa primeira corrida do Colégio Militar Dom Pedro II aqui em Cruzeiro do Sul, tendo apoio da Secretaria de Estado de Educação, Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. Essa corrida teve o objetivo de unir, fortalecer o esporte, que é saúde, e também unir e integrar a nossa comunidade escolar, envolvendo alunos, pais, professores, colaboradores, bombeiros militares que aqui trabalham e a comunidade como um todo”, destaca.
“O objetivo é integrar a comunidade escolar e fortalecer os vínculos”, destacou o Cap. Corrêa, diretor do colégio. Foto: Marcos Santos/Secom Umas das participantes da corrida, a aluna Janiely de Souza Mota, que cursa o 7º ano, falou de sua experiência e alegria em chegar em terceiro lugar na categoria feminina/aluno da escola: “Achei a corrida muito legal. Foi uma experiência muito boa e agradecemos ao nosso colégio por nos proporcionar essa experiência. Tive foco, confiança em mim e consegui o terceiro lugar”, comentou.
“Tive foco e confiança em mim e consegui o terceiro lugar”, contou Janiely. Foto: Marcos Santos/Secom Após cruzar a linha de chegada, Mailza expressou sua alegria e satisfação pela organização e realização da corrida:
“Uma corrida maravilhosa. A primeira corrida do Colégio Militar, uma experiência que nos surpreendeu, pois são aproximadamente mil pessoas na rua, é um bom começo, e é isso, vamos incentivar, esporte é saúde. Parabéns aos organizadores, ao Colégio Militar, ao comandante, a toda a comunidade que participou, alunos, a equipe da escola, o pai do aluno que também participou, que envolveu a comunidade e são ações assim que transformam a nossa sociedade nos projeta um futuro ainda melhor”, pontuou.
Mailza Assis reforçou o compromisso do governo com a educação, esporte, cultura e lazer. Foto: Marcos Santos/Secom Mailza ainda ressaltou o apoio do governo nessas ações: “Agradeço o convite de estar participando e contem com o compromisso do governo do Estado de sempre apoiar a educação através dos nossos colégios militares, como também o esporte, a cultura, o lazer, e isso faz parte da vida saudável”, finalizou a vice-governadora.
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Eduardo Velloso percorre comunidades isoladas do interior do Acre, escuta moradores e anuncia mutirão de saúde para 2026
Em uma das agendas mais intensas e simbólicas do mandato, o deputado federal Eduardo Velloso passou os últimos dias navegando pelo Rio Tejo e visitando algumas das comunidades mais isoladas do Acre. A imersão começou na quinta-feira (20), com a chegada a Marechal Thaumaturgo, e seguiu por diferentes comunidades ribeirinhas. Todo o trajeto foi acompanhado pela deputada estadual Maria Antônia e o ex-prefeito Deda, parceiros constantes nas ações de saúde e inclusão, sobretudo no Juruá.
De Marechal, a comitiva seguiu para a comunidade Foz do Alegria, onde pernoitou, e na manhã de sexta (21) continuou a viagem até a comunidade Prainha. Em seguida, chegou à aldeia Kuntamanã, do povo Kuntanawa, para uma conversa com o cacique Haru Kuntanawa. Além de ouvir demandas locais, Velloso dialogou sobre apoio à próxima edição da Copa das Árvores, torneio idealizado por Haru e realizado pela primeira vez em outubro deste ano, reunindo equipes de diferentes comunidades e reservas extrativistas do Alto Juruá e Alto Tarauacá.
Horas depois, o grupo seguiu rumo à Vila Restauração, uma das regiões mais isoladas do Acre, já na divisa com o município do Jordão. O deslocamento exigiu mais de oito horas de canoa, em um trecho onde, durante o verão, a navegação chega a levar até 12 horas devido ao baixo nível do rio. Na comunidade, Velloso e Maria Antônia participaram do evento natalino antecipado, que reuniu mais de 600 pessoas e foi organizado pela comunidade com o apoio dos deputados. Ao falar aos moradores, Velloso destacou o motivo de ter decidido viajar pelo rio para chegar até a Vila. “Quero dizer para vocês que eu sonho em ver o nosso Acre melhor, o nosso Acre mais próximo de vocês, que a agricultura familiar seja mais reconhecida, tenha mais ajuda, principalmente as comunidades mais distantes, assim como é aqui na Restauração”, afirmou. Segundo ele, a presença física tem um propósito claro. “Eu sou médico e sei das dificuldades que vocês enfrentam. Fiz questão de vir de barco até aqui, para conhecer de perto a realidade de vocês e aqui firmo o nosso compromisso”.
