O ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques foi transferido na manhã deste sábado (27) de Foz do Iguaçu, no Paraná, para Brasília, informou a Polícia Federal. Condenado na trama golpista, Vasques aguardava preso na cidade paranaense após ser detido pela polícia do Paraguai quando tentava fugir do país para El Salvador. Ele foi entregue ao Brasil na noite de sexta-feira (26).
Ainda na sexta-feira, Moraes determinou a prisão preventiva de Silvinei Vasques, após o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) ter sido preso no Aeroporto Internacional Silvio Pettiross, em Assunção.
O ex-diretor cumpria prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, e a medida foi determinada após romper o equipamento e fugir para o país vizinho, onde foi detido pelas autoridades locais quando tentava embarcar em um voo com destino a El Salvador.
Moraes apontou na decisão que foi informado pela Polícia Federal de que a tornozeleira parou de emitir sinal de GPS por volta das 3h da madrugada de quinta-feira (25). Em seguida, agentes foram à casa do ex-diretor, localizada em São José, em Santa Catarina, e constataram que ele não estava na residência.
Ainda na sexta-feira, a PF confirmou que o ex-diretor foi levado pela polícia paraguaia para a fronteira com o Brasil e entregue a agentes da PF na Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Ciudad del Leste, no Paraguai.
Polícia Civil prende homem investigado por agredir violentamente companheira
Na última quinta-feira, 25, a Polícia Civil do Acre (PCAC) por meio da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), deu cumprimento a um mandado de prisão expedido em desfavor de H. G. da C., de 26 anos.
O preso se encontra à disposição da Justiça e o Inquérito Policial será concluído no prazo legal. Foto: cedida
O homem é investigado por ter agredido violentamente sua companheira na noite de 23 de dezembro de 2025, por meio de puxões de cabelo, empurrão, chutes e murros no braço e rosto, fatos ocorridos na frente do filho do casal, de apenas 03 (três) anos de idade.
Após o atendimento inicial e colheita das provas, a Delegada de Polícia Plantonista representou pela prisão preventiva do investigado, o que foi deferido pelo Poder Judiciário e cumprido na tarde de ontem, na Rodoviária de Rio Branco.
O preso se encontra à disposição da Justiça e o Inquérito Policial será concluído no prazo legal.
“A Polícia Civil teve conhecimento, na tarde de ontem, que o investigado estava fugindo para se esconder no Estado vizinho. A equipe se deslocou até a Rodoviária de Rio Branco e constatou que o investigado estava prestes a embarcar, momento em que lhe foi dada voz de prisão e conduzido à DEAM para os procedimentos de praxe.” Declarou a Delegada Michelle Boscaro.
O Ministério Público Federal (MPF) e as Defensorias Públicas da União (DPU) e do estado do Rio de Janeiro (DPRJ) encaminharam ao governo do Rio de Janeiro e à prefeitura da capital fluminense um pedido para que adotem recomendações urgentes de enfrentamento à onda de calor dos últimos dias.
O ofício assinado na noite de sexta-feira (26) trata de “adoção de providências urgentes, coordenadas e intersetoriais de proteção dos grupos vulnerabilizados diante de cenários de calor extremo”.
O documento foi enviado ao governador Cláudio Castro, ao prefeito Eduardo Paes e secretários, como os da pasta da Saúde, tanto na esfera municipal quanto estadual.
O ofício aponta que as elevadas temperaturas configuram cenário de risco à saúde e à integridade física da população, “especialmente dos grupos em maior vulnerabilidade social e clínica”.
Entre os impactos à saúde, os órgãos citam “desidratação, exacerbação de doenças crônicas, insolação, exaustão térmica e, em casos extremos, o golpe de calor (heatstroke), que apresenta elevada taxa de mortalidade”.
MPF e as Defensorias destacam que os efeitos do calor extremo são sentidos de forma desigual, “afetando desproporcionalmente populações historicamente marginalizadas e em situação de vulnerabilidade social”.
Onda de calor
Desde a tarde da véspera de Natal (24), a cidade do Rio de Janeiro está no estágio 3 de calor, em uma escala que vai até 5. No nível 3, há registro de índices de calor alto (36°C a 40°C), com previsão de permanência ou aumento por, ao menos, três dias seguidos.
No dia 25, os termômetros marcaram 40,1°C, recorde do mês. Para este sábado (27), a previsão do Alerta Rio, sistema de meteorologia da prefeitura do Rio de Janeiro, é temperatura máxima em 38°C.
