Mileide Mihaile responde se está namorando e explica por que é discreta em relacionamentos
Mileide Mihaile tem mais de 5,5 milhões de seguidores somente no Instagram. Nas redes sociais, a influenciadora e empresária compartilha detalhes de sua vida profissional e também pessoal. Relacionamento amoroso, no entanto, ainda é um assunto que deixa os fãs curiosos. Em entrevista para Leo Dias, a maranhense explicou por que não dá muitos detalhes quando se trata de namoro, e respondeu se está solteira.
“E o coração, como é que está? Você está amando alguém?”, perguntou o titular deste portal. A rainha de bateria da Unidos da Tijuca não foi direta inicialmente, mas revelou que a discrição tem a ver com o fato de ser mãe de um adolescente de 15 anos. “Tem isso também, né?! Essa responsabilidade com ele”, justificou. Mileide ainda demonstrou preocupação em não levar qualquer pessoa para dentro de casa.
Veja as fotos
Mileide Mihaile respondeu para Leo Dias se está ou não namorandoCrédito: Reprodução Instagram @mileidemihaile
Mileide Mihaile respondeu para Leo Dias se está ou não namorandoCrédito: Reprodução Instagram @mileidemihaile
Mileide Mihaile respondeu para Leo Dias se está ou não namorandoCrédito: Reprodução Instagram @mileidemihaile
Mileide Mihaile respondeu para Leo Dias se está ou não namorandoCrédito: Reprodução Instagram @mileidemihaile
“Como eu tenho pouco tempo também, trabalho demais, é difícil, sabia?”, contou, referindo-se à dificuldade de se relacionar. A influenciadora e empresária afirmou que, no momento, não está namorando, e completou, rindo: “Eu namoro a carreira e agora com o samba”. Antes de partir para outro assunto, a maranhense brincou com Leo Dias dizendo que está esperando ele apresentar um pretendente a ela.
O Inmet alerta para chuvas intensas na maior parte do país, pelo menos até esta sexta-feira (6). O destaque fica para o Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Cuiabá e Porto Velho.
A previsão indica chuvas de até 100 milímetros por dia e ventos que podem chegar a 100 quilômetros por hora. Há risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas.
Calor no Sul
Já no Sul do país, a situação é diferente. Por lá o alerta é vermelho e de grande perigo para uma onda de calor, com temperaturas que podem chegar a 40ºC.
Até sábado (7), áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná devem registrar temperaturas 5ºC acima da média.
O meteorologista da Defesa Civil de Santa Catarina, Caio Guerra, detalha a previsão para os catarinenses.
“Para os próximos dias, tanto na quinta quanto na sexta-feira, a gente tem um evento de calor intenso. E também para o final de semana, a passagem de uma frente fria deve mudar o tempo e trazer um pouco de chuva.”
Risco de deslizamento
Em São Paulo, a Defesa Civil emitiu, nesta quinta-feira (5), dois avisos extremos para o litoral do Guarujá, devido ao alto volume de chuvas na região. A sirene de alerta foi disparada na Comunidade Barreira do João Guarda e o plano de contingência foi acionado.
Por causa do risco de deslizamentos, as famílias que moram no local estão sendo orientadas a deixar suas casas. As pessoas estão sendo direcionadas para o abrigo municipal.
ANP faz exigências para retomada de perfuração na Foz do Amazonas
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis informou à Petrobras, nessa quarta-feira (4), que a companhia só poderá voltar a perfurar o poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas, quando tiver cumprido novas exigências.
As atividades só poderão ser retomadas após a substituição de todos os selos das juntas dos riser de perfuração.
Essa estrutura é o tubo que conecta o poço de petróleo, no fundo do mar, até a unidade de perfuração flutuante na superfície.
O trabalho de perfuração foi paralisado há 30 dias, por causa de um vazamento de um fluído, no bloco localizado em águas profundas do Amapá, a 500 km da foz do rio Amazonas e a 175 km da costa brasileira.
Segundo a Petrobrás, esse fluído não era do petróleo ou gás que seria extraído, mas um composto usado para lubrificar a broca de perfuração.
A Petrobrás afirmou que o vazamento estava dentro dos limites de toxicidade permitidos pela lei, que o fluído é biodegradável e não oferece danos ao meio ambiente.
Além da substituição dos selos, a ANP fez ainda outras exigências para garantir a segurança, entre elas, o dever de revisar o Plano de Manutenção Preventiva, com um intervalo menor de coleta de dados da vibração submarina.
