Cultura de dados no controle interno: transformando insights em ações estratégicas para o futuro das organizações
A transformação digital trouxe uma nova era, na qual os dados se tornaram um dos ativos mais valiosos. Nesse cenário, o controle interno, que historicamente se baseava em processos manuais e auditorias periódicas, está sendo profundamente impactado pela cultura de dados. Esta nova abordagem permite que as organizações tomem decisões mais informadas, rápidas e estratégicas, baseadas em informações em tempo real.
A cultura de dados no controle interno vai além da simples coleta de informações. Ela envolve a criação de um ecossistema em que dados são continuamente analisados, transformados em insights práticos e usados para melhorar processos, mitigar riscos e otimizar a eficiência organizacional. Este artigo explora como a cultura de dados está transformando o controle interno e os benefícios dessa mudança para as instituições.
A cultura de dados no controle interno refere-se ao processo de promover uma mentalidade orientada por dados dentro das organizações, onde a tomada de decisão e o monitoramento de processos são fundamentados em informações precisas e em tempo real. Isso requer a integração de ferramentas tecnológicas avançadas, como inteligência artificial (IA) e análise de dados, para garantir que os dados coletados sejam relevantes, acessíveis e compreensíveis por todos os níveis da organização.
Ao contrário dos modelos tradicionais de controle interno, que dependem de amostragens e verificações pontuais, a cultura de dados permite uma supervisão contínua. Ferramentas analíticas sofisticadas são capazes de rastrear milhares de transações simultaneamente, identificar anomalias e gerar relatórios automáticos em tempo real. Esse tipo de monitoramento não apenas aumenta a eficiência, mas também melhora a capacidade das instituições de reagir rapidamente a potenciais riscos e fraudes.
Ter dados em grande quantidade é apenas o primeiro passo. O verdadeiro valor está em transformar esses dados em insights que possam orientar a estratégia e a operação da empresa. Ferramentas de Business Intelligence (BI) e dashboards (painéis de controle) interativos ajudam as equipes de controle interno a visualizar padrões complexos e a identificar áreas de melhoria.
A análise de dados pode revelar, por exemplo, falhas nos processos, discrepâncias e possíveis áreas de risco. Ao detectar essas anomalias rapidamente, as instituições podem agir antes que problemas maiores se manifestem. Além disso, essa abordagem permite que as organizações revisem continuamente seus processos de controle interno, ajustando-os conforme necessário para se alinhar às mudanças do ambiente regulatório e de negócios.
A transformação de dados em ações estratégicas depende da adoção de tecnologias adequadas. Algumas das principais ferramentas que estão revolucionando o controle interno incluem: inteligência artificial (IA), automação de processos, e soluções em nuvem.
A adoção de uma cultura de dados dentro do controle interno traz inúmeros benefícios para as organizações, incluindo: maior transparência – a capacidade de rastrear e monitorar cada etapa de um processo aumenta a transparência e facilita auditorias; mitigação de riscos – a identificação precoce de irregularidades permite ações corretivas rápidas, reduzindo a exposição da organização a fraudes e erros; tomada de decisões embasada – dados precisos e bem estruturados fornecem uma base sólida para a tomada de decisões, ajudando a alinhar as estratégias de controle com os objetivos de negócios; eficiência operacional – o uso de automação e análise de dados otimiza recursos, reduz o tempo gasto em tarefas manuais e melhora a precisão das informações.
Apesar dos inúmeros benefícios, a implementação de uma cultura de dados no controle interno pode enfrentar alguns desafios. Um dos principais obstáculos é a necessidade de mudança cultural. Para que essa transformação seja bem-sucedida, as equipes devem estar dispostas a adotar novas ferramentas e metodologias. Isso envolve treinamento contínuo para capacitar os colaboradores no uso de tecnologias avançadas.
Outro desafio é garantir a qualidade dos dados. Dados imprecisos ou desatualizados podem comprometer a análise e gerar resultados incorretos. Portanto, é essencial que as organizações implementem políticas de governança de dados eficazes para garantir que as informações usadas no controle interno sejam confiáveis.
A cultura de dados está revolucionando o controle interno ao transformar dados brutos em insights estratégicos e ações concretas. Com o apoio de tecnologias avançadas como IA, automação, e análise em nuvem, as organizações podem não apenas aumentar a eficiência de seus controles internos, mas também melhorar sua capacidade de gerenciar riscos e se adaptar rapidamente às mudanças do mercado. Para o futuro, instituições que adotarem essa mentalidade orientada por dados estarão mais bem posicionadas para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades de um ambiente de negócios em constante evolução.
*Cristiany Sales é controladora interna da Agência de Negócios do Acre (Anac S.A.); pós-graduada em Auditoria Empresarial; Planejamento e Gestão; Pedagogia Empresarial com ênfase em Gestão de Pessoas; Justiça Restaurativa e Mediação de Conflitos; Graduada em Pedagogia.
Bioeconomia no Brasil: Integração de Políticas e o Potencial Ecosociotecnômico para um futuro sustentável
A bioeconomia é essencial para o desenvolvimento econômico sustentável, baseando-se no uso de materiais biológicos e na inovação em biotecnologia nas áreas de saúde, agricultura e pecuária. Embora não haja consenso sobre o conceito, ela é frequentemente associada à valorização da biodiversidade e ao uso sustentável dos recursos naturais. Segundo McCormick e Kautto (2013), a bioeconomia utiliza recursos biológicos renováveis para produzir materiais, produtos químicos e energia, sendo fundamental nas estratégias econômicas globais. Para sua efetivação, são necessárias políticas públicas que incentivem a inovação, regulem o uso sustentável e incluam as comunidades locais, promovendo uma economia de baixo carbono e uma transformação socioambiental.
O Decreto nº 12.044/2024, que institui a Estratégia Nacional de Bioeconomia, é um marco no Brasil, coordenando e implementando políticas públicas destinadas ao desenvolvimento da bioeconomia em articulação com a sociedade civil e o setor privado. A estratégia considera a bioeconomia como um modelo produtivo baseado em justiça, ética e inclusão, priorizando o uso sustentável dos recursos biológicos e a conservação da biodiversidade em busca de mercados consumidores conscientes. Além disso, valoriza o conhecimento tradicional e científico, promovendo a geração de trabalho e renda, sustentabilidade e equilíbrio climático.
