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Confira as audiências consolidadas de terça-feira, 6 de Agosto de 2024

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O “Jornal da Band” conquistou uma vitória tranquila ao superar a reapresentação de “A Caverna Encantada” e manteve-se na terceira colocação.

“Apocalipse” se manteve estável, mas a primeira parte do “Cidade Alerta” perdeu público para seus concorrentes diretos, o “Fofocalizando” do SBT e o “Brasil Urgente” da Band.

Pela manhã, “Vou te Contar” da RedeTV!, prestes a sair do ar, registrou traço absoluto.

“Melhor da Tarde” alcançou apenas metade da média de público do “A Tarde é Sua”, seu programa rival na mesma faixa horária.

Confira as audiências consolidadas de terça-feira, 6 de Agosto de 2024:

Hora Um – 4,6
Olimpíadas de Paris 2024: Manhã (Parte I) – 6,0
Olimpíadas de Paris 2024: Manhã (Parte II) – 8,8
SP1 – 9,4
Globo Esporte – 10,5
Olimpíadas de Paris 2024: Tarde (Parte I) – 11,4
Jornal Hoje – 11,3
Olimpíadas de Paris 2024: Tarde (Parte II) – 15,3
No Rancho Fundo – 21,3
SP2 – 22,7
Família é Tudo – 22,4
Jornal Nacional – 23,5
Renascer – 26,7
Central Olímpica – 18,3
Profissão Repórter – 11,0
Jornal da Globo – 7,8
Conversa com Bial – 5,7
Família é Tudo (reapresentação) – 4,8
Comédia na Madruga: Vai Que Cola – 3,9
Paris 2024 – Primeira Madrugada – 3,7

Balanço Geral Manhã – 1,4
Balanço Geral Manhã SP – 3,5
Fala Brasil – 2,9
Hoje em Dia – 3,6
Balanço Geral SP – 6,4
Balanço Geral SP: A Hora da Venenosa – 7,2
Apocalipse – 4,4
Cidade Alerta – 3,5
Cidade Alerta SP – 7,7
Jornal da Record – 6,5
Força de Mulher – 4,6
Gênesis – 5,4
Cine Record Especial: Um Pequeno Favor – 2,8
Jornal da Record 24h – 1,5

Primeiro Impacto I – 2,9
Primeiro Impacto II – 2,7
Chega Mais – 2,1
Chega Mais SP – 2,3
Carinha de Anjo – 3,3
Quando me Apaixono – 3,7
Contigo Sim – 4,0
Fofocalizando – 3,7
Tá na Hora – 3,0
A Caverna Encantada – 2,4
SBT Brasil – 3,7
A Caverna Encantada – 4,1
A Infância de Romeu e Julieta – 4,7
As Aventuras de Poliana – 5,0
Programa do Ratinho – 5,2
Cine Espetacular: Fogo contra Fogo – 3,2
The Noite – 1,9
Operação Mesquita – 1,7
SBT Podnight – 1,5
SBT News na TV – 1,8

Desperta Brasil – 0,1
Bora Brasil SP – 0,4
Bora Brasil – 0,3
Jogo Aberto – 1,0
Jogo Aberto SP – 1,7
Os Donos da Bola – 1,3
Melhor da Tarde – 0,6
Brasil Urgente – 1,9
Brasil Urgente SP – 3,3
Jornal da Band – 3,8
Melhor da Noite – 1,9
Show da Fé – 0,6
Perrengue do Dia – 1,2
MasterChef – Uma Década de Paixão – 1,8
Jornal da Noite – 1,3
Esporte Total – 0,9
Band Esporte – 0,5

Vou te Contar – 0,0
Qualé, Moré? – 0,0
A Tarde é Sua – 1,2
Marjo Prêmios – 0,0
RedeTV! News – 0,3
TV Fama – 0,9
Ultra Show – 0,7
NFL Show – 0,2
Leitura Dinâmica – 0,1

Fonte: Os números são divulgados pelas as assessorias de imprensa. Eles são referentes a medição na capital paulista.

Em 2024, um ponto de audiência equivale a 73.280 domicílios sintonizados na Grande São Paulo. Esses números servem como referência para o mercado publicitário.

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Como um forno de micro-ondas pode ajudar a domar a fusão nuclear

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A nova abordagem elimina os mecanismos internos de aquecimento elétrico, tirando todo o aparato do interior do tokamak.