No domingo (28) deve chegar a 40°C. Alívio com chuva só a partir de segunda-feira (29), mas ainda com temperatura perto de 40°C.
No ofício enviado ao estado e a prefeitura do Rio, o MPF e a Defensoria apontam os seguintes grupos de risco:
crianças, especialmente lactentes, recém-nascidos e prematuros;
idosos acima de 65 anos;
gestantes e lactantes;
pessoas de doenças crônicas e com deficiência;
trabalhadores ao ar livre e desportistas;
indivíduos com restrição de mobilidade e acamados;
população em situação de rua.
População de rua
Especificamente sobre população em situação de rua, o comunicado cita que um protocolo municipal reconhece que a condição clínica é agravada pela vulnerabilidade social, uma vez que:
estão mais expostas ao calor extremo devido ao menor acesso a ambientes refrigerados e à proteção solar;
sujeitas a elevada carga de morbidade por diversas condições clínicas determinadas socialmente;
menor acesso a água potável e resfriada, bem como a alimentos adequados.
O MPF, DPU e DPRJ lembram que o próprio protocolo municipal orienta medidas como:
ativação de centros de hidratação nas unidades de Atenção Primária à Saúde;
designação de pontos de resfriamento em locais com ar-condicionado ou refrigeração, com divulgação à população;
ampliação da oferta de estações de hidratação ou distribuição de água nos
locais de acolhimento das populações mais vulneráveis;
possibilidade de ampliação dos horários de funcionamento dos locais
públicos com ar-condicionado, refrigeração ou áreas sombreadas.
Recomendação e prazo
Entre as recomendações ao estado estão o preparo do Corpo de Bombeiros para o resgate de pessoas e garantia da disponibilidade de leitos e capacidade de atendimento na rede de saúde.
O MPF e as Defensorias cobram que município e estado informem, dentro de 24 horas, medidas concretas deflagradas, com “indicação precisa” de:
pontos de resfriamento ativados, com endereços e horários de funcionamento;
locais e horários de distribuição de água e hidratação;
unidades de saúde atuando como centros de hidratação;
fluxos de atendimento e encaminhamento ativados;
operações de resgate e atendimento pré-hospitalar realizadas.
Procurada pela Agência Brasil, a Secretaria Municipal de Saúde informou que “a prefeitura do Rio foi a primeira e uma das únicas cidades do país a ter um protocolo de proteção para o calor extremo, e obviamente seguirá o protocolo publicado”.
“A recomendação para todo o estado deve ser avaliada por cada cidade, não cabendo à Secretaria Municipal de Saúde do Rio comentar”, completa a nota.
A Agência Brasil pediu posicionamento ao governo do estado e está aberta a manifestações.
Sintomas e quadros de saúde ligados ao calor provocaram quase 450 atendimentos por dia nas unidades públicas de saúde do Rio de Janeiro nos últimos três dias, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. Nos dias 23, 24 e 25 a rede de urgência registrou 1.347 atendimentos.
Os casos mais comuns de atendimentos possivelmente relacionados ao calor são tontura, fraqueza e desmaios, além de queimaduras solares.
Desde a tarde da véspera de Natal (24), a cidade está no Estágio 3 de calor, em uma escala que vai até 5. No nível 3, há registro de índices de calor alto (36°C a 40°C), com previsão de permanência ou aumento por, ao menos, três dias seguidos.
De acordo com o Alerta Rio, sistema de meteorologia da prefeitura do Rio de Janeiro, a temperatura máxima na sexta-feira será de 40°C. Se confirmada a previsão, será o terceiro dia com temperatura de ao menos 40°C, em um intervalo de quatro dias na capital fluminense.
No âmbito estadual, o governo fluminense alertou todos os 92 municípios para os perigos do calor excessivo.
De 20 a 25 de dezembro, as unidades de pronto atendimento (UPA) do estado atenderam 942 pessoas com sintomas ligados ao calor.
A previsão é de mais dias quentes, podendo chegar aos 41°C no domingo. Apenas a partir de terça-feira pode haver chuva fraca a moderada isolada.
Trabalho no calor
Nesses dias de calor intenso, uma das principais orientações das autoridades à população é beber bastante água. Diante dessa necessidade, trabalhadores como José Otávio do Amaral Furtado buscam o sustento com a venda e entrega de garrafinhas de água mineral e sacos de gelo para comerciantes na região da Central do Brasil, uma das mais movimentadas do Centro do Rio de Janeiro.
