quarta-feira, 4 março, 2026
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OPINIÃO. Estamos lidando com a máfia. O PL do Governo não é forte o suficiente

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OPINIÃO. Estamos lidando com a máfia. O PL do Governo não é forte o suficiente

A operação contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro e a Operação Carbono – que documentou a presença do PCC na cadeia dos combustíveis e sua lavagem de dinheiro no mercado financeiro – serviram para mostrar que, de São Paulo à Amazônia, não há Estado da federação que não sinta a presença do crime organizado.

Diante da extensão e gravidade do problema, é natural nos perguntarmos se já chegamos ao tipping point − o ponto de inflexão a partir do qual fica muito difícil reverter a situação – ou se ainda há tempo de conter a avalanche.

Além da urgência implícita na pergunta, a resposta depende da qualidade da reação contra o crime organizado. Sem um bom plano de voo, qualquer destino parece servir, e qualquer medida isolada parece um avanço – mas não é. O crime organizado tem sofisticação, estrutura empresarial e treinamento eficiente aqui e no exterior, e conseguiu se infiltrar nos três Poderes. Não serão dois ou três remendos que o conterão.

São necessários três eixos para reverter a situação.

Primeiro, criar leis que elevem o custo do crime e reduzam a impunidade dos criminosos, levando em conta o que deu certo na experiência internacional e doméstica.

Segundo, é preciso melhorar a qualidade dos serviços públicos − segurança, saúde, educação, infraestrutura − retirando dos criminosos a vantagem de “substituir o Estado” em troca da submissão dos cidadãos.

Terceiro, é crucial o envolvimento ativo da sociedade civil na elaboração e defesa das propostas, a única maneira de forçar os detentores do poder a atuarem contra os criminosos. Desânimo, medo, acomodação e apatia são fermento para o crescimento do crime.

Depois de três anos, e considerando que a segurança pública será uma pauta central nas eleições do ano que vem, o Governo enviou ao Congresso um Projeto de Lei para lidar com o assunto. Parece ser um projeto muito fraco, uma colcha de retalhos sem lógica interna nem estratégia definida.

Ao procurar agradar a todos, o PL perde eficácia, foco e agilidade, tornando-se incapaz de enfrentar a situação atual – tanto pelo que deixa de fazer, quanto pelos abrandamentos propostos em normas vigentes.

O texto não reconhece que o crime organizado atingiu o patamar de máfia no País, de acordo com todos os critérios considerados na literatura; e prefere trocar o conceito de máfia pelo de “facção”, sem que se saiba que tipo de estrutura o conceito escolhido reflete.

Seria a “nossa máfia” mais boazinha que as demais, merecendo indulgências? O tempo, implacável, vai confirmar o que já se intui.

Comparando a proposta do Governo com a legislação antimáfia italiana, em vigor há quase quatro décadas, nota-se que faltam os vetores fundamentais que fizeram a diferença no combate às máfias italianas, dentre os quais estão: a criação de um fast track legal; o rigor das penas − e de seu cumprimento − para os criminosos mafiosos; regras rígidas de funcionamento do cárcere duro, as prisões de segurança máxima; e a criação da Direzione Investigativa Antimafia (DIA), ou Agência Nacional Anticrime Mafioso.  

O projeto não prevê a criação de um fast track, ou seja, um trilho legal paralelo à morosíssima legislação atual para agilizar investigações e punições dos crimes mafiosos, ou de facções, como define o PL.

A lentidão favorece a impunidade e o crescimento das organizações criminosas, facilitando a corrupção de agentes públicos para fornecer favores e proteção. Além disso, embora a previsão das penas tenha aumentado em relação às atuais, para 8 a 15 anos, podendo chegar a 30 se houver homicídio a favor da organização, poderão ser reduzidas por várias brechas. Também é grave a ausência da hipótese de prisão perpétua para os líderes, crucial na lei antimáfia.

Com relação às prisões de segurança máxima, o projeto propõe que o condenado inicie o cumprimento da pena “preferencialmente” – não “obrigatoriamente” – em presídio de segurança máxima, ficando a cargo da autoridade judicial competente pedir, mediante evidências, a gravação de conversas nas visitas ao parlatório.

