domingo, 1 fevereiro, 2026
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Consciência e ação política: A crise climática ainda tem cura

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Consciência e ação política: A crise climática ainda tem cura

A humanidade é parte do problema, mas pode ser a solução? Neste episódio do podcast S.O.S! Terra Chamando!, o debate sobre a saúde do planeta ganha um tom de urgência e reflexão ética. Através de uma metáfora médica, o episódio compara os 8 bilhões de seres humanos a uma “microbiota” que, quando em desequilíbrio, adoece o corpo hospedeiro — a Terra. O remédio prescrito pelos especialistas? Uma dose maciça de consciência aliada à ação política imediata.Consciência e ação política: A crise climática ainda tem cura | Cidade AC News – Notícias do AcreConsciência e ação política: A crise climática ainda tem cura | Cidade AC News – Notícias do Acre

Um dos grandes desafios da crise climática é o sentimento de paralisia. Para a oceanógrafa e ativista Adriana Lippi, muitas pessoas enfrentam o chamado “luto climático” ao presenciarem a perda de ecossistemas familiares. No entanto, ela explica que esse sentimento deve ser o motor para a mudança.

“A pessoa começa a agir quando vê que não tem como apenas observar. Vem o momento da negociação: ‘é isso que eu tenho, é isso que eu vou fazer’. A partir daí, surge a busca por informação e a mobilização na própria cidade”, destaca Adriana durante o episódio.

Embora a mudança de hábitos individuais seja fundamental, a ciência alerta que a cura definitiva exige mudanças estruturais. O cientista do clima Paulo Artaxo reforça a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa com intensidade e rapidez.

O caminho técnico envolve a transição energética — substituindo combustíveis fósseis por fontes renováveis como eólica e solar — e o investimento em modelos como as agroflorestas, que integram produção de alimentos e conservação ambiental.

No campo das políticas públicas, o Brasil assume um papel estratégico. Moisés Savian, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, aponta que o país já avançou significativamente no financiamento climático. Segundo Savian, o orçamento vinculado a essas questões saltou de menos de R$ 1 bilhão para cerca de R$ 10 bilhões de reais, atraindo o interesse de investidores mundiais para a agenda verde brasileira.

Para o diretor do Programa Mundial de Alimentos da ONU, Daniel Balaban, o maior obstáculo para a “cura” da Terra é a ideia equivocada de que a preservação ambiental impede o progresso.

“Não existe desenvolvimento sem estarmos integrados com a natureza. Não podemos tratá-la como inimiga”, afirma.

Essa visão integrada já está sendo assimilada pelas novas gerações. O episódio traz o exemplo da pequena Tainá, de 9 anos, que participa de movimentos de plantio e compreende a importância das árvores na purificação do ar e na prevenção de desastres. Para os especialistas o otimismo dessas crianças é o que prova que ainda há tempo para reverter o quadro.

O episódio encerra com um novo horizonte: a conexão com os saberes tradicionais da Amazônia como ferramenta para o futuro do planeta.

👉 Ouça agora e siga o podcast S.O.S! Terra Chamando!, no seu tocador favorito! 

💻 Em breve com interpretação em Libras no canal da Rádio Nacional no YouTube.

💬 Você pode conferir, no menu abaixo, o roteiro base do episódio, a tradução em Libras e ouvir o podcast no Spotify.

S.O.S! Terra Chamando! – Tem Cura?

🎵 Abertura 🎵

🎵 Barulho hospital marcador de sinais vitais 🎵

Dr. Cruz (Pablo Aguilar): Que bom te ver assim, Terra… acordada!

Terra (Georgiana Góes): Gratidão, doutor! E… direto ao ponto: ficarei curada?

Dr. Cruz: Vamos lá! Já sabemos qual é a doença e qual o causador da doença. Mas, para você entender direitinho… vou usar uma espécie de metáfora, tá? Seu corpo, assim como o meu, é habitado de, vamos chamar, microrganismos. Esta microbiota, como a gente diz, é fundamental para o equilíbrio do corpo. Mas, quando alterada, pode causar o caos.

Terra: Tô vendo! Bom, estragos eu sei que já fizeram o suficiente. Se não, não estaria nesta UTI. Imagino até que seja um batalhão!

Dr. Cruz: Bem, no seu caso, são bilhões. Pelo menos 8 bilhões.

Terra: Todos contra mim?

Dr. Cruz: Calma! Tem jeito! Nossa equipe médica está muito animada com uma técnica milenar…

Terra: Milenar, gente? Não tinha algo mais moderno?

Dr. Cruz: Nossas apostas estão na chamada: Consciência.

🎵 Sobe Som 🎵

Adrielen Alves: Até que enfim, chegou o dia!! O dia desse capítulo esperado em que o Dr. Cruz, vivido por Pablo Aguilar, sugere um tratamento. A possível solução para o problema de saúde da Terra, interpretada por Kailani Vinício, nada mais é do que algumas doses de “consciência”!

Dr. Cruz: Já prescrevi… por tempo indeterminado!

Adrielen: E no mundo das metáforas, se a “consciência” é o tratamento milenar, os microrganismos, causadores do caos, seriam… seriam? Acertou quem disse: os seres humanos!

Dr. Cruz: São mais de 8 bilhões desta espécie. Muitos agindo de forma desordenada. Isso explica o esgotamento da Terra.

Adrielen: Ou seja, juntando “lé” com “cré” deste glossário de termos médicos — a consciência ambiental dos humanos pode ajudar a recuperar a Terra. O planeta, no caso.

Terra: E o bom é que é de graça! Ou não?

Adrielen: Bem queria eu dizer que lá está a “consciência” nas farmácias de alto custo do SUS, nosso Sistema Único de Saúde, mas a questão é um pouco mais complexa… Eu sou Adrielen Alves, jornalista de ciência. Este é o episódio onze da primeira temporada do podcast: S.O.S! Terra Chamando! Uma parceria da Empresa Brasil de Comunicação e da Casa de Oswaldo Cruz.

🎵 Sobe Som 🎵

Adrielen: Cons-ci-ên-cia. Se formos ao dicionário, as definições vão de “conhecimento” até “capacidade de discernir” e “capacidade de sentir remorso”.