As políticas públicas são cruciais para a implementação da bioeconomia, pois estabelecem as condições para o uso sustentável dos recursos biológicos, promovem a inovação tecnológica e garantem a inclusão social. Sendo uma área multidisciplinar, a bioeconomia exige políticas integradas que equilibrem o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental. Teorias como o Advocacy Coalition Framework (Sabatier & Jenkins-Smith, 1993) e o modelo de Policy Feedback (Thelen, 1999) destacam a importância da colaboração entre atores e da capacidade das políticas públicas em moldar comportamentos futuros, criando um ciclo contínuo de inovação e adaptação. Assim, as políticas públicas atuam como catalisadoras para o crescimento sustentável e a transformação socioambiental no processo bioeconômico.
Integração de Políticas Públicas e Federalismo
A integração de políticas públicas para viabilizar a bioeconomia deve ocorrer por meio da articulação entre diferentes áreas, como meio ambiente, economia, ciência e tecnologia, e desenvolvimento regional. Esse processo envolve a criação de um ambiente regulatório que favoreça a inovação, a conservação dos recursos naturais e a inclusão social. O Decreto nº 12.044/2024 promove diretrizes como o estímulo à bioindustrialização, à descarbonização de processos produtivos e à agricultura regenerativa, além do respeito aos direitos de povos indígenas e comunidades tradicionais.
O fortalecimento do federalismo econômico e ambiental, pode ser inferido no decreto em seu art. 5º, é essencial para garantir a distribuição equitativa de responsabilidades e benefícios entre as esferas federal, estadual e municipal. Isso permitiria que as políticas fossem adaptadas às especificidades regionais, respeitando as necessidades locais e promovendo o desenvolvimento em diversas áreas do Brasil. A descentralização de decisões, o apoio financeiro a estados com maior cobertura florestal e os incentivos para governos locais implementarem práticas sustentáveis são componentes fundamentais dessa estratégia.
Modelos Internacionais e Brasileiros
Um exemplo de integração eficaz é o modelo de economia circular aplicado à bioeconomia na União Europeia. Através de políticas voltadas para a gestão sustentável dos recursos naturais e a promoção da inovação tecnológica, a União Europeia criou um ambiente que incentiva a produção e o consumo responsáveis, além de estimular a pesquisa em biotecnologia e biofármacos (European Commission, 2018). Outro exemplo é a Iniciativa Brasileira para a Bioeconomia, que, agora fortalecida pela Estratégia Nacional de Bioeconomia, integra esforços de diferentes ministérios, como o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, para fomentar o uso sustentável dos recursos da Amazônia, com projetos de manejo sustentável.
Esses exemplos mostram como a integração de políticas é crucial para a viabilização da bioeconomia, promovendo sinergias entre setores econômicos, sociais e ambientais, e criando um ciclo virtuoso de inovação e sustentabilidade. Considerando a riqueza natural da Amazônia e o potencial bioeconômico de suas florestas, a estratégia instituída pelo decreto poderia promover o desenvolvimento sustentável e a inovação de forma coordenada, integrando ciência, tecnologia e economia à preservação ambiental.
Potencial Ecosociotecnômico do Brasil
Por meio da Estratégia Nacional de Bioeconomia, o Brasil pode consolidar-se como uma referência global no uso eficiente dos recursos naturais, aumentando a competitividade econômica e promovendo a inclusão social em busca de mercados mais competitivos. Ao estabelecer uma política clara e coordenada, o Brasil poderá utilizar seu vasto patrimônio biológico para gerar riqueza e desenvolvimento, ao mesmo tempo em que protege sua biodiversidade e promove uma economia de baixo carbono.
A estratégia impulsiona parcerias entre os setores público e privado, incluindo comunidades tradicionais e indígenas, garantindo que os benefícios da bioeconomia sejam compartilhados de forma justa e inclusiva. A implementação dessa política, deve ser prevista em um Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia, que ajudaria a reduzir desigualdades regionais e a promover o empreendedorismo local, particularmente nas regiões da Amazônia, que enfrentam desafios socioeconômicos significativos.
A Estratégia Nacional de Bioeconomia, ao fortalecer as estratégias subnacionais e setoriais, permitirá uma articulação eficiente entre os diferentes níveis de governo e setores produtivos, aproveitando as potencialidades ecosociotecnômicas do Brasil. O decreto cria um ambiente regulatório favorável ao desenvolvimento bioeconômico, integrando inovação, preservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico.
*José Luiz Gondim dos Santos é gestor de Políticas Públicas, advogado especialista em Constitucional, Mudanças Climáticas e Negócios Ambientais.
Com o apoio do MP e de órgãos parceiros, Central de Referência em Educação Especial soma mais de 800 atendimentos e avança na inclusão e autonomia de estudantes neuroatípicos
Incluir e dar autonomia para que as crianças neuroatípicas possam se tornar mais independentes em seu contexto social é o principal objetivo da Central de Referência em Educação Especial, inaugurado no dia 20 de maio em Rio Branco, e que já contabiliza avanços no ensino especializado. Em pouco mais de três meses, foram mais de 800 atendimentos, sendo 280 atendimentos direto na escola; 224 na sede da central e 297 atendimentos de famílias em coletivos.
Estruturado com uma equipe multidisciplinar, o centro, ligado à Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE), atua nas escolas do ensino público para que esses alunos que precisam de uma atenção especial sejam identificados e acompanhados para seu melhor desenvolvimento.
O ensino especializado tem sido trabalhado de maneira mais assertiva pela gestão do governador Gladson Cameli. “Estamos garantindo o direito de todos ao acesso aos benefícios que a máquina pública pode oferecer, sem discriminação ou preconceito”, garantiu o governante ao entregar a central para a população.
Centro já fez mais de 500 atendimentos em pouco mais de três meses. Foto: Marcos Vicentti/Secom
Ouvir e atuar juntamente com os demais órgãos públicos também é uma face do governo que tem sido fortalecida nos últimos anos. Maria Cosma Gabriel, chefe da Central de Referência da Educação Especial, explica que a equipe de especialistas hoje trabalha no campo pedagógico, mas o objetivo é poder trabalhar em parceria com a Secretaria de Saúde.
“O nosso público é de alunos com transtorno do neurodesenvolvimento que vêm das escolas, das necessidades que surgem na escola, por meio de um profissional da educação especial para o acompanhamento ao aluno. A escola trabalha o relatório daquele aluno, faz a observação e nos encaminha para que nossa equipe multidisciplinar faça a avaliação”, explica.