“É muito cansativo trabalhar em um sol desses, de 40° Celsius (C), enfrentar o sol do dia todo”, disse à Agência Brasil, nesta sexta-feira (26).
“Não dá, o Rio de Janeiro está um massacre com esse calor”, completa ele, ao lado do triciclo com os sacos de gelo derretendo.
Sob um céu sem nuvens e nenhuma chance de chuva, a aposentada Luiza Helena da Cruz, de 69 anos, enfrenta a caminhada com a sombrinha aberta, estratégia para se proteger dos raios solares.
Pessoas cuidam da hidratação em dia de calor no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
“Eu passo bastante protetor solar, tomo bastante líquido e evito andar muito no sol. Fico mais em casa, só saio para ir à igreja ou comprar alguma coisa e volto logo para casa”, explica ela sobre seus cuidados.
Em outra parte da cidade, na zona sul, famosas pelas praias, o cenário da última sexta-feira do ano é de calçadão, areia e mar lotados. Dezenas de milhares de pessoas aproveitam para se refrescar nesse período espremido entre Natal e ano-novo.
Cariocas e turistas vão à praia em dia de forte calor no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A movimentação intensa é sinônimo de renda para a vendedora Emily Vieira Freire, que há quatro meses trabalha em uma barraquinha de açaí na orla da praia do Arpoador.
“Vende bastante”, conta ela, que não esconde os lados negativos do calor. “Dá muita sede, o sol está demais, está muito calor”.
Recomendações
A prefeitura do Rio lista uma série de recomendações para diminuir o risco de problemas de saúde em dias muito quentes:
Aumente a ingestão de água ou de sucos de frutas naturais, sem adição de açúcar, mesmo sem ter sede
Consuma alimentos leves como frutas e saladas
Utilize roupas leves e frescas
Evite bebidas alcoólicas e com elevado teor de açúcar
Evite a exposição direta ao sol, em especial, das 10h às 16h
Em caso de mal-estar, tontura ou demais sintomas provocados em decorrência do estresse térmico, procure uma unidade de saúde
Trabalhadores no centro da cidade em dia de calor no Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A onda de calor que elevou as temperaturas na semana do Natal, no Rio de Janeiro, São Paulo e em outros seis estados ao redor, no Sudeste, Centro-Oeste e Sul, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), deve se estender até a próxima segunda-feira (29). Para essas áreas, o órgão emitiu aviso vermelho, de grande perigo, o que significa temperaturas 5º C acima da média por mais de 5 dias e alta probabilidade de risco à vida, danos e acidentes.
Com aumento do calor extremo, resultado especialmente das mudanças climáticas induzidas pelo homem, uma série de medidas são necessárias para diminuir o impacto na saúde. De acordo com o clínico geral e coordenador do Pronto Atendimento dos Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, Luiz Fernando Penna, esse quadro tem potencial de gerar a falência térmica do corpo.
“Essa é uma emergência médica caracterizada pela confusão mental, pele quente e seca e temperatura corporal acima de 40º C”, explicou o profissional de saúde.
Pessoas se protegem do sol na região central do Rio de Janeiro durante onda de calor – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Se o corpo apresentar esses sinais e sintomas, é necessário buscar atendimento médico de imediato, advertiu o médico.
Na avaliação do médico do Sírio, o impacto do calor na saúde é subestimado. “Muitas pessoas acreditam que causa apenas mal-estar, mas estamos falando de riscos reais, que incluem desde quedas de pressão até falência térmica”, alertou.
Quando está muito quente, Penna explica que o corpo humano trabalha no limite. O organismo aumenta a sudorese, o que faz acelerar os batimentos cardíacos e dilata os vasos sanguíneos. “Esses mecanismos, porém, têm limite. E, quando falham, instala-se a falência térmica”, explicou.
O calor extremo também agrava o quadro de quem convive com doenças crônicas, tais como hipertensão, insuficiência cardíaca, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica (Dpoc) e doença renal crônica.
Pessoas que fazem uso de diuréticos, anti-hipertensivos, antidepressivos, anticolinérgicos e antipsicóticos também precisam redobrar a atenção. Os medicamentos podem aumentar a dilatação ou descontrolar a regulação térmica natural do corpo.
“Para quem já tem uma condição de base, o calor impõe uma sobrecarga perigosa”, acrescentou o médico.
As altas temperaturas interferem ainda no sono, prejudicando o humor, aumentando a irritabilidade e reduzindo a produtividade, já que afetam o tempo de descanso, a memória e a tomada rápida de decisões.