Terra: Capacidade de sentir remorso? Ihhh…

Adrielen: O fato é que consciência está, sim, ligada à moral, à psicologia, à justiça e à cultura.

Dr. Cruz: Em medicina, chamamos de uma terapêutica de amplo espectro — capaz de curar muitas doenças.

Adrielen: Confesso… consciência pode parecer vago demais para esta missão que é salvar a Terra…

Terra: Eu acrescentaria intuição, voz interior, consciência cósmica…

Adrielen: Pode chamar de consciência cósmica, ambiental, planetária… esta “é” a aposta de cientistas, ambientalistas e lideranças indígenas ouvidos ao longo de toda essa jornada de produção do podcast S.O.S! Terra Chamando!

Bem, se eles estão falando… Mas vamos ver se conseguimos entender melhor esta prescrição do Dr. Cruz. Um passo a passo: da consciência ambiental à ação… Pra ilustrar, eu trago o relato da oceanógrafa Adriana Lippi, que é também uma ativista ambiental. Ela explica que a iniciativa não é tão simples assim. Tem que ter estratégia e acolhimento!

Adriana Lippi: “Muitas pessoas estão muito tristes, muito preocupadas ou mesmo sem esperança, já ‘jogando a toalha’. É importante comunicar, fazer política pública e mobilizar o coletivo.”

Adrielen: Como fazer, então, pra trazer essa galera pro time dos que estão “firmes pela Terra”?

Adriana Lippi: “Eu tentei elaborar essa ideia de luto climático. Eu sou de São Paulo e aqui era a ‘cidade da garoa’. Agora não temos mais garoa, só chuva violenta. A gente sente falta da cidade que era antes!”

Adrielen: E como transformar o luto em luta?

Adriana Lippi: “Quando a pessoa realmente vê que não tem como lidar, vem a raiva. Dos políticos, da humanidade… Passando a raiva, vem o momento de negociação. A pessoa começa a agir: ‘vou me informar melhor’, ‘vou começar algo na minha cidade’.”

Dr. Cruz: Mas, bom lembrar que depois pode vir a depressão e o desânimo, tá!? É um ciclo bem comum!

Adrielen: Por isso a necessidade de uma rede de cientistas e influenciadores bem resilientes!

Terra: E se esses seres forem resilientes como eu… será?

🎵 Sobe Som 🎵

Adrielen: A ciência, na maioria das vezes, é pró-Terra! Mas esta rede conectada tem que ser encabeçada por aqueles que têm a caneta e poder de mando. Porque para reduzir os gases de efeito estufa é preciso vontade política e financiamento. A população de cada país pode e deve participar da discussão e cobrar ações.

Terra: Então, ainda falta conscientizar mais alguém?

Adrielen: Os líderes mundiais. As maiores economias do planeta. As instituições mais influentes do globo. Para além da consciência, ação! Do cidadão comum, mas também da rede do qual faz parte. E, aí, sim! Contar com políticas ambientais, como disse o cientista Paulo Artaxo:

Paulo Artaxo: “Nós temos que reduzir as emissões de gás de efeito estufa o mais rápido possível e de uma maneira a mais intensa possível.”

Adrielen: Como reduzir? A começar pela transição energética — dos combustíveis fósseis para as fontes renováveis; também é preciso reduzir a poluição e combater as queimadas. Além disso, a forma de lidar com as florestas precisa ser mais sustentável. As agroflorestas são uma opção apontada.

 E o Brasil, sede da COP 30 em 2025, tem tudo para assumir uma forte liderança. É o que explica Moisés Savian, do Ministério do Desenvolvimento Agrário:

 Moisés Savian: “O Brasil já assumiu uma liderança importante na energia renovável. (…) Menos de um bilhão de orçamento anterior passou para perto de 10 bilhões em recursos vinculados à questão climática. Há um interesse do mundo em financiar.”

Adrielen: Ciência, autoridades mundiais e nós, meros mortais? Podemos ajudar a salvar o planeta Terra? Este é Daniel Balaban, do Programa Mundial de Combate a Fome da ONU:

Daniel Balaban: “Nós somos partes da natureza. Não podemos tratar a natureza como inimiga do desenvolvimento. É uma estupidez. Temos que mostrar para as crianças que ainda dá tempo da gente reverter esse quadro.”

Terra: Está tudo conectado!

Adrielen: E a lição de casa já está sendo feita por crianças e jovens, como a ativista Greta Thunberg. Do lado de cá, no Distrito Federal, tem gente dando o exemplo também. Como a Tainá, de 9 anos, que faz parte do movimento “Tempo de Plantar”:

Tainá: “É importante plantar. Se não, a gente vai parar de ter oxigênio puro. As árvores respiram o gás carbônico e liberam oxigênio. As árvores impedem enchentes também!”

Adrielen: Tainá se preocupa com quem mora no Planalto Central e nas zonas costeiras. Que os 8 bilhões de seres humanos se guiem em Tainá.

🎵 Sobe Som 🎵 ambiente hospitalar. Marcador de sinais vitais.

Terra: Como está a situação, doutor? Os monstrinhos estão reagindo ao tratamento milenar?

Dr. Cruz: Tudo no seu tempo. Mas optamos por ouvir um sábio da Amazônia! Está na hora de conectar os saberes!

🎵 Sobe Som 🎵

Adrielen: No episódio doze: a Amazônia de pé e o futuro do planeta.

🎵 Sobe Som 🎵

 Adrielen: Este é o S.O.S! Terra Chamando! O podcast sobre a saúde do planeta. Uma co-produção da Empresa Brasil de Comunicação e da Casa de Oswaldo Cruz. Eu sou Adrielen Alves, responsável pela idealização, roteiro e apresentação. A pesquisa e a produção são de Anita Lucchesi e Teresa Santos. A edição de conteúdo é da Julianne Gouveia. A revisão é da Ana Elisa Santana.