Deputado aciona Ministério Público por outdoor antissemita

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O deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) acionou o Ministério Público (MP) e pediu a investigação de um outdoor antissemita. O painel exibe a frase “Palestina livre, do rio ao mar” e está na lateral de um prédio na esquina da Avenida Paulista com a Rua da Consolação, região central de São Paulo.

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De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, o Instituto Brasil-Israel afirma que essa expressão é antissemita por não reconhecer a existência de Israel entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo. Kleber Pagu, produtor cultural e conselheiro suplente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), é o autor da obra.

Deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) durante sessão na Câmara dos Deputados | Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Instituto considera fala como antissemita

Manoela Miklos, diretora-executiva do Instituto Brasil-Israel, declarou que a busca por um Estado palestino livre e soberano é justa. Porém, que palestinos e israelenses devem coexistir como cidadãos de Estados soberanos na região.

“Do rio ao mar há dois povos”, explicou Manoela ao Estadão. “Qualquer ideia que pregue a existência de apenas um Estado nessa região automaticamente prevê varrer um povo do mapa. Manifesta o desejo de que um dos povos deixe de existir ali. Por isso, a repetição do slogan é antissemita: esse discurso prega o fim dos judeus na região.”

Além de Kataguiri, a ação foi assinada por Guto Zacarias, deputado estadual; Renato Battista, suplente; e Amanda Vettorazzo, candidata a vereadora. Todos são do União Brasil.

Augusto Akio conquista a medalha de bronze no skate park em Paris-2024

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O skatista brasileiro Augusto Akio conquistou a medalha de bronze no skate, categoria park, nos Jogos Olímpicos de Paris-2024.

(Mais informações em instantes)

Airbnb prevê receita menor no 3º tri com redução de demanda gerada por preocupações econômicas

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Por Aishwarya Jain e Doyinsola Oladipo

Escola Fábrica de Asas retorna às aulas no Complexo Penitenciário de Rio Branco

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Sentados e concentrados estavam os alunos da Escola Fábrica de Asas, localizada no Complexo Penitenciário de Rio Branco, nesta segunda-feira, 5, quando foi dado início às aulas do segundo semestre letivo. O projeto educacional resulta de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre (SEE) e o Instituto de Administração Penitenciária (Iapen).

Alunas da Escola Fábrica de Asas, localizada no Complexo Penitenciário de Rio Branco, voltam às aulas. Foto: Zayra Amorim/Iapen

A escola conta com 11 professores e dez turmas, desde a alfabetização, passando pelo ensino fundamental e médio, por meio do Ensino de Jovens e Adultos (EJA), e proporciona a oportunidade de educação para muitos detentos, sendo que alguns chegam à unidade sem nunca terem pisado em uma escola.

Um dos privados de liberdade, J.O.S., conta que teve uma infância difícil na zona rural, não teve acesso ao estudo e o primeiro contato que teve com a sala de aula foi no sistema prisional. Hoje, aos 45 anos, está no ensino médio: “Quando vim e comecei a estudar aqui, eu não sabia nem fazer meu nome. Eu pegava um livro, um jornal, uma revista, só para ver as figuras, né? “. Agora já faz planos para o futuro, pois acredita que, com estudos, vai conseguir um bom emprego. “Eu tô saindo da cadeia e pretendo mudar minha vida. No meu passado eu não tive oportunidade, porque eu não sabia ler, era difícil. Agora eu já sonho mais alto, quero sair daqui e trabalhar. Eu fiz um curso de refrigeração já, dado pelo presídio também, e pretendo seguir nessa área”, planeja.

A detenta A.L.S. é mais uma que resolveu mudar o rumo da vida por meio da educação. Parou de estudar no ensino médio e, após voltar às aulas na Fábrica de Asas, sonha em ser médica veterinária: “Minha mente se abriu e eu comecei a desenvolver o que eu tinha deixado de lado, como a minha ortografia, leitura. Eu penso em ser em veterinária ou agrônoma, alguma dessas coisas que mexem com o campo, com os animais. Eu amo muito, de paixão”.

Diretor da Fábrica de Asas, o professor Juscelino Bandeira acredita que levar educação para os apenados é uma iniciativa muito proveitosa: “Neste momento, a gente tem 800 alunos matriculados efetivamente, tanto no projeto de remissão pela leitura como no estudo da EJA. Essa parceria da Secretaria de Educação, Polícia Penal e Iapen vem dando bons frutos”.