Esse monitoramento é elemento indispensável em prisões de segurança máxima. Grave, também, é a previsão de visitas íntimas nesses presídios, hoje proibidas. Ou seja, o projeto consegue piorar o pouco que foi feito nos últimos anos, que é o rigor do isolamento dos líderes de organizações criminosas nas prisões de segurança máxima. 

Por fim, é lamentável a ausência da proposta de criação de uma Agência Nacional Anticrime, com o objetivo de prevenir, investigar e reprimir o crime organizado mafioso.

Esse órgão central deveria ser responsável pela criação de mecanismos de cooperação e intercâmbio de informações entre instituições nacionais e internacionais, de combate ao crime organizado, incluindo Política Federal, Polícia Civil, Ministério Público, Receita Federal e demais órgãos de segurança pública e de controle.

Estaria assim garantida a integração nacional dos órgãos investigativos, gerando rapidez e eficiência em suas ações, bem como a centralização de informações, inteligência, treinamento adequado e regras que assegurassem a transparência e a responsabilização das ações preventivas e repressivas, evitando o uso arbitrário da força policial e gerando eficiência nas ações necessárias.

O estágio atual de sofisticação e abrangência atingido pelo crime organizado do tipo mafioso no País exige uma resposta institucional à altura, que infelizmente não é endereçada a contento pelo projeto do Governo. Diante da gravidade do quadro, é preciso encarar com seriedade o desafio, sob pena de perdermos o controle da situação.

Maria Cristina Pinotti é economista e sócia da Pinotti & Schwartsman Associados, organizadora e coautora do livro ‘Corrupção: Lava Jato e Mãos Limpas’’.

MAIS SOBRE SEGURANÇA PÚBLICA

EDITORIAL. A luta do bem contra o mal

 

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EDITORIAL. A luta do bem contra o mal

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EDITORIAL. A luta do bem contra o mal

Na semana passada, mal havia terminado a mega operação da polícia nas favelas do Rio de Janeiro, uma outra guerra rapidamente se instalou nas redes sociais e na sociedade brasileira. 

A guerra para decidir se a polícia era o mocinho ou o bandido. 

Felizmente, não foram precisos longos seminários para uma maioria considerável dos brasileiros concluir que, sim, a polícia tinha feito seu trabalho, a operação era necessária (senão tardia) e que eventuais excessos são os ossos do ofício para o policial – cuja alternativa é matar ou morrer – e algo que o criminoso deveria ter calculado antes de escolher seu lado. 

Diversos setores da imprensa, da academia e do próprio Judiciário preferiram focar seus comentários nos direitos humanos daqueles que morreram na operação – mas desta vez, e cada vez mais, este ponto de vista está se tornando minoritário numa sociedade aterrorizada por assaltos, latrocínios e o avanço do crime organizado sobre a economia formal. 

Impressionou que, quanto mais perto o cidadão está da própria realidade da favela dominada pelo crime, mais favorável ele se manifestou à operação, expondo a hipocrisia e o bom mocismo vazio daqueles setores que, sem oferecer solução alguma para um câncer já em metástase, insistem em ser engenheiros de obra pronta, pontificando – do conforto de seus escritórios e estúdios – sobre como a polícia deveria abordar os bandidos.

Ficou claro que o Brasil se cansou desta narrativa. 

Cansamos do coitadismo que usava a “falta de oportunidade” para enxergar o criminoso com condescendência. Cansamos da ambiguidade moral que hesita em chamar o bem de bem e o mal de mal – misturando um com o outro na análise sociológica.  

Cansamos dos políticos que conseguem passar anos sem oferecer sequer uma boa ideia legislativa, mas assim que ocorre uma operação correm para as redes sociais para “denunciar” o quanto a polícia errou.

No fundo, o País se cansou de atribuir mais peso à vida dos alvos da operação do que à vida do cidadão que é assaltado dentro do ônibus, achacado dentro de sua comunidade, e que perde a vida por não entregar o iPhone parcelado em 12 vezes. 

