Empresário e ex-soldado da borracha Francisco Milton Lucena morre aos 99 anos em Rio Branco

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O empresário e ex-soldado da borracha Francisco Milton Lucena faleceu na madrugada deste domingo (15), em Rio Branco, após enfrentar complicações de saúde. Ele tinha 99 anos e era considerado uma das figuras históricas ligadas à geração de trabalhadores que ajudaram a impulsionar o desenvolvimento econômico do Acre.

Natural de Quixadá, no Ceará, Milton Lucena chegou ao Acre ainda adolescente, em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, período em que milhares de nordestinos foram recrutados para trabalhar na extração de látex na Amazônia no esforço conhecido como “Batalha da Borracha”.

Com apenas 17 anos, ele desembarcou no estado após uma longa viagem que durou cerca de dois meses, entre trechos por terra e por embarcações pelos rios amazônicos. A família foi instalada inicialmente no seringal Guanabara, na região do Rio Iaco, no município de Sena Madureira, onde Lucena começou a trabalhar como seringueiro.

Assim como muitos trabalhadores da época, enfrentou condições difíceis na floresta, marcadas pelo isolamento, doenças tropicais e trabalho pesado. Mesmo diante das adversidades, construiu sua vida no Acre.

Durante uma visita a um seringal vizinho, Milton conheceu Odete D’Ávila, com quem se casou em 30 de junho de 1951, formando família no estado.

Com o passar dos anos, ele deixou o trabalho no seringal e passou a investir no comércio, atividade que o tornaria conhecido na região. Em Sena Madureira, Milton Lucena se destacou como empreendedor e ajudou a fortalecer o comércio local, sendo lembrado como um dos pioneiros que contribuíram para dinamizar a economia do município.

Outro capítulo marcante da trajetória de Milton Lucena foi sua ligação com a chegada da Coca-Cola ao Acre. Após consolidar-se no comércio em Sena Madureira, ele passou a atuar também na distribuição de produtos, tornando-se um dos responsáveis por impulsionar a presença da marca no estado.

Sua trajetória ficou marcada como exemplo da geração de nordestinos que migraram para a Amazônia durante a guerra e permaneceram na região, ajudando a construir a base social e econômica do Acre.

A morte de Milton Lucena representa também a despedida de um dos remanescentes da geração dos soldados da borracha, trabalhadores que tiveram papel estratégico na produção de látex para os aliados durante a Segunda Guerra Mundial.

Até o momento, familiares ainda não divulgaram detalhes sobre velório e sepultamento.

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