Um diferencial nesse acolhimento é o trabalho voltado, primordialmente, para a família, levando em consideração não apenas o campo educacional, mas características socioeconômicas que impactam diretamente no aprendizado desse aluno.
“A gente identifica muitas vulnerabilidades na família, no aluno, e buscamos as parcerias, que são os órgãos de todas as políticas públicas necessárias para aquela família. Recentemente, identificamos um aluno que é nível de suporte 3 TEA [transtorno do espectro autista], em que a família era muito vulnerável, precisando acessar as outras políticas públicas, sobretudo saúde, e fizemos o estudo de caso com a escola, articulando com o Ministério Público, Conselho Tutelar, Defensoria Pública, enfim, todos os órgãos que envolviam esse atendimento”, pontua.
Com essas políticas públicas, a gestão entende que a criança se torna autônoma para ocupar seu lugar na sociedade. Com as famílias são trabalhadas as leis, esclarecendo-as para que os familiares consigam aplicá-las em prol do desenvolvimento deste aluno. “De acordo com o resultado da avaliação que a equipe faz, são dadas as orientações necessárias à escola e à família. Posso dizer que esse serviço do governo é muito assertivo, porque as famílias precisam. A gente percebe que esse serviço é grandioso e que as famílias sentem-se satisfeitas, porque recebem orientações desses profissionais”, ressalta a chefe do centro.
Maria Cosma Gabriel, chefe da Central de Referência da Educação Especial, explica que a equipe de especialistas hoje trabalha no campo pedagógico. Foto: Marcos Vicentti/Secom
Olhar atento às crianças
Marinalva Matos de Morais, neuropsicopedagoga da Central, explica que as escolas são orientadas sobre as formas de se trabalhar com aquele aluno que está sendo acompanhado pela equipe da Secretaria de Educação:
“A central vem com esse olhar voltado para o neurodesenvolvimento, para a questão da aprendizagem das crianças, dos alunos. A demanda é grande e o que mais dificulta nosso trabalho é porque hoje precisamos fazer o atendimento de uma quantidade grande de alunos que apresentam dificuldades na aprendizagem, seja com transtorno ou sem transtorno”.
Para isso, ela explica que a escola sinaliza algumas informações sobre aquele aluno, e a equipe pedagógica investiga aqueles pontos que estão inseridos no contexto da educação.
“Muitos vêm com laudos, outros sem laudos, mas, mesmo assim, nós fazemos essa avaliação de duas formas. Vamos na escola fazer a avaliação e observação em sala de aula e também fazemos a avaliação aqui na central, utilizando alguns testes de rastreio para verificar a situação em que este aluno se encontra na área da aprendizagem, as dificuldades ou potencialidades”, esclarece.
Atendimento é estendido às famílias dos alunos. Foto: Marcos Vicentti/Secom
Busca ativa
Um dos profissionais essenciais para o início dessa investigação é o professor especialista. É este profissional que vai até as escolas da rede pública de ensino identificar esse público que precisa ser incluído nas ações do centro. Márcia Souza é uma dessas especialistas, que ajuda a fazer essa busca ativa.
“Nós vamos à escola e pegamos o quadro de mediadores e assistentes com o quantitativo de alunos. Então, conversamos com a gestão, fazemos uma triagem e uma avaliação desse quadro. Identificamos a dificuldade daquele aluno e se necessita de um atendimento com a fonoaudióloga ou se tem problemas sociais e psicológicos”, explica.
Após fazer essa seleção, o aluno é encaminhado para a central, onde a família também é atendida. “A partir da análise desse quadro, a gente visualiza para qual especialidade esse aluno vai ser direcionado aqui na central. A gente avalia, pedagogicamente, se ele necessita de um atendimento em sala de recursos, ou que a família venha a ser conscientizada para que ele precise ser levado à área da saúde. É um trabalho além do cognitivo, porque também orientamos a família”, ressalta.
Governador destacou que implantação da central reduz diferenças. Foto: Diego Gurgel/Secom
O impacto nas famílias
A central atende principalmente às famílias desses alunos, pois o entendimento desse grupo é essencial para a evolução desses jovens. Uma das mães acolhidas é a dona de casa Clicia Guimarães de Oliveira, mãe do Caleb de Oliveira Gomes, de 8 anos, diagnosticado com TEA nível 1 de suporte.
Ela reconhece que, inicialmente, chegou a ficar receosa em deixar o filho mais independente, mas acredita que é um passo importante, aliado à terapia, para que o menino alcance a autogestão em sua vida.
“Ele melhorou bastante e acredito que vai ter mais autonomia. Hoje ele já pede para ir ao banheiro, coisa que ele não fazia. Agora ele levanta o dedo e pede para ir. O lanche também, ele já aprendeu a comer sozinho, porque levo a marmita por conta da seletividade alimentar, sem contar que sempre procuramos ir na escola, conversar e acompanhar de perto”, conta.
Para Vacilda Martins, autônoma e moradora do Ramal do Bom Jesus, na Vila Acre, a Central foi e está sendo essencial para o desenvolvimento da filha.
Karoline Martins da Silva, de apenas 8 anos, não conseguia falar devido à língua presa. Foi por intermédio da Central que ela conseguiu fazer a cirurgia de freio lingual, e agora também é acompanhada pela fonoaudióloga da sede.
“Quando ela completou 3 anos não conseguia falar nem papai, nem mamãe, e, mesmo a gente falando para ela pronunciar, ela tinha muita dificuldade. Com o tempo, a gente foi percebendo que a língua era bem colada e, por isso, ela não conseguia falar”, relembra a mãe.
Mãe de Karoline acompanha avanços e também é orientada pela Central. Foto: Marcos Vicentti/Secom
Por muitas vezes, Karoline chorava porque não conseguia ser entendida. Foi então, durante a busca ativa, que a Secretaria de Educação, com outros parceiros, conseguiu a cirurgia da aluna.
“Hoje ela consegue falar algumas palavrinhas, porque é recente a cirurgia dela, e agora vai ter que aprender tudo de novo. Hoje, a gente fica na expectativa querendo que aprenda de um dia para outro, mas tem que ter paciência e insistir, porque, como ela é criança, se cansa rápido. Tem que ser no tempo dela. Quando ela está perto de mim, sempre fico falando umas palavras para ela repetir e faço os treinamentos passados pela fono”, conta.
