Rock in Rio anuncia o dia do rock com Avenged Sevenfold e Bring Me The Horizon
Avenged Sevenfold e Bring Me The Horizon estão confirmados na próxima edição do Rock in Rio, no chamado “Dia do Rock”, em 5 de setembro. O festival ocorrerá nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro. A confirmação foi divulgada pela organização do festival na última terça-feira (3/2).
Como atração principal, o Avenged Sevenfold será responsável por fechar a programação do Palco Mundo. No mesmo dia, o Bring Me The Horizon também subirá no mesmo palco.
Veja as fotos
Rock in Rio 2026 acontecerá em setembroCrédito: Reprodução
Avenged Sevenfold estará no Rock in Rio 2026Crédito: Reprodução
Bring Me The Horizon estará no Rock in Rio 2026Crédito: Reprodução
Avenged Sevenfold estará no Rock in Rio 2026Crédito: Reprodução
Bring Me The Horizon estará no Rock in Rio 2026Crédito: Reprodução
Embora o line-up completo ainda não tenha sido divulgado, o festival já anunciou alguns nomes que farão parte da programação. Confira as atrações confirmadas até o momento:
Dia 7/9
Elton John (Palco Mundo) – headliner;
Gilberto Gil (Palco Mundo).
Dia 11/9
Stray Kids (Palco Mundo) – headliner;
Jamiroquai (Palco Sunset).
Dia 12/9
Maroon 5 (Palco Mundo) – headliner;
Demi Lovato (Palco Mundo);
Mumford & Sons (Palco Sunset);
João Gomes com a Orquestra Brasileira (Palco Sunset).
Da luta à conscientização: após enfrentar o câncer, Fabiana Justus usa lenço como símbolo de apoio
No Dia Mundial do Câncer, celebrado nesta quarta-feira (4/2), uma mobilização nacional voltou a colocar a prevenção e o diagnóstico precoce no centro do debate. Promovida pelo Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC) em parceria com a Abrale, a campanha Vá de Lenço reúne pacientes, profissionais de saúde e a sociedade em torno de uma mensagem clara: informação e engajamento salvam vidas. Entre os nomes que aderiram à iniciativa está Fabiana Justus, que usou suas redes sociais para convidar seguidores a participarem da ação social.
Em remissão após enfrentar uma leucemia mieloide aguda diagnosticada em 2024 e passar por um transplante de medula óssea bem-sucedido, a influenciadora se tornou uma das vozes mais ativas da campanha. Nesta quarta-feira (4/2), ela compartilhou fotos usando o lenço como gesto simbólico de apoio a quem está em tratamento e de homenagem a quem venceu a doença. “Junte-se a essa causa, poste uma foto sua de lenço com a # vá de lenço!”, escreveu na legenda do post.
Veja as fotos
Fabiana Justus aderiu à campanha Vá de Lenço, promovida pelo Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC) em parceria com a AbraleReprodução: Instagram/@fabianajustus
Fabiana Justus aderiu à campanha Vá de Lenço, promovida pelo Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC) em parceria com a AbraleReprodução: Instagram/@fabianajustus
Fabiana Justus mostra como usar lenço de forma estilosa em alusão ao Dia Mundial do CâncerReprodução: Instagram/@fabianajustus
Fabiana Justus mostra como usar lenço de forma estilosa em alusão ao Dia Mundial do CâncerReprodução: Instagram/@fabianajustus
Fabiana Justus mostra como usar lenço de forma estilosa em alusão ao Dia Mundial do CâncerReprodução: Instagram/@fabianajustus
Em seu feed, Fabiana também publicou nesta quarta-feira vários vídeos em formato de carrossel ensinando como usar lenço de diferentes maneiras. Antenada com a moda, ela mostrou desde formas mais tradicionais até usos criativos: blusas feitas com o acessório, cinto, faixa no cabelo, detalhe no pescoço e até customização de bolsas com lenço, reforçando a ideia de que o símbolo da campanha pode fazer parte do dia a dia de forma leve e estilosa.
A campanha chama atenção ainda para dados que reforçam a urgência do tema. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 30% dos casos da doença podem ser evitados com hábitos como alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas e vacinação. A orientação é que os participantes publiquem fotos usando lenço e compartilhem a mensagem de prevenção nas redes sociais.
