Congresso de Inovação: para Finep, Brasil pode ser líder global na transição energética

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Presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, fala sobre como investimento em ciência, tecnologia e inovação pode aumentar capacidade de produtividade industrial; instituição patrocina o 11º Congresso de Inovação

Vinculada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) tem como missão ser um ente de desenvolvimento econômico e social, por meio do fomento público à Ciência, Tecnologia e Inovação em empresas, universidades, institutos tecnológicos e outras instituições públicas ou privadas.

A instituição é uma das patrocinadoras do 11º Congresso de Inovação da Indústria, que acontece nos dias 25 e 26 de março no WTC em São Paulo. O evento vai debater e apresentar desafios, soluções e oportunidades para as indústrias brasileiras inovarem.

Um dos principais eventos de inovação industrial da América Latina é uma iniciativa da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), correalizado pelo Sistema Indústria – que reúne a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Serviço Social da Indústria (SESI), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) – e o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Em entrevista à Agência de Notícias da Indústria, o presidente da instituição, Luiz Antônio Elias, destacou que o risco tecnológico e o risco de mercado são os fatores que precisam de mais atenção das empresas. Outro elemento que Elias destaca como um gargalo, ou melhor, como um desafio estrutural é a desigualdade regional na distribuição do sistema de inovação.

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA INDÚSTRIA – Quais são os instrumentos de fomento à ciência, tecnologia e inovação da Finep?

LUIZ ANTÔNIO ELIAS – A Finep opera com três instrumentos clássicos e fundamentais de apoio direto. O primeiro é o crédito, que oferece recursos reembolsáveis com taxas subsidiadas, significativamente menores que as de mercado, para estimular o investimento empresarial.

O segundo, que consideramos o instrumento mais nobre do nosso sistema, é a subvenção econômica, destinada a projetos de alto risco tecnológico; nela, o recurso é não reembolsável, pois o objetivo é compartilhar diretamente o risco entre o setor público e o privado para viabilizar inovações que as empresas não conseguiriam realizar sozinhas.

Por fim, utilizamos os fundos de participação e investimento (FIPs), aportando capital societário de forma provisória em empresas inovadoras para alavancá-las, buscando o retorno posterior desse investimento para retroalimentar o ciclo com novas empresas.

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA INDÚSTRIA – Na visão da Finep, quais são os principais gargalos para as empresas inovarem no país?

LUIZ ANTÔNIO ELIAS – Os principais gargalos que as empresas devem enfrentar em qualquer lugar do mundo são: o risco tecnológico e o risco de mercado. No Brasil, as oscilações bruscas do mercado e os juros elevados são fatores agravantes.

A Finep atua compartilhando o risco tecnológico e reduzindo o custo do financiamento para estimular o investimento privado em inovação.

Outro desafio estrutural crítico é a desigualdade regional na distribuição do sistema de inovação, que hoje é fortemente concentrado nas regiões Sul e Sudeste. Nossa visão é de que o Brasil precisa de um desenvolvimento integrado para reduzir essas disparidades e fortalecer o ecossistema nacional como um todo.

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA INDÚSTRIA – Como a política industrial Nova Indústria Brasil (NIB) tem orientado o trabalho da Finep?

LUIZ ANTÔNIO ELIAS – A NIB é o norte de toda a nossa atuação estratégica atual. Trabalhamos de forma totalmente alinhada às suas seis missões, em uma parceria que envolve cerca de 20 ministérios e agências governamentais. As seis missões orientam os investimentos estratégicos da Finep para promover o desenvolvimento nacional.

A primeira missão foca na cadeia do agronegócio sustentável, enquanto a segunda é voltada para a saúde, com ênfase nas demandas do SUS. A terceira missão engloba a mobilidade verde nas cidades, tecnologias sustentáveis e economia circular, ao passo que a quarta missão concentra-se em tecnologias digitais para o aumento da produtividade da indústria.

A quinta missão dedica-se à transição energética e ecológica. Por fim, a sexta missão trata da soberania nacional, investindo em projetos de defesa e segurança, como o desenvolvimento de veículos lançadores de satélites brasileiros. Com o fim do contingenciamento dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), garantido pelo governo e pelo Congresso, passamos a contar com orçamentos crescentes e sustentáveis, saindo de cerca de R$ 10 bilhões em 2023 para uma previsão de 17,6 bilhões em 2026, o que nos permite dar continuidade e escala aos projetos vinculados a essas missões.

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA INDÚSTRIA – Quais áreas/segmentos estão sendo mais beneficiados com o fomento?

LUIZ ANTÔNIO ELIAS – São aquelas áreas/segmentos que apresentam maior número de projetos bem qualificados. Atendendo à demanda das empresas, estamos direcionando esforços expressivos para a cadeia do agronegócio sustentável, saúde (com foco nas demandas do SUS), mobilidade verde, tecnologias digitais e economia circular.

Também temos um olhar estratégico para a soberania nacional, apoiando projetos complexos em defesa e no setor aeroespacial, como o desenvolvimento de veículos lançadores de satélites brasileiros.

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA INDÚSTRIA – Em quais áreas devemos esperar um desempenho melhor do país em curto, médio e longo prazo, tendo em vista os investimentos que estão sendo realizados?

LUIZ ANTÔNIO ELIAS – Esperamos que o país apresente um salto expressivo na produtividade industrial por meio da adoção de tecnologias da Indústria 4.0, como robotização e automação. No setor de saúde, o fomento atual deve resultar na consolidação da produção nacional de medicamentos biológicos e vacinas de classe mundial.

Para o longo prazo, nossa aposta é que o Brasil se posicione como um líder global na transição energética e alcance plena soberania tecnológica, garantindo que o desenvolvimento científico se traduza em emprego, renda e maior competitividade nas exportações brasileiras.

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