Vacilda tem outra filha que também é atendida pela Central, porque é autista. Karoline também está no processo de investigação de outras condições comportamentais. A mãe diz que o apoio da Central, principalmente nesse período em que ainda não há um diagnóstico, é primordial para as famílias.
Após cirurgia, Karoline é acompanhada pela fono da central. Foto: Marcos Vicentti/Secom
Enquanto isso, ela acompanha orgulhosa a filha balbuciar algumas palavras, como os nomes das cores e alguns animais.
Admilde Socorro da Silva Santiago é a fonoaudióloga que tem acompanhado o progresso da aluna. Para a profissional, o avanço pôde ser visto, inclusive no comportamento dela no ambiente escolar. “Desde a infância, ela não conseguia pronunciar um nome simples para toda criança que é chamar papai e mamãe. Isso prova que a evolução dela na escola também surtiu efeito, porque hoje ela consegue se comunicar com os coleguinhas, com a professora, sabe pedir alguma coisa para a mãe e não fica mais irritada pedindo algo que ninguém consegue entender a palavra”, explica.
Para a fonoaudióloga, Karoline é um caso de sucesso da Central, que trabalha fortemente no ambiente escolar e demonstra o impacto das parcerias no sucesso das ações. “A escola se sente segura com o apoio da nossa equipe multiprofissional também”, pontua.
Clicia Guimarães de Oliveira, mãe de um dos alunos acompanhados, conta que já consegue ver diferença no filho. Foto: Marcos Vicentti/Secom
MP parceiro e fiscalizador
Para que as ações e políticas públicas alcancem o maior número de pessoas é necessário a união de vários órgãos. Um deles é o Ministério Público do Acre (MP-AC). No que diz respeito à inclusão e educação, se destaca o trabalho do Grupo de Trabalho na Defesa dos Direitos das Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (GT-TEA), que não só orienta quanto às implantações de planos, mas também fiscaliza esse atendimento, sendo um mediador importante entre a sociedade e o governo.
A implantação da Central, inclusive, foi resultado de diversas reuniões com os órgão, que hoje também é parceiro das ações desenvolvidas para esse público. A procuradora Gilcely Evangelista de Araújo Souza, coordenadora desse grupo, destaca que esse diálogo leva ao conhecimento do poder público a demanda reprimida e que precisa ser atendida.
“O grupo foi criado a partir de demandas de mães e pais que aportaram no Ministério Público, reclamando da falta de diagnóstico dos filhos e como é difícil realizar o diagnóstico e ter o laudo pericial. Com isso, o procurador-geral de Justiça, Danilo Lovisaro, sensível à causa, montou este grupo de defesa e direito das pessoas com transtorno do espectro autista, a qual eu coordeno. E temos o projeto ‘TEA: eles não estão sós’, que veio para salvaguardar os direitos das pessoas com o transtorno do espectro autista, bem como fazer implementação de políticas públicas para esta comunidade”, destaca.
O diálogo foi expandido aos 22 municípios, onde, segundo a procuradora, foram feitas palestras e oficinas para o monitoramento da implementação das políticas públicas relacionadas à saúde, educação e assistência social.
“Verificamos o que cada município necessita e, com isso, sentamos com os gestores públicos, debatemos, pautamos e fizemos fluxogramas para que possam cumprir com a meta que é estipulada para cada município”, complementa.
Atendimento coletivo com psicóloga e assistente social na escola Edmundo Pinto, em Porto Acre, oferece orientação às famílias. Foto: cedida
As visitas aos 22 municípios geraram um relatório com as principais demandas relacionadas ao TEA que será apresentado ao procurador-geral ainda em setembro. A criação da central, para ela, já pode ser considerada fruto desse trabalho em conjunto. “Temos nos movimentado constantemente, diariamente, e temos solicitado apoio para esta causa, que é tão gritante em nosso estado e no país inteiro. É muito importante este grupo, bem como o projeto, até porque estamos coletando dados que vamos apresentar tanto para a população como para os parlamentares que nos deram apoio com as verbas para açambarcar o projeto”.
A atuação do MP, segundo ela, já impactou consideravelmente nos incentivos à inclusão. “A mudança é bastante visível, quando se diz que o MP está fiscalizando, porque o gestor tem um olhar mais cuidadoso quando estamos pactuando com eles”, acredita.
O secretário de Estado de Educação e Cultura, Aberson Carvalho, reforçou o compromisso contínuo do governo com a educação, mencionando iniciativas recentes, como a entrega de dois abonos, reajustes salariais para profissionais da educação, concursos para professores, contratação de especialistas em educação especial, além de programas como o Prato Extra, distribuição gratuita de uniformes e mochilas para todos os alunos, e amplas reformas em unidades escolares, que beneficiam 140 mil alunos em todo o Acre.
“Esta Central está no nosso plano de governo e é mais um compromisso que assumimos, sendo agora cumprido pela educação. A ideia é que essa equipe desenvolva um projeto de vida personalizado para cada estudante a cada seis meses, visando proporcionar maior autonomia, independência e um aprendizado mais eficaz”, reforçou o secretário Aberson Carvalho durante a inauguração da sede.
Oficinas de simulação preparam profissionais para combate eficaz a Febre Aftosa no Acre
Em continuidade ao Simulado Zoossanitário com ênfase em Febre Aftosa, o Instituto de Agropecuário e Florestal do Acre (Idaf), em parceria com o Centro Pan-Americano de Febre Aftosa e Saúde Pública Veterinária (Panaftosa), realizou no Serviço Social do Comércio (Sesc) em Cruzeiro do Sul, aulas teóricas com linguagem específicas sobre instruções de controle e erradicação da doença e dos procedimentos corretos pelo sistema veterinário oficial diante as notificações de suspeita da febre aftosa.
As oficinas têm como objetivo proporcionar um ambiente controlado onde os participantes possam experimentar e gerenciar cenários simulados de surtos de febre aftosa. Estas simulações ajudam a aprimorar a resposta do serviço veterinário oficial, testar protocolos de controle e melhorar a coordenação das ações entre os setores envolvidos no controle da doença.