Quando comunicou o vazamento na Foz do Amazonas, no dia 6 de janeiro, a Petrobrás disse que não havia problemas com a sonda ou com o poço, e que o vazamento do fluído não oferecia riscos à operação.
Ainda não conseguimos posicionamento da Petrobras sobre a decisão da ANP.
Inmet emite alertas de chuvas intensas, com grau de perigo elevado
O Inmet, Instituto Nacional de Meteorologia, emitiu alertas de chuvas intensas com grau de perigo elevado para quase todo o Brasil. O cenário é de extremos, com muita precipitação nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste; contra uma onda de calor intensa em diversas cidades do Rio Grande do Sul.
Os temporais terão volume de chuva entre 30 e 60 milímetros por hora e ventos que podem chegar a 100 quilômetros por hora. A defesa civil alerta para o risco real de quedas de árvores, alagamentos e falta de energia.
E bastante atenção para quem mora em áreas de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso e interior de São Paulo. No Nordeste, o alerta vale especialmente para o Ceará, Maranhão e Piauí.
Já no Sul do país, a situação é curiosa e exige cuidado redobrado. Enquanto Curitiba e o litoral de Santa Catarina esperam chuva forte até quinta-feira, o restante da região enfrenta uma onda de calor considerada perigosa.
No Rio Grande do Sul e no oeste catarinense e paranaense, as temperaturas vão ficar muito altas: com cinco graus acima da média por vários dias seguidos.
Então, a recomendação oficial contra o calor é: beba bastante água, evite exercícios físicos nos horários mais secos e não se exponha ao sol nas horas mais quentes do dia.
E em caso de chuva intensa, evite áreas alagadas, não se abrigue sob árvores e, se houver risco de inundação, desligue a energia e procure um local seguro.
Novas regras para entrada de produtos agropecuários entram em vigor
Começaram a valer nesta quarta-feira (4) aqui no Brasil as novas regras para o transporte de produtos agropecuários nas bagagens de passageiros internacionais.
A medida do Mapa, o Ministério da Agricultura e Pecuária, tem como objetivo reforçar a segurança sanitária e evitar a entrada de pragas e doenças que possam afetar a saúde pública, o meio ambiente e a agropecuária brasileira.
A fiscalização será feita pelo Vigiagro, o Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional, que analisa os riscos dos produtos antes de autorizar a entrada no país.
As regras se aplicam a itens como animais, vegetais, alimentos, bebidas, produtos de madeira, fertilizantes, agrotóxicos, produtos veterinários, material genético e ração animal.
Quem transportar produtos que exigem autorização de importação deve preencher o formulário do Mapa, na página do ministério: gov.br/agricultura.
O documento será enviado eletronicamente ao Vigiagro, com informações sobre o tipo de produto, o país de origem e a identificação do viajante.
Produtos proibidos devem ser descartados nos pontos de entrada do país. Caso contrário, precisam ser declarados na Declaração Eletrônica de Bens do Viajante, na página gov.br/receitafederal.
As favelas brasileiras reúnem uma população majoritariamente jovem, negra, trabalhadora e com projetos concretos de futuro. Por outro lado, vivem com desafios estruturais persistentes em áreas que vão da educação à segurança. Essa é a realidade apresentada na pesquisa Sonhos da Favela, feita pelo Data Favela nas cinco regiões do Brasil, com ênfase no Rio de Janeiro e em São Paulo.
O estudo se baseia em 4.471 entrevistas realizadas com maiores de 18 anos, todos moradores de favela, entre os dias 11 e 16 de dezembro de 2025. O objetivo principal dos organizadores é convidar população e o poder público a conhecer e a enfrentar as negligências que impactam a vida nas favelas.
Dignidade e bem-estar básico estão entre as principais aspirações. Ao projetarem o futuro da família para 2026, o desejo por uma casa melhor lidera os planos (31%), seguido pela busca por uma saúde de qualidade (22%), entrada dos filhos na universidade (12%) e segurança alimentar (10%).
“O Data Favela acredita que mapear pensamentos, experiências e vivências de moradores de favela é, antes de tudo, um ato de reconhecimento e reparação. Favela não é só ‘problema’ ou ‘estatística’. É também espaço onde existe inteligência coletiva, cultura, empreendedorismo, inovação, verdadeiras estratégias para prosperar”, analisa a copresidente do Data Favela Cléo Santana.
“Ouvir quem vive a favela todos os dias muda o centro da narrativa: não se trata apenas de ‘falar sobre’, mas de construir dados com as pessoas, a partir do que elas consideram urgente, possível e necessário. Isso tem impacto direto na forma como políticas públicas são desenhadas, como empresas se relacionam com esses públicos e como a imprensa retrata as periferias”, complementa.
