sexta-feira, 13 fevereiro, 2026

85% dos russos apoiam negociações entre Trump e Putin

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A população russa apoia de forma maciça as negociações iniciadas por Donald Trump com Vladimir Putin para tentar acabar com a Guerra da Ucrânia e normalizar as relações entre Estados Unidos e Rússia.

 

Segundo o Centro Levada, que ouviu 1.615 adultos de 20 a 26 de fevereiro em todo o país, 85% dos entrevistados são favoráveis à iniciativa do novo presidente americano. A margem de erro média é de dois pontos para mais ou menos.

Em 12 de fevereiro, Trump ligou para Putin, iniciando o processo. Ele virou do avesso a política americana para a guerra, com Trump declarando-se alinhado às demandas russas de neutralidade militar de Kiev e sugerindo cessões territoriais ucranianas como inevitáveis.

De lá para cá, houve uma dança diplomática, com o americano primeiro chamando Volodimir Zelenski de ditador e, depois, convencendo-o a assinar um acordo de exploração mineral nesta sexta (28) em Washington.

As negociações russo-americanas, contudo, seguem firmes. Uma segunda rodada presencial, após o encontro histórico em Riad no dia 18 passado, ocorreu nesta quinta (27) na Turquia. Estão avançando conversas sobre o fim do isolamento econômico e diplomático da Rússia, parcerias comerciais e, claro, os termos para o fim do conflito iniciado em 2022.

Apenas 3% dos entrevistados dizem ser contra os contatos, enquanto 12% se mostram indiferentes. A invasão da Ucrânia, por sua vez, segue com altíssimo grau de apoio: 80% aprovam as ações das Forças Armadas no vizinho, a mesma média dos últimos meses -e idêntica à taxa aferida no primeiro mês do conflito.

A noção de que Putin está tendo sucesso em sua empreitada vem crescendo. Em setembro, 60% achavam que a guerra era bem-sucedida, e agora já são 72%.

Apesar disso, como já vinha sendo apontado em rodadas anteriores, 59% preferem que haja negociações de paz. O motivo principal, citado por 54%, são as perdas humanas na guerra.

Assim como Trump e Putin ignoraram de saída Zelenski e seus parceiros europeus, os russos vão na mesma linha: 70% acham que os EUA são prioritários à mesa negociadora, enquanto 49% citam a Ucrânia e 39%, países da Europa.

O rumo das negociações também é impactado pelas visões do Kremlin sobre a guerra. Apenas um terço dos entrevistados considera que a Rússia deva fazer concessões à Ucrânia quando for negociar seus termos de paz, ante 60% que rejeitam a ideia.

Os itens de negociação que os russos consideram inaceitáveis também batem com a retórica oficial de Putin, que os declarou no meio do ano passado pela primeira vez. Para 81% entrevistados, a Ucrânia nunca poderá ingressar na aliança militar ocidental, a Otan.

Já 77% rejeitam a noção de devolver a Kiev as duas áreas russófonas que compõem o Donbass, no leste da Ucrânia: Donetsk e Lugansk. A convicção cai para 71% quando o assunto são os outros dois territórios anexados por Putin em setembro de 2022, Zaporíjia e Kherson, ambos no sul.

Os dois últimos são essenciais ao objetivo russo de manter a Crimeia, anexada em 2014, ligada por terra ao Donbass e à Rússia, mas são áreas em que a presença étnica russa é menos evidente. Quando visitou as quatro províncias no ano passado, a Folha relatou as dificuldades maiores das autoridades de ocupação nessas regiões ao sul.

Por fim, o Levada mostrou que a ideia de uma força de paz para salvaguardar o que for negociado, que Trump e líderes aliados defendem ser composta por europeus, o que o Kremlin rejeita, divide opiniões. Para 39%, não deve haver tal expediente, enquanto 29% o aprovam e 16%, dizem ser contrários, mas tolerantes à proposta.

O Levada é o principal instituto de pesquisa de opinião pública independente da Rússia. É insuspeito de ser usado pelo Kremlin, tanto que foi classificado como um agente estrangeiro por receber fundos do exterior, sofrendo grande pressão econômica.

Confrontado com a sugestão de que os russos aprovam as políticas de Putin por medo, o diretor de pesquisas do Levada, Denis Volkov, sustenta que isso não é real porque a opinião acompanha uma tendência aferível ao longo dos 25 anos de poder do líder -e usualmente as expectativas econômicas dos cidadãos.

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