Uma mudança de mentalidade está claramente em curso no País – com implicações políticas que ainda se manifestarão nas urnas. Se a chamada “esquerda” escolheu o lado do garantismo na luta contra o crime organizado, sem oferecer soluções práticas, talvez a chamada “direita” herde naturalmente o outro lado do argumento – ao qual hoje, segundo as pesquisas, se filia a maior parte dos brasileiros.

Se quisermos ter algum sucesso contra o crime, chegou a hora do País questionar verdades estabelecidas. 

Por exemplo, o Ministro Gilmar Mendes disse hoje que “ao julgar a ADPF das Favelas, o STF não proibiu operações policiais. O Tribunal apenas estabeleceu parâmetros para que essas ações sejam planejadas, proporcionais e transparentes.”  Mas será que este “passo a passo” inventado pelo Supremo – sem benefício do conhecimento prático de uma operação policial e de suas inúmeras contingências – está ajudando no combate ao crime? Definir este passo a passo não é função clássica do Executivo, e não do Judiciário – a quem cabe apenas julgar?

Dado o número impressionante de criminosos de outros Estados habitando as favelas do Rio, cabe a pergunta: será que a ADPF criou uma espécie de santuário territorial para o crime – uma área em que sua chance de ser pego foi drasticamente reduzida em virtude da proteção judicial? Just asking.

Outro questionamento cuja hora chegou: como disse o Governador do Rio, ninguém portando um fuzil em Paris, Londres, Barcelona ou Nova York permaneceria vivo por mais de 20 ou 30 segundos. É uma frase baseada em ideologia ou numa constatação prática?

O Congresso está pronto para ouvir as polícias tanto quanto ouve as ONGs? O Judiciário está pronto para reduzir (em vez de aumentar) os obstáculos à ação policial num cenário que é cada vez mais de guerra aberta? A imprensa está pronta para dar à polícia o mesmo benefício da dúvida que dá aos acusados?

E aqui vem a má notícia: é muito provável que o debate sobre a segurança pública se torne dicotômico, raso, baseado em soundbites, quando deveria ser profundo, baseado em dados, nas melhores práticas nacionais e internacionais – e jamais uma bandeira partidária.

Muito provavelmente esse pacto nacional pela racionalidade na política pública não vai acontecer, mas só a derrota da hipocrisia e da arrogância intelectual na última semana já foi um grande avanço para o País. 

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Audiência na Aleac debate segurança e políticas públicas voltadas ao ciclismo acreano

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Audiência na Aleac debate segurança e políticas públicas voltadas ao ciclismo acreano

Audiência na Aleac debate segurança e políticas públicas voltadas ao ciclismo acreano | Cidade AC News – Notícias do Acre

A Assembleia Legislativa do Estado do Acre (Aleac) realizou, na manhã desta segunda-feira (3), uma audiência pública para discutir as políticas públicas voltadas à mobilidade urbana e a aplicação da Política Nacional de Mobilidade Urbana no estado, com foco especial nas demandas dos ciclistas acreanos. O encontro, fruto do requerimento nº 116/2025 apresentado pelo deputado estadual Afonso Fernandes (PL), reuniu autoridades, representantes de órgãos de trânsito, associações de ciclistas e sociedade civil no plenário do Poder Legislativo.

O deputado Afonso Fernandes abriu a audiência pública destacando a importância do diálogo permanente entre o poder público e a sociedade civil sobre temas de grande relevância social. Em seu pronunciamento, o parlamentar ressaltou que a Aleac tem promovido debates sobre diversos temas que impactam a população, como o feminicídio, assunto debatido recentemente na Casa, e agora a segurança dos ciclistas. “Temos visto, no dia a dia, tragédias que envolvem ciclistas em todo o país, e precisamos buscar juntos formas de garantir mais segurança para esses praticantes. Essas audiências servem justamente para atrair a atenção das autoridades responsáveis pela mobilidade urbana, tanto em Rio Branco quanto nos demais municípios do Acre”, enfatizou.

