sexta-feira, 13 fevereiro, 2026

Quem é o empresário de SP suspeito de sumir com sacas de café e causar R$ 132 milhões de prejuízo a produtores

Membro de uma família tradicional e conhecida no setor da cafeicultura da Alta Mogiana, importante área produtora na região de Franca (SP), o empresário Elvis Vilhena Faleiros é o principal suspeito pelo sumiço de 21 mil sacas de café e de causar um prejuízo estimado em R$ 132 milhões a produtores de Ibiraci (MG).

No último mês, 30 produtores procuraram a polícia para denunciar o desaparecimento do produto deles, que estava armazenado na Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil).

Considerado foragido pelas autoridades, desde que se tornou alvo de um mandado de prisão preventiva pela Justiça de Minas Gerais, Faleiros é presidente da Cocapil e é conhecido pela forte atuação na armazenagem de grãos de café, em um negócio iniciado pelo pai há cerca de 40 anos.

Além disso, tem experiência na produção de cafés especiais, detém uma holding de participações e investimentos com a esposa desde 2024 e é dono de uma empresa de consultoria desde 2025.

O empresário Elvis Vilhena Faleiros, de Franca (SP), é suspeito de sumir com 21 mil sacas de café que estavam armazenadas nos barracões de cooperativa em Ibiraci (MG) — Foto: Arquivo pessoal

Anteriormente, chegou a ser proprietário de uma choperia.

Pela experiência, o empresário é descrito como uma figura que sempre despertou a confiança nos cafeicultores na cidade de pouco mais de 10 mil habitantes.

“Eu e o meu marido, a gente não tinha o Elvis como um parceiro de negócio. Por causa do tempo que a gente tem negócio com ele, a gente já considerava ele como amigo”, afirma Kênia Lúcia Adriano, uma das vítimas do desaparecimento das sacas de café dos galpões da Cocapil.

Elvis Faleiros foi o único dos integrantes da cooperativa a ser alvo de um mandado de prisão preventiva. Até a tarde de sexta-feira (9), o cumprimento da determinação judicial seguia pendente no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões.

Advogado de defesa dele, Márcio Cunha disse que entrou com um pedido de habeas corpus. Alegou também que o rombo na cooperativa se deu por oscilações financeiras do mercado cafeeiro e explicou que o empresário deseja ressarcir o prejuízo às vítimas, inclusive por meio da venda de propriedades.

Denúncias e investigações

Segundo o delegado de Ibiraci, Estevam Ferreira, os relatos das vítimas são bem parecidos.

Elas disseram que confiaram a armazenagem do café na Cocapil e que esse café não estava mais lá quando precisaram. A fraude começou a ser descoberta em agosto do ano passado, quando alguns produtores procuraram a cooperativa para a retirada de algumas sacas.

Presidente da Cocapil, de Ibiraci (MG), sumiu com 21 mil sacas de café — Foto: Reprodução/EPTV

Presidente da Cocapil, de Ibiraci (MG), sumiu com 21 mil sacas de café — Foto: Reprodução/EPTV

Com isso, o prejuízo das vítimas pode chegar a R$ 132 milhões. Baseado nas sacas de dezenas de produtores que confiaram o café à cooperativa local, bem como em dívidas bancárias e com fornecedores, o valor é maior do que as despesas do orçamento público de Ibiraci, que ficaram na casa dos R$ 101,4 milhões em 2025, segundo o Tribunal de Contas do Estado de Minas (TCE-MG).

“É uma conduta de altíssima gravidade. Houve um desfalque econômico para cidade”, afirma o delegado.

Segundo o delegado Estevam Ferreira, a Polícia Civil ouviu dois diretores da Cocapil, que alegaram problemas financeiros na cooperativa para o desvio das sacas dos produtores. À polícia, eles disseram que a crise se agravou a partir de 2021.

Mais vítimas ainda devem ser ouvidas, mas as investigações, segundo ele, estão na fase final.

Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil) — Foto: Lindomar Cailton/EPTV

Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil) — Foto: Lindomar Cailton/EPTV

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