Mailza candidata? A vice que virou principal num jogo onde os coadjuvantes nunca saem de cena

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Se a política acreana fosse uma novela, a nova temporada começa com a vice tomando o lugar do protagonista. Mailza Assis foi anunciada como pré-candidata ao governo em 2026. E não foi surpresa. Quem assiste essa trama há tempo já viu os roteiristas ensaiando esse capítulo desde que Gladson começou a falar mais de Brasília do que do Acre.

Mas vamos com calma. A Mailza é boa de conversa, não briga com ninguém, sabe posar pra foto e tem carisma de sobra. Só que eleição não é concurso de simpatia — é disputa por direção. E até agora, o carro segue com a mesma placa, o mesmo motorista e o mesmo som tocando: “vai continuar tudo como está”.

A pergunta que a gente precisa fazer é simples: Mailza quer ser protagonista mesmo ou só quer manter o teatro com novos figurinos? Porque o palco é o mesmo. Os bastidores são os mesmos. E o roteiro, a gente já conhece: muito discurso, pouca entrega e aquela vontade de ficar onde está, custe o que custar.

Não dá pra ignorar que ela cresceu politicamente, que tem um time articulado e que representa, sim, um respiro de leveza numa política carregada de testosterona e vaidade. Mas também não dá pra fingir que essa candidatura não tem digitais de quem ainda puxa os fios por trás das cortinas.

A vice que virou governadora interina, que agora vira candidata titular, ainda precisa mostrar uma coisa: projeto. Não é possível que alguém queira governar um Estado com tantos problemas e tenha como proposta só “seguir em frente”. Seguir pra onde, minha filha? Porque o povo tá parado na fila do hospital, atolado em lama e cansado de “continuísmo” com cara de novidade.

A eleição de 2026 não vai ser fácil. Vai ter voto com raiva, voto com esperança e voto de protesto. Mailza pode pegar muita gente de surpresa, principalmente se conseguir mostrar que não é só uma peça do tabuleiro. Mas se insistir em ser a jogadora simpática que evita atrito e fala pouco — vai virar enfeite de palanque.

No fim, o que o povo quer é alguém que entre no jogo pra jogar, não pra obedecer técnico de bastidor. Que faça gol, que banque substituição, que mude a tática se for preciso. Porque a torcida acreana já cansou de assistir jogo ensaiado, com resultado combinado e juiz distraído.

Então Mailza, se for pra entrar no campo, entra pra ganhar. Mas joga com as próprias pernas — porque o povo não aguenta mais ver candidato sendo controlado por controle remoto.

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