Em continuação à sua fala, o deputado ressaltou que a audiência também marca um momento de valorização e reconhecimento do ciclismo acreano, movimento que cresce e se consolida como símbolo de saúde, mobilidade e cidadania. “Esta sessão solene é mais do que uma homenagem, é um ato de compromisso com as políticas públicas voltadas à segurança, à inclusão e ao respeito ao ciclismo no nosso estado”, afirmou. O parlamentar destacou ainda, que o ciclismo deixou de ser apenas uma prática esportiva para se tornar parte de uma pauta global de desenvolvimento sustentável, contribuindo para a redução da poluição, a melhoria da mobilidade urbana e o fortalecimento da convivência comunitária. Em seu pronunciamento, Afonso Fernandes anunciou a apresentação do Projeto de Lei nº 126/2025, que altera a Lei nº 4.298/23 e institui oficialmente o Dia Estadual do Ciclista, celebrado em 19 de agosto, em consonância com a Lei Federal nº 13.508/2017. Segundo ele, a proposta busca ir além de uma data comemorativa, criando o Mês Estadual do Ciclismo, com campanhas educativas, atividades esportivas e ações permanentes de conscientização e segurança no trânsito.

Audiência na Aleac debate segurança e políticas públicas voltadas ao ciclismo acreano | Cidade AC News – Notícias do Acre

A diretora do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/AC), Taynara Martins Barbosa, iniciou sua fala agradecendo o convite e destacando a importância da parceria entre os órgãos públicos e a sociedade para fortalecer as ações de segurança no trânsito. Agestora lembrou que o Dia Nacional do Ciclista é celebrado em 19 de agosto e parabenizou a Aleac pela iniciativa de instituir também o Dia Estadual do Ciclista. “Como representante do Departamento de Trânsito, faço questão de estar presente em audiências como esta, para prestar esclarecimentos e reforçar que estamos à disposição para avançar ainda mais. Essa é uma engrenagem: o Detran sozinho não consegue resolver todas as demandas, mas, junto com a Aleac, a PRF, a RBTrans, o Deracre e todos os demais parceiros, podemos fazer muito mais, todos os dias um pouco”, afirmou.

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RBTrans apresenta diagnóstico e planos para revitalização da malha cicloviária de Rio Branco

Representando a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans), o coordenador de Acessibilidade e Mobilidade Urbana, Rômulo Ariel, destacou durante a audiência pública que o município de Rio Branco conta atualmente com uma malha cicloviária de aproximadamente 89 quilômetros, sendo 79 sob responsabilidade da gestão municipal. Ele explicou que há um plano de revitalização em andamento para melhorar as condições das ciclovias e ciclofaixas da capital, reconhecendo as dificuldades estruturais e a necessidade de investimentos contínuos. “Sabemos que há uma carência grande de revitalização e pavimentação das nossas ciclovias, mas não depende apenas da RBTrans. Trabalhamos em conjunto com a Seinfra e a Emurb, responsáveis pela implantação e sinalização horizontal e vertical, e colocamos sempre o ciclista como prioridade”, afirmou.

O representante da RBTrans também ressaltou os desafios enfrentados na implantação de ciclovias em novos empreendimentos urbanos e condomínios particulares, lembrando que essa exigência está prevista no Código de Trânsito Brasileiro e nas normas de classificação viária. Segundo ele, é preciso mudar a mentalidade de que construir ciclovias é um gasto desnecessário. “Muitos questionam o porquê de incluir ciclovias nos projetos, mas é uma obrigação técnica e legal. Nosso desafio é mostrar que o espaço do ciclista precisa ser respeitado e que investir em mobilidade cicloviária é investir em segurança, qualidade de vida e sustentabilidade para a cidade”, concluiu.

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PRF alerta para aumento de acidentes com ciclistas e defende mais conscientização nas rodovias

O chefe do Grupo de Educação para o Trânsito da Polícia Rodoviária Federal no Acre (PRF/AC), Ezequiel Moura, participou da audiência pública destacando a relevância do tema e parabenizando a Assembleia Legislativa pela iniciativa de discutir a segurança dos ciclistas nas rodovias. Ele explicou que, além da função de fiscalização, a PRF desenvolve ações educativas voltadas à conscientização dos condutores e ciclistas, por meio do projeto “Ação Pedal Legal”, que orienta sobre boas práticas e condutas seguras no trânsito. “Nós levamos aos participantes, informações sobre como o ciclista deve se comportar na via, suas responsabilidades, mas também reforçamos o papel dos motoristas e caminhoneiros, que muitas vezes representam maior risco para os ciclistas”, afirmou.