O contexto nacional reforça a importância da mobilização. Segundo o Observatório de Oncologia, mais de 700 mil novos diagnósticos de câncer são registrados anualmente no Brasil, e a doença já aparece como a principal causa de morte em 12% dos municípios do país.
CNI aponta juros como responsáveis por desaceleração da indústria
Entidade comentou pesquisa do IBGE sobre atividade industrial
O alto nível da Taxa Selic – juros básicos da economia – foi o principal responsável pela estagnação da indústria no fim de 2025, avaliou a Confederação Nacional da Indústria (CNI), ao comentar a Pesquisa Industrial Mensal, divulgada nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo a entidade, o ciclo de juros altos, atualmente em 15% ao ano, encareceu o crédito e drenou o apetite dos consumidores. O cenário foi agravado por uma demanda interna insuficiente e pelo avanço das importações, que capturaram parte significativa do mercado brasileiro, sustenta a CNI.
O diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, avalia como “enorme” o prejuízo causado pelos juros.
“O patamar punitivo da taxa Selic encareceu o crédito ao setor produtivo, que segurou investimentos, e reduziu o apetite dos consumidores por produtos industriais. O prejuízo causado pelos juros altos é enorme. Em 2024, com a Selic menor, a demanda doméstica por bens da indústria de transformação cresceu quatro vezes mais do que a demanda registrada até novembro de 2025”, ressaltou Telles, em nota.
Esse enfraquecimento, ressaltou o diretor da CNI, resultou em estoques acima do planejado e na queda de 0,2% na produção da indústria de transformação, que converte matérias-primas em bens de consumo.
A análise da confederação também alerta para a pressão externa: as compras de bens de consumo no exterior saltaram 15,6% no ano passado. Ao mesmo tempo em que a indústria nacional reduzia o ritmo, os produtos importados preenchiam as lacunas, dificultando qualquer tentativa de recuperação do empresariado local ao longo dos dois semestres de 2025.
Queda na confiança
Esse efeito conjunto impactou severamente o Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei), divulgado no fim de janeiro, que registrou o pior desempenho para o mês em dez anos. Com o indicador operando abaixo dos 50 pontos – linha que separa o otimismo do pessimismo – há 13 meses, a CNI diagnostica um quadro de falta de confiança persistente, o que paralisa investimentos essenciais para a modernização e expansão das fábricas brasileiras.
Para a CNI, sem uma mudança na política de juros e no estímulo à demanda interna, o crescimento deste ano está em risco. A entidade receia que a inércia produtiva e a baixa intenção de contratação se estendam, prejudicando não apenas a indústria de transformação, mas o desempenho de toda a economia nacional no curto prazo.
A pesquisa do IBGE confirmou a perda de fôlego do setor. A produção industrial fechou 2025 com um crescimento de apenas 0,6%, um resultado modesto se comparado à expansão de 3,1% registrada em 2024. O levantamento oficial detalha que a desaceleração ganhou força no segundo semestre, acompanhando justamente o aperto monetário.
Mesmo em ano eleitoral, indústria vê janela para aprovação de pautas estratégicas
Seminário de Construção da Agenda Legislativa da Indústria 2026 reuniu, na CNI, mais de 600 representantes do parlamento e da indústria
Empresários, dirigentes industriais e parlamentares participaram nesta terça-feira (3), em Brasília, do Seminário de Construção da Agenda Legislativa da Indústria 2026 – encontro que escolhe os projetos que o setor acompanhará de perto no Congresso Nacional ao longo do ano. O presidente do Conselho de Assuntos Legislativos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Paulo Afonso Ferreira, considera que, apesar do ano eleitoral, há espaço para a aprovação de temas estratégicos para o setor produtivo.
“É importante registrar que entramos em 2026 plenamente conscientes dos desafios que o ano nos impõe, mas também carregamos a convicção de que há espaço real para avançar. Será um ciclo exigente, marcado por janelas curtas e por um ambiente político impactado pelo calendário eleitoral. Precisamos valorizar a união e focar em resultados positivos”, pontuou Ferreira.