Brasil ultrapassa marca de 5 mil mortes por dengue

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O Brasil já contabiliza 5.008 mortes por dengue em 2024. O número é mais de quatro vezes superior ao registrado ao longo de todo o ano anterior, quando foram notificados 1.179 óbitos pela doença. Há ainda 2.137 mortes em investigação pela doença.

Dados do Painel de Monitoramento de Arboviroses indicam que o país contabiliza 6.449.380 casos prováveis de dengue. O coeficiente de incidência da doença, neste momento, é de 3.176,1 casos para cada 100 mil habitantes e a letalidade em casos prováveis é de 0,08.

Os dados mostram que 55% dos casos prováveis se concentram entre mulheres e 45%, entre homens. O grupo de 20 a 29 anos responde pelo maior número de infecções, seguido pelos de 30 a 39 anos e de 40 a 49 anos. Já os grupos que registram menos casos são menores de 1 ano, 80 anos ou mais e 1 a 4 anos.

São Paulo concentra a maior parte dos casos prováveis de dengue (2.066.346). Em seguida estão Minas Gerais (1.696.909), Paraná (644.507) e Santa Catarina (363.850). Já os estados com menor número de casos prováveis são Roraima (546), Sergipe (2.480), Acre (4.649) e Rondônia (5.046).

Quando se considera o coeficiente de incidência da doença, o Distrito Federal aparece em primeiro lugar, com 9.749,7 casos para cada grupo de 100 mil habitantes. Em seguida estão Minas Gerais (8.266,9), Paraná (5.632,2) e Santa Catarina (4.781,5). Já as unidades federativas com menor coeficiente são Roraima (85,8), Sergipe (112,2), Ceará (138,9) e Maranhão (162,1).

Netflix anuncia série animada de ‘Mafalda’, de Juan José Campanella

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O visionário cineasta e vencedor do Oscar, Juan José Campanella, está prestes a transportar a icônica personagem de Quino, Mafalda, das páginas dos quadrinhos para o universo vibrante das séries animadas. A adaptação promete captar a essência satírica e crítica da obra original, conquistando tanto os fãs de longa data quanto uma nova geração de espectadores. Em uma colaboração ambiciosa, Campanella assume os papéis de diretor, roteirista e showrunner, garantindo que sua visão singular permeie cada frame da série.

Ao seu lado, o talentoso Gastón Gorali coassina o roteiro e atua como produtor geral, enquanto Sergio Fernández ocupa a cadeira de diretor de produção. Essa nova empreitada é uma produção original da Netflix em parceria com o estúdio Mundoloco CGI, prometendo um espetáculo visual e narrativo à altura do legado de Quino.

Esta série animada não é apenas uma homenagem à Mafalda, mas uma reinterpretação corajosa que busca explorar e expandir os temas universais presentes na obra de Quino, oferecendo ao público uma nova perspectiva sobre uma personagem que, apesar das décadas, permanece relevante e provocadora.

Confira o anúncio abaixo

 

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Leia carta de Juan José Campanella sobre Mafalda

Eu tinha sete ou oito anos quando foi publicado o primeiro catálogo de tirinhas de Mafalda em forma de livrinho. Meus pais liam as tiras e me diziam que eu não ia entender. Que ofensa. Que desafio. Corri para comprá-lo e ainda me lembro de subir a ladeira de Melo enquanto lia, dando gargalhadas e admitindo que, de fato, haviam tiras que eu não entendia. Mafalda e seus amigos não só me faziam rir muito, mas de vez em quando me mandavam ao dicionário. E cada palavra nova que eu aprendia vinha com o prêmio de uma nova gargalhada.

Logo eu já era mais um da turma da Mafalda. Posso citar muitas piadas de memória, mas como hoje enfrento esse enorme desafio, não vou começar com os spoilers.

Corte para décadas depois, em plena produção de Metegol. O mestre Quino veio visitar nosso escritório de produção. Havia quase 200 artistas de diferentes gerações e para todos nós era como se Deus tivesse entrado. Lembro que foi nesse dia que Quino tentou, pela primeira vez, desenhar com um lápis digital. Um gigante como ele, que inspirou gerações de desenhistas com seu traço, e muitos outros humoristas com seu senso de ironia e comentários perspicazes, estava dando forma a um traço, mas como nunca antes, sem tinta nem papel. Seu entusiasmo era o de uma criança com um brinquedo novo, fazendo dezenas de perguntas. O entusiasmo e a curiosidade de quem nunca acreditou saber tudo.