Durante sua fala, Ezequiel Moura apresentou dados que revelam a preocupação da instituição com os índices de acidentes envolvendo ciclistas no Acre. Segundo ele, em 2023 foram registrados 13 acidentes e, em 2024, outros 12, totalizando 37 ocorrências nos últimos anos, sendo quatro delas com mortes. “Esses números, que podem parecer pequenos, representam vidas e refletem a urgência de medidas preventivas. Muitas vezes, esses acidentes decorrem não apenas da falta de infraestrutura, mas também do comportamento humano, da falta de respeito e de consciência no trânsito”, destacou. O representante da PRF reforçou ainda a necessidade de melhorias na sinalização e na iluminação das rodovias, especialmente durante a noite, período em que há maior circulação de ciclistas e, consequentemente, maior vulnerabilidade.

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Presidente da Federação Acreana de Ciclismo faz apelo por respeito e segurança nas estradas”

O presidente da Federação Acreana de Ciclismo, Tuxaua Marques, emocionou os presentes ao relatar as dificuldades enfrentadas pelos atletas que praticam o esporte no estado. Ele iniciou agradecendo ao deputado Afonso Fernandes pela realização da audiência e aos órgãos parceiros, como o Detran e a RBTrans, pelo apoio nas competições. “Tem sido um grande desafio realizar provas no Acre. Nossos atletas estão cansados de competir apenas em circuitos fechados; eles sonham com provas de estrada, mas isso exige uma responsabilidade imensa, porque são mais de 100 quilômetros de percurso e muitos riscos envolvidos”, afirmou.

Em um relato comovente, Tuxaua compartilhou experiências pessoais que ilustram a vulnerabilidade dos ciclistas nas rodovias. “Há 15 dias, durante um treino, um motorista passou muito perto de mim e, ao tentar me defender com palavras, ele parou o carro e puxou uma arma, perguntando se eu queria morrer. Isso mostra o quanto o desrespeito tem crescido”, contou. O dirigente também prestou homenagem ao jovem ciclista Maurinho, morto em um acidente, e pediu que os pais do atleta, presentes à sessão, fossem aplaudidos de pé. “O Maurinho era um garoto de 18 anos, cheio de sonhos, que foi para São Paulo tentar uma vida melhor por meio do ciclismo. Ele se tornou um atleta promissor, disciplinado e exemplo para muitos. A dor da sua perda representa a luta de todos os ciclistas acreanos por mais respeito e segurança nas estradas”, concluiu.

Audiência na Aleac debate segurança e políticas públicas voltadas ao ciclismo acreano | Cidade AC News – Notícias do Acre

Mãe de ciclista faz discurso emocionado e pede justiça pela morte do filho

Durante a audiência, uma mãe ciclista fez um discurso emocionado ao relembrar a perda do filho Maurinho, também ciclista, morto em um acidente enquanto pedalava. Ela contou que não fala apenas por si, mas por todas as mães e famílias que perderam pessoas queridas no trânsito. “A minha dor não é só minha, é de várias mães, pais e irmãos que perderam quem amavam. Educação no trânsito começa na escola. Um aluno do Detran sai de lá sabendo a distância que deve manter de um ciclista, mas muitos não respeitam. A lei existe, a multa existe, mas o que vale uma vida diante de R$130 e quatro pontos na carteira? ”, questionou.

Com a voz embargada, ela contou que o motorista que matou seu filho não sofreu qualquer punição e continuou dirigindo normalmente no dia seguinte. “Meu filho tinha 18 anos, era atleta, o primeiro da categoria dele a ganhar uma medalha de ouro no Nordeste. Ele sonhava alto, e eu deixei ele seguir esse sonho porque queria vê-lo feliz. Hoje, peço que lutem pela vida, porque a vida precisa ter valor”, declarou, sob forte comoção do público presente.