O impacto da visita ficou evidente entre os moradores, que relataram a dificuldade histórica de acesso a atendimento médico e políticas públicas. Em resposta às demandas, Velloso se comprometeu a realizar, no início de 2026, um grande mutirão de saúde para as comunidades isoladas da região, com clínico geral, ginecologista, equipe de oftalmologia e outras especialidades. “Juntos nós vamos sim mudar a realidade do nosso povo e, se Deus quiser, do nosso Acre e do nosso Brasil. Porque eu acredito em vocês, acredito na nossa força e acredito que juntos nós iremos vencer todas as dificuldades”, disse o deputado.
No sábado (22), já no retorno para a área central de Marechal Thaumaturgo, a comitiva fez uma parada na Vila Triunfo, onde Velloso se reuniu com a Associação dos Agricultores e fez uma conversa que girou em torno da produção local e das condições de escoamento e apoio técnico. Ele reforçou que seu compromisso com o setor vai além de ações pontuais. “Aqui a base do sustento das suas famílias é a agricultura familiar. Temos um compromisso de ver esses agricultores ao longo de 5, 6 anos, tendo a sua própria plantação, melhorar os ramais e eu quero ver, eu sonho em ver, esta comunidade produzindo mais”, disse o parlamentar.
Para Velloso, a viagem deixou evidente que as comunidades isoladas continuam enfrentando carências estruturais e desafios de acesso que precisam ser enfrentados com prioridade. A promessa do mutirão de saúde para o próximo ano é o primeiro passo de uma agenda que ele pretende intensificar. “Grande parte do que a gente come, do que está na nossa mesa, vem da agricultura familiar. Temos que fazer com que esses produtores sejam cada vez mais reconhecidos e cada vez mais valorizados. Esse é o nosso compromisso com você”, concluiu.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste domingo (23), que o caminho pra o fim do uso dos combustíveis fósseis não deve ser com a imposição de uma data, mas com uma discussão abrangente com os diversos setores interessados.
O tema foi debatido durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), encerrada neste final de semana, em Belém (PA), sob condução do Brasil.
Lula concedeu entrevista à imprensa em Joanesburgo, na África do Sul, onde participou da Cúpula de Líderes do G20 – grupos das maiores economias do mundo.
O Acordo de Belém, texto final da COP30, pede aumento dos investimentos em adaptação às mudanças do clima, mas omite qualquer menção aos combustíveis fósseis, como petróleo e carvão mineral, os principais responsáveis pelas emissões dos gases que causam o aumento da temperatura do planeta.
“Quando nós introduzimos a discussão sobre o Mapa do Caminho, nós sabíamos que era um tema polêmico, afinal de contas, o Brasil é um produtor de petróleo, nós estamos tirando 5 milhões de barris por dia, não é pouca coisa”, disse Lula, ao destacar que mesmo em território nacional, muita gente seria contra o fim do uso dos combustíveis fósseis.
“É uma discussão que tem que envolver especialistas, envolver as empresas de petróleo para que você comece a vislumbrar os passos que você tem que dar até chegar a extinguir o uso de combustível fóssil. Até porque o petróleo não é só para gasolina e para diesel, pode ser para o petroquímico, vai continuar tendo a sua importância. Eu sabia que era difícil. Eu nunca imaginei que a Arábia Saudita fosse concordar com isso”, explicou.
O governo brasileiro insistiu na aprovação de um texto que abordasse alguma proposta de cronograma de implementação dessa transição energética, mas o debate foi vencido com o entendimento de que a questão poderia ser deixada de fora do acordo e incluída em um texto paralelo apresentado pelo Brasil, anfitrião da COP30.
“Foi muito difícil mudar. E nós mudamos de posição porque a gente era o país sede, a gente queria construir um documento único”, disse Lula sobre as negociações que atravessaram as madrugadas.
“Aprovou-se um documento único e o multilateralismo saiu vitorioso na COP 30”, comemorou.
No Brasil, o presidente defende que os recursos obtidos a partir do petróleo devem ser investidos na transição energética. Ele destacou que o Brasil já está “melhor do que qualquer outro país”, por exemplo, com a introdução de biodiesel na gasolina e no diesel.