Complexo da Penha, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Perfil sociodemográfico
A maior parte dos entrevistados é formada por adultos entre 30 e 49 anos (58%). Jovens de 18 a 29 anos somam 25%, enquanto pessoas com mais de 50 anos correspondem a 17%. Cerca de 60% são mulheres e 75% de todos os entrevistados se identificam como heterossexuais.
Oito em cada dez se identificam como negros (49% se declaram pardos, 33% se declaram pretos). Brancos são 15%.
Sobre graus de escolaridade, 8% têm ensino fundamental completo; 35%, ensino médio completo; 11%, ensino superior completo; e 5%, pós-graduação.
Cerca de 60% ganham até um salário mínimo mensalmente. Na sequência, 27% recebem de R$ 1.521 a R$ 3.040, enquanto 15% do total reúne faixas acima de R$ 3.040.
Três em cada dez afirmaram ter um trabalho com a carteira assinada (ocupados), 34% estão informais (entre aqueles que não possuem a carteira assinada e os que fazem bicos), 17% estão desempregados (desocupados) e 8% estão fora da força de trabalho (entre aposentados e estudantes).
No geral, 56% dos entrevistados afirmam não receber nenhum tipo de benefício do governo, como auxílio gás, aposentadoria ou pensão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), tarifa social de energia elétrica, seguro-desemprego. Entre os que recebem algum benefício, o mais citado é Bolsa Família/Auxílio Brasil (29%).
Infraestrutura territorial
Em relação à infraestrutura territorial, os moradores foram questionados sobre as principais mudanças que desejariam nos seus territórios em 2026. As respostas mais frequentes foram: saneamento básico (26%), educação (22%), saúde (20%), transporte (13%) e meio ambiente (7%).
Sobre as opções que possuem nas comunidades ligadas à esporte, lazer e cultura, 35% afirmaram ser ruim ou muito ruim, e 32% afirmaram ser regular.
Falta de saneamento básico no Complexo da Maré – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Desafios de raça e gênero
Cerca de 50% dos entrevistadores afirmam que a cor da pele impacta nas oportunidades de trabalho, enquanto 43% dizem que a cor da pele não impacta.
Sete em cada dez afirmam que a violência doméstica/feminicídio é o principal desafio que as mulheres enfrentam dentro da favela, seguido da dificuldade com emprego e renda (43%) e apoio no cuidado com os filhos (37%).
Quando perguntados sobre qual política pública consideram mais urgente para as mulheres, as respostas mais frequentes foram: programas de inserção no mercado de trabalho (62%), campanhas de educação contra o machismo (44%), delegacias e serviços com atendimento 24h (43%) e o cuidado com a saúde da mulher (39%).
Confira as informações sobre a pesquisa no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil
Segurança pública
Os moradores das favelas também foram perguntados sobre quais instituições confiam que irão protegê-los contra a violência. As respostas incluem Polícia Militar (27%), Polícia Civil (11%) e facção da minha favela (7%). A opção com mais votos, no entanto, foi “nenhuma delas” (36%).
Quando perguntados sobre a presença da polícia dentro da favela, o silêncio é significativo, segundo os pesquisadores: 24% optaram por não responder, enquanto outros 25% afirmam que a presença não altera a sensação de segurança. Uma parcela de 13% sente medo e insegurança com a presença policial. Por outro lado, 22% se sentem mais seguros com o policiamento no território.
“Um dado simbólico da pesquisa é o que revela que o maior desejo é poder ir e vir com tranquilidade [47%], mostrando dessa forma que o futuro ainda é pensado a partir da sobrevivência e do medo. Pesquisas como essa funcionam como um megafone para ampliar a voz que a favela já tem”, explica a copresidente do Data Favela Cléo Santana.
O governo federal assinou nesta quinta-feira (5) a portaria que cria o Assentamento Agroextrativista Elizabeth Teixeira, na Fazenda Antas, na zona rural dos municípios de Sobrado e Sapé e Sobrado, na Paraíba. A medida representa o fim de uma luta de mais de 60 anos pelo direito à terra, o mais longo conflito agrário do país.
A portaria, assinada pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, beneficia 21 famílias, que também passam a garantir acesso a políticas públicas como crédito rural e programas de apoio à agricultura familiar.
A área desapropriada é de 133,4889 hectares e o investimento do governo federal é de R$ 8.294.828,59.
Sapé, na região de Barra das Antas, viu o nascimento das Ligas Camponesas, em que trabalhadores reivindicavam a terra que estava sob o controle de latifundiários. O movimento surgiu com a luta de João Pedro Teixeira pela reforma agrária.