Audiência na Aleac debate segurança e políticas públicas voltadas ao ciclismo acreano | Cidade AC News – Notícias do Acre

Afonso Fenandes destaca encaminhamentos e lamenta ausência de órgãos responsáveis na audiência

Encerrando a audiência, o deputado Afonso Fernandes reafirmou o compromisso de transformar as discussões em ações práticas que resultem em melhorias reais para a mobilidade urbana e a segurança dos ciclistas. Ele destacou que todas as propostas apresentadas serão analisadas e encaminhadas aos órgãos competentes. “Tudo o que foi dito será encaminhado, porque não basta registrar e guardar numa gaveta. Precisamos agir para resolver os problemas que foram apresentados”, declarou.

O parlamentar lamentou a ausência de um representante do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que havia sido convidado, mas não compareceu. “Fica aqui nossa tristeza pela ausência de órgãos, que são responsáveis pelas rodovias do Estado. Mesmo assim, vamos encaminhar o resumo desta audiência para que tomem conhecimento do que foi discutido”, afirmou. Ao final, agradeceu à Federação Acreana de Ciclismo, em nome do Dr. Charles, e a todos que participaram do debate, reforçando que o tema merece atenção contínua e compromisso conjunto.

A mobilidade urbana é um dos principais desafios das cidades modernas e envolve a integração entre transporte público, ciclovias e segurança viária. De acordo com o Ministério das Cidades, o uso da bicicleta como meio de transporte cresce em todo o país, e políticas públicas voltadas à infraestrutura cicloviária contribuem para a redução de emissões de gases poluentes, melhoria da saúde da população e diminuição do tráfego urbano. No Acre, o debate busca ampliar essas políticas e garantir mais segurança e acessibilidade para os ciclistas.

Texto: Andressa Oliveira

Fotos: Agência Aleac

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AC/DC anuncia show único no Brasil em fevereiro de 2026

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AC/DC anuncia show único no Brasil em fevereiro de 2026

A banda australiana AC/DC anunciou no início da tarde desta segunda-feira (3) que irá se apresentar no Brasil no próximo ano, no dia 24 fevereiro.

Por Jornal Portal do Paraná em 03/11/2025 às 14:00:38

AC/DC anuncia show único no Brasil em fevereiro de 2026 | Cidade AC News – Notícias do Acre

Prefeitura de Rio Branco participa de pesquisa da FGV e consolida avanços na Agenda Climática Municipal

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Prefeitura de Rio Branco participa de pesquisa da FGV e consolida avanços na Agenda Climática Municipal

A Prefeitura de Rio Branco, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semeia), participou nessa quinta-feira (30) de uma pesquisa conduzida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que busca compreender como as cidades brasileiras têm lidado com eventos climáticos extremos, como enchentes, secas e deslizamentos.

Em entrevista concedida à FGV, a secretária municipal de meio ambiente, Flaviane Agustini Stedille, destacou que Rio Branco enfrenta desafios típicos de cidades amazônicas, com eventos extremos cada vez mais intensos, como cheias, estiagens severas e ondas de calor.

“Nos últimos anos, registramos a segunda maior cheia e a pior seca da história. Essa oscilação reforça a urgência de políticas públicas estruturadas e integradas”, afirmou a secretária.

Nesse contexto, o Diagnóstico Climático de 2025, elaborado em parceria com o WRI Brasil e o Instituto Itaúsa, apontou quatro principais ameaças para Rio Branco: alagamentos, inundações, deslizamentos de terra e ondas de calor.