O seminário reúne na CNI, em Brasília, nesta terça (3) e quarta-feira (4), mais de 600 representes de federações estaduais, associações setoriais e sindicatos da indústria. O grupo vai selecionar mais de 100 projetos para fazerem parte da 31ª edição da Agenda Legislativa da Indústria, que será lançada em março.
Para o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, é fundamental que os parlamentares priorizem neste semestre projetos de lei importantes para o avanço econômico do país. Ele listou temas importantes que podem avançar, como a reforma da lei de geral de concessões, o marco legal do comércio exterior, a reforma da tributação sobre a renda corporativa, a regulamentação da Inteligência Artificial e da licença paternidade, e a política nacional de economia circular.
“A indústria é o setor que mais arrecada impostos para o país. Quando fechamos uma indústria, estamos fechando escolas e hospitais. Por isso, precisamos de um ambiente que faça a indústria crescer, criar empregos e renda para o país”, destacou Muniz. “Reafirmamos nosso compromisso com a construção de um ambiente de negócios que estimule investimento, produtividade e desenvolvimento sustentável”, acrescentou o diretor da CNI.
Parlamentares elencam temas importantes para a agenda
A mesa de abertura do seminário reuniu três parlamentares, que trataram das perspectivas da agenda no Congresso Nacional em 2026: a senadora Tereza Cristina (PP-MS), a deputada Luísa Canziani (PSD-PR) e o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
Tereza Cristina alertou que uma das prioridades será a votação do Acordo Mercosul-União Europeia. “Desejo que a pauta legislativa de interesse do setor elenque prioridades para que o setor trabalhe junto com o Congresso na pauta de um ano tão curto e complicado. O tema Mercosul-União Europeia é um dos mais importantes. Sou a favor do acordo, que é uma política de Estado e não de governo, mas precisamos levantar alguns pontos de discussão para proteger a nossa agroindústria”, afirmou.
Luísa Canziani, por sua vez, enumerou prioridades como os projetos que regulam a inteligência artificial e data centers, além da modernização da lei do bem – voltada para incentivar investimentos em pesquisa e inovação. “Queremos aprovar uma legislação que traga desenvolvimento ao país a partir da Inteligência Artificial. Para isso, temos que olhar experiências regulatórias mundo afora e adaptar a nossa realidade brasileira. Precisamos ter previsibilidade e preparar as futuras gerações para esse ambiente de transformação digital”, disse.
“A gente começa o ano de 2026 com esperança de discutir, com profundidade, temas importantes para a indústria, para a competitividade nacional e para a transformação digital, trazendo serenidade e dissociando, inclusive, essas discussões de polarização e desse clima político-ideológico que nós estamos vivenciando”, completou a deputada.
Reforma tributária
Já Reginaldo Lopes comentou que a reforma tributária também terá espaço no Legislativo em 2026. Ele defendeu que o Congresso Nacional crie uma comissão externa para acompanhar sua implementação. “Já votamos toda a regulamentação. O que resta do ponto de vista de legislação agora são as alíquotas do imposto seletivo. Trata-se de uma das maiores reformas dos últimos 40 anos, que, com certeza, vai trazer ganho de produtividade e de competitividade para a economia brasileira. É evidente que sempre é necessário acompanhar a regulamentação infralegal”, pontuou o deputado.
Lopes considera que temas importantes para a indústria terão espaço na pauta legislativa. “Não existe projeto de nação sem um projeto de desenvolvimento que potencialize a indústria brasileira. De fato, o Parlamento deve olhar com muita atenção, de maneira técnica, para essa 31ª Agenda Legislativa que o setor está apresentando. É evidente que 2026 é um ano atípico, mas também traz grandes oportunidades. É o momento de consolidar as grandes preocupações da indústria relacionadas ao desenvolvimento, à produção de riqueza e à distribuição de riqueza para a nossa gente”, destacou.
Outro tema debatido foi a redução da jornada de trabalho – tema defendido pelo deputado Reginaldo Lopes, para quem o trabalhador precisa ter mais tempo para se qualificar e ter acesso a cultura e lazer. Roberto Muniz observou que a CNI tem posição contrária ao fim da escala 6×1. A instituição considera a discussão legítima, mas alerta que uma mudança nessa direção reduziria ainda mais a competitividade da indústria brasileira e representaria um risco significativo à sustentabilidade dos negócios e à criação de empregos formais.