Médicos veterinários são treinados para com procedimentos que devem ser adotados durante uma emergência sanitária. Foto: Cleiton Lopes/Secom
” data-medium-file=”https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-14-at-14.23.15-1-300×169.jpeg” data-large-file=”https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-14-at-14.23.15-1-1024×576.jpeg” tabindex=”0″ role=”button” class=”size-full wp-image-768540″ alt=”” width=”1600″ height=”900″ srcset=”https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-14-at-14.23.15-1.jpeg 1600w, https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-14-at-14.23.15-1-300×169.jpeg 300w, https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-14-at-14.23.15-1-1024×576.jpeg 1024w, https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-14-at-14.23.15-1-768×432.jpeg 768w, https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-14-at-14.23.15-1-1536×864.jpeg 1536w” sizes=”(max-width: 1600px) 100vw, 1600px”>Médicos veterinários são treinados com procedimentos que devem ser adotados durante uma emergência sanitária. Foto: Cleiton Lopes/Secom
A iniciativa do Idaf representa um avanço e um marco importante para o estado do Acre, pois é o quarto exercício simulado que ocorre no Brasil e o primeiro da região Norte, mostrando o compromisso do governo do Acre em manter a sanidade animal, as políticas públicas para o setor econômico primário e o bom desenvolvimento da pecuária.
“Para a realização desse evento no Acre, o Idaf requisitou ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para sediar o simulado de emergência, sendo o primeiro da região amazônica. Treinamentos desta magnitude são obrigatoriamente notificados a Organização Mundial da Saúde (OMSA), pois esse é o procedimento padrão entre todos os países integrantes, como forma de comunicar o que está acontecendo”, ressalta Kennedy Lins, auditor fiscal do Idaf e um dos coordenadores do simulado.
Estes exercícios oferecem uma plataforma para treinar, testar e melhorar as respostas a crises. Cleiton Lopes/Secom
” data-medium-file=”https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-14-at-14.25.05-300×225.jpeg” data-large-file=”https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-14-at-14.25.05-1024×768.jpeg” tabindex=”0″ role=”button” class=”size-full wp-image-768541″ alt=”” width=”1600″ height=”1200″ srcset=”https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-14-at-14.25.05.jpeg 1600w, https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-14-at-14.25.05-300×225.jpeg 300w, https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-14-at-14.25.05-1024×768.jpeg 1024w, https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-14-at-14.25.05-768×576.jpeg 768w, https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-14-at-14.25.05-1536×1152.jpeg 1536w” sizes=”(max-width: 1600px) 100vw, 1600px”>Estes exercícios oferecem uma plataforma para treinar, testar e melhorar as respostas a crises. Cleiton Lopes/Secom
Durante a semana, foram capacitados cerca de 124 médicos veterinários de todas as regiões do país, incluindo participantes internacionais convidados do Peru e Bolívia, reforçando a estratégia do Programa Nacional de Vigilância para a Febre Aftosa (PNEFA) de fortalecimento da vigilância e reação imediata em situação de foco de aftosa.
“O Acre abriu as portas e permitiu que o Brasil inteiro estivesse aqui dentro das suas propriedades, nessa relação com o próprio serviço estadual, é uma troca de experiência gigante. Esse estado está mostrando seu potencial, nos dando a oportunidade de reconhecer a grandeza do seu potencial técnico, pecuário e de todas as ferramentas que utiliza para fazer a vigilância, para fazer a reação imediata, mostrando que é um estado que está capacitado a fazer proteção em uma fronteira”, resssalta Margarida Prazeres, fiscal estadual agropecuário da Agência de Defesa Agropecuária de Maranhão (Aged).
Todos os seis painéis apresentados explicitaram situações de crise que desempenham um papel vital na preparação de indivíduos e equipes para enfrentar situações de emergência e crises. As atividades incluíram: oficina de informação e preenchimento de formulários, oficina de preparo e envio de amostras, oficina de saneamento de foco, controle de trânsito, oficina de rastreamento de possíveis fonte de infecção e de procedimentos de biossegurança para atendimento de uma notificação de suspeita de doença emergencial.
Idaf abriu as portas para a realização do simulado de emergência que consiste em um treinamento prático. Foto: Cleiton Lopes/Secom
” data-medium-file=”https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-13-at-16.06.20-300×225.jpeg” data-large-file=”https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-13-at-16.06.20-1024×768.jpeg” tabindex=”0″ role=”button” class=”size-full wp-image-768542″ alt=”” width=”1600″ height=”1200″ srcset=”https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-13-at-16.06.20.jpeg 1600w, https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-13-at-16.06.20-300×225.jpeg 300w, https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-13-at-16.06.20-1024×768.jpeg 1024w, https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-13-at-16.06.20-768×576.jpeg 768w, https://agencia.ac.gov.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-13-at-16.06.20-1536×1152.jpeg 1536w” sizes=”(max-width: 1600px) 100vw, 1600px”>Idaf abriu as portas para a realização do simulado de emergência que consiste em um treinamento prático. Foto: Cleiton Lopes/Secom
Segundo Anselmo Rivetti, instrutor do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de Minas Gerais (LFDA), o serviço veterinário oficial é um só, e essa interação com o Ministério da Agricultura e parceiros no caso de um simulado de emergência é de extrema importância. “É necessário para a gente fazer um treinamento entre essas instituições para poder no caso de uma emergência sanitária real, entender a dimensão do que foi anteriormente e poder conter de maneira ágil e precisa”.
A partir deste domingo, para validar o plano de emergência zoossanitário, todos os integrantes do simulado participarão do treinamento prático em vários lugares da região do Juruá, simulando casos reais de foco da febre aftosa.
Boletim da seca – nível dos rios, qualidade do ar e previsão do tempo – 15 de setembro
O governo do Acre, baseado em dados qualificados e quantificados pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), por meio do Centro Integrado de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma), divulga diariamente, no site Agência de Notícias, os boletins do nível dos rios, qualidade do ar e previsão do tempo. Veja os dados deste domingo, 15.
1,07 SD – Santa Rosa do Purus 🟠
0,33 0,34 – Sena Madureira 🔴
Bacia do Rio Tarauacá-Envira
Nível Nível
(13/09) (14/09)
3,61 3,61 – Feijó
Bacia do Rio Juruá
Nível Nível
(13/09) (14/09)
4,58 4,57 – Cruzeiro do Sul
1,22 1,26 – Ponte do Liberdade 🟠
0,85 0,83 – Porto Walter 🔴
1,82 SD – Marechal Thaumaturgo 🔴
Legenda: Cota de Observação AZUL; cota de atenção AMARELO; cota de alerta LARANJA; cota de alerta máximo VERMELHO.