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“Nos últimos anos, registramos a segunda maior cheia e a pior seca da história”, afirmou Flaviane, a segunda da direita para a esquerda na imagem. (Foto: Secom)

Para enfrentar esses desafios, o município vem fortalecendo uma agenda integrada de mitigação e adaptação baseada em evidências técnicas. Entre os principais instrumentos estão:

  • Plano Municipal de Mitigação e Adaptação às Mudanças do Clima (PMAMC), com 58 ações distribuídas em seis eixos estratégicos;
  • Comitê Intersecretarial de Mitigação e Adaptação às Mudanças do Clima (COIMAMC), criado pelo Decreto nº 501/2024, que articula todas as secretarias municipais;
  • 2º Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), lançado em 2025, atualizando dados e subsidiando políticas públicas locais;
  • Diagnóstico de Áreas Críticas e Capacidade de Gestão Climática, que mapeia vulnerabilidades e apoia o planejamento urbano sustentável.

Segundo a chefe da Divisão de Gestão Ambiental e Mudanças Climáticas, Aline Martins, o município está consolidando um modelo de governança climática municipal baseado em ciência, tecnologia e participação social.

“O objetivo é reduzir desigualdades, fortalecer a infraestrutura verde e garantir qualidade de vida à população”, destacou Aline.

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Segundo a chefe da Divisão de Gestão Ambiental e Mudanças Climáticas, o município está consolidando um modelo de governança climática municipal baseado em ciência, tecnologia e participação social.

Rio Branco também participa de programas nacionais e internacionais, como o Programa Cidades Verdes e Resilientes (PCVR), o Programa Cidades Modelo Verdes e Resilientes (PCMVR), o Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia (GCoM) e o ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade, o que tem ampliado o intercâmbio técnico e o acesso a ferramentas inovadoras, como a plataforma CityCatalyst.

Além disso, a Semeia vem fortalecendo ações de educação ambiental, arborização participativa e comunicação comunitária, com foco na justiça climática e na proteção de comunidades vulneráveis, reafirmando o compromisso da Prefeitura de Rio Branco com a sustentabilidade e o futuro climático da Amazônia.

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Chuva no Acre: igarapés transbordam e rotina da lama se repete

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chuva no acre igarapé rio branco bairro alagado população com sacolas nos pés
chuva no acre igarapé rio branco bairro alagado população com sacolas nos pés

Chuva no Acre expõe rotina de alagamentos, sacolas nos pés e incerteza de energia e transporte em Rio Branco. Crônica popular sobre o “sempre foi assim”..

📍 Localização Município: Rio Branco – AC Estado: Acre (Norte do Brasil)
Data: 2 de novembro de 2025
Horário local: 21h15 (GMT-5 – America/Rio_Branco)

Moradores de Rio Branco enfrentam mais uma noite de chuva forte e ruas alagadas na capital acreana.
Moradores de Rio Branco enfrentam mais uma noite de chuva forte e ruas alagadas na capital acreana.

Em Rio Branco e em tantas cidades do interior, quando o céu se fecha e a chuva engrossa, o medo vem primeiro. O que para uns é “benção divina”, para milhares de acreanos é sinônimo de lama, energia cortada, internet oscilando e ambulância atolada. O Acre vive esse ritual há décadas, e a frase que ecoa nas varandas é sempre a mesma: “sempre foi assim”.

Quando o temporal anuncia o velho roteiro

A água começa tímida. Dez minutos depois, a rua é igarapé, o bueiro é cachoeira e o cheiro de esgoto sobe como lembrança antiga.
As donas de casa correm, levantam o botijão, a geladeira, o sofá. As crianças observam pela janela a correnteza de embalagens, chinelos e — às vezes — animais mortos.

No bairro Preventório, na Baixada da Sobral, no Triângulo Novo, as cenas se repetem há mais de 20 anos. O mesmo filme, o mesmo roteiro, os mesmos personagens, o mesmo silêncio das autoridades quando a chuva passa.

O Acre do “sempre foi assim”

Há quem diga que o povo se acostumou. É mentira. O povo se defende, não se acostuma.
Sacola nos pés, madeira no chão, fogão sobre tijolos. A adaptação virou sobrevivência.
“Quando começa a relampejar, a gente já sabe onde vai subir a água”, diz o aposentado Raimundinho, morador há 32 anos do bairro Palheiral.
Ele aponta para uma marca na parede — um risco preto deixado pela enchente de 2017. “Dali pra cima, é sorte”, resume.