Na avaliação da CNI, o Brasil já dispõe do caminho institucional para avançar com responsabilidade — a negociação coletiva dentro do teto constitucional — e deveria fortalecê-lo, ao mesmo tempo em que constrói as condições econômicas e produtivas que tornem uma redução mais ampla viável no futuro.
“Água Doce” prevê ampliação de água potável no semiárido nordestino
A oferta de água potável em municípios do semiárido nordestino será ampliada este ano pelo Governo Federal, através do Programa Água Doce.
A expectativa do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional é de que sistemas de dessalinização de água salobra e do mar sejam implantados até julho em várias cidades do interior.
Neste mês, está prevista a inauguração de um sistema inédito de dessalinização de água do mar no município de Galinhos, no Rio Grande do Norte. A implantação de cerca de 10 mil metros de rede de distribuição de água deve beneficiar cerca de 1,5 mil pessoas. Até julho, cinco cidades, ainda a serem definidas, também vão receber novas estruturas de dessalinização no estado, impactando outras 1.475 pessoas.
Já em Pernambuco, 40 sistemas para dessalgar a água serão implantados nos municípios de Alagoinha, Caetés, Capoeiras, Frei Miguelinho, Paranatama e Riacho das Almas. Quase doze mil pessoas passarão a ter outra opção de oferta de água doce.
Em abril, será a vez das cidades cearenses de Araripe, Aurora e Aracoiaba receberem as instalações de dessalinização do Programa Água Doce. A iniciativa avança em maio para o Piauí, com estruturas sendo ofertadas nos municípios de Dom Inocêncio e em Várzea Branca. Em geral, o serviço de qualidade hídrica nos dois estados irá beneficiar quase três mil pessoas.
No ano passado, o Programa Água Doce registrou a entrega de 141 sistemas de dessalinização no semiárido brasileiro, contemplando 8 estados nordestinos, além de Minas Gerais.
A Universidade Federal do Pará (UFPA) fará uma reparação simbólica ao estudante universitário Cezar Morais Leite, assassinado pela ditadura cívico-militar brasileira, em 1980, nas dependências do campus de Belém.
Nesta semana, a UFPA oficializou que concederá um diploma de graduação simbólico ao jovem, que foi morto aos 19 anos. A decisão foi aprovada na segunda-feira (2) pelo Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) da UFPA e uma cerimônia será marcada.
Natural de Belém e nascido em 1961, Cezar Morais Leite foi aluno do curso de Bacharelado em Matemática na UFPA. Ele estava no terceiro semestre de sua formação quando sua trajetória foi interrompida, no dia 10 de março de 1980.
O crime aconteceu durante uma aula da disciplina Estudos dos Problemas Brasileiros. Um agente da repressão estatal, que atuava infiltrado na universidade, disparou contra o estudante em um cenário de perseguição e violência política.
A decisão da UFPA segue medidas semelhantes já adotadas por outras universidades, a exemplo da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).
Todas essas instituições adotaram medidas de preservação da memória e concederam diplomas simbólicos ou honrarias correlatas a estudantes que foram mortos ou desaparecidos no decorrer do período ditatorial.
Reconhecimento institucional
Para o relator do processo, professor Edmar Tavares, a decisão é uma reparação à história do país, e, principalmente, à vida de Cezar.
“Este ato é, também, um sentimento de profunda responsabilidade e de reparação simbólica. Tendo vivido na UFPA nos anos finais da ditadura e participado do movimento estudantil, sei que aquele período deixou marcas de medo e silenciamento dentro da universidade”.
O professor acrescentou queelaborar esse parecer foi uma forma de afirmar, institucionalmente, que a UFPA reconhece a violência cometida contra um de seus estudantes e reafirma seu compromisso com a memória, a democracia e os direitos humanos.
O parecer destaca ainda que a concessão está inserida no campo da justiça de transição, compreendida como o conjunto de medidas adotadas por sociedades democráticas para enfrentar legados de regimes autoritários
Além disso, o documento fundamenta-se ainda em orientações da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que estimulam órgãos públicos a adotarem gestos simbólicos de reparação às vítimas do aparato estatal.
A diplomação possui um caráter exclusivamente honorífico e simbólico, não se tratando, de uma outorga de grau acadêmico tradicional.