Fonte: Gestor Plataforma de Coleta de Dados (PCD) – Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec) junto às Coordenadorias Municipais de Defesa Civil (Comdec).
Qualidade do ar
Média diária Raw PM2.5 (LRAPA) μg/m³
Média Recomendada por dia Organização Mundial da Saúde (OMS): 15μg/m³
Município – Média do Dia – Status da Qualidade
Porto Acre – 163,01 μg/m³ – 🟣
Rio Branco – 103,12 μg/m³ – 🔴
Cruzeiro do Sul – 59,39 μg/m³ – 🟠
Manoel Urbano – 56,27 μg/m³ – 🟠
Santa Rosa do Purus – 44,99 μg/m³ – 🟡
Feijó – 41,52 μg/m³ – 🟡
Sena Madureira – 40,92 μg/m³ – 🟡
Tarauacá – 40,47 μg/m³ – 🟡
Jordão – 37,68 μg/m³ – 🟡
Assis Brasil – 37,30 μg/m³ – 🟡
Brasiléia – 34,00 μg/m³ – 🟡
Xapuri – 33,09 μg/m³ – 🟡
Legenda – Concentração de Material Particulado (μg/m³):
BOA (0 – 25 μg/m³) VERDE;
MODERADA (25 – 50 μg/m³) AMARELO;
RUIM (50 – 75 μg/m³) LARANJA;
MUITO RUIM (75 – 125 μg/m³) VERMELHO;
PÉSSIMA (> 125 μg/m³) ROXO.
Baseado no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama/Brasil) Nº506/2024.
Previsão do tempo
Domingo, 15
A Divisão de Meteorologia do Sistema de Proteção da Amazônia informa que as condições de chuva aumentam significativamente no Acre neste domingo, 15, por conta da passagem de uma frente fria pelo Centro-Oeste do país. Para este dia a previsão é de céu nublado com possibilidade de chuva fraca ao longo do dia nas regiões da capital, do Vale do Acre, do Vale do Purus e no leste acreano. Nas demais regiões do Acre a previsão é de sol entre nuvens, com tempo variando de parcialmente nublado a nublado com pancadas de chuva e trovoadas entre a tarde e a noite, com possibilidade de temporais.
Fonte: Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Cencipam).
Na tarde deste domingo (15), o Brasil terá mais um desafio na Copa do Mundo Sub-20 de futebol feminino. Pelas quartas de final, a seleção brasileira irá encarar a Coreia do Norte a partir das 16h30 no horário de Brasília. As duas equipes são as donas das melhores campanhas da competição até aqui e a treinadora Rosana Augusto prevê um duelo difícil para definir quem vai à semifinal.
“A Coreia do Norte é muito forte, é uma equipe que treina junto faz muito tempo, a gente vê muitas manobras sincronizadas que se dão pelo tempo que elas estão trabalhando. Mas talvez encontre desta vez com uma equipe que vai desafiá-la bastante, com variações táticas. A gente espera um grande jogo, muito parelho”, declarou Rosana.
O Brasil soma quatro vitórias na competição até aqui, superando Fiji, Canadá e França na fase de grupos e Camarões nas oitavas de final. Foram 17 gols marcados e apenas um sofrido. A Coreia do Norte também venceu os seus quatro jogos até aqui, com 22 gols a favor e apenas quatro contra.
Devido às características das duas equipes, Rosana acredita que quem errar menos irá levar a vitória neste domingo. “Nós vemos dificuldades para enfrentá-las e certamente elas estão com o mesmo problema. É como eu disse, temos a expectativa de apresentar algumas variações que elas ainda não tiveram a oportunidade de enfrentar e isso pode ser uma vantagem para nós”, declarou a treinadora.
Pepê Gonçalves vai até as semis no caiaque kross em Ivrea
O Brasil esteve perto de fechar a participação na Copa do Mundo de canoagem slalom em Ivrea com medalha. Neste sábado, os quatro atletas do país foram às aguas italianas para as disputas do caiaque kross. Por lá, o destaque ficou para Pepê Gonçalves, que conseguiu alcançar às semifinais no masculino.
Pepê começou o dia participando da prova de triagem de tempo, na qual ficou em 24º lugar com a marca de 48s06. Na mesma prova, outros dois brasileiros entraram em ação mas não conseguiram fazer boas descidas para se classificarem. Kauã da Silva foi o 70º, com o tempo de 52s35, porém comentendo uma falta S. Por outro lado, Mathieu Desnos acabou nem largando na competição e ficou sem marca.
Único brasileiro remanescente, Pepê Gonçalves liderou a sua primeira série elimiatória e avançou às quartas de final. Nela, o brasileiro ficou em segundo lugar, atrás somente do britânico Joseph Clarke, e seguiu para as semis. Todavia, o brasileiro cometeu uma falta durante as semifinais e ficou na 4ª e última colocação da prova.
No feminino, Omira Estácia começou bem, anotando o 12º melhor tempo geral na triagem do caiaque kross, com uma descida de 52s56. Porém, a brasileira parou na primeira bateria eliminatória, ficando na 3ª colocação entre as quatro competidoras. Canoagem slalom ivrea copa do mundo
“Especial para todos nós”, diz Lula sobre retorno do Manto Tupinambá ao Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quinta-feira, 12 de setembro, da cerimônia que marcou o retorno do Manto Tupinambá ao Brasil, no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. O item é considerado um ente vivo, de caráter espiritual, que traz identidade, memória e pertencimento para os povos indígenas do país, em especial para as populações tupi.
“É um privilégio extraordinário participar, como presidente da República, desse momento tão especial não só para os povos indígenas, mas para a história de todos nós, brasileiros e brasileiras. O retorno do manto sagrado tupinambá, até então parte do acervo do Museu Nacional da Dinamarca, é um marco. Trata-se do primeiro item indígena de simbolismo espiritual a voltar ao país, depois de tantos anos ausente”, ressaltou Lula, durante a cerimônia.
O presidente reforçou que o reconhecimento e o respeito aos direitos dos povos originais são prioridade do Governo Federal. “Por isso criamos o Ministério dos Povos Indígenas (MPI). Fizemos e continuamos a fazer a desintrusão de territórios ocupados por não indígenas. Homologamos novas terras e tenho certeza que faremos muito mais, sempre enfrentando os desafios, que são muitos e precisam ser tratados de forma negociada, com diálogo e transparência”, salientou.
