quinta-feira, 19 março, 2026

Primeiro prognóstico para a safra agrícola de 2026 aponta queda de 3,7%

Valor levantado pelo IBGE totaliza 332,7 milhões de toneladas, com destaque para o aumento na produção de soja

Produção de soja deve crescer 1,1% e bater novo recorde em 2026

De acordo com o primeiro prognóstico do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado nesta quinta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a safra brasileira de grãos, cereais e leguminosas deve somar 332,7 milhões de toneladas em 2026. Essa produção representa um declínio de 3,7% (12,9 milhões de toneladas a menos) em relação à safra de 2025. Por sua vez, a safra de 2025 estimada em outubro foi de 345,6 milhões de toneladas, 18,1% maior que a obtida em 2024 (52,9 milhões de toneladas a mais), sendo recorde da série histórica do IBGE.

A produção deve crescer no Paraná (2,4%) e no Rio Grande do Sul (22,6%), com declínios no Mato Grosso (-9,8%), em Goiás (-7,8%), no Mato Grosso do Sul (-12,2%), em Minas Gerais (-4,7%), na Bahia (-4%), em São Paulo (-6,9%), no Tocantins (-7,8%), no Maranhão (-3,3%), no Pará (-8,3%), em Santa Catarina (-13,4%), no Piauí (-0,6%), em Rondônia (-2,4%) e em Sergipe (-6,5%). O declínio da produção em 2026 deve-se, principalmente, à menor estimativa prevista para o milho (-9,3%), para o sorgo (-11,6%), para o arroz (-6,5%), para o algodão (-4,8%), para o trigo (-3,7%) e para o feijão (-1,3%). Para a soja foi estimado um crescimento de 1,1% na produção.

“Em 2025, nós tivemos condições climáticas muito favoráveis para a maioria das culturas e das unidades da federação, com recordes na produção de soja, milho, algodão e sorgo, além de uma safra muito boa para o arroz. Em 2026, a previsão desse primeiro prognóstico é de queda, uma vez que estamos sob a influência do fenômeno La Niña, que traz chuvas mais intensas para a região Centro-Oeste e pouca chuva para o Sul, o que pode afetar as lavouras”, explica Carlos Alfredo Guedes, gerente de agricultura do IBGE. O Instituto destaca, ainda, que para a safra 2026, estão sendo incluídos canola e gergelim, produtos que vêm ganhando importância nos últimos anos, embora ainda tenham seu cultivo limitado há poucas unidades da federação.

Produção de soja deve bater novo recorde
A primeira estimativa de produção da soja para 2026 totalizou 167,7 milhões de toneladas, caracterizando novo recorde na produção nacional da leguminosa, superando a produção registrada no ano anterior em 1,1% (1,8 milhão de toneladas a mais). O salto na produção se dá, principalmente, por conta do incremento esperado de 0,8% no rendimento médio, totalizando 3.507 quilos por hectare, e de uma área plantada 0,3% superior à registrada na última safra.

O milho, por outro lado, foi a principal lavoura em queda na estimativa para 2026, com 128,4 milhões de toneladas, declínio de 9,3% em relação à safra colhida em 2025. Para a 1ª safra, foi estimada uma produção de 26,3 milhões de toneladas, aumento de 0,9% em relação a 2025, com o rendimento médio caindo 2,4% e a área a ser colhida crescendo 3,3%. Para o milho 2ª safra, a estimativa da produção é de 102,1 milhões de toneladas, declínio de 11,6% em relação a 2025, havendo uma redução de mesmo valor para o rendimento médio.

“Como a safra 2025 foi favorecida pelo clima durante o período de 2ª safra, a base de comparação da safra anterior é relativamente forte, de tal forma que não se espera, para 2026, que o clima se comporte tão favoravelmente. Além disso, ainda pairam muitas dúvidas quanto à janela de plantio do cereal, uma vez que as lavouras da safra de verão encontram-se ainda em desenvolvimento no campo”, contextualiza o gerente. Quanto ao algodão, espera-se uma queda de 4,8%, ficando em 9,3 milhões de toneladas, após três anos seguidos de safra recorde. De acordo com Guedes, “isso manteve a oferta alta e diminui os preços, então as margens estão apertadas para os produtores e a tendência é de redução na área de plantio”.

O arroz está com uma estimativa de 11,8 milhões de toneladas, declínio de 6,5% em relação ao volume produzido em 2025, com reduções de 3,3% na área ser colhida e de 3,3% no rendimento médio. “Os preços também estão pressionados devido a boa safra de 2025, então, deve haver uma redução na área plantada e menor investimento nas lavouras”, avalia Guedes. O mesmo acontece com o feijão, que, com preços pouco favoráveis, deve atingir 3 milhões de toneladas, uma redução de 1,3% em relação à safra colhida em 2025, mas ainda assim atendendo ao consumo brasileiro.

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