“Então, o Brasil já tá dando uma lição de que é possível você diminuir o uso de combustível fóssil”, disse.
“O que nós quisemos e conseguimos foi começar um debate sobre uma coisa que todo mundo sabe que vai ter que acontecer. Veja, se é verdade que os combustíveis fósseis são responsáveis por mais de 80% da emissão de gás de efeito estufa, é verdade que nós precisamos dar uma solução nisso”, disse, reafirmando que a COP30 em Belém foi “um sucesso extraordinário”.
Ausência de Trump
Já sobre o G20, o presidente Lula minimizou a ausência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Cúpula de Líderes do G20.
“Nós existimos mesmo quando ele não participa de uma reunião”, disse em referência aos demais membros do bloco e lembrando que Trump já se afastou de outras instâncias internacionais, como a Unesco e a Organização Mundial do Comércio.
“O presidente Trump tem dado demonstrações […], ele está tentando fazer uma pregação prática do fim do multilateralismo, tentando fortalecer o unilateralismo. Eu acho que vai vencer o multilateralismo, porque todo mundo aqui sabe que juntos nós seremos muito mais forte, muito mais competente e temos mais facilidade de resolver o problema do mundo”, disse Lula.
Para o líder brasileiro, o G20, hoje, é o grande fórum de decisões multilaterais e tem a respeitabilidade de toda a economia. Mas, pra isso, segundo ele, as decisões precisam ser colocadas em prática.
“Qual é a minha inquietação com o G20? É que nós precisamos começar a tomar decisões para que alguma coisa seja colocada em prática até o próximo fórum, porque senão vai dar um vazio e as pessoas vão ficando desestimuladas. Então, o que nós precisamos é colocar em prática as coisas que nós decidimos e isso eu acho que ficou claro para todo mundo com o documento assinado em Joanesburgo”, disse.
O principal documento do G20 é a declaração de líderes, que foi negociada pelos representantes dos países nos dias que antecederam a cúpula. Alguns países estavam se opondo à aprovação de uma declaração, em função da ausência dos Estados Unidos, que não enviou nem representante.
“A reunião acontece mesmo sem ter um presidente. Obviamente que, pelo fato dos Estados Unidos não estar presente, ele não participou da elaboração e da votação da declaração. Mas os 19 países que aí estavam votaram por unanimidade a aprovação do documento”, disse Lula.
“Os Estados Unidos não perdem o seu significado por não ter vindo. Os Estados Unidos continuam sendo a maior economia do mundo, o país mais importante”, acrescentou, lembrando que, em 2026, a presidência dos G20 está com os estadunidenses e a Cúpula de Líderes deve ser realizada em Miami.
O G20 é o principal órgão para cooperação econômica internacional, criado em 1999 após a crise financeira asiática. Em 2008, ele também se tornou uma instância política, com uma cúpula de chefes de Estado e de governo.
O país enviou tropas terrestres e um porta-aviões para a região e bombardeou embarcações, sob a justificativa de estar combatendo as rotas de narcotráfico que abastecem os Estados Unidos.
Para o governo venezuelano, sob a liderança do presidente Nicolás Maduro [https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2025-10/maduro-venezuela-tem-5-mil-misseis-antiaereos-para-enfrentar-eua], o reforço militar na região objetiva tirá-lo do poder.
“Estou preocupado porque a América do Sul é considerada uma zona de paz. Nós somos um continente em que não temos armas nucleares, não temos bomba atômica, não temos nada. Lá, o nosso negócio é trabalhar para se desenvolver e crescer. A mim me preocupa muito o aparato militar que o Estados Unidos colocou no Mar do Caribe e eu pretendo conversar com o presidente Trump sobre isso”, disse Lula.
Ele comparou a situação à guerra da Rússia na Ucrânia, em que há um impasse para o seu fim. “É importante que a gente tente encontrar uma solução antes de começar”, disse.
“O Brasil tem responsabilidade na América do Sul, o Brasil faz fronteira com a Venezuela e não é pouca coisa e eu acho que não tem nenhum sentido ter uma guerra agora. Ou seja, não vamos repetir o erro que aconteceu na guerra da Rússia e da Ucrânia. Ou seja, para começar, bata dar um tiro, para terminar não se sabe como termina”, afirmou Lula.
Depois de uma agenda de três dias em Joanesburgo, o presidente brasileiro embarcou para Maputo, em Moçambique, onde realizada vista de trabalho, nesta segunda-feira (24).