Papel da universidade
De acordo com o reitor da UFPA, Gilmar Pereira, a cerimônia solene para a entrega do diploma será no campus, contando com a participação da família de Cezar Morais Leite, além de integrantes da comunidade acadêmica e lideranças da universidade.
“A universidade, por natureza, é um espaço de preservação da memória, da luta por justiça e de combate a todo o preconceito”, resumiu o reitor.
“A ditadura militar foi, na verdade, um momento de muita dor, causou muito sofrimento a muitas pessoas. O César Leite é um exemplo disso. A família, sua mãe, seus irmãos, sofreram todos esses anos, desde os anos 80, e continuam sofrendo, porque quem perde um filho, perde um irmão, não deixa de sofrer nunca”, disse.
A justiça de transição abrange ações voltadas à busca pela verdade, memória e reparação, além de estabelecer mecanismos para que abusos cometidos por governos autoritários jamais se repitam.
“Este ato simbólico inscreve o nome de Cezar Morais Leite na memória oficial da universidade e do país, não como estatística da violência, mas como estudante cuja trajetória foi interrompida pelo autoritarismo de Estado. Ao assumir esse reconhecimento, a UFPA reafirma seu compromisso com a verdade histórica e com a construção de uma sociedade que não naturalize a violência nem silencie suas vítimas.”, completou o reitor.
O uso irrestrito da força letal pela polícia como estratégia de segurança no país tem resultado em mais violência e insegurança, em vez de deixar as cidades brasileiras mais seguras. A avaliação é do diretor da organização não governamental Human Rights Watch no Brasil, César Muñoz.
A entidade divulgou, nesta quarta-feira (4), seu Relatório Mundial 2026, em que analisa a situação dos direitos humanos em mais de 100 países.
Os dados compilados no relatório mostram que, entre janeiro e novembro de 2025, forças policiais mataram 5.920 pessoas no país, e que os brasileiros negros têm três vezes e meia mais chances de se tornarem vítimas do que os brancos.
A entidade destaca a operação mais letal da história do Rio de Janeiro, que matou 122 pessoas em outubro do ano passado. Chamada de Operação Contenção, a ação foi realizada nos Complexos da Penha e Alemão para capturar lideranças da facção Comando Vermelho.
“O que não funciona é entrar na favela atirando. Isso não desmantela grupos criminosos, só cria mais insegurança e coloca os próprios policiais em risco”, disse César Muñoz.
Em 2025, 185 policiais foram mortos, segundo dados do Ministério da Justiça. Outros 131 cometeram suicídio.
Segundo a HRW, a taxa de suicídio entre policiais é muito mais alta do que no restante da população, o que reflete a exposição desses agentes à violência e o apoio inadequado à sua saúde mental.
“O nosso pedido é que tenha propostas baseadas na ciência e em dados. Propostas que realmente desmantelem grupos criminosos, que atuem com base em inteligência na investigação, [de forma] independente, para identificar essas ligações ou vínculos entre grupos criminosos e agentes do Estado, e sua infiltração na economia legal”, explicou Muñoz.
Missa de sétimo dia em homenagem aos policiais civis e militares mortos na Operação Contenção, no Theatro Municipal. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Muñoz afirma que a letalidade policial continua em níveis tão altos, principalmente, pela falta da devida apuração dos casos de morte decorrente de intervenção policial.
“Podemos ver isso na Operação Contenção, do Rio de Janeiro, em outubro [de 2025]. Um dos problemas no Rio, especialmente, é que a perícia é totalmente subordinada à Polícia Civil, e não tem a necessária independência para fazer o trabalho de forma adequada”, criticou.
Ele ressalta que, embora algumas mortes pela polícia sejam em legítima defesa, muitas são execuções extrajudiciais.
Corrupção policial
Além disso, os abusos cometidos pela polícia e a corrupção dentro das forças de segurança pública são fatores que levam as comunidades a desconfiar das autoridades. Isso faz com que fiquem menos propensas a denunciar crimes e colaborar com as investigações.
“Polícias violentas e polícias corruptas fortalecem a ação do crime organizado”, afirmou a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Samira Bueno, no lançamento do relatório da HRW.
“A gente não pode ignorar que essas facções só tomaram a dimensão que tomaram e se expandiram de tal forma no Brasil porque elas contam com a corrupção do Estado.”