Desde essa visita, começaram a surgir perguntas. Como podemos reconectar as novas gerações que não cresceram com Mafalda a essa grande obra? Como podemos levar seu engenho, sua mordacidade, às crianças que hoje crescem em plataformas digitais? Como podemos, enfim, traduzir uma das maiores obras da história do Humor Gráfico para a linguagem audiovisual?

Hoje, doze anos depois dessa visita inesquecível, enfrentamos esse desafio. Nada mais nada menos que transformar Mafalda em um clássico da animação. É nossa obrigação preservar o humor, o timing, a ironia e as observações de Quino. Sabemos que não podemos elevar Mafalda, porque mais alta ela não pode estar. Mas sonhamos que aqueles que são devotos dela desde o início possam compartilhá-la com nossos filhos, e embora haja coisas reservadas apenas para adultos, todos possamos soltar uma gargalhada em família, e por que não, recorrer ao dicionário de vez em quando.

Sem dúvida, de longe, o maior desafio da minha vida.

Juan José Campanella

Julho, 2024

Covid-19: OMS cita aumento de casos e queda alarmante na vacinação

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A diretora técnica para Preparação e Prevenção de Epidemias e Pandemias da Organização Mundial da Saúde (OMS), Maria Van Kerkhove, disse nesta terça-feira (6) que a covid-19 segue “bastante presente entre nós” e que o vírus circula atualmente em todos os países. Segundo ela, dados de sistemas de vigilância em 84 países apontam para um aumento substancial na detecção de testes positivos para a doença.

De forma geral, os números mostram uma ampliação de 10% na taxa de testes positivos para covid, mas o índice varia de região para região. Na Europa, por exemplo, o aumento foi de 20%. Além disso, o monitoramento de águas residuais feito pela OMS sugere que a circulação do vírus pode ser entre duas e 20 vezes maior do que o relatado atualmente. “Isso é importante porque o vírus continua a evoluir, o que nos coloca em risco de mutações mais perigosas”.

Durante coletiva de imprensa em Genebra, Maria citou elevação no número de internações e de mortes por covid em diversos países e destacou que um cenário de circulação elevada do vírus nessa época do ano não era esperado, já que os vírus respiratórios tendem a circular mais fortemente durante o inverno no Hemisfério Norte. “Ao longo dos últimos meses, independentemente da estação, diversos países reportaram aumento de casos de covid-19”.

Compartilhamento de dados

A diretora da OMS alertou que, de um total de 234 Estados-membros, apenas 34 reportaram dados sobre hospitalização por covid; 24 reportaram dados sobre internações em unidades de terapia intensiva (UTI) por covid; e 70 reportaram dados sobre mortes provocadas pelo vírus. “Estamos cegos no que diz respeito aos impactos da covid”, disse, ao destacar que a entidade depende dos números para estabelecer, por exemplo, o nível de risco para a doença.

Queda na vacinação

Maria também demonstrou preocupação em relação ao que chamou de “queda alarmante” das taxas de vacinação contra a covid-19 em todo o mundo – sobretudo entre profissionais de saúde e pessoas com mais de 60 anos, dois grupos considerados de risco para a doença. “Esse cenário precisa ser remediado com urgência”, disse, ao cobrar de governos que ampliem a vigilância e invistam na aquisição de vacinas.

Uma dose a cada 12 meses

Por fim, a diretora da OMS recomendou que sejam tomadas medidas individuais para reduzir o risco de infecção e de agravamento do quadro, incluindo ter tomado uma dose da vacina contra a covid ao longo dos últimos 12 meses – sobretudo entre pessoas que pertencem a grupos de risco. Maria lembrou que bilhões de doses contra a doença foram administradas com segurança em todo o mundo desde 2021, prevenindo milhões de casos graves e mortes.

“O que se tornou crítico agora é: quando foi a sua última dose? Se você tem alguma comorbidade, precisa ser vacinado, pelo menos, a cada 12 meses”, reforçou, ao citar que a falsa percepção de que o vírus foi embora comprometeu seriamente as taxas de cobertura vacinal pelo mundo. “O vírus está aqui para ficar. Mas o impacto futuro da covid-19 depende de nós”, concluiu.