Lula defende diálogo e liderança do Ibas em temas internacionais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu, neste domingo (23), que o Fórum Índia-Brasil-África do Sul (Ibas) assuma a vanguarda na governança da inteligência artificial e amplie diálogos sobre trabalho decente em mercados emergentes e sobre a agenda de saúde, como vacinas e direitos sexuais e reprodutivos. Segundo ele, o fórum ficou estagnado nos últimos anos, mas a coordenação trilateral pode ser reavivada com a liderança em temas internacionais essenciais.
Lula discursou durante a reunião de líderes do Ibas, em Joanesburgo, na África do Sul, à margem da Cúpula de Líderes do G20 – grupo das maiores economias do mundo, que ocorre na capital sul-africana. A iniciativa trilateral foi desenvolvida em 2003 com o intuito de promover a cooperação entre os países do Sul Global.
“Índia, Brasil e África do Sul têm a vocação de conciliar os valores de soberania e autonomia com a busca por desenvolvimento e com a defesa da democracia e dos direitos humanos. Essa capacidade, que está em falta no mundo de hoje, é a marca do Ibas e nossa maior contribuição para a ordem internacional”, afirmou.
“Defender a agenda multilateral de saúde e o debate sobre acesso a medicamentos, vacinas e insumos é uma trilha que o Ibas deve explorar. Entre nós três é possível dialogar abertamente sobre direitos humanos, equidade de gênero e direitos sexuais e reprodutivos. Há confiança para discutir o combate ao extremismo e a defesa da democracia”, disse.
Ainda, para o presidente, a atuação dos sindicatos e organizações não-governamentais das três nações devem inspirar o debate sobre a participação social e os “dilemas do mundo do trabalho em mercados emergentes”. Entre eles, uma governança global da inteligência artificial que impulsione o desenvolvimento das nações de forma equitativa.
“Nossos países são chave para a construção de um sistema justo, democrático e funcional de governança e acesso a dados”, afirmou Lula ao presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.
Cooperação Sul-Sul
Em seu discurso, Lula lembrou que os líderes do Ibas não se reuniam desde 2011 e que é fundamental estabelecer uma periodicidade para esses encontros de alto nível. Para o presidente, a coordenação do fórum nos temas do Sul Global deve se refletir em outras instâncias internacionais consolidadas, como o G20, as Nações Unidas e o Brics (bloco de países emergentes com 11 membros, inclusive os países do Ibas).
“A questão que se impõe para os nossos países é: qual é o papel do Ibas? Qual espaço nos cabe na atual conjuntura? Será que é possível pensar em diálogo com novas democracias do Sul Global, como o México, o Quênia ou a Malásia?”, avaliou Lula.
Para ele, é preciso uma “reflexão profunda” sobre o futuro do fórum. “Eu acredito que se o Ibas insistir em duplicar as agendas do Brics, seguiremos à sua sombra. A condição de grandes emergentes do Sul Global e de grandes democracias confere ao Ibas identidade e aptidões próprias”, disse.
Ele citou que a vocação do fórum para a cooperação Sul-Sul “segue viva” e deu como exemplo o Fundo Ibas, “uma iniciativa simples e eficaz”. “Desde sua criação, já financiou 51 projetos em 40 países e foi um dos precursores da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza que lançamos no G20 ano passado [durante da presidência do Brasil no grupo]”, lembrou.
Agenda
Lula desembarcou em Joanesburgo na sexta-feira (21) para participar da Cúpula de Líderes do G20 – grupo das maiores economias do mundo. Neste sábado (22), ele discursou nas duas primeiras sessões temáticas do G20, sobre crescimento econômico sustentável e inclusivo; e mudança do clima e redução do risco de desastres. Hoje, ele também falou na terceira e última sessão, sobre minerais críticos, a inteligência artificial e o trabalho decente.
Ainda hoje, Lula concede uma entrevista à imprensa e segue para Maputo, capital de Moçambique, onde faz uma visita de trabalho nesta segunda-feira (24). A viagem se insere nas comemorações de 50 anos das relações diplomáticas entre os dois países. A previsão é que a comitiva presidencial embarque de volta para o Brasil ainda na segunda-feira (24).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um alerta, neste domingo (23), para a necessidade de se discutir a soberania dos países sobre o conhecimento e o valor agregado dos minerais críticos. Lula discursou durante a última sessão temática da Cúpula de Líderes do G20 – grupo das maiores economias do mundo, em Joanesburgo, na África do Sul.
