domingo, 15 março, 2026

Cidade Partida, Coração Inteiro

Eliton Muniz - Free Lancer - Cidade AC News

A operação policial no Rio de Janeiro divide opiniões, mas a maioria apoia a ação. Entenda o medo, o custo e a rotina de quem vive entre o caveirão e o caos — acre jornal.

"Operação policial no Rio de Janeiro recebe apoio da maioria da população — acre jornal, jornais do Acre"
“Operação policial no Rio de Janeiro recebe apoio da maioria da população — acre jornal, jornais do Acre”

📍 Rio de Janeiro – RJ | Por Eliton Lobato Muniz — Cidade AC News

Cidade Partida, Coração Inteiro – A pátria do medo

O Rio amanhece de farda.
As janelas se abrem como se abrissem trincheiras.
Lá fora, o sol tenta dourar a bala, mas o chumbo vence.

Sete em cada dez cariocas dizem “sim” à polícia.
Não por orgulho — por medo.
É o povo que aplaude o tiro porque nunca recebeu o aplauso da justiça.

Até quem votou em Lula agora sussurra:
“Tem que descer o caveirão.”
Não por amor à guerra — por fome de paz.

O pão e o fuzil

O carioca compra pão com o mesmo olhar de quem entra em zona de guerra.
Cada esquina tem um altar invisível, onde mães rezam por filhos vivos.
E cada casa é uma fortaleza financiada com o salário do medo:
muros altos, câmeras, portões elétricos, alarmes que não tocam, mas gritam em silêncio.

Os ricos blindam carros.
Os pobres blindam o peito.
E todos, ricos e pobres, desaprendem a viver.

A esquerda cala, a direita sorri, o povo sangra

A esquerda discursa sobre humanidade.
A direita distribui medalhas.
E o povo, entre uma lágrima e uma bala perdida, só quer atravessar a rua.

Quem pode fala de “excesso”.
Quem não pode, fala de “luto”.
E o Rio continua refém de dois exércitos:
um sem farda e outro sem alma.

O retrato do abandono

O que se sabe até agora?
Que a favela apoia o fuzil porque nunca conheceu o livro.
Que o Estado entra uma vez por mês — e o tráfico, todos os dias.
Que a infância do Rio aprende a distinguir estampido de fogos e de bala
antes de aprender a ler.

E que o silêncio de uma mãe na laje vale mais do que mil discursos no plenário.

Cidade Partida, Coração Inteiro: a pátria que ainda sonha

Bilac escreveu sobre o amor à pátria.
Mas que pátria é essa que mata seus filhos e chama de limpeza?
Que celebra o caveirão e esquece o professor?
Que transforma a bala em oração e o medo em rotina?

O Rio continua lindo — mas é um belo de luto,
um cartão-postal com cheiro de pólvora.

E se o povo aplaude o tiro,
é porque ainda crê que o som da bala
é menos doloroso que o silêncio da omissão.

✍️ Por Eliton Lobato Muniz — Cidade AC News
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