Efeitos das mudanças climáticas podem agravar fome, revela estudo

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Tabela de conteúdos

O último relatório O Estado da Segurança Alimentar e da Nutrição no Mundo, elaborado por cinco agências especializadas das Nações Unidas, apontou que, em 2023, 2,33 bilhões de pessoas enfrentaram insegurança alimentar moderada ou grave e que 733 milhões passaram fome no mundo.

O estudo sinaliza que a insegurança alimentar e a má nutrição estão piorando devido a uma combinação de fatores, que incluem a inflação dos preços dos alimentos, desacelerações econômicas, desigualdade, dietas saudáveis inacessíveis e mudanças climáticas.

Só no Brasil, segundo o Atlas Global de Política de Doação de Alimentos, 61,3 milhões de pessoas sofrem de insegurança alimentar, o que representa quase um quarto da população.

“O que vimos é que, entre 2019 e 2020, houve um grande aumento na fome e na insegurança alimentar em todo o mundo. Pensávamos que, à medida que a pandemia de Covid-19 terminasse, esses números diminuiriam. Mas o que realmente aconteceu é que, nos últimos três anos, eles permaneceram persistentemente elevados. Tivemos a guerra na Ucrânia, mudanças climáticas e uma superinflação. E tudo isso significa que há milhões e milhões de pessoas que ainda lutam para ter acesso a alimentos suficientes”, disse Lisa Moon, CEO [diretora-executiva] da The Global FoodBanking Network.

Lisa deu entrevista para a Agência Brasil durante o seminário internacional Sistemas Alimentares: Oportunidades para Combater a Fome e o Desperdício no Brasil, realizado hoje (6) pelo Sesc e pelo The Global FoodBanking Network (GFN), uma entidade internacional que trabalha com organizações locais para apoiar bancos de alimentos em mais de 50 países. O evento foi realizado no Sesc Belenzinho, em São Paulo.

“Esse seminário traz a abertura das comemorações dos 30 anos do programa Sesc Mesa Brasil e também traz à tona toda essa discussão das mudanças climáticas, desperdícios, vulnerabilidade e fome. É importante a gente estar sempre debatendo esse cenário e buscando novos caminhos para mitigar os efeitos tão severos que a gente encontra, com tantas pessoas em situação de insegurança alimentar”, disse Cláudia Roseno, gerente de assistência do Departamento Nacional do Sesc.

Um dos temas das discussões promovidas pelo seminário engloba os efeitos da crise climática sobre a fome e a insegurança alimentar no mundo.

“As mudanças climáticas impactam no circuito de produção e de distribuição [dos alimentos]. Um exemplo muito emblemático e recente é a tragédia no Rio Grande do Sul”, disse Cláudia. No Sul, lembrou ela, as enchentes atingiram toda a produção de agricultura familiar e de subsistência e também a produção de arroz, o que afetou o abastecimento em todo o país.

Questionada sobre esses impactos, Lisa destacou que as comunidades que mais têm sofrido com as mudanças climáticas são também as mais afetadas pela fome. “Vemos taxas mais elevadas de fome crônica e taxas mais elevadas de insegurança alimentar em comunidades que estão sofrendo os impactos das alterações climáticas. Ao mesmo tempo, o nosso sistema alimentar está produzindo alimentos mais do que suficientes para que todos tenham o suficiente, mas estamos descartando cerca de um terço de todos os alimentos produzidos a nível mundial, aumentando as emissões de gases de efeito de estufa”, observou. “Com o desperdício de alimentos, estamos agravando o problema das mudanças climáticas”, acrescentou.

No caso específico do Brasil, destacou Carlos Portugal Gouvêa, professor de Direito na Universidade de São Paulo (USP) e professor visitante na Harvard Law School, essa questão do desperdício de alimentos está relacionada também à pecuária. “Se a gente for olhar, o Brasil está entre os maiores produtores de carne do mundo. Temos as maiores companhias produtoras de proteína do mundo, mas a gente também tem um nível muito elevado de desperdício de animais e de desperdício de carne no mundo. E qual é a questão com a sustentabilidade? Se formos olhar quem é o maior poluidor brasileiro, quem mais contribui de uma forma negativa para a emissão de gases, que tem impacto no aquecimento global, é a indústria de carne. A gente consegue perceber que existe uma direta conexão entre o desperdício e a indústria”, afirmou ele, durante o seminário. “O desperdício, muitas vezes, está ligado a um sistema econômico no qual você precisa dar vazão a uma produção, a um certo nível de produção”, salientou.

