Produtos do Acre são exibidos em uma das maiores feiras de alimentos da América Latina
Empresas acreanas estão expondo seus produtos em uma das mais importantes feiras voltadas ao setor de alimentos e bebidas da América Latina. A Expoalimentaria, realizada de quarta-feira, 25, a sexta, 27, em Lima, no Peru, reúne 16 expositores acreanos.
O governo do Acre, por meio da Agência de Negócios do Estado (Anac) e secretarias de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict) e de Planejamento (Seplan), disponibilizou um estande no Pavilhão Brasil, para que as empresas pudessem mostrar seus produtos. O objetivo é fortalecer relações comerciais e incentivar a exportação.
Equipe do governo do Acre fornece apoio a empresários que participam da missão comercial em Lima. Foto: Clemerson Ribeiro/Anac
“De forma inédita, algumas empresas que não puderam se deslocar para participar da feira puderam, com apoio do governo do Acre, enviar seus produtos para demonstração. Foi o caso do Café Artesanal Raízes da Floresta, por exemplo, que tivemos a grata satisfação de oferecer a autoridades e parceiros comerciais do Acre em Lima”, destacou o diretor de Administração e Finanças da Anac, Hamilton de Araújo Júnior.
Diretor da Anac, Hamilton Júnior realiza entrega de produtos acreanos a autoridades e parceiros comerciais do Acre em Lima. Foto: Clemerson Ribeiro/Anac
Além da exposição de produtos, o evento promove rodadas de negócios entre brasileiros e empresários de outros países. Segundo os organizadores, neste ano a Expoalimentaria espera um público superior a mil compradores internacionais e 20 mil visitantes, devendo movimentar US$ 540 milhões.
Evento oportuniza rodadas de negócios. Foto: Clemerson Ribeiro/Anac
Fábio Franco, produtor de grãos no Acre, destacou a importância da iniciativa para quem busca novos mercados. “Desde quando estive aqui pela primeira vez já detectava esse potencial produtivo que temos aqui. O Peru, pelas suas características, é um grande produtor de fosfato, dolomita, calcário; um parceiro estratégico para nossa região”.
Fundação de Cultura Elias Mansour entrega revitalização da Sala Memória em Porto Acre
O governo do Acre, por meio da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM), entregou nesta quarta-feira, 25, a Sala Memória, em Porto Acre. O espaço já passou por várias reformas desde que foi aberto, no fim de 1980, mas desta vez foi preciso revitalizar toda a parte física, mantendo as características originais que acolhem um acervo histórico com mais de três mil peças e artefatos catalogados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Construída no local no fim de 1940, a Igreja de Nossa Senhora de Nazaré sediou eventos religiosos da cidade até meados de 1980. A partir de então, a comunidade decidiu que a igrejinha seria transformada em sala de memória, abrigando documentos, fotografias e objetos históricos referentes aos conflitos da Revolução Acreana e ao cotidiano dos moradores de Porto Acre.
Sala Memória de Porto Acre foi revitalizada pelo governo do Estado, por meio da FEM. Foto: Lucas Dutra/FEM
“Estamos muito satisfeitos em devolver não só para a população de Porto Acre, mas também para todos aqueles que desejam conhecer mais a nossa história, a Sala Memória, que conta a história dos diversos períodos do Acre. Temos muito orgulho de cumprir essa determinação do governador Gladson Cameli de revitalizar esses locais tão importantes para a valorização do nosso povo. Isso reflete o nosso respeito à identidade e à cultura da nossa população”, enfatizou o presidente da FEM, Minoru Kinpara.
Várias fases da história do Acre estão presentes no acervo da Casa Memória. Foto: Alex Machado/FEM
Artur Sena, o “guardião de Porto Acre”
O grande homenageado do dia foi o servidor público aposentado Artur Sena, primeiro coordenador da Sala Memória de Porto Acre, responsável pela coleta da maioria dos objetos históricos que estão no local.
Objetos foram doados pela população de Porto Acre para acervo da Sala Museu. Foto: Lucas Dutra/FEM
Hoje com 81 anos, Artur Sena lembra que quando assumiu a missão havia apenas 53 peças no espaço e teve a ideia de estimular a população a doar o que tinha em casa, por meio de sorteio de eletrodomésticos. Dessa forma, em apenas uma das campanhas de arrecadação, conseguiu coletar 400 artefatos, que passaram a fazer parte do acervo.
Artur Sena, primeiro coordenador do local, ficou emocionado com homenagem durante reabertura da Sala Memória. Foto: Alex Machado/FEM
“Tivemos que dar um incentivo para que as pessoas trouxessem os objetos históricos. Pedimos apoio do comércio, para doar os produtos, e fazíamos os sorteios. Se [a pessoa] trouxesse duas peças, ganhava dois cupons do sorteio. Era difícil convencer as pessoas, mas, após duas décadas de trabalho, consegui deixar aqui mais de 800 peças catalogadas pelo Iphan”, celebra.
Artur Sena e familiares agradeceram ao governo do Estado e em especial à FEM pelo reconhecimento. Foto: Alex Machado/FEM
Filha de seu Artur e titular da Secretaria Municipal de Planejamento, Esporte e Lazer e de Finanças de Porto Acre, Vânia Cláudia de Souza agradeceu ao governador Gladson Cameli e ao presidente da FEM pela homenagem ao pai, o “guardião de Porto Acre”, em suas palavras.
“Em nome da minha família, quero agradecer por todo esse carinho. Sabemos como isso é importante para ele e o quanto lutou, ao longo de 20 anos, para fortalecer esse espaço de memória. A felicidade dele é a preservação desse local e ficamos muito emocionados com o respeito e a admiração de todos”, disse.
Além de Vânia Cláudia, que representou o prefeito Bené Damasceno, e de Artur Sena, integraram o dispositivo de honra da solenidade o presidente da FEM, Minoru Kinpara; a superintendente substituta do Iphan no Acre, Antônia