Na pauta, os minerais críticos, a inteligência artificial e o trabalho decente. Temas que também estiveram presentes nas discussão da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), encerrada neste final de semana, em Belém, no Pará (clique aqui e confira a cobertura completa da EBC).
“A forma como nós integrarmos esses três vetores do desenvolvimento definirá não apenas o nosso presente, mas o futuro das próximas gerações”, afirmou o presidente brasileiro.
Os minerais críticos são recursos essenciais para setores estratégicos, como tecnologia, defesa e transição energética, cuja oferta está sujeita a riscos de escassez ou dependência de poucos fornecedores. Eles incluem elementos como lítio, cobalto, níquel e terras raras, fundamentais para baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores.
Para Lula, a transição energética oferece a oportunidades de ampliação das fronteiras tecnológicas e de ressignificar o papel da exploração dos recursos naturais.
“Os países com grande concentração de reservas de minerais não podem ser vistos como meros fornecedores, enquanto seguem à margem da inovação tecnológica. O que está em jogo não é apenas quem detém esses recursos, mas quem controla o conhecimento e o valor agregado que deles derivam”, disse aos líderes.
“Falar sobre minerais críticos também é falar sobre soberania. A soberania não é medida pela quantidade de depósitos naturais, mas pela habilidade de transformar recursos através de políticas que tragam benefícios para a população. Precisamos de investimentos ambientalmente e socialmente responsáveis, que contribuam para fortalecer a base industrial e tecnológica dos países detentores de recursos”, afirmou.
O Brasil, por exemplo, possui cerca de 10% das reservas mundiais desses elementos, de acordo com o Instituto Brasileiro da Mineração (Ibram), entidade que representa o setor privado.
“[A IA] promove a inovação, aumenta a produtividade, estimula práticas sustentáveis e pode melhorar a vida das pessoas de maneira concreta. O grande desafio não é apenas dominar a ferramenta, mas trabalhar para que todos possam utilizá-la de forma segura, protegida e confiável”, disse.
“Quando poucos controlam os algoritmos, os dados e as infraestruturas atreladas aos processos econômicos, a inovação passa a gerar exclusão. É fundamental evitar uma nova forma de colonialismo: o digital. É urgente que as maiores economias do mundo aprofundem o debate sobre a governança da IA e que as Nações Unidas sejam o centro dessa discussão”, acrescentou.
Lula lembrou ainda que 2,6 bilhões de pessoas não têm acesso ao mundo digital. Segundo ele, em países de renda alta 93% da população tem acesso a Internet, enquanto nos países de baixa renda esse percentual é de apenas 27%.
Por fim, o presidente defendeu que o desenvolvimento tecnológico venha atrelado a oportunidades de trabalho e proteção ao trabalhador, na medida em que 40% dos trabalhadores do mundo estão em funções altamente expostas à IA, sob risco de automação ou complementação tecnológica.
“Cada painel solar, cada chip, cada linha de código deve carregar consigo a marca da inclusão social”, disse. “Devemos criar pontes entre os setores tradicionais e emergentes. A tecnologia deve fortalecer, e não fragilizar os direitos humanos e trabalhistas”, afirmou aos líderes do G20.
Agenda
O G20 é o principal órgão para cooperação econômica internacional, criado em 1999 após a crise financeira asiática. Em 2008, ele também se tornou uma instância política, com uma cúpula de chefes de Estado e de governo.
Em 2025, a África do Sul conduz os trabalhos do G20 sob o lema “Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade”, com quatro prioridades: fortalecimento da resiliência e capacidade de resposta a desastres; sustentabilidade da dívida pública de países de baixa renda; financiamento para a transição energética justa; e minerais críticos como motores de desenvolvimento e crescimento econômico.
A presidência sul-africana encerra, ainda, um ciclo em que todos os países terão exercido, pelo menos uma vez, a liderança do grupo.
À margem da cúpula, neste domingo, Lula também se reuniu com os líderes do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas). A iniciativa trilateral foi desenvolvida em 2003 no intuito de promover a cooperação entre os países do Sul Global.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes permitiu, em decisão publicada neste domingo (23), a visita da esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal, onde Bolsonaro está preso preventivamente desde a manhã deste sábado (22). A visita pode ser feita entre 15h e 17h.
