sexta-feira, 13 fevereiro, 2026

Censo 2022: O dado acendeu a poronga, mas a liberdade apagaram faz tempo

A floresta não precisa de tutela. Precisa de liberdade com responsabilidade.

Eliton Muniz – Caboco das Manchetes

Tem coisa que a gente precisa dizer com a alma limpa: dado bom não é pra julgar ninguém. É pra entender o caminho. Mas tem gente pegando o Censo 2022 pra apontar dedo, fazer pose de justiceiro e, de quebra, tentar transformar quem vive da floresta em vilão de novela ambiental. Pois não é assim que se constrói política pública. Muito menos justiça.

Sim, o IBGE fez história. Pela primeira vez, mostrou quantas pessoas moram dentro das Unidades de Conservação. No Acre, são 34 mil e uns quebrados. E só na Resex Chico Mendes, vivem ali cerca de 10 mil almas — gente que nasceu, cresceu, criou filho e neto entre o varadouro e o roçado. O que o censo revelou não é novidade pra ninguém que anda por lá. Mas serve, sim, pra jogar luz num debate que anda preso na sombra do discurso.

Também se falou que entre 500 e 1.000 pessoas estão em situação irregular. Mas irregular pra quem? Segundo qual regra? Tem morador ali que tá na mesma terra desde o tempo em que seringueiro era herói de governo. Irregular é o Estado que some. Irregular é prometer desenvolvimento sustentável e entregar abandono. O papel diz uma coisa, a vida diz outra.

Na sexta-feira, dia 11, teve audiência na Assembleia Legislativa. O povo foi. Ouvimos produtores rurais, famílias da Resex, gente que só quer uma chance de viver sem medo. Teve desabafo, sim. Teve crítica à legislação, sim. Mas sabe o que mais teve? Gente pedindo respeito. Gente dizendo: “me deixa trabalhar sem ser tratado como bandido”. E isso ninguém mostra. Preferem pintar todo mundo com a mesma tinta de culpa.

Progresso com responsabilidade não é crime. É solução.

Dizer que a pecuária na Resex é um “contrasenso” é fácil pra quem vê mapa de helicóptero. Mas quem conhece a história sabe: a criação de gado entrou onde o extrativismo não deu conta. Entrou pela porteira do abandono. O produtor preencheu o vazio que o Estado deixou. E hoje, se quer criminalizar isso, que comece primeiro responsabilizando quem jurou apoiar essas famílias e sumiu depois da foto de palanque.

O tal do Plano de Utilização, que dizem ser o norte… Pois bem. Na prática, não passa de letra morta. Segundo a própria Embrapa, só 2 em cada 10 famílias dizem que aquilo ali funciona. E como é que se exige cumprimento de um plano que ninguém consegue cumprir? Não é plano, é armadilha.

E a tal da Operação Suçuarana? Olha… Justiça se faz com prova, não com manchete. Ninguém foi condenado. Mas muita gente já foi marcada. Que se apure tudo, sim. Mas que se respeite o princípio básico: todo mundo é inocente até que se prove o contrário. O resto é palanque disfarçado de processo.

O Censo trouxe luz. E isso é bom. Mas luz demais, se mal usada, também cega. A gente precisa parar de ver o morador da floresta como problema. Eles são parte da solução. Precisam de crédito, apoio, segurança jurídica — e não mais um plano escrito em Brasília que ninguém ali pediu.

A floresta não precisa de tutela. Precisa de liberdade com responsabilidade.


🔍 Pra Garantir fiz uma – Versão do chão batido

Trecho Realidade nua e crua
Audiência da Aleac (11/07) ✅ Aconteceu. Produtores falaram. Reclamações sobre excesso de embargo e burocracia foram ouvidas. Quem quiser ver, tá no site da Aleac.
Plano de Utilização como bússola ✅ Tá lá no papel. Mas só funciona na teoria. Embrapa mostra que 80% das famílias não veem resultado prático.
Pecuaristas na Resex como “problema” ✅ Opinião de quem nunca pisou lá. Na prática, muitos vivem disso porque o Estado não ofereceu alternativa. E a vaca entrou onde o incentivo não chegou.

✍️ Eliton Muniz – Caboco das Manchetes
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📍 Rio Branco – Acre
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