SÍMBOLO — O Manto Tupinambá tem quase 400 anos e estava fora do Brasil desde meados do século XVII. Permaneceu no Museu Nacional da Dinamarca por 335 anos. Desde que chegou ao Brasil, segue em um espaço de guarda, em uma sala da Biblioteca Central do Museu Nacional preparada para garantir a sua preservação. O manto não está atualmente em exposição, mas será destaque, em 2026, na reabertura das exposições do Museu Nacional, no Paço de São Cristóvão.
“Hoje celebramos um momento histórico e de grande conquista. O retorno do Manto Tupinambá ao Brasil, um símbolo profundo da resistência, da espiritualidade e da ancestralidade do povo Tupinambá. Ele retorna ao seu país de origem após séculos de ausência, graças à incansável luta das lideranças Tupinambá e à colaboração de todas as instituições envolvidas”, enfatizou a ministra Sonia Guajajara (Povos Indígenas).
A presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, ponderou que “a repatriação é uma reparação de dívidas com os povos indígenas, porque traz de volta a fortaleza, a identidade e a cultura para muitos povos indígenas que não tiveram contato — porque foram roubados — para que eles tenham essa identidade”.
Márcio Tavares, secretário-executivo do Ministério da Cultura (MinC), lembrou que há outros dez mantos do povo Tupinambá em países europeus. “Este ano, o Brasil já recebeu outras valiosas peças culturais de volta. Após 20 anos na França, 585 artefatos indígenas retornaram ao Brasil. O conjunto de objetos provém de mais de 40 etnias. E nós vamos seguir nesse esforço pela repatriação e pelo retorno desses bens ao nosso país”, enfatizou.
DEMARCAÇÃO — A atual gestão do Governo Federal, com a pasta dos Povos Indígenas e a Funai sob a liderança indígena, demarcou dez territórios indígenas em um ano — passo importante tendo em vista a última década, quando apenas 11 territórios indígenas foram demarcados no Brasil. “Sabemos que ainda é pouco para o tamanho da demanda que temos no Brasil, mas juntos nós estamos avançando”, sublinhou Guajajara.
“Temos organizado medidas para garantir que os territórios indígenas estejam na posse apenas dos indígenas. Entre janeiro do ano passado até agora, o Governo Federal desintrusou quatro terras indígenas, sendo o Alto do Rio Guamá, Apyterewa e Trincheira do Bacajá e o Território Karipuna. Além, é claro, da terra indígena Yanomami, que encontra-se ainda em processo de desintrusão”, relatou a ministra.
ENCONTRO COM O MANTO – Os Tupinambá chegaram ao Museu Nacional no último sábado (7) e estão alojados perto do local que acondiciona o manto, na Biblioteca do Museu. Na última terça-feira (10), a comitiva teve o primeiro acesso ao manto após realizarem rezas e rituais. Na quarta-feira (11), foi a vez de um grupo de anciões Tupinambá ter seu tempo de conexão e de realização de rituais com o manto.
Na cerimônia, Jamopoty, a primeira cacique mulher dos Tupinambá de Olivença (BA), celebrou a volta do manto e lembrou a luta pela conclusão do processo de demarcação de suas terras. “Estou falando pela voz do meu ancestral, que me dá força para vir aqui. Estamos aqui no Rio de Janeiro, desde o dia 7 de setembro, para que a gente fizesse nossa vigília, para que a gente dissesse ao manto: estamos aqui, pertinho de você, nos ajude ainda mais. Viva mais de 300 anos, viva mais um tempo, para o Brasil ser diferente, ser um novo Brasil com sua história verdadeira, a história dos povos originários”, disse.
A ida dos Tupinambá ao Rio foi viabilizada por uma articulação do MPI, que visitou Olivença e Serra do Padeiro, na Bahia, para dialogar com os indígenas e aproximá-los do Museu para que tivessem condições de realizar seus rituais e cumprir os costumes em relação à vestimenta sagrada. O retorno do item ao Brasil é resultado da cooperação entre instituições dos dois países, incluindo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), por meio da Embaixada do Brasil em Copenhague, assim como os respectivos museus e as lideranças Tupinambá.
EDUCAÇÃO — Ainda durante a cerimônia, o secretário executivo do Ministério da Educação (MEC), Leonardo Barchini, lembrou que a atual gestão assumiu em 2023 sem qualquer orçamento (ou programa em andamento) voltado à educação escolar indígena. Mesmo assim, retomou políticas destinadas à área. “Aumentamos a bolsa permanência dos estudantes indígenas em todas as universidades federais do Brasil de R$ 900 para R$ 1.400 no primeiro ano de governo, beneficiando também estudantes quilombolas. Neste ano, serão mais 5.600 bolsas, totalizando 18 mil até o final de 2024. Isso representa que todos os estudantes indígenas das universidades federais terão direito à bolsa permanência de R$ 1.400”, calculou.
Arlenilson Cunha reconhece atuação do governo do estado diante da crise hídrica
Durante a sessão ordinária desta quarta-feira (11) na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), o deputado Arlenilson Cunha (PL) destacou as ações do governo no combate à crise hídrica que vem afetando diversas regiões isoladas do Acre. Ele reconheceu a atuação do governador Gladson Cameli (PP) e de órgãos estaduais, como a Defesa Civil e a Secretaria de Assistência Social, que têm se mobilizado para atender os municípios mais prejudicados pela seca.
“Nosso papel como representantes do povo é cobrar e reivindicar, mas também reconhecer quando o governo faz a sua parte, e é isso que está acontecendo nesses municípios em situação difícil”, afirmou Arlenilson Cunha.
O parlamentar mencionou as dificuldades enfrentadas por cidades como Marechal Thaumaturgo, Santa Rosa do Purus, Porto Walter e Jordão, onde a falta de água tem impactado a vida dos moradores. Ele enfatizou que a equipe da Defesa Civil, juntamente com a Secretaria de Assistência Social, já esteve nas localidades fazendo o levantamento das principais necessidades. “Essas equipes foram a campo, avaliaram a situação e já começaram a atuar para minimizar os problemas. É importante reconhecer esse esforço”, pontuou.