João Pedro foi assassinado em 1962. Logo depois, sua esposa, Elizabeth Teixeira, assumiu a presidência da Liga de Sapé em defesa dos trabalhadores rurais, tendo sido perseguida pela repressão da ditadura militar.
Elizabeth passou a ser vigiada de perto pelos serviços de informação, assim como seus filhos. Passou 8 meses na prisão durante a ditadura militar, sua casa foi incendiada e foi forçada a viver na clandestinidade por 17 anos.
Em 1981, ela foi reencontrada durante as filmagens do documentário Cabra Marcado para Morrer, do cineasta Eduardo Coutinho, que retrata a história da família após o assassinato de João Pedro Teixeira.
Prestes a completar 101 anos de idade, em 13 de fevereiro, atualmente Elizabeth mora em João Pessoas, em uma casa que ganhou do cineasta Eduardo Coutinho.
A casa onde morou João Pedro Teixeira com a mulher Elizabeth e os filhos do casal se transformou no Memorial João Pedro Teixeira, localizado próximo à Fazenda Antas.
Conflito
No início da década de 2000, o processo de desapropriação das terras foi retomado na Justiça. Em 2004, o proprietário da fazenda entrou com pedido de reintegração de posse junto ao Tribunal de Justiça da Paraíba (TJ -PB). O caso foi julgado e a sentença judicial reconheceu esbulho possessório e concedeu liminar favorável ao fazendeiro em de junho deste ano.
Em 2006, após intensa luta, um decreto presidencial considerou a área da fazenda como de interesse social para fins de reforma agrária. Porém uma série de decisões judiciais e um mandado de segurança iniciado pelo proprietário dificultaram o processo de desapropriação da área.
Em 17 de abril de 2012, o MST da Paraíba fez uma manifestação, com cerca de 500 pessoas, que culminou com a ocupação do prédio do Incra em João Pessoa.
Em fevereiro de 2014, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou o mandado de segurança para o proprietário e votou pela manutenção do decreto presidencial, após ação protocolada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Em 25 de março do ano passado, uma audiência pública, na Câmara Municipal de Sobrado, com a participação de cerca de 70 pessoas, entre autoridades, agricultores familiares e representantes de movimentos sociais, aprovou a proposta de aquisição de parte da Fazenda Antas. O momento representou um grande passo na luta pela terra na região.
Com a aprovação dos participantes da audiência pública, o Incra deu prosseguimento ao processo administrativo de aquisição do imóvel rural, por meio do Decreto Nº 433/92, que regula a aquisição de imóveis rurais para fins de reforma agrária por meio de compra e venda.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (5), que o objetivo do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio é garantir que a legislação já existente no país para o combate à violência contra a mulher seja, efetivamente, colocada em prática.O pacto foi assinado na quarta-feira pelos chefes dos Três Poderes.
“Teve um político muito importante aqui que dizia que, no Brasil, tem lei que pega e lei que não pega. Depois da Lei Maria da Penha, aumentou a violência contra a mulher. Então, ontem, nós tomamos a decisão de envolver os Três Poderes para assumir a responsabilidade”, disse Lula em entrevista ao Portal UOL.
O presidente explicou que foi criada uma comissão com representantes de cada Poder, para apresentar propostas de como fazer com que as leis aprovadas sejam mais bem executadas.
“Você abre uma delegacia da mulher em qualquer lugar, mas ela não funciona sexta à noite, sábado e domingo. Então, ela precisa funcionar de sexta a sábado e domingo”, disse o presidente.
“Eu disse para os dirigentes sindicais: na porta de fábrica, quando vocês forem pedir aumento de salário, entra com esse assunto [nas assembleias trabalhistas]. O padre, quando for falar na Igreja de Nossa Senhora Aparecida, ou um pastor evangélico, no culto, comece com esse assunto, falando com os homens. É uma questão de consciência, não é nem uma questão de lei”, argumentou.
Lula acrescentou que o assunto deve ser tratado nas escolas. “Uma criança [um menino], na creche, tem que aprender que a menininha que está do lado dele é igual ele. Ele não pode achar que ele é superior. Então, por isso, que eu disse ontem: da creche à universidade, esse assunto tem que estar no currículo escolar”, disse.
O Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio prevê atuação coordenada e permanente entre os Três Poderes, com o objetivo de prevenir a violência contra meninas e mulheres no Brasil.
O acordo reconhece que a violência contra mulheres no país figura como uma crise estrutural que não pode ser enfrentada por ações isoladas.