 Fazem parte da Comissão Técnico-Científica: Carlos Machado de Freitas, Carlos Henrique Assunção Paiva, Diego Vaz Bevilaqua, Dilene Raimundo do Nascimento, Magali Romero Sá e Tereza Amorim Costa. Os atores são Georgiana Góes e Pablo Aguilar. O apoio à produção ficou por conta de Adriana Ribeiro e Victor Ribeiro. A operação de áudio é de Álvaro Seixas, Thiago Coelho, Reynaldo Santos, Thales Santos e Reinaldo Shiro.

 A edição final e a sonoplastia são da Pipoca Sound. Este episódio usa áudios de Paulo Artaxo, Daniel Balaban, Adriana Lippi, Moisés Savian e da criança Tainá. Até a próxima!

🎵 Vinheta de Encerramento 🎵

Até a próxima!

🎵 Som de fita voltando 🎵

Beatriz Arcoverde: Também contribuíram na Coordenação de Processos, implementação e publicação nas plataformas de áudio: Equipe da Radioagência Nacional – EBC,  Interpretação em Libras: Equipe de tradução da EBC, na edição de vídeo para o youtube: Mateus Araújo e o responsável pela arte: Vinícios Espangeiro.

🎵 Vinheta de Encerramento 🎵

Em breve

 

17:56

Encontrado um dos corpos arrastados por enchente em São Paulo

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Encontrado um dos corpos arrastados por enchente em São Paulo

O corpo de Marcos da Mata Ribeiro, de 68 anos, que desapareceu após o carro em que estava ser arrastado por uma enchente na zona Sul de São Paulo, foi encontrado neste sábado (17). A esposa dele, Maria, de 67 anos, ainda não foi localizada, e o Corpo de Bombeiros segue com as buscas na região.Encontrado um dos corpos arrastados por enchente em São Paulo | Cidade AC News – Notícias do AcreEncontrado um dos corpos arrastados por enchente em São Paulo | Cidade AC News – Notícias do Acre

O corpo de Marcos foi encontrado a oito quilômetros do local da enchente. Também neste sábado, o corpo de um homem foi encontrado dentro de um carro em um córrego, na cidade de Mauá. Até o momento, não há informações que confirmem se o veículo foi arrastado pela enxurrada.

Os temporais desta sexta-feira (16), na Grande São Paulo, causaram diversos danos e transtornos à população. Foram registrados alagamentos em ruas e casas, carros levados por enchentes, quedas de árvores, deslizamentos e falta de energia.

Desde dezembro do ano passado, a Defesa Civil estadual contabiliza 11 mortes em decorrência das chuvas. Neste domingo (18), o governo vai instalar um Gabinete de Crise para monitorar a situação.
 

1:07

Ativistas denunciam ‘blackface’ em fantasias de carnaval

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Ativistas denunciam ‘blackface’ em fantasias de carnaval


Logo Agência Brasil

Blackface de cabelo” é uma das expressões cunhadas pela página na internet Samba Abstrato para questionar o uso de perucas ou penteados afro por pessoas brancas no carnaval. Como as fantasias de “nega maluca” e de “indígena”, que ridicularizam identidades raciais, o uso de cabelos crespos como adereço por foliões brancos também é inadequado e racista, denunciam os ativistas que administram a página e se propõem a falar sobre o tema no carnaval há quase dez anos, pelo olhar de pessoas pretas.Ativistas denunciam 'blackface' em fantasias de carnaval | Cidade AC News – Notícias do AcreAtivistas denunciam 'blackface' em fantasias de carnaval | Cidade AC News – Notícias do Acre

Com linguagem cômica e satírica, a página denuncia o racismo que faz parte do branqueamento da festa momesca. Entre os principais sintomas desse processo apontados por eles está a escolha de mulheres brancas como passistas mesmo quando elas não sabem sambar ─ ou melhor, como alfineta a Samba Abstrato, mesmo que tenham o “samba na ponta do braço”. Essa escolha, em alguns casos, ainda vem acompanhada de simulacros de cabelos cacheados ou crespos.

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Blackface é uma prática racista em que pessoas brancas utilizam artifícios como pintar a pele de preto, usar perucas ou outros acessórios para simularem de forma caricata características físicas de pessoas negras. O termo foi criado nos Estados Unidos, onde atores brancos usavam graxa, carvão e outras ferramentas para representarem pessoas negras no palco, de forma estereotipada e degradante. O “blackface de cabelo”, portanto, seria repetir esse tipo de agressão, transformando os cabelos crespos em imitações depreciativas. 

Apesar de avanços recentes, o cabelo afro foi taxado por anos como “cabelo ruim” ou “feio”. Em entrevista à Agência Brasil, a diretoria da Samba Abstrato lembra que, por isso, mulheres negras foram humilhadas e preteridas, por exemplo, de vagas de emprego. Quando chega o carnaval, no entanto, pessoas que não se envolvem na luta antirracista ou não valorizam a estética negra decidem se fantasiar de “mulher preta”. Para a Samba Abstrato, o blackface de cabelo é uma continuidade da fantasia de “nega maluca”. 

“Durante o ano inteiro, mulheres advogam a estética branca, usam cabelo liso, extremamente alinhado, considerado ‘bonito’, ‘adequado’, representativo do que elas são – o que está tudo bem –  mas aí, quando chega o carnaval, querem se fantasiar de mulher negra? Isso é caricato”, reflete a diretoria da Samba Abstrato, em uma resposta coletiva de seus integrantes à Agência Brasil.

“Enquanto mulheres negras são despedidas do emprego, discriminadas, impedidas de trabalhar, seja pelo crespo natural ou em outro estilo, como tranças, enquanto lutamos pela nossa vida real, outras fazem da nossa estética [negra] fantasia. Chega domingo de carnaval, último dia, tomam banho, voltam a alisar”.  

Negação da presença negra

Ao avaliar o embranquecimento do carnaval por meio da participação de mulheres brancas, tirando o protagonismo das passistas das comunidades, a Samba Abstrato denuncia o que o professor de jornalismo e diretor da FAAC da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), Juarez Tadeu de Paula Xavier, chama de “aniquilamento social e cultural” da população negra. Ele pesquisa as origens do racismo e as consequências atuais da prática, incluindo episódios no carnaval.