Outro ponto levantado por Arlenilson Cunha foi o trabalho da Saneacre em Epitaciolândia, onde um problema no igarapé que abastece a cidade causava racionamento de água. Segundo o parlamentar, a solução veio com a construção de um desvio no leito do igarapé, permitindo que o abastecimento fosse normalizado. “O trabalho da Saneacre foi fundamental. Quero parabenizar o presidente José Bestene e toda a sua equipe, que se dedicaram para resolver essa questão crítica de forma ágil”, declarou.
O deputado também ressaltou os investimentos do governo estadual em infraestrutura hídrica, mencionando que mais de R$ 66 milhões estão sendo aplicados para melhorar a rede de abastecimento de água em 11 municípios acreanos. Ele citou que, além de Epitaciolândia, cidades como Bujari e Cruzeiro do Sul também estão recebendo melhorias significativas. “São mais de 66 milhões em obras que vão desde a instalação de bombas até a construção de estações de tratamento de água. São investimentos essenciais, especialmente em tempos de crise hídrica, para garantir que a população tenha acesso à água, que é vital”, afirmou.
Ao finalizar seu discurso, Arlenilson reforçou que, além das críticas e cobranças, é importante que o parlamento reconheça o trabalho efetivo do governo do estado em momentos de crise. “Estamos aqui para acompanhar, fiscalizar e cobrar. Mas quando vemos que o governo está agindo e cumprindo seu papel, nosso dever é também reconhecer e valorizar essas ações que beneficiam diretamente a população”, concluiu o deputado.
Minas em boa sequência no Mineiro e Suzano líder do Paulista
Dois jogos de vôlei movimentaram a noite deste sábado (14) por competições estaduais. Em Minas Gerais, o Itambé Minas visitou o Montes Claros no ginásio Tancredo Neves. Já em São Paulo, o Suzano recebeu o Sesi Bauru na Arena Suzano. No Campeonato Mineiro, o clube minastenista manteve sequência positiva com triunfo por 3 sets a 0, parciais de 25/23, 29/27 e 25/22. Já no Paulista, o time suzanense assumiu a liderança com 12 pontos ao ganhar, de virada, por 3 a 1, séries de 23/25, 25/20, 25/22 e 25/22.
O Minas completou uma sequência de cinco triunfos atuando como visitante. Neste sábado, o clube minastenista voltou a ganhar do Montes Claros no ginásio Tancredo Neves. Desta vez, a vitória foi por 3 a 0, e, com os dois resultados positivos no Norte de Minas, a equipe comandada pelo técnico Guilherme Novaes alcançou 15 pontos no Mineiro. Agora, o time do líbero Maique se prepara para sua primeira partida como mandante em 2024/25, quando recebe o Sada Cruzeiro, na quarta-feira (18), às 20h40.
“Voltamos para casa com seis pontos importantes. A equipe do Montes Claros dificultou o nosso trabalho e erramos muito no saque, mas entendemos que isso faz parte do processo. Nossa virada de bola foi constante nos dois jogos e isso foi fundamental para conseguirmos os resultados positivos. Agora, teremos um clássico pela frente e chegamos confiantes para colocar todo o nosso potencial em quadra”, analisou o treinador Guilherme Novaes.
Novo líder
No Paulista, em duelo entre o Sesi Bauru, então líder, e o Suzano, novo primeiro colocado, os comandados do técnico Pedro Uehara, o Peu, bateram os atuais campeões da Superliga, equipe dirigida por Anderson Rodrigues. O oposto Sabino e seus companheiras chegaram aos 12 pontos em cinco das sete partidas da primeira fase da competição e, com isso, se aproxima da vaga na semifinal. O time suzanense terá o Praia Grande como desafio na sequência do campeonato, na sexta-feira (20), às 19h.
Do lado do Sesi Bauru, Anderson Rodrigues iniciou o jogo com Thiaguinho, Lucas Barreto, Guiga, Lukas Bergmann, Éder, Darlan e Douglas Pureza. A equipe bauruense começou com mais volume ofensivo, mostrando boa variação de ataques e se aproveitando dos erros adversários. O Suzano reagiu antes da metade do set com bom bloqueio. O Sesi Bauru acertou a recepção, conseguiu a virada de bola e conectou boa sequência de saque e contra-ataque para empatar o set em 17 a 17.
Daí em diante, os dois times trocaram pontos até o fim do set, porém, o Sesi Bauru foi mais efetivo e ganhou por 25 a 23. Na segunda parcial, o Suzano tomou a frente no início por causa dos ataques e com o Sesi Bauru sofrendo com a armação ofensiva. O set se equilibra com as duas equipes com dificuldade em acertar saques, até o instante que o Suzano conseguiu sequência de pontos em contra-ataques: 22 a 19. Com o saque do time da casa sendo o destaque, o Suzano levou a segunda parcial por 25 a 20.
Virada em casa
O terceiro set começa com pontos mais longos, com o Suzano abrindo vantagem se aproveitando de alguns erros do Sesi Bauru na definição ofensiva. A defesa dos comandados de Peu cresceu de produção na cobertura e dificultou a virada de bola do Sesi Bauru, marcando 17 a 13. O time visitante diminui a diferença com dois pontos rápidos em sequência: 17 a 15. Darlan e companheiros chegaram a reduzir a desvantagem para um ponto: 19 a 18. Na reta decisiva, o Suzano foi superior e ganhou por 25 a 22.
Na quarta parcial, o Sesi Bauru seguiu tendo dificuldade na organização ofensiva, enquanto o Suzano pressionou com bons bloqueios. Os mandantes chegaram a abrir 10 a 6, mas a equipe visitante se recuperou e fez três pontos seguidos: 10 a 9. O time bauruense aumentou a produção defensiva e evoluiu nos bloqueios após a entrada de Thiery. Com isso, foi capaz de virar a parcial: 16 a 15. Nos instantes derradeiros, o time da casa voltou a lidar melhor com a situações do jogo e fechou em 25 a 22.
De acordo com as estatísticas do Suzano, o oposto Darlan, do Sesi Bauru, foi o maior pontuador do confronto, com 23 acertos. Pelo lado dos mandantes, o líder em pontos foi o também oposto Sabino, com 17. Na sequência, aparece o ponteiro Daniel Muniz, com 12. O próximo desafio dos comandados de Anderson Rodrigues é em casa, no ginásio do Sesi Vila Leopoldina, em São Paulo, sexta-feira (20), às 18h30., diante do Vedacit Vôlei Guarulhos.
Sabino e Daniel Muniz se destacaram pelo Suzano (Foto: Divulgação/Suzano Vôlei)