Ela acrescenta que “uma polícia violenta não é uma polícia forte, é uma polícia frágil que fica vulnerável ao crime organizado”.
A especialista avalia que é preciso investir em mecanismos de controle da atividade policial e destacou o papel do Ministério Público no processo de investigar os casos.
“A polícia pode, sim, fazer o uso da força para proteger a si mesma e para proteger a terceiros. Mas a gente não pode aceitar que isso seja utilizado como uma desculpa para execuções sumárias e abusos, como a gente viu no caso do massacre no Rio de Janeiro, no final do ano passado, com mais de 120 mortos”, destacou.
Confira as informações do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil
O governo da Bahia concluiu o pagamento da indenização para os familiares de Mãe Bernadete, liderança quilombola assassinada em 2023, em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador.
A reparação faz parte de um acordo entre o estado da Bahia, a União e a família da vítima, e foi intermediado pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos. Os valores pagos são confidenciais, informou a Procuradoria Geral do Estado nessa terça-feira.
Mãe Bernadete integrava a Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos e foi assassinada com 22 tiros, dentro de casa, no Quilombo Pitanga dos Palmares, no dia 17 de agosto de 2023. As investigações apontam que o crime foi motivado por disputas territoriais e pela atuação da líder contra o uso do quilombo por grupos criminosos.
A família de Mãe Bernadete já está marcada por outra tragédia: seis anos antes, o filho dela, Binho do Quilombo, também foi assassinado.
Para Jurandy Pacífico, outro filho de Mãe Bernadete, o acordo com o estado tem caráter simbólico e também de proteção. Além da indenização, o acordo prevê a realização de um ato público em homenagem à líder quilombola, defensora dos direitos humanos, da liberdade religiosa e da diversidade cultural.
Dois acusados pela morte de Mãe Bernadete, Arielson da Conceição Santos, preso preventivamente, e Marílio dos Santos, foragido, vão a júri popular, marcado para começar no próximo dia 24 de fevereiro.
Outras quatro pessoas estão presas, também indiciadas pelo mesmo crime.
O acordo reconhece que a violência contra mulheres no país figura como uma crise estrutural que não pode ser enfrentada por ações isoladas.
Será lançada ainda uma campanha orientada pelo conceito Todos Juntos por Todas, convocando toda a sociedade a assumir papel ativo no enfrentamento à violência.
Dentre os objetivos do pacto está acelerar o cumprimento de medidas protetivas, fortalecer as redes de enfrentamento à violência em todo o território nacional, ampliar ações educativas e responsabilizar agressores, combatendo a impunidade.
O acordo prevê compromissos voltados à transformação da cultura institucional dos três Poderes, à promoção da igualdade de tratamento entre homens e mulheres, ao enfrentamento do machismo estrutural e à incorporação de respostas a novos desafios, como a violência digital contra mulheres.
A estratégia inclui ainda o siteTodosPorTodas.br, que vai reunir informações sobre o pacto, divulgar ações previstas, apresentar canais de denúncia e políticas públicas de proteção às mulheres, além de estimular o engajamento de instituições públicas, empresas privadas e da sociedade civil.
A plataforma vai disponibilizar um guia para download, com informações sobre os diferentes tipos de violência, políticas de enfrentamento e orientações práticas para uma comunicação responsável, alinhada ao compromisso de salvar vidas.
Comitê
O pacto também prevê a criação do Comitê Interinstitucional de Gestão, coordenado pela Presidência da República. O colegiado vai reunir representantes dos Três Poderes, com participação permanente de ministérios públicos e defensorias públicas, assegurando acompanhamento contínuo, articulação federativa e transparência.
Pelo Executivo, integram o comitê a Casa Civil, a Secretaria de Relações Institucionais e os ministérios das Mulheres e da Justiça e Segurança Pública.
Números
Dados do sistema judiciário mostram que, em 2025, a Justiça brasileira julgou em média 42 casos de feminicídio por dia, totalizando 15.453 julgamentos – alta de 17% em relação ao ano anterior.
No mesmo período, foram concedidas 621.202 medidas protetivas, o equivalente a 70 medidas por hora, segundo o Conselho Nacional de Justiça.