A defesa do réu solicitou também a visita dos filhos ao ex-presidente, mas segundo Moraes, como não informou quais filhos, o pedido não foi concedido. A defesa, de acordo com o magistrado, deve complementar o pedido.
Bolsonaro passará por audiência de custódia ao meio-dia deste domingo. A audiência será feita na própria Superintendência, por videoconferência. Segundo o STF, o vídeo não será divulgado.
O tribunal informou ainda que o prazo para a defesa do ex-presidente se manifestar a respeito da violação da tornozeleira eletrônica termina neste domingo às 16h30.
Prisão
Bolsonaro foi preso preventivamente pela Polícia Federal (PF), neste sábado, após determinação de Moraes. Na decisão, o ministro do STF citou eventual risco de fuga diante da tentativa de Bolsonaro de violar a tornozeleira eletrônica e da vigília convocada pelo seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nas proximidades da casa onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar.
Na sexta-feira (21), véspera da prisão do ex-presidente, ele usou uma solda para tentar abrir a tornozeleira eletrônica, o que gerou alerta para a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seap), responsável pelo monitoramento do equipamento. O ministro Alexandre de Moraes deu prazo de 24 horas para que a defesa se manifeste sobre a tentativa de violação.
A defesa do ex-presidente havia solicitado, também na sexta-feira, prisão domiciliar humanitária ao STF. O pedido foi negado.
Condenação
Condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal da trama golpista, Bolsonaro e os demais réus podem ter as penas executadas nas próximas semanas.
Na semana passada, a Primeira Turma da Corte rejeitou os chamados embargos de declaração do ex-presidente e de mais seis acusados para reverter as condenações e evitar a execução das penas em regime fechado.
Neste domingo (23), termina o prazo para a apresentação dos últimos recursos pelas defesas. Se os recursos forem rejeitados, as prisões serão executadas.
Bolsonaro passa por audiência de custódia neste domingo
O ex-presidente Jair Bolsonaro passará por audiência de custódia, ao meio-dia deste domingo (23). Ele foi preso preventivamente pela Polícia Federal (PF), neste sábado (22), após determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Na decisão, o magistrado citou eventual risco de fuga diante da tentativa de Bolsonaro de violar a tornozeleira eletrônica e da vigília convocada pelo seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nas proximidades da casa onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar.
Jair Bolsonaro foi levado para a Superintendência Regional da PF no Distrito Federal, de onde participará da audiência por videoconferência. Moraes determinou, ainda, que seja disponibilizado atendimento médico em tempo integral ao ex-presidente e que as visitas deverão ser previamente autorizadas pelo STF, com exceção das dos advogados e da equipe médica que o acompanha.
Nesta sexta-feira (21), o ex-presidente Bolsonaro usou ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira eletrônica, o que gerou alerta para a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seap), responsável pelo monitoramento do equipamento. O ministro Alexandre de Moraes deu prazo de 24 horas para que a defesa se manifeste sobre a tentativa de violação.
Os advogados vão recorrer da decisão. Segundo eles, a tornozeleira eletrônica só foi colocada para “causar humilhação” ao ex-presidente e que a fuga com o rompimento do equipamento é apenas uma narrativa para justificar a prisão.
Condenação
Condenado a 27 anos e três meses de prisão na ação penal da trama golpista, Bolsonaro e os demais réus podem ter as penas executadas nas próximas semanas. Na semana passada, a Primeira Turma da Corte rejeitou os chamados embargos de declaração do ex-presidente e de mais seis acusados para reverter as condenações e evitar a execução das penas em regime fechado.
Neste domingo (23), termina o prazo para a apresentação dos últimos recursos pelas defesas. Se os recursos forem rejeitados, as prisões serão executadas.
A defesa do ex-presidente chegou a pedir, na sexta-feira, a concessão de prisão domiciliar humanitária a Jair Bolsonaro, o que foi rejeitado por Moraes neste sábado. Segundo os advogados, Bolsonaro tem doenças permanentes, que demandam “acompanhamento médico intenso” e, por esse motivo, o ex-presidente deveria continuar em prisão domiciliar.
Bolsonaro estava detido em sua casa, em Brasília, em razão de descumprimento de medidas cautelares já fixadas pelo STF. Elas foram determinadas no inquérito no qual o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, é investigado pela atuação junto ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para promover medidas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros do Supremo.