Para essas situações, não basta se hidratar, é preciso se proteger, evitar a exposição entre 10h e 16h, usar roupas leves e claras, priorizar ambientes ventilados e não fazer exercícios físicos. Aqueles trabalhadores que não podem evitar sair no calor extremo, como profissionais da construção civil, de entregas e da coleta de lixo, devem fazer pausas frequentes nas horas mais quentes, recomenda.
“Não existe adaptação completa para ondas de calor extremas e repetidas”, explica Fernando Penna. “Acima de 35°C com alta umidade, o corpo humano simplesmente não consegue funcionar como deveria”.
A recomendação do coordenador de pronto-socorro é evitar situações de riscos e reconhecer sinais precoces de falência térmica para evitar o colapso.
Cariocas e turistas vão à praia em dia de forte calor no Rio de Janeiro – Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
No Rio de Janeiro, já foi comprovado por pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, de fevereiro de 2025, que as altas temperaturas estão relacionadas ao aumento da mortalidade. O risco é maior para idosos e pessoas com alguma doença, como diabetes e hipertensão, além de Alzheimer, insuficiência renal e infecções urinárias. O trabalho da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) analisou mais de 800 mil mortes entre 2012 e 2024.
“A maioria dos estudos sobre calor e mortalidade concentra suas análises em doenças cardiovasculares e respiratórias”, disse, em nota, o pesquisador João Henrique de Araujo. “Todavia, há estudos que relatam esses efeitos também para doenças metabólicas, do trato urinário e doenças como Alzheimer, sobre as quais dissertamos”, acrescenta.
O que fazer em casos de calor *
Antes de planejar suas atividades, procure saber quão quente e úmido será o dia;
saiba como obter ajuda, anote telefones e informações sobre o serviço de saúde ou de ambulância – para acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), ligue 192;
Mantenha sua casa fresca
Sempre que possível, proteja a casa da entrada de calor, feche portas, janelas e cortinas durante as horas mais quentes e abra de noite para refrescar;
use ventiladores e aparelhos de ar-condicionado, se disponíveis; mas sem exagerar na regulagem do frio para não causar choque térmico
Proteja-se do calor
Não saia durante os horários mais quentes;
quando estiver ao livre, use protetor solar, chapéus e guarda-chuvas;
evite permanecer em ambientes fechados e sem circulação de ar, onde o calor se acumula e pode ser mais intenso do que ao ar livre.
Mantenha-se fresco e hidratado
Beba mais água, recuse bebidas alcoólicas acreditando que vai relaxar, o álcool acelera a desidratação;
use tecidos respiráveis, roupas escuras e pesadas retêm calor e dificultam a ventilação;
cuidado com banhos gelados, que provocam efeito rebote e fazem o corpo aumentar a produção de calor.
O valor é inferior ao empréstimo de R$ 20 bilhões, negado pelo Tesouro no início do mês. Os credores são o Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.
O empréstimo tem prazo de pagamento de 15 anos, com 3 anos de carência e juros equivalentes a 115% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), taxa de referência das operações interbancárias e próxima à taxa básica de juros, a Selic. O percentual ficou abaixo do limite usual de 120% do CDI adotado pelo Tesouro para operações com garantia da União.
Os recursos poderão ser utilizados como financiamento para capital de giro e investimentos estratégicos da estatal. O dinheiro pode ainda ser destinado ao pagamento da comissão de estruturação da operação de crédito, além de outras despesas vinculadas ao plano de reestruturação.
Segundo o Tesouro, a proposta aprovada atende aos critérios de capacidade de pagamento exigidos para empresas estatais que têm plano de reequilíbrio financeiro validado pelas instâncias competentes.
Rio sanciona lei de adesão ao Propag, programa para refinanciar dívida
O governo do Rio de Janeiro sancionou lei que autoriza adesão ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).
O texto foi publicado no Diário Oficial desta sexta-feira (26) e determina que o Poder Executivo solicite o encerramento do Regime de Recuperação Fiscal (RRF) para ingressar no novo modelo.
O Propag foi instituído por meio da Lei Complementar nº 212/2025, sancionada em 13 de janeiro de 2025. O programa é regulamentado pelo Decreto nº 12.433, de 14 de abril de 2025.
O programa permite que estados conciliem o pagamento de suas dívidas com a manutenção dos serviços públicos e a realização de investimentos em áreas como Saúde, Educação e Segurança.
