segunda-feira, 2 fevereiro, 2026

Política em campo: as tensões que cercam a Copa do Mundo de 2026

A correlação entre futebol e política é um tema espinhoso: há quem defenda a separação total, enquanto outros acreditam que ambos caminham lado a lado. Para 2026, há de se convir que os temas estão cada vez mais próximos. Enquanto a Copa do Mundo se aproxima, as tensões políticas nos Estados Unidos — sede ao lado de Canadá e México — acendem o alerta.

A problemática começa, na verdade, muito antes. Um bom ponto de partida é a decisão conjunta entre Fifa e UEFA, que aplicaram punições conjuntas à Federação de Futebol da Rússia (RFU) após o país invadir a Ucrânia. A entidade máxima do futebol proibiu que a nação disputasse as Eliminatórias para a Copa do Mundo do Catar, e consequentemente o próprio Mundial. A medida segue válida.

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Presidente da FIFA, Gianni Infantino, com Donald Trump, presidente dos EUA.Reprodução/@gianni_infantino
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Donald Trump, presidente dos Estados Unidos e Gianni Infantino, presidente da FIFAReprodução/x: ge
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Samir Xaud e Gianni Infantino anunciam novo torneio de seleções femininas no BrasilReprodução/FIFA
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“Neymar está entre os jogadores que podem ir à Copa do Mundo”, diz Carlo AncelottiFoto: Rafael Ribeiro/CBF
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“Trionda” é apresentada como bola oficial da Copa do Mundo de 2026Reprodução/X: @adidasfootball
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Lula com Carlo Ancelotti e Gianni Infantino, presidente da Fifa.Ricardo Stuckert/PR
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Donald Trump em DavosReprodução / GloboNews

Àquela altura, a Rússia disputaria a repescagem contra a Polônia de um lado da chave, enquanto República Tcheca e Suécia duelavam na outra metade pela vaga. As três seleções, entretanto, se recusavam a jogar contra os russos sob qualquer circunstância, ainda que em campo neutro ou sem o uso de símbolos, como bandeira e hino, como havia solicitado a Fifa.

Um ciclo de Copa depois, o problema volta a bater na porta das entidades. Em 5 de janeiro, os Estados Unidos invadiram a Venezuela e capturaram o ditador Nicolás Maduro, que atuava como presidente do país. A operação militar realizada sob ordens de Donald Trump contou com 150 aeronaves, segundo John Daniel “Razin” Caine, general e chefe do Estado-Maior Conjunto.

A operação passou longe de ser uma guerra como o conflito militar entre Rússia e Ucrânia. Entretanto, é provável que as ações estadunidenses sigam em outras partes do mundo. Nas últimas semanas, Trump deu algumas declarações sobre a possibilidade de anexar a Groenlândia, território autônomo que pertence à Dinamarca.

Além dos conflitos bélicos e invasões, as políticas anti-imigração ganham força no país norte-americano. Uma das bandeiras levantadas pelo agora presidente dos EUA durante a corrida eleitoras foi justamente a deportação em massa, além do endurecimento nas regras para a entrada no país. E pode-se dizer que as promessas saíram do papel.

Já no início do mandato, em janeiro de 2025, o republicano assinou um decreto proibindo a entrada de cidadãos de 12 países nos EUA e impondo restrições a estrangeiros de outros sete países. Ainda no mesmo ano, as ações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) ganharam destaque na imprensa internacional — na maioria das vezes, pela truculência dos agentes.

Já após a virada do ano, o Departamento de Estado anunciou o congelamento da emissão de vistos de imigrantes de 75 países. O Brasil está na lista. A sanção atinge outros 15 países que estão na Copa do Mundo. São eles: Argélia, Uruguai, Camarões, Cabo Verde, Costa do Marfim, Colômbia, Marrocos, Haiti, Egito, Gana, Tunísia, Irã, Jordânia, Uzbequistão, Senegal

Boicote?

Em meio às tensões geopolíticas, a possibilidade de um boicote de países participantes passou a ser comentada. Na Holanda, o tema ganhou força e chegou à Federação Holandesa de Futebol. Frank Paauw, presidente da entidade, criticou as ações de Trump mas descartou a possibilidade não disputar a Copa. O vice-presidente da federação alemã, Oke Göttlich, também foi a favor da seleção boicotar a competição. Ele alegou que o Mundial poderia ser transformado em um evento de propaganda de Trump.

Morgens Jensen, deputado do Partido Social Democrata dinamarquês, defendeu a ausência em caso de invasão norte-americana ao território da Groenlândia: “[Um boicote] é uma das últimas ferramentas que você deve usar. Mas vou ser honesto: se uma invasão dos EUA à Groenlândia acontecer, então uma discussão sobre boicote será muito, muito relevante”.

“(Trump) é sensível, tem um ego inflado e não gosta de passar vergonha. A visita de Estado (do Rei Charles aos EUA) deve acontecer este ano? As seleções de futebol devem jogar em estádios americanos na Copa do Mundo? Essas são coisas que envergonhariam o presidente em casa. Agora precisamos combater fogo com fogo”, defendeu o deputado conservador Simon Hoare, do Reino Unido.

O jornal britânico The Guardian noticiou que representantes de 20 seleções europeias discutiram as ações do presidente dos EUA em uma reunião. Já o ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter direcionou o apelo aos torcedores: “Um conselho: evitem os Estados Unidos! Acho que Mark Pieth tem razão ao questionar esta Copa do Mundo”.

Desta vez, as tensões políticas contam com um agravante: enquanto a Rússia seria “apenas” uma equipe ainda inexpressiva no mundo do futebol, os EUA são o país-sede da Copa do Mundo. Logo, qualquer sanção teria um impacto ainda maior. Onze cidades estadunidense sediarão as partidas do Mundial, assim como três cidades mexicanas e duas canadenses — o Brasil jogará os três jogos da fase de grupos na costa leste do Estados Unidos.

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