Soluções

As respostas para enfrentar a fome e os impactos das mudanças climáticas sobre a insegurança alimentar não são fáceis, nem imediatas. Mas são urgentes.

Exigem também esforço coletivo e “muita discussão”, destacou Cláudia Roseno. “É preciso colocar à mesa pesquisadores, governos, sociedade civil e iniciativas como o Sesc Mesa Brasil para discutir esse problema. Precisamos encontrar outros caminhos para reduzir os efeitos das mudanças climáticas, do desperdício e também da vulnerabilidade e da fome no Brasil”, disse ela.

Em muitos países, 733 milhões passaram fome em 2023, revela estudo. – Marcello Casal/Agência Brasil

Para Lisa Moon, a redução da fome passa, por exemplo, pelo apoio aos bancos de alimentos. “Para as pessoas que estão na pobreza, se não tiverem dinheiro suficiente para sobreviver, a comida é muitas vezes a última coisa que comprarão. Elas terão que comprar suas moradias, remédios e outras coisas. E isso significa que a fome é muito, muito prevalente, mesmo entre as pessoas que têm emprego. E a função dos bancos alimentares é ajudar a fornecer esse apoio às pessoas necessitadas. E eles não só fornecem alimentos para satisfazer as necessidades básicas, como também fornecem nutrição vital”, sustentou.

Lisa destaca outras ações importantes para reduzir a fome e a insegurança alimentar no mundo, principalmente relacionadas às doações para os bancos alimentares. A primeira delas, afirmou, diz respeito à proteção de responsabilidade. “Se as empresas e os produtores de alimentos doarem de boa-fé deverão ter a certeza de que não terão qualquer tipo de problemas jurídicos”, opinou.

Outros pontos que Lisa ressaltou como importantes são os incentivos fiscais, a rotulagem e os investimentos no terceiro setor.

“Em muitos lugares é mais caro doar alimentos do que jogá-los fora. Com incentivos fiscais podemos ajudar a incentivar as empresas a conseguirem, pelo menos, aliviar alguns dos seus custos quando fazem essa doação. Outra coisa é a rotulagem de validade [dos alimentos]. A rotulagem de validade é muito confusa e causa confusão sobre se esses rótulos de qualidade ou de segurança alimentar. Adotar uma rotulagem realmente focada na segurança alimentar pode ser muito útil para a doação. A última coisa é pensar realmente em como investir no terceiro setor que vai recuperar esse excedente alimentar. Descobrimos que, com pequenos investimentos em subsídios para infraestruturas, podemos realmente aumentar a capacidade dos bancos alimentares para receber mais produtos excedentes e redistribuí-los às pessoas necessitadas”, frisou Lisa.

Para o professor Carlos Portugal Gouvêa, da USP e da Harvard Law School, a questão da fome precisa ser enfrentada não só com políticas públicas eficientes, mas também com assistência social. Ele lembra que não adianta ter uma boa política pública, se ela não chega a quem mais necessita. “Você precisa ter pessoas que vão onde a pobreza está. A gente precisa ter pessoas que descobrem o problema daquelas famílias especificamente e aí usam o aparato estatal para dar uma resposta especificamente para aquela família”, observou.

“Se o Brasil é um país desigual e você faz uma política pública que, no fim, está atendendo uma classe média, você, eventualmente, está perpetuando essa desigualdade”, disse Carlos. “Os desafios, no caso da sociedade brasileira, são efetivamente imensos. Mas como eu digo para os meus alunos, se a gente conseguir resolver esses problemas no Brasil, a gente cria exemplos para o mundo”, argumentou.

Mesa Brasil

Para celebrar os 30 anos do programa Sesc Mesa Brasil, maior rede privada de bancos de alimentos da América Latina, o Sesc, em São Paulo, está promovendo uma programação especial, que foi chamada de Festival Sesc Mesa Brasil.

Nos dias 10 e 11 de agosto, as unidades da capital, litoral e interior paulista terão mais de 80 apresentações artísticas gratuitas, além de abrir seus espaços para receber doações de alimentos não perecíveis. Os itens arrecadados serão doados a instituições sociais. Mais informações sobre a programação podem ser obtidas no site.

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