No RRF, a dívida é corrigida pelo índice IPCA + 4% ao ano. Já no novo programa, a atualização poderá ser de IPCA + 0%, 1% ou 2%, conforme as condições pactuadas. Em contrapartida, os estados deverão quitar parte dos débitos e cumprir regras fiscais e financeiras adicionais.
A lei sancionada autoriza o uso de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR) para o abatimento de parte da dívida no momento da adesão. Esse mecanismo tornou viável a entrada do Rio de Janeiro no programa após a derrubada de parte dos vetos presidenciais à lei que instituiu o Propag.
O texto também estabelece um sistema de limitação do crescimento das despesas, que será baseado na variação do IPCA, acrescido de percentuais que podem chegar a 70%, conforme o desempenho da receita estadual.
Atualmente, a dívida do Estado do Rio de Janeiro soma R$ 225 bilhões, sendo R$ 193 bilhões devidos à União, R$ 28 bilhões em contratos garantidos pela União e R$ 4 bilhões referentes a parcelamentos.
Previsto para entrar em vigor em 1º de janeiro e começar a ser pago em fevereiro, o novo salário mínimo de R$ 1.621 injetará R$ 81,7 bilhões na economia, estima o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O cálculo considera os efeitos sobre a renda, o consumo e a arrecadação, ainda que em um cenário de restrições fiscais mais rígidas.
Segundo o Dieese, cerca de 61,9 milhões de brasileiros terão rendimentos diretamente influenciados pelo piso salarial. Desse total, 29,3 milhões são aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS); 17,7 milhões, empregados, 10,7 milhões, trabalhadores autônomos; 3,9 milhões, empregados domésticos; e 383 mil empregadores.
O novo valor representa um reajuste nominal de 6,79% em relação ao mínimo atual, conforme as regras estabelecidas pela política permanente de valorização do salário mínimo.
Contas do governo
Segundo o Dieese, o reajuste do mínimo afeta diretamente benefícios e despesas indexados ao piso nacional, com reflexos relevantes sobre o orçamento público. Veja os principais impactos:
R$ 39,1 bilhões de aumento estimado nas despesas da Previdência Social em 2026;
R$ 380,5 milhões de custo adicional para cada R$ 1 de aumento no salário mínimo;
46% dos gastos previdenciários são impactados diretamente pelo reajuste;
70,8% dos beneficiários da Previdência recebem benefícios atrelados ao salário mínimo.
O desafio do governo será equilibrar os efeitos positivos do aumento do salário mínimo sobre a renda da população com o controle das despesas obrigatórias, especialmente em um contexto de busca pelo cumprimento das metas fiscais.
Como foi calculado o reajuste
O reajuste do salário mínimo segue a Lei 14.663, de agosto de 2023, que define a correção anual com base em dois fatores:
a variação do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do ano anterior;
o crescimento do PIB de dois anos antes.
No entanto, o cálculo para 2026 será parcialmente limitado pelo novo arcabouço fiscal, definido pela Lei Complementar 200/2023, que impõe um teto para o crescimento real das despesas da União.
Com isso:
será considerada integralmente a inflação medida pelo INPC, de 4,18% (acumulado de dezembro do ano passado a novembro deste ano);
o crescimento do PIB, de 3,4%, será limitado a 2,5%, percentual máximo permitido pelo novo regime fiscal.
A combinação desses fatores resulta em um aumento nominal de R$ 103 no salário mínimo.
Retrospectiva: atletismo e judô são destaques na temporada paralímpica
O ano do esporte paralímpico no país, o primeiro do ciclo dos Jogos de Los Angeles (Estados Unidos), em 2028, foi marcado por desempenhos históricos nos Campeonatos Mundiais de atletismo e judô, nos quais o Brasil ocupou o topo do quadro de medalhas. Mas também houve tensão de bastidores com o embate entre atletas e a Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBTM) por exigências polêmicas referentes ao Bolsa Atleta.
Na Copa do Mundo de tênis em cadeira de rodas, disputada em Antalya (Turquia), no mês de maio, a seleção brasileira da classe quad (atletas com limitações em ao menos três membros) chegou à final pela primeira vez, conquistando a prata, superada pela Holanda. Na categoria júnior, o Brasil foi semifinalista e ficou em quarto, com participação importante dos mineiros Vitória Miranda e Luiz Calixto.
Assim como no tênis em cadeira de rodas, o Mundial de judô ocorreu em maio, na cidade de Astana (Cazaquistão). O Brasil foi 13 vezes ao pódio, sendo cinco no topo, liderando o quadro de medalhas de maneira inédita. O evento consagrou a paulista Alana Maldonado, tricampeã na categoria até 70 quilos (kg) da classe J2 (baixa visão), e o paraibano Wilians Araújo, que foi bi na categoria acima de 95 kg da classe J1 (cego total).
Destaque também à final 100% brasileira entre judocas acima de 70 kg da classe J2, marcada pela vitória de Rebeca Silva sobre a também paulista Meg Emmerich. E aos ouros inéditos da carioca Brenda Freitas na categoria até 70kg e da potiguar Rosi Andrade na categoria até 52 kg, ambos na classe J1.
No Mundial de canoagem, em Milão, o sul-mato-grossense Fernando Rufino conquistou o único ouro brasileiro, nos 200 metros (m) da classe VL2 (atletas que utilizam tronco e braços na remada), repetindo a dobradinha da final paralímpica dos Jogos de Paris, na França, em 2024, com o paranaense Igor Tofalini em segundo. Ao todo, o país foi ao pódio cinco vezes na Itália.
Em setembro veio o Mundial de Natação em Singapura. A briga pelo topo do quadro de medalhas foi equilibrada, com a Itália encabeçando a lista com 18 ouros. O Brasil ficou em sexto, com 13 douradas e 39 pódios. O mineiro Gabriel Araújo, o Gabrielzinho, da classe S2 (a segunda de maior comprometimento físico-motor), e a pernambucana Carol Santiago, da S12 (baixa visão), foram as estrelas, com três ouros cada.
Ainda em outubro, no Mundial de halterofilismo, a seleção feminina conquistou a medalha de ouro por equipes, com a carioca Tayana Medeiros, a mineira Lara Lima e a paulista Mariana d’Andrea. Elas também foram ao pódio no Cairo (Egito) nas disputas individuais. Mariana e Tayana ficaram com a prata nas categorias até 73 kg e 86 kg, respectivamente, enquanto Lara foi bronze entre as atletas até 41 kg.
Apesar de o Mundial de tênis de mesa ser em 2026, a modalidade também esteve em evidência este ano, mas por conta dos bastidores. Em julho, um grupo de nove atletas (que somam 16 medalhas paralímpicas) enviou um ofício ao Ministério do Esporte manifestando insatisfação com a CBTM.
Entre as reclamações está a exigência de que eles investissem um percentual (que variava de 30% a 60%) do Bolsa-Pódio – principal categoria do Bolsa Atleta – para custearem a participação em campeonatos internacionais e que o planejamento de cada um contemplasse pelo menos dez eventos fora do país. Apenas assim o plano esportivo deles seria aprovado pela entidade – o que é necessário para receberem o benefício junto ao Governo Federal.
No ofício os mesatenistas pediram, entre outras ações, a intervenção na confederação, o reconhecimento da excelência por resultados e não pela quantidade de eventos disputados e cobrança quanto à elaboração de um planejamento com “critérios técnicos objetivos”. Em resposta, o Ministério informou que “não há previsão, no normativo vigente do Programa Bolsa Atleta”, referente às exigências da CBTM. A entidade acabou revogando a medida, mas o racha permanece.
O Marrocos empatou pelo placar de 1 a 1 com Mali, na noite desta sexta-feira (26) no estádio príncipe Moulay Abdellah, em Rabat (Marrocos), em jogo válido pela segunda rodada da fase de grupos da Copa Africana de Nações. Os Leões do Atlas são os primeiros adversários do Brasil na Copa do Mundo de 2026.
Após este resultado, o Marrocos perdeu a oportunidade de garantir a classificação antecipada para as oitavas de final da competição. A equipe comandada pelo técnico Walid Regragui agora lidera o Grupo A com quatro pontos, dois a mais do que o seu próximo adversário, a seleção de Zâmbia.
Na partida desta sexta, os Leões do Atlas abriram o placar com um gol em cobrança de pênalti de Brahim Díaz. Também em cobrança de pênalti, a equipe de Mali igualou o placar com Sinayoko.
Brasil e Marrocos
O Marrocos é o primeiro adversário do Brasil no Grupo C da Copa do Mundo de 2026. A partida será no dia 13 de junho no MetLife Stadium, em Nova Jersey, às 19h (horário de Brasília).
Na segunda rodada, o Brasil encara o Haiti no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, às 22h. Já o encerramento da primeira fase está marcado para o dia 24 de junho, contra a Escócia, no Hard Rock Stadium, em Miami, às 19h.