Essa frase — “sempre foi assim” — serve pra justificar a omissão que virou paisagem.
Enquanto a capital se vende como cidade verde, tem esgoto a céu aberto e famílias que perdem o pouco que têm toda vez que o céu decide lavar o Acre.

Mal cheiro, silêncio e improviso

Quando a água recua, o ar muda. O cheiro de podre toma conta.
Mosquitos voltam antes da limpeza pública, e os caminhões de lixo passam rápido, como quem não quer ver.
O cheiro mistura-se com o do medo.
É o medo de chegar em casa e não ter energia, de precisar ligar pra ambulância e ouvir: “a viatura não chega aí”.
De abrir o aplicativo e ver que nenhum Uber, nenhum táxi, nenhum mototáxi aceita a corrida.
O medo de estar preso dentro do próprio bairro — isolado por uma poça que virou lago.

Soluções que escorrem pelo ralo

Engenheiros e ambientalistas alertam há anos: o problema não é só a chuva, é o descuido crônico.
Sem drenagem adequada, sem limpeza regular, sem planejamento urbano, o Acre vive o colapso a cada temporal.
Há projetos de canalização engavetados desde 2008, promessas de obras milionárias nunca concluídas, e orçamentos que evaporam junto com a água do último verão.
Enquanto isso, os moradores inventam suas próprias “obras”: valas, diques de madeira, pequenas pontes de tábua, extensões elétricas penduradas nos portões.
São engenharias de resistência, soluções da base — invisíveis aos olhos do poder.

Quando chove, a cidade vira denúncia

O rádio silencia, a TV chiando, a internet some.
O Acre desconecta.
Mas a chuva continua — e com ela vem a notícia que nunca é manchete: gente cansada de perder o pouco, mas que ainda não perdeu a esperança.

“Meu filho pergunta se vai chover amanhã e eu respondo que sim, mas que a gente também vai dar um jeito”, diz dona Jucilene, 45 anos, mãe solo e guerreira da baixada.
O “dar um jeito” é filosofia acreana.
E talvez esteja aí o ponto mais forte dessa crônica: um povo que não desiste, mesmo quando o rio sobe dentro de casa.

O que se sabe até agora

  • Desde 1999, as cheias anuais do Acre têm se intensificado com a falta de drenagem urbana e ocupação irregular das margens.
  • Mais de 40 bairros de Rio Branco estão em áreas de risco, segundo a Defesa Civil estadual.
  • O programa de saneamento básico previsto no PAC (2007) teve apenas 60% executado.
  • A cada chuva forte, cerca de 2 mil famílias enfrentam cortes de energia e serviços paralisados.
  • A ausência de políticas contínuas de limpeza e drenagem agrava a contaminação das águas e proliferação de doenças.

FAQ otimizado

Por que o Acre sofre tanto com as chuvas?
Porque o sistema de drenagem é antigo e insuficiente, e a manutenção é irregular. Além disso, o crescimento urbano sem planejamento multiplica o impacto.

O que poderia ser feito de forma imediata?
Mutirões de limpeza preventiva, canalização dos igarapés, reestruturação das galerias e políticas permanentes de saneamento.

Por que isso não é prioridade política?
Porque as enchentes não rendem palanque depois que a lama seca — e o voto, infelizmente, evapora com a água.

Como a população reage?
Com ironia, fé e criatividade. Do improviso nas passarelas de madeira às gambiarras elétricas, a periferia cria a sua própria engenharia da sobrevivência.

Conclusão 

O Acre aprendeu a sobreviver com a chuva, mas não devia.
Enquanto políticos desfilam em carros altos, o povo amarra sacolas nos pés e anda descalço sobre promessas.
É hora de trocar o “sempre foi assim” por “nunca mais será”.
Compartilhe essa história. Que ela chegue aos gabinetes, aos prefeitos, aos engenheiros e, principalmente, a quem ainda acha que isso é “coisa de quem mora na baixada”.

#acrejornal #jornaisdoacre #chuvasnoacre #rioacre #CidadeACNews


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📍 Editorial Institucional — Cidade AC News
Por Eliton Lobato MunizCidade AC News
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