Já o Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, registrou média de 425 denúncias por dia, em 2025.
Confira, a seguir, as principais mudanças previstas pelo governo com o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio:
medidas protetivas mais rápidas e que funcionem de verdade – menos tempo entre a denúncia e a proteção efetiva da mulher. A ideia é que decisões judiciais, polícia, assistência social e rede de acolhimento passem a agir de forma coordenada, sem empurra-empurra;
Três Poderes olhando para o mesmo caso – Executivo, Legislativo e Judiciário, além de órgãos de controle, compartilham informações e acompanham os casos de forma integrada, desde o pedido de ajuda até o desfecho, reduzindo falhas que hoje colocam mulheres em risco;
mais prevenção antes da violência virar morte – campanhas permanentes, educação para direitos, capacitação de agentes públicos e ações para mudar a cultura de violência – envolvendo, inclusive, homens como parte da solução;
agressores responsabilizados com mais rapidez – processos mais céleres, menos impunidade e respostas mais firmes a quem descumpre medidas protetivas ou comete violência;
atenção especial a quem corre mais risco – foco em mulheres negras, indígenas, quilombolas, periféricas, do campo, com deficiência, jovens, idosas e moradoras de áreas remotas ou em maior vulnerabilidade;
resposta a novas formas de violência – enfrentamento da violência digital, como perseguição, ameaças e exposição online, que muitas vezes antecedem agressões físicas;
cobrança pública de resultados – relatórios periódicos, metas e prestação de contas.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (4) que juízes podem receber por palestras e ter ações de empresas, desde que não atuem como sócios-dirigentes.
Durante sessão desta tarde, o ministro classificou como “má-fé” críticas sobre a atuação de ministros da Corte. As declarações foram feitas durante o julgamento que discute a validade da resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que restringiu o uso das redes socais por magistrados.
Segundo o ministro, a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) somente impede que o magistrado seja sócio-dirigente de empresas. Moraes disse que a magistratura é a carreira pública com mais vedações de condutas.
“O magistrado pode receber por palestras, pode ser acionista [de empresa]. A Loman diz que não pode ser sócio-dirigente. Se assim não fosse, nenhum magistrado poderia ter aplicação em um banco, ações de um banco. É acionista de um banco, então não vai podem julgar ninguém do sistema financeiro”, afirmou.
O ministro Dias Toffoli também concordou com Moraes. “Teria que doar sua herança a alguma entidade de caridade, se ele [juiz] tem um pai ou uma mãe que é acionista de uma empresa ou fazenda. Vários magistrados são fazendeiros, são donos de empresas. Não exercendo a administração, eles têm todo direito de receber seus dividendos”, completou.
Alexandre de Moraes também disse que o Supremo não liberou a participação de membros do tribunal nos julgamentos que envolvem escritórios de advocacia de parentes. Em 2023, a Corte derrubou a alteração do Código de Processo Civil (CPC) que ampliou o impedimento de juízes.
“O magistrado não pode ter ligação com o processo que julga. Todos os magistrados, inclusive os magistrados desta Suprema Corte, não julgam nunca nenhum caso que tem ligação”, afirmou.
Código de Ética
O pronunciamento de Moraes e Toffoli sobre a conduta de juízes ocorre no momento em que o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, discute a adoção da criação de um Código de Ética para o Supremo.
No mês passado, os ministros foram criticados pela conduta envolvendo as investigações sobre o Banco Master.
Moraes negou ter participado de um encontro com o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, no primeiro semestre de 2025, na casa do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O suposto encontro foi noticiado pelo Portal Metrópoles e teria ocorrido em meio ao processo de tentativa de compra do Master pelo BRB. Em nota à imprensa, Moraes classificou a reportagem como “falsa e mentirosa”.
Antes da liquidação do Master pelo Banco Central, o escritório de advocacia Barci de Moraes, que pertence à família do ministro, prestou serviços ao banco de Vorcaro.
No início deste mês, o ministro Dias Toffoli passou a ser criticado por permanecer na condição de relator do caso após matérias jornalísticas informarem que a Polícia Federal encontrou irregularidades em um fundo de investimento ligado ao Banco Master. O fundo comprou uma participação no resort Tayayá, localizado no Paraná, que era de propriedade de familiares do ministro.