Cerol, silêncio e sucessão: Mailza é lançada ao governo enquanto população teme por segurança nas ruas

✍️ Eliton Muniz – Caboco das Manchetes

Tempo de leitura: 4 min

Enquanto o uso de cerol volta a fazer vítimas em Rio Branco e as autoridades parecem inertes, o Progressistas do Acre resolveu antecipar o jogo eleitoral: selou o apoio à pré-candidatura da vice-governadora Mailza Assis ao governo em 2026. Duas realidades paralelas, mas que dizem muito sobre o atual momento do estado: de um lado, a falta de resposta aos problemas do povo; de outro, a movimentação dos poderosos pensando em manter o controle.

O cerol voltou — e o medo também

Já é sabido, mas precisa ser dito de novo: tem cidadão tentando denunciar o uso de linha com cerol e não consegue sequer ser atendido pelas forças de segurança. Enquanto pipas cortantes sobem no céu, vidas estão sendo colocadas em risco. Motociclistas, principalmente, relatam o medo de circular em ruas onde crianças e adolescentes brincam sem supervisão — e sem fiscalização.

Nas últimas semanas, várias lojas da capital registraram alta nas vendas das antenas corta-linha, usadas nas motos para evitar cortes no pescoço. Em algumas delas, o produto simplesmente esgotou. Ou seja: a ameaça é real e visível. Só quem não vê é o poder público.

Crescimento x encerramento

Dados divulgados pelo Mapa das Empresas, do Ministério do Planejamento, mostram que o Acre abriu 729 novas empresas em junho de 2025. No mesmo período, 368 encerraram as atividades. O número revela um ritmo acelerado de tentativa e erro — a típica “corrida por sobrevivência” no empreendedorismo acreano. O problema é que, com tanta instabilidade, muitos fecham as portas antes mesmo de se firmar no mercado.

A combinação entre insegurança, falta de apoio e ausência de fiscalização forma o tripé que impede a vida urbana de respirar.

Mailza é a aposta do PP para 2026

Em um evento da ala feminina do Progressistas, a presidente do PP Mulher, Nazaré Araújo, cravou publicamente o nome de Mailza Assis como única pré-candidata do partido ao governo do Acre em 2026. O discurso foi carregado: críticas à “misoginia”, à “falta de lealdade” e à “violência de gênero” contra mulheres na política marcaram o tom da fala.

Mailza, que hoje ocupa a vice-governadoria, foi apontada como continuidade do projeto de Gladson Cameli. O governador não estava presente, mas seu nome paira sobre toda a articulação.

Nos bastidores, o PP quer mostrar força, fechar questão e consolidar sua candidata. A narrativa é clara: Mailza representa a “lealdade” ao projeto iniciado por Gladson. Mas não há ingenuidade — esse apoio também serve como escudo contra possíveis deserções e traições dentro da própria base.

Cameli joga nos bastidores

Mesmo fora dos holofotes, Gladson Cameli ainda é a peça-chave do xadrez político local. Seu apoio a Mailza é visto como estratégico — mas também como uma forma de manter a rédea curta. Fontes próximas ao governador indicam que, se o cenário lhe for favorável até 2026, ele pode buscar protagonismo novamente. Por ora, Mailza carrega a bandeira. Mas até onde ela irá sozinha?

Conclusão

O Acre vive um momento emblemático: cidadãos enfrentam perigos reais nas ruas enquanto a política acelera o passo para 2026. A linha que corta pescoços e a linha sucessória que define o poder estão no mesmo plano — uma visível, outra disfarçada. O desafio? Fazer com que o povo seja ouvido nas duas.

✍️ Eliton Lobato Muniz – Cidade AC News – Rio Branco – Acre

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