Foi lançada ainda uma campanha orientada pelo conceito Todos Juntos por Todas, convocando toda a sociedade a assumir papel ativo no enfrentamento à violência.
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou que o julgamento dos assassinatos de Bruno Pereira e Dom Phillips seja transferido de Tabatinga, no interior do Amazonas, para a capital, Manaus.
O pedido de mudança do local do Tribunal do Júri foi feito pelo Ministério Público Federal (MPF). O indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips foram mortos a tiros no dia 5 de junho de 2022, no município de Atalaia do Norte (AM).
No recurso apresentado em julho, o procurador da República em Tabatinga, Guilherme Diego Rodrigues Leal, argumentou que manter o julgamento na cidade poderia tornar o processo mais lento. O município tem cerca de 60 mil habitantes e fica a mais de 1.100 quilômetros de Manaus, .
Além disso, segundo o Ministério Público Federal, existem riscos para a segurança dos envolvidos e o possível comprometimento da imparcialidade dos jurados, caso o julgamento ocorresse em Tabatinga.
A ação penal envolve um contexto de conflito entre pescadores e indígenas pela exploração de recursos naturais na região.
Com a decisão do tribunal, os processos contra os acusados de executar o crime voltam a tramitar separadamente, o que pode dar mais agilidade ao julgamento de Amarildo da Costa Oliveira e Jefferson da Silva Lima, apontados pelo MPF como executores.
Ainda não há data definida para a realização do júri.
Em memória aos dois anos da morte do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, imagens foram projetadas na parede do ministério dos Direitos Humanos em 2024 Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Mais cinco pessoas se tornaram rés sob a acusação de ter ajudado na ocultação dos corpos: Francisco Conceição de Freitas, Eliclei Costa de Oliveira, Amarílio de Freitas Oliveira, Otávio da Costa de Oliveira e Edivaldo da Costa de Oliveira.
Também responde processo pelo caso Rubén Dario Villar, conhecido como Colômbia, apontado como mandante das mortes. A Justiça Federal no Amazonas aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra ele.
Segundo as investigações, Colômbia é suspeito de atuar no tráfico de drogas e de chefiar uma quadrilha de pesca ilegal atuante no Vale do Javari, que fica na região de fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
De acordo com a denúncia, Bruno e Dom foram mortos por contrariar os interesses da pesca ilegal na região, ao promoverem a educação ambiental em comunidades indígenas.
O Brasil atingiu número recorde de 1.518 vítimas de feminicídios em 2025, ano em que a sanção da Lei do Feminicídio completou dez anos.
Na ocasião, a norma inseriu no Código Penal o crime de homicídio contra mulheres no contexto de violência doméstica e de discriminação. Os dados são do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
No ano anterior, em 2024, o país já havia atingido recorde, com 1.458 vítimas.
“Se [a alta de casos] está acontecendo, isso é uma omissão do Estado, porque esse é um crime evitável”, afirmou Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), durante lançamento do relatório anual da Human Rights Watch (HRW), nesta quarta-feira (4).
Segundo a especialista, a omissão atinge todas as esferas de poder.
“A gente vive no Brasil hoje o desfinanciamento dessas políticas nos níveis municipais e estaduais, especialmente, que são os atores que estão envolvidos na rede de proteção, que tem à mão a assistência social, a saúde e a polícia para de fato fazer a diferença na vida dessas meninas e mulheres”, disse.
Samira Bueno destaca que não é possível fazer política pública para proteger a vida de meninas e mulheres sem recursos humanos e financeiros.
“Essa é uma bandeira que muitos políticos gostam de carregar, a defesa da vida das meninas e das mulheres, mas no momento em que tem o poder de caneta, que sentam na cadeira e que tem a capacidade de fazer a diferença, o orçamento não chega”, disse.
Repercussão na imprensa
No ano passado, casos de feminicídio tiveram grande repercussão na imprensa e nas redes sociais. O assassinato de Tainara Souza Santos, que foi atropelada e arrastada – presa embaixo do veículo – por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê foi um deles.
Especialistas ouvidos pela Agência Brasil apontam que os crimes recentes mostram o grave cenário de violência contra a mulher no país.
O plano prevê atuação coordenada e permanente entre os Três Poderes com o objetivo de prevenir a violência contra meninas e mulheres no Brasil.
A estratégia inclui ainda o site TodosPorTodas.br, que vai reunir informações sobre o pacto, divulgar ações previstas, apresentar canais de denúncia e políticas públicas de proteção às mulheres, além de estimular o engajamento de instituições públicas, empresas privadas e da sociedade civil.