sexta-feira, 13 fevereiro, 2026

‘Mesmo na sua morte, ele vai ser um herói’: família doa órgãos de jovem e fala sobre a importância da solidariedade em meio à dor

Notícias do Acre

Os irmãos do atleta paralímpico Jeferson Souza Cavalcante, de 19 anos, seguravam com orgulho as dezenas de medalhas conquistadas por ele ao longo de uma jornada brilhante no atletismo. O jovem teve morte cerebral declarada no dia 12 de agosto, após um acidente de moto em um ramal no município de Bujari, no interior do estado.

Mesmo em meio à dor, a família foi solidária e decidiu doar os órgãos de Jeferson, que foram captados na Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre), sendo o fígado implantado na própria unidade, em um acreano de 47 anos, e os dois rins enviados à cidade de São Paulo, uma vez que o Acre está habilitado para transplantes renais, mas os pacientes listados ainda estão em processo de preparação para serem submetidos aos transplantes.

‘Mesmo na sua morte, ele vai ser um herói’: família doa órgãos de jovem e fala sobre a importância da solidariedade em meio à dor | Cidade AC News – Notícias do Acre
Mãe de Jeferson, Raimunda Luzia dos Santos, ao lado dos filhos e de Thalia, amiga do jovem atleta. Foto: Luan Martins/Sesacre

“Ele começou [no esporte] ainda criança. A primeira viagem foi com 14 anos pra Aracaju, aí foi três vezes para Sergipe, Brasília, São Paulo, e cada medalhinha conquistada, quando ele chegava, dizia: ‘mãe, essa aqui é sua’ e eu ficava muito feliz, porque muitas mães tinham dificuldade de conseguir 100 reais para ajudar nas passagens, e eu dava tudo de mim. Eu queria ele viajando, conhecendo o mundo”, relembra a mãe de Jeferson, Raimunda Luzia Sousa dos Santos.

Melhor amiga de Jeferson, a jovem Thalia Costa Magalhães considera que o amigo foi e continua sendo um herói. “Quando a gente teve a triste notícia de que o Jeferson tinha falecido, a Central de Transplantes falou com a gente e abriu a nossa mente de que ele poderia salvar outras vidas, com todo apoio, toda atenção, e nos fez ver que teriam partes dele vivas em outras pessoas. Toda a equipe foi muito atenciosa, e o que nos motivou é que o Jeferson era um menino de coração muito bom, e uma semana atrás, como se ele soubesse o que ia acontecer, ele falou que seria sim um doador de órgãos pra salvar outras vidas. Ele ajudava tanto [as pessoas] e mesmo após a sua morte, ele vai ser um herói”, ressaltou Thalia.

Doação de órgãos no Brasil

A doação de órgãos no Brasil é um processo regulamentado e organizado pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), vinculado ao Ministério da Saúde. Ainda que a pessoa tenha manifestado em vida o desejo de doar seus órgãos, a autorização final é dada pela família após o falecimento, por isso, é importante fazer como Jeferson, e comunicar esse desejo aos familiares.

A doação de órgãos geralmente ocorre após a confirmação de morte encefálica (ME), que é a morte cerebral irreversível, cujo diagnóstico é feito por uma equipe médica especializada seguindo critérios rigorosos. Quando a morte encefálica é confirmada, a equipe médica notifica a Organização de Procura de Órgãos (OPO), vinculada à Central de Transplantes do Estado, que coordena o processo de busca de órgãos.

“Sabemos que o luto é um momento muito difícil e a Central se solidariza com todas as famílias diante da sua dor, mas, ao mesmo tempo, a gente fica feliz porque em outras pessoas os órgãos daquele paciente vão sobreviver e a família pode dizer que fez uma ação de ouro, porque para muitas pessoas, receber um novo órgão é a única chance de vida”, ressalta Celiane Alves, coordenadora da Central de Transplantes do Acre.

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“O mais difícil a gente já tem, que é uma equipe capacitada”, avalia o médico Alex Callado. Foto: Luanna Lins/Fundhacre

A doação de órgãos é um ato de solidariedade e pode salvar muitas vidas. É o que reforça o médico anestesista Alex Callado, que trabalha na equipe de transplantes de fígado no Acre há 10 anos.

“Aqui no Acre nós temos uma equipe maravilhosa que faz transplantes. E, o mais difícil a gente já tem, que é uma equipe capacitada. E uma das nossas maiores dificuldades é realmente quando temos um paciente elegível para transplante, e uma boa porcentagem desses pacientes, as famílias não aceitam doar os órgãos. Então, é muito importante essa conscientização. Que nós sejamos doadores e informemos para as nossas famílias essa condição de doador de órgão, que aceita doar os órgãos, para que a gente possa passar adiante uma vida, para que a gente possa salvar vidas”, frisou Callado.

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