Brigar não é feio, Jorge.

Eliton Muniz - Free Lancer - Cidade AC News
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Feio é fingir que nunca brigou.

Brigar não é feio, Jorge.

Brigar não é feio, Jorge.
Feio é esquecer que as mesas que hoje você tenta canonizar já foram palco de guerras políticas que você ajudou a coreografar.
Feio é posar de pacificador tardio quando, por décadas, o Acre só se movia quando alguém batia a mão na mesa — inclusive você.

A verdade é simples, mas incômoda:
o problema nunca foi a briga; o problema é quando a briga deixa de ser pelo Estado e passa a ser pelo espelho.

Você diz que a direita está disputando quem é mais extremista.
Talvez.
Mas você sabe — porque viveu isso por dentro — que extremismo não tem ideologia: tem ambição.
E ambição é o esporte preferido da política acreana desde antes de inventarem a palavra “polarização”.

É curioso te ver reclamar do extremismo agora.
Logo você, que já operou alianças improváveis, já costurou inimigos históricos, já peitou Brasília, já dividiu e uniu grupos inteiros conforme o tabuleiro pedia.
E tudo isso, diga-se, com habilidade.
Talvez até com maestria.

Então por que esse tom de professor cansado?
Por que essa preocupação quase messiânica com quem está sendo “mais extremo”?
Por que essa súbita alergia à disputa?

Será que é porque desta vez a mesa não é sua?
Porque desta vez quem está batendo na madeira não pede mais sua bênção para fazê-lo?

O Acre não precisa de um tutor moral.
Precisa de alguém que reconheça que a política local é feita de confronto — confronto de ideias, de modelos, de visões de futuro.
E confronto, Jorge, não é desordem:
é o nome adulto da democracia.

O que o povo quer saber é outra coisa:
Você está pronto para voltar para a mesa onde se briga pelo Acre — ou prefere continuar discursando de longe sobre os erros dos que ficaram?

Porque quem fala de extremismo como se estivesse acima do tabuleiro esquece que o Acre já amadureceu.
O eleitor já não se encanta com nostalgia, com memória afetiva, com “no meu tempo era melhor”.
Ele quer saber se você ainda tem coragem de fazer hoje o que cobrava ontem.

Brigar não é feio, Jorge.
Feio é tentar posar de iluminado quando a história ainda guarda as marcas das suas mãos naquela mesa antiga que você conhece tão bem.

E no fim das contas, a pergunta que ecoa não é “quem é o extremista?”.
A pergunta é:

Quem ainda tem fibra para brigar pelo Estado — sem disfarce, sem vaidade e sem medo do confronto?

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