Senador apresenta projeto para tentar barrar homenagem a Lula com verba pública no Carnaval

O senador Bruno Bonetti (PL-RJ) protocolou nesta segunda-feira (9/02), o Projeto de Lei 392/2026, que proíbe de forma expressa o uso de recursos públicos federais em eventos culturais e desfiles carnavalescos que promovam a exaltação personalizada de autoridades e agentes públicos em exercício de mandato.

Paralelamente, Bonetti ingressou com uma Ação Popular, na Justiça Federal, em parceria o com o deputado estadual Anderson Moraes (PL-RJ), com o objetivo de impedir o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói e também a transmissão do desfile da agremiação pelos meios de comunicação. A ação popular é um instrumento previsto na Constituição Federal que permite a qualquer cidadão questionar judicialmente atos lesivos ao patrimônio público, à moralidade administrativa e ao interesse coletivo.

As medidas são uma resposta direta à destinação de verbas federais ao Carnaval de 2026, em meio à escolha de um samba-enredo que homenageia o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

O projeto de lei estabelece que repasses da União a escolas de samba, agremiações carnavalescas e entidades culturais deverão obedecer rigorosamente aos princípios constitucionais da impessoalidade, da moralidade administrativa e da finalidade pública. Pela iniciativa, fica vedado o financiamento de projetos que promovam elogios a governantes, caracterizem promoção pessoal ou funcionem como propaganda político-eleitoral, ainda que de forma indireta.

Para Bonetti, o episódio recente escancarou o uso indevido do dinheiro público para fins políticos. “Estamos assistindo à tentativa de transformar a maior festa popular do país em palanque eleitoral. Isso é inaceitável. Verba pública não existe para glorificar governantes nem para bancar culto à personalidade”, afirmou.

O parlamentar criticou o que chamou de aparelhamento ideológico do fomento cultural. “Estamos diante de um grave desvio de finalidade. O governo está usando dinheiro do contribuinte para homenagear o próprio presidente. Isso não é coincidência. É método. Primeiro aparelham a máquina pública, depois usam recursos federais para exaltar o líder e tentar normalizar o culto à personalidade. Isso não tem nada a ver com cultura, tem a ver com projeto de poder”, declarou.

O PL prevê sanções severas às entidades que descumprirem a norma, incluindo a suspensão imediata dos repasses, a devolução integral dos valores recebidos com correção monetária e a proibição de firmar novas parcerias com a União pelo prazo de cinco anos.

Bonetti também apontou falhas administrativas e ausência de controle nos repasses federais recentes. “Ficou evidente a falta de transparência e o total desprezo deste governo pelos princípios constitucionais. O Estado não pode agir como patrocinador de projetos políticos travestidos de manifestações culturais”, disse.

O parlamentar ressaltou que a proposta não impõe censura artística, mas impõe limites claros ao uso do dinheiro público. “A liberdade criativa é absoluta. O uso do dinheiro do povo, não. Se uma escola quiser homenagear um político em exercício, que faça isso com recursos privados, não com verba federal”, afirmou.

Segundo Bonetti, o projeto busca frear um precedente perigoso. “Se o Congresso se omitir, o Brasil passa a aceitar oficialmente que o Estado financie a autopromoção de quem está no poder. Isso é incompatível com uma democracia séria”, concluiu.

Mais Lidas

Expoacre soma 254 mil visitas, mas maioria dos rio-branquenses dizia não pretender ir

A Expoacre 2026 acumulou 254 mil entradas nos seis primeiros dias, enquanto pesquisa Fecomércio/DataControl mostra que 56,5% dos entrevistados em Rio Branco disseram que não pretendiam visitar a feira. Os números medem fenômenos diferentes e ajudam a explicar alcance, frequência e adesão ao maior evento do Acre.

PF investiga fraude no Seguro-Defeso no Acre e apura participação de agentes públicos

A Polícia Federal deflagrou a Operação Maré de Apate para investigar suspeitas de emissão e utilização irregular de registros de pescador artesanal no Acre. Seis mandados foram cumpridos em Rio Branco e Cruzeiro do Sul. A apuração também alcança a possível participação de agentes públicos e particulares e busca dimensionar eventual prejuízo aos cofres públicos.

Expoacre 2026: veja os principais fatos que marcaram as últimas 24 horas no maior evento do Acre

A Expoacre 2026 segue concentrando a agenda econômica, política e institucional do Acre. Confira os principais acontecimentos das últimas 24 horas e os impactos do maior evento do estado.

Marilza Brás e Cadmiel Bomfim: dois nomes ligados à Assembleia de Deus na disputa pela Aleac

Marilza Brás e Cadmiel Bomfim pretendem disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa pelo PL. Enquanto Cadmiel recebeu o apoio da direção da Assembleia de Deus em Rio Branco, Marilza apresenta currículo técnico, formação acadêmica e ligação com a mesma tradição religiosa. A disputa revela os limites do chamado “candidato da igreja” e reforça que a decisão eleitoral pertence ao cidadão.

Tião Viana e Peixes da Amazônia: após arremate de R$ 13,151 milhões, falta explicar qual é o papel atual

Tião Viana afirmou no Papo Informal que continua ajudando no “resgate” da Peixes da Amazônia. A antiga empresa está falida, enquanto os ativos do complexo foram arrematados pela OZ Earth. A declaração não esclarece se a atuação do ex-governador terminou na busca de investidores ou continua na estruturação da nova operação.

Últimas Notícias

Categorias populares