O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou as redes sociais para criticar duramente a apresentação de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl LX. Em publicação, o republicano classificou o espetáculo como “terrível”, “absolutamente ridículo” e uma “afronta à grandeza da América”, direcionando ataques tanto ao conteúdo artístico quanto à escolha da NFL.
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ToggleA manifestação ocorreu poucas horas após o show e ampliou a repercussão política em torno da performance do cantor porto-riquenho, atualmente o artista mais ouvido do mundo nas plataformas digitais.
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Críticas diretas ao espetáculo
Na mensagem, Trump afirmou que a apresentação não representaria os valores do país e fez críticas à linguagem e à coreografia do artista.
“O show do intervalo do Super Bowl é absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos! Não faz sentido nenhum, é uma afronta à grandeza da América e não representa nossos padrões de sucesso, criatividade ou excelência”, escreveu.
O presidente também atacou o uso do espanhol durante o espetáculo e afirmou: “Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo, e a dança é repugnante, especialmente para as crianças pequenas que estão assistindo de todos os Estados Unidos e do mundo todo”.
Ainda na publicação, Trump classificou o evento como um ataque simbólico ao país. “Esse ‘show’ é um tapa na cara do nosso país, que está estabelecendo novos padrões e recordes todos os dias — incluindo o melhor mercado de ações e planos de aposentadoria 401(k) da história!”, disse.
Ao final, o presidente voltou a criticar a NFL e acrescentou um comentário fora do tema do show: “Aliás, a NFL deveria substituir imediatamente sua nova e ridícula regra do kickoff. FAÇA A AMÉRICA GRANDE NOVAMENTE!”
Reação conservadora e polêmica prévia
A apresentação de Bad Bunny já enfrentava resistência antes mesmo de o artista subir ao palco. Setores conservadores questionaram a escolha da NFL, e apoiadores de Trump organizaram programações alternativas em protesto contra o show.
Aliados do presidente também criticaram o fato de a apresentação ter sido majoritariamente em espanhol, colocando em debate o que chamaram de “cultura americana” no maior evento esportivo do país.
Histórico de embates entre Trump e o cantor
A insatisfação de Trump com Bad Bunny não é recente. Quando o cantor foi anunciado como atração principal do Super Bowl, em 28 de setembro de 2025, o então presidente já havia criticado publicamente a decisão, chamando-a de “absolutamente ridícula” e acusando o artista de “espalhar ódio”.
Bad Bunny, nome artístico de Benito Antonio Martínez Ocasio, nasceu em Porto Rico, território caribenho pertencente aos Estados Unidos. O cantor adota o espanhol como idioma principal em suas músicas e entrevistas, postura associada a um posicionamento político e à valorização da língua falada na maior parte da América Latina.
Simbolismos da apresentação
Durante o encerramento do show, Bad Bunny exibiu bandeiras de diversos países do continente americano. Porto-riquenhos possuem cidadania norte-americana, mas não têm direito a votar nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, ponto frequentemente citado em debates sobre o status político da ilha.
Uma das músicas apresentadas, “Lo que le pasó a Hawaii” (“O que aconteceu no Havaí”), aborda questões relacionadas aos territórios americanos. Na canção, o artista traça paralelos entre a situação política do Havaí e a de Porto Rico, que tem suas Forças Armadas e relações comerciais internacionais sob controle do Congresso dos EUA.
Ativismo e manifestações anteriores
Além da carreira musical — que inclui três prêmios Grammy — Bad Bunny é conhecido por posicionamentos políticos públicos. Em uma cerimônia do Grammy, o cantor declarou do palco: “Fora, Ice”, em referência ao Serviço de Imigração e Fronteira dos Estados Unidos.
Em 2019, ele interrompeu uma turnê para participar de protestos em Porto Rico contra o então governador Ricardo Rosselló, em meio a uma crise política na ilha.
Ameaça não concretizada antes do evento
O embate político em torno do show chegou a extrapolar o campo retórico. Antes do Super Bowl, um assessor da Casa Branca chegou a ameaçar o envio de agentes federais de imigração ao estádio, o que seria um episódio inédito na história do evento. Nenhuma operação, no entanto, foi registrada durante a final da NFL.