São Paulo (SP), 15/01/2026 - Professor Juarez Tadeu de Paula Xavier, diretor da FAAC/Unesp. Foto: Natália Viola/Divulgação

Professor Juarez Tadeu de Paula Xavier, diretor da FAAC/Unesp. Foto: Natália Viola/Divulgação

“Existe um  aniquilamento que é físico, os dados da letalidade de jovens negros mostram isso, e existe esse apagamento dos negros dos espaços de visibilidade”, afirma.

A negação da beleza e o aniquilamento da cultura negra são parte desse processo, explica. “É a mesma proposta do pós-abolição, de negar a presença negra na construção desse país. Os negros fundaram as bases do Estado brasileiro em uma situação muito adversa”, relembra o professor.

Apesar de o carnaval, como conhecemos hoje, ser voltado, em termos estéticos e plásticos, para a televisão, como um produto a ser comercializado, pontua Xavier, a festa tem digitais negras.

Segundo o professor de comunicação social, as escolas foram construídas e mantidas por pretos e pardos como forma de sobrevivência coletiva. Ele lembrou que o pós-escravidão se refletiu em “exclusão produtiva” dessa população, que ficou sem acesso à renda e ao trabalho, por exemplo.

Para Xavier, reverter esse processo requer uma estratégia ampla de combate ao racismo e à misoginia, da qual faz parte a campanha “Sem Racismo, o Carnaval Brilha Mais”, do Ministério da Igualdade Racial (MIR), lançada na última segunda-feira (12), no Rio de Janeiro.

“Quando você tem uma campanha com a marca do governo federal, está em evidência uma ação política contra o racismo em espaços onde podem surgir essas manifestações”, destaca.

Carnaval sem racismo

A campanha do ministério pretende divulgar, a partir de sábado (17), material educativo alertando para práticas como injúria racial e fantasias ofensivas, além de violências simbólicas e discriminação. O material será distribuído nas principais festas de carnaval no país, incluindo os municípios que aderiram ao Plano Juventude Negra Viva.

Na visão do secretário de Combate ao Racismo do MIR, Tiago Santana, o carnaval já superou fantasias estereotipadas, mas há quem insista.

“Não cabem mais fantasias depreciativas sobre a cultura negra, religiões afro, personagens negras, muito menos mulheres negras. Isso não dá mais. Não é esse tipo de cultura de carnaval que o brasileiro quer”, disse.

A campanha do ministério, explica, é para enfrentar as agressões diretas, as injúrias, mas sem deixar de coibir que temas e a estética negra sirvam de “peça de chacota”.

 


Rio de Janeiro (RJ), 12/01/2026 - Ministério da Igualdade Racial lança campanha ‘Sem Racismo o Carnaval Brilha Mais’. Foto: Rafael Caetano/MIR

 Ministério da Igualdade Racial lança campanha ‘Sem Racismo o Carnaval Brilha Mais’. Foto: Rafael Caetano/MIR

Denuncie

Com a campanha, o ministério também pretende incentivar as vítimas a registrarem as denúncias por meio do Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), e da Ouvidoria do Ministério da igualdade Racial, pelo e-mail: [email protected]. Os dois órgãos podem dar suporte e ajudar a denunciar os casos em órgãos oficiais.

Se você for vítima, faça também em um boletim de ocorrência, na delegacia de polícia mais perto, recomenda o professor da Unesp. “É necessário tipificar, processar, para que as pessoas respondam pela sua ação”, frisou.

Polícia Civil do Acre apreende carga de sebo bovino avaliada em R$ 200 mil e prende suspeito por receptação e uso de documento falso

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Polícia Civil do Acre apreende carga de sebo bovino avaliada em R$ 200 mil e prende suspeito por receptação e uso de documento falso

A Polícia Civil do Acre (PCAC) apreendeu em flagrante, na manhã deste sábado, 17, uma carga de sebo bovino avaliada em aproximadamente R$ 200 mil, que vinha sendo desviada de uma empresa localizada no município de Senador Guiomard.

Polícia Civil do Acre apreende carga de sebo bovino avaliada em R$ 200 mil e prende suspeito por receptação e uso de documento falso | Cidade AC News – Notícias do Acre
Câmeras de segurança flagram o momento em que a carga sai da empresa. As investigações seguem para averiguar se há funcionários envolvidos. Foto: reprodução

De acordo com as investigações, ainda na sexta-feira, 16, foi constatado que uma carga superior a 40 toneladas de sebo bovino havia saído da empresa sem o consentimento dos proprietários. O produto é amplamente utilizado em diversos setores, como na indústria alimentícia para produção de ração e biodiesel, no segmento de cosméticos para fabricação de hidratantes e sabonetes, além da indústria química, na fabricação de lubrificantes e vernizes.

A equipe de investigação foi informada de que, na manhã deste sábado, o caminhão que transportava a carga havia sido avistado estacionado na região da Vila Acre, em Rio Branco. Os policiais civis se deslocaram até o local e realizaram a abordagem. Durante a ação, o motorista informou que havia sido contratado por um terceiro para realizar o transporte da mercadoria e que aguardava a emissão da nota fiscal do produto, que teria como destino os estados de Rondônia e Goiás.

O caminhoneiro foi conduzido à delegacia-geral de Senador Guiomard para prestar esclarecimentos e o proprietário da empresa prestou depoimento a autoridade policial. No momento em que ele era ouvido, o suposto contratante compareceu em Senador Guiomard e foi detido pela equipe policial, ao apresentar uma nota fiscal do sebo bovino, os oficiais de polícia, após realizar uma análise técnica, identificaram que o documento era falso.

Diante da situação, o homem foi preso em flagrante pelos crimes de receptação de produto furtado e uso de documento falso. A carga foi apreendida e será restituída à empresa proprietária.

Segundo o delegado Rômulo Barros, a ação reforça a eficiência do trabalho investigativo da Polícia Civil. “Essa ação demonstra a eficiência do trabalho investigativo da Polícia Civil, que agiu de forma rápida e integrada para impedir que uma carga de alto valor, desviada de forma criminosa, fosse comercializada de maneira irregular. Identificamos não apenas o desvio do produto, mas também a tentativa de legalização da carga por meio de documento falso. Seguiremos com as investigações para responsabilizar todos os envolvidos”, destacou.

No momento da prisão, a operação contou com o apoio do Grupo Especial de Operações em Fronteiras (Gefron). As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos no esquema criminoso.

Lula critica ações dos EUA na Venezuela e defende multilateralismo

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Lula critica ações dos EUA na Venezuela e defende multilateralismo


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Em artigo publicado neste domingo (18) no jornal The New York Times, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os bombardeios dos Estados Unidos em território venezuelano e a “captura” do presidente do país, ocorridos no início de janeiro, representam “mais um capítulo lamentável da contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial”.Lula critica ações dos EUA na Venezuela e defende multilateralismo | Cidade AC News – Notícias do AcreLula critica ações dos EUA na Venezuela e defende multilateralismo | Cidade AC News – Notícias do Acre

No texto, Lula critica o que classifica como ataques recorrentes de grandes potências à autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) e de seu Conselho de Segurança. Segundo o presidente, “quando o uso da força para resolver disputas deixa de ser exceção e passa a ser regra, a paz, a segurança e a estabilidade globais ficam ameaçadas”.

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Lula afirma ainda que a aplicação seletiva das normas internacionais compromete o sistema global.

“Se as normas são seguidas apenas de forma seletiva, instala-se a anomia, que enfraquece não apenas os Estados individualmente, mas o sistema internacional como um todo”, escreveu.

Para o presidente, “sem regras coletivamente acordadas, é impossível construir sociedades livres, inclusivas e democráticas”.

Democracia

No artigo, Lula reconhece que chefes de Estado ou de governo, “de qualquer país”, podem ser responsabilizados por ações que atentem contra a democracia e os direitos fundamentais.

No entanto, ressalta que “não é legítimo que outro Estado se arrogue o direito de fazer justiça”. Segundo ele, “ações unilaterais ameaçam a estabilidade em todo o mundo, desorganizam o comércio e os investimentos, aumentam o fluxo de refugiados e enfraquecem a capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado e outros desafios transnacionais”.

O presidente afirma ser “particularmente preocupante” que essas práticas estejam sendo aplicadas à América Latina e ao Caribe.

Segundo Lula, elas levam “violência e instabilidade a uma parte do mundo que busca a paz por meio da igualdade soberana das nações, da rejeição ao uso da força e da defesa da autodeterminação dos povos”.

Ele destaca que, “em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos”.

Ao tratar da região, Lula afirma que a América Latina e o Caribe, com mais de 660 milhões de habitantes, “têm seus próprios interesses e sonhos a defender”. Em um mundo multipolar, “nenhum país deveria ter suas relações externas questionadas por buscar a universalidade”.

“Não seremos subservientes a empreendimentos hegemônicos” e defende que “construir uma região próspera, pacífica e plural é a única doutrina que nos serve”.

Agenda regional

Lula também defende, no artigo, a construção de uma agenda regional positiva, capaz de superar diferenças ideológicas.

“Queremos atrair investimentos em infraestrutura física e digital, promover empregos de qualidade, gerar renda e ampliar o comércio dentro da região e com países de fora dela”, afirma. Segundo o presidente, “a cooperação é fundamental para mobilizar os recursos de que tanto precisamos para combater a fome, a pobreza, o tráfico de drogas e as mudanças climáticas”.

Sobre a Venezuela, Lula afirma que “o futuro do país, assim como o de qualquer outro, deve permanecer nas mãos de seu povo”.

Apenas um processo político inclusivo, liderado por venezuelanos, levará a um futuro democrático e sustentável”.

Cooperação

No texto, Lula diz ainda que o Brasil continuará trabalhando com o governo e o povo venezuelanos para “proteger os mais de 1.300 quilômetros de fronteira compartilhada” e aprofundar a cooperação bilateral.

Ao tratar da relação com os Estados Unidos, o presidente afirma que Brasil e EUA são “as duas democracias mais populosas do continente americano”. Segundo Lula, “unir esforços em torno de planos concretos de investimento, comércio e combate ao crime organizado é o caminho a seguir”.

“Somente juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós.”

Portugal vai às urnas para eleger presidente neste domingo

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Portugal vai às urnas para eleger presidente neste domingo


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Eleitores portugueses vão às urnas neste domingo (18) para escolher o sucessor do presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que já exerceu dois mandatos de cinco anos. Portugal vai às urnas para eleger presidente neste domingo | Cidade AC News – Notícias do AcrePortugal vai às urnas para eleger presidente neste domingo | Cidade AC News – Notícias do Acre

A votação teve início às 8h da manhã do horário local ─ 5h da manhã em Brasília. O encerramento será às 19h em Portugal Continental e Ilha da Madeira, e às 20h nos Açores ─ 16h e 17h no Brasil.   

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Segundo a Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, 21% dos eleitores votaram até as 12h no horário local ─ 9h em Brasília. 

Esta é a eleição presencial com maior número de candidatos a presidente já realizada em Portugal, com 11 concorrentes, e haverá segundo turno se nenhum dos candidatos obtiver mais de 50% dos votos. Nesse caso, o novo pleito será em 8 de fevereiro.

A última vez em que as eleições portuguesas para presidente tiveram segundo turno foi em 1986.

Entre os candidatos com mais intenções de voto nas sondagens eleitorais estão Luís Marques Mendes (PSD), António José Seguro (PS), André Ventura (Chega), José Cotrim de Figueiredo (Iniciativa Liberal) e Henrique Gouveia e Melo (Independente). 

A posse do próximo presidente da República será em 9 de março, data que tem sido a mesma desde 1986. 

*Com informações da RTP

Brasil no Mundo traz debate neste domingo sobre Venezuela, Irã e EUA

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Brasil no Mundo traz debate neste domingo sobre Venezuela, Irã e EUA


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A TV Brasil leva ao ar uma edição inédita do programa Brasil no Mundo neste domingo (18), às 19h30. No estúdio no Rio de Janeiro, os jornalistas Cristina Serra, Jamil Chade e Yan Boechat recebem o professor e diretor do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Eduardo Serra.Brasil no Mundo traz debate neste domingo sobre Venezuela, Irã e EUA | Cidade AC News – Notícias do AcreBrasil no Mundo traz debate neste domingo sobre Venezuela, Irã e EUA | Cidade AC News – Notícias do Acre

O programa vai tratar dos principais conflitos em andamento no mundo: a ação dos Estados Unidos na Venezuela e a crescente tensão do país com o Irã.

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O professor Eduardo Serra é formado em Engenharia Industrial pela UFRJ com especialização em Planejamento Econômico pela Warsaw School of Economics (SGPiS), de Varsóvia. Fez mestrado em Engenharia de Produção pela UFRJ e doutorado em Engenharia Oceânica também pela UFRJ. Atualmente é professor associado no Curso de Relações Internacionais do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da UFRJ.

Sobre a produção

O programa Brasil no Mundo se dedica a destrinchar os grandes acontecimentos globais com a profundidade que cada tema exige. Conduzido pelos jornalistas especialistas Cristina Serra, Jamil Chade e Yan Boechat, apresenta análises consistentes e, a cada edição, recebe um convidado que contribui para ampliar a compreensão do cenário internacional e de seus reflexos na sociedade.

Com exibição semanal na TV Brasil sempre aos domingos, às 19h30, o programa tem duração de uma hora.

O conteúdo também poderá ser visto no app TV Brasil Play e no YouTube da emissora.

Na Venezuela, sanções dos EUA contribuíram para colapso econômico

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Na Venezuela, sanções dos EUA contribuíram para colapso econômico


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Alvo recentemente de ações militares dos Estados Unidos com objetivo de promover mudanças de poder a partir da retirada de Nicolás Maduro da presidência, a Venezuela também sofre há anos os efeitos de sanções econômicas impostas pelo governo norte-americano, chamadas de Medidas Coercitivas Unilaterais.  Na Venezuela, sanções dos EUA contribuíram para colapso econômico | Cidade AC News – Notícias do AcreNa Venezuela, sanções dos EUA contribuíram para colapso econômico | Cidade AC News – Notícias do Acre

Estudos apontam que cercos econômicos prolongados têm sido cada vez mais utilizados como arma de política externa para pressionar ou derrubar determinados governos. O roteiro se repete em outros países, como o Irã.  

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Para entender como essas sanções fragilizam as economias e o tecido social desses países, a Agência Brasil conversou com especialistas e analisou estudos científicos e relatórios das Nações Unidas (ONU) sobre o tema. 

A economista e socióloga Juliane Furno, professora adjunta da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), destaca que o objetivo das sanções é “asfixiar experiências políticas que fogem ao controle dos países imperialistas” , buscando gerar uma onda de descontentamento social que possa refletir em uma mudança de regime. 

Dona das maiores reservas de petróleo do planeta, a Venezuela é alvo de medidas econômicas dos Estados Unidos sob o argumento de proteção dos direitos humanos, defesa de democracia e combate ao narcotráfico. 

O embargo econômico 

O bloqueio financeiro e comercial contra a Venezuela obstruiu o financiamento da indústria petroleira; impôs restrições para o refinanciamento da dívida do país; dificultou as transações monetárias no mercado mundial; e congelou os ativos venezuelanos no exterior – ou os transferiram para o controle da oposição. 

O bloqueio de ativos da Venezuela também foi adotado por Portugal e Reino Unido. O Banco Central da Inglaterra confiscou 31 toneladas em ouro da Venezuela avaliados em US$ 1,2 bilhões. 

Washington colocou sob suspeita todas as transações vinculadas à Venezuela, o que levou ao bloqueio de canais financeiros com instituições de outras nações. 

Proibiu-se, ainda, o pagamento dos dividendos ao governo venezuelano provenientes da empresa Citgo, principal filial da estatal petroleira PdVSA no exterior. A Citgo foi liquidada pela justiça dos EUA, no final de 2025, para servir de ativo para os credores internacionais da Venezuela. A medida foi classificada por Caracas como “roubo”. 

A crise econômica da Venezuela 


Refugiados, Venezuelanos, Crise
REUTERS/Ricardo Moraes

Refugiados venezuelanos – Reuters/Ricardo Moraes/ Direitos Reservados

Na Venezuela, a recessão de 2013 a 2022 consumiu cerca de 75% do PIB, impulsionando a imigração de mais de 7,5 milhões de pessoas, o que representa cerca de 20% da população do país. 

Especialistas divergem em relação à responsabilidade dos governos chavistas e das sanções dos EUA para a crise do país sul-americano. 

Enquanto a recessão no país começou no segundo semestre de 2014, na esteira da crise dos preços do petróleo, as primeiras sanções abrangentes contra a Venezuela foram adotadas em agosto de 2017. Era o primeiro governo de Donald Trump, que restringiu o acesso da Venezuela ao mercado financeiro norte-americano. 

Novas sanções foram aplicadas aos comércios de ouro, minérios, petróleo e diesel, entre 2018 a 2020. Além disso, o governo norte-americano aplicou sanções para empresas de outros países que negociavam com a Venezuela, medida chamada de sanções secundárias. 

O economista venezuelano Francisco Rodríguez, professor da Universidade de Denver e crítico dos governos chavistas, reconhece o peso da gestão interna para a recessão do país antes de 2017. No entanto, pondera que o embargo econômico teve papel signficativo para o aprofundamento da crise. 

“Dizer que os venezuelanos estão fugindo unicamente por causa do regime de Maduro não passa de uma mera retórica que ignora a questão fundamental: o impacto das sanções nas condições de vida”, diz o especialista. 

As pesquisas do professor apresentam evidências que mostram “decisivamente que as sanções têm sido um dos principais fatores que contribuíram para o colapso econômico da Venezuela”, que levaram ao declínio dos padrões de vida observado desde 2012. 

Para Rodríguez, as sanções influenciaram os padrões migratórios ao interromperem as receitas do petróleo, que na Venezuela são usadas para financiar as importações de outros setores. 

“A reimposição de sanções de pressão máxima levaria a uma emigração estimada em 1 milhão de venezuelanos adicionais nos próximos cinco anos, em comparação com um cenário base sem sanções econômicas”, calculou o economista no final de 2024, diante da expectativa de endurecimento de sanções com o início do segundo governo Trump. 

O colapso da indústria petroleira 


Petróleo na Venezuela
FILE PHOTO: Crude oil drips from a valve at an oil well operated by Venezuela's state oil company PDVSA, in the oil rich Orinoco belt, near Morichal at the state of Monagas April 16, 2015. Picture taken on April 16, 2015. REUTERS/Carlos Garcia Rawlins/File Photo

Petróleo na Venezuela  – Reuters/Carlos Garcia Rawlins/Proibida reprodução

A economista Juliane Furno acredita que a crise venezuelana pode ser explicada por dois fatores principais: a queda do preço do barril de petróleo e as sanções internacionais. 

“A Venezuela é um país rentista petroleiro. Mais de 95% das receitas de exportação vêm do petróleo. Em 2014 o barril do petróleo amargou uma redução de quase 70%. Isso explica a queda do PIB e o início do desabastecimento”, afirmou. 

Furno acrescenta que as sanções agravaram o quadro: tanto as diretas, que dificultaram as importações, quanto as indiretas, que desestimularam outros país e empresas a fazerem negócio com a Venezuela. 

De uma retração do setor petrolífero de 11,5% experimentada em 2017, o índice aumentou para 30,1% em 2018 – primeiro ano após a imposição do bloqueio financeiro. A diferença implicou na perda de US$ 8,4 bilhões em divisas necessárias para a manutenção das importações do país, aponta pesquisa do economista Jeffrey Sachs

Inflação 

Publicada pelo Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas (Cepr), sediado em Washington, o estudo considera que a perda bilionária de divisas e receitas em decorrência do bloqueio foi “muito provavelmente” o principal fator que empurrou a economia de sua inflação alta, quando as sanções de agosto de 2017 foram implementadas, para a hiperinflação que se seguiu.  

A hiperinflação na Venezuela se consolidou, oficialmente, em dezembro de 2017. 

A economista Juliane Furno acrescenta que a situação piorou ainda mais a partir de 2019, com o bloqueio das reservas em ouro e com a proibição da Venezuela acessar o principal mercado consumidor do seu petróleo, os Estados Unidos. 

O secretário de Segurança Nacional norte-americano, Jonh Bolton, calculou que a proibição do comércio do petróleo da Venezuela resultaria na perda de mais de US$ 11 bilhões em receitas de exportação em 2020. 

A professora da Uerj ressalta que a prova do peso das sanções é que a economia venezuelana começou a se recuperar a partir de 2022, no governo de Joe Biden, quando foram relaxadas algumas medidas.   

Segundo dados da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), ligada à ONU, a Venezuela apresentou um crescimento de 8,5% do PIB em 2024 e de 6,5% em 2025.

Estados Unidos 


Manifestante segura cartaz com a imagem da líder da oposição venezuelana María Corina Machado durante manifestação em Santiago
03/01/2026 REUTERS/Pablo Sanhueza

Manifestante segura cartaz com a imagem da líder da oposição venezuelana María Corina Machado – REUTERS/Pablo Sanhueza/Proibida reprodução

As sanções econômicas contra a Venezuela são adotadas sob o argumento de pressionar Caracas para inibir violações de direitos humanos, levar a democracia para o país ou mesmo combater o narcotráfico internacional. 

A lei que viabilizou o atual bloqueio foi aprovada em dezembro de 2014, ainda sob o governo do democrata Barack Obama, cerca de um mês após o início de uma onda de protestos contra Nicolás Maduro conhecidos como “A Saída”, que pregavam a destituição do presidente. 

Em março de 2015, Obama edita a Ordem Executiva 1.692 que declara “emergência nacional” nos Estados Unidos sob a justificativa de que a Venezuela representa uma ameaça “incomum e extraordinária” para a segurança, autorizando o presidente a impor sanções econômicas contra o país sul-americano. 

 

Botucatu inicia vacinação contra dengue com imunizante do Butantan

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Botucatu inicia vacinação contra dengue com imunizante do Butantan


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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, deu início neste domingo (18) à campanha de vacinação em massa contra a dengue na cidade paulista de Botucatu, com o uso da vacina Butantan-DV. O imunizante é o primeiro do mundo em dose única que previne contra a arbovirose, com tecnologia 100% nacional desenvolvida pelo Instituto Butantan.Botucatu inicia vacinação contra dengue com imunizante do Butantan | Cidade AC News – Notícias do AcreBotucatu inicia vacinação contra dengue com imunizante do Butantan | Cidade AC News – Notícias do Acre

O estudo é desenvolvido pelo Ministério da Saúde, a Prefeitura de Botucatu, a Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu e pelo Instituto Butantan.

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Ao todo, o Ministério da Saúde decidiu vacinar a população de 15 a 59 anos de três municípios inteiros, antes de levar o imunizante para todo o Brasil. O objetivo é avaliar a efetividade da imunização, o impacto na população e a circulação do vírus na comunidade.

“Esse é o primeiro passo da vacina do Butantan no nosso calendário de vacinação da dengue”, declarou o ministro, neste domingo.

Estratégia piloto

Além de Botucatu, a estratégia piloto é realizada, a partir deste fim de semana, nos municípios de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG).

De acordo com o Ministério da Saúde, as cidades foram escolhidas por terem população entre 100 mil e 200 mil habitantes, pelo histórico de vacinação e pela proximidade a outras grandes regiões metropolitanas.

O ministro Padilha confirma que a meta é ter 40% da população vacinada na faixa etária estabelecida pelo Ministério da Saúde.

“Nossa meta é chegar o mais rápido possível a cobrir essa população de 15 a 59 anos e, com isso, confirmar o que os estudos projetam. Se a gente chegar a 40 a 50% da população vacinada, além de proteger cada indivíduo que se vacina, essa vacina tem um forte impacto no controle da doença na cidade como um todo.”

Nesta primeira etapa, 204,1 mil doses serão distribuídas entre os três municípios: 80 mil para Botucatu (SP), 60,1 mil para Maranguape (CE) e 64 mil para Nova Lima (MG).

O quantitativo é suficiente para a vacinação em massa da população-alvo nessas cidades e faz parte das 1,3 milhão de doses produzidas pelo Instituto Butantan. 

Botucatu

Esta é a segunda vez que o município de Botucatu realiza uma vacinação em massa para avaliar a efetividade de uma vacina. Em maio de 2021, teve início na cidade a vacinação  contra a covid-19 com uma dose do imunizante produzido pelos laboratórios AstraZeneca/Oxford/Fiocruz. À época o esquema vacinal teve impacto positivo nas internações hospitalares.

Para a escolha de Botucatu, o ministro da Saúde explicou que pesou o fato de o estado de São Paulo ter sido a unidade da federação que mais concentrou casos de dengue no ano passado e também onde teve maior circulação do dengue tipo 3.


Botucatu (SP), 18/01/2026 - O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, iniciou a vacinação contra a dengue com a primeira vacina 100% nacional, de dose única, desenvolvida pelo Instituto Butantan. Foto: Walterson Rosa/MS

Vacina 100% nacional, de dose única, desenvolvida pelo Instituto Butantan. Foto: Walterson Rosa/MS

“Como circulou dengue tipo 3 aqui, no estado de São Paulo, é uma grande oportunidade para a gente avaliar o impacto que essa vacina vai ter na dengue tipo 3, na possibilidade de controlar rapidamente a dengue na cidade.”

A prefeitura disponibilizou 28 pontos de vacinação, como Unidades Básicas de Saúde (UBS) e outros pontos de vacinação instalados pela cidade e em locais estratégicos. 

Para evitar aglomerações, a recomendação é que as pessoas de 35 a 59 anos compareçam à sua unidade de saúde de referência pela manhã (8h às 12h30), e jovens de 15 a 34 anos, no período da tarde (12h30 às 17h). Os menores de 18 anos deverão estar acompanhados por um responsável legal.

Os locais de vacinação contra a dengue estão disponíveis no site da prefeitura de Botucatu.

 

Vacina nacional

A vacina Butantan-DV foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e protege contra os quatro sorotipos da doença (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4).

O estudo clínico do imunizante Butantan-DV comprovou eficácia de 74% contra casos gerais de dengue, de mais de 91% contra casos graves e de 100% contra hospitalizações por dengue. Esse estudo foi realizado entre os anos de 2016 e 2024, com mais de 16 mil voluntários residentes de 14 estados brasileiros.

O primeiro imunizante contra a dengue em dose única no mundo adota a tecnologia de vírus vivo atenuado e foi desenvolvida pelo Instituto Butantan, a partir de uma parceria articulada pelo Ministério da Saúde com a empresa chinesa WuXi Vaccines.

Para o público de 10 a 14 anos, continua sendo ofertada a vacina internacional QDenga, de produção japonesa, com esquema de duas doses. Neste caso, a vacinação é feita exclusivamente em Unidades Básicas de Saúde (UBS), nos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

Cidades do CE e MG iniciam vacinação contra dengue com dose única

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Cidades do CE e MG iniciam vacinação contra dengue com dose única


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As cidades de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) iniciaram a vacinação-piloto com o imunizante de dose única contra a dengue desenvolvido pelo Instituto Butantan. Nesta primeira etapa, 204,1 mil doses serão distribuídas entre Maranguape (60,1 mil), Nova Lima (64 mil) e também Botucatu, em São Paulo (80 mil). O quantitativo é suficiente para a vacinação em massa da população-alvo nessas cidades, composta por cidadãos com idade entre 15 e 59 anos. Em Botucatu, a vacinação começa no domingo (18).Cidades do CE e MG iniciam vacinação contra dengue com dose única | Cidade AC News – Notícias do AcreCidades do CE e MG iniciam vacinação contra dengue com dose única | Cidade AC News – Notícias do Acre

Os resultados da imunização serão acompanhados durante um ano. As análises serão conduzidas com apoio de especialistas, que irão avaliar a incidência da dengue nos municípios selecionados, além de monitorar eventuais efeitos adversos raros após a imunização. Metodologia semelhante já foi adotada em Botucatu na avaliação da efetividade da vacina contra a covid-19.

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Se os resultados forem positivos, será iniciada a produção em massa para atender todo o país. Até o momento, o Butantan fabricou 1,3 milhão de doses. Antes dos resultados, porém, será realizada a imunização de públicos prioritários com a chegada de mais doses da Butantan DV. A imunização de profissionais da atenção primária à saúde está prevista para o início de fevereiro. Esse grupo, composto por  médicos, enfermeiros e agentes comunitários, deve receber as cerca de 1,1 milhão de doses que não foram usadas nesta fase prioritária.

Segundo o Ministério da Saúde, com a transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a vacinação será gradualmente ampliada para todo o país, começando pela população de 59 anos e avançando até o público de 15 anos. A expectativa é de ampliação da produção em até 30 vezes.

No lançamento da vacinação em Maranguape, o ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, destacou os critérios adotados para a escolha dos municípios. “Cidades [que foram] escolhidas por terem população entre 100 mil e 200 mil habitantes e uma rede de saúde estruturada, que permite implementar a vacina e avaliar seu impacto na imunização da população e na circulação do vírus na comunidade”, afirmou. Massuda destacou, ainda, que a vacina é a primeira contra a dengue aplicado em dose única, o que permite imunização mais rápida e eficaz.

Os estudos clínicos indicaram eficácia global de 74%, com redução de 91% dos casos graves. Entre os vacinados, nenhum precisou de hospitalização por conta da dengue. A vacina foi desenvolvida em um processo de 20 anos, juntando tecnologias de diversos centros de pesquisa nacionais e apoio de pesquisadores estrangeiros. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apoiou com um financiamento de R$ 32 milhões, ainda em 2008. Um segundo aporte, para financiar a fábrica de vacinas, colocou R$ 97 milhões do banco à disposição, em 2017. Até o momento, o imunizante recebeu investimentos de R$ 305,5 milhões.

A rede de saúde das cidades que atuam nesta fase atenderá moradores com documento oficial, com foto, e a orientação é que se leve também o Cartão SUS. Mesmo com a imunização, o cuidado com essa e outras arboviroses permanece. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Nova Lima, “mesmo com a ampliação da cobertura vacinal, as ações de prevenção seguem fundamentais, especialmente o combate ao mosquito Aedes aegypti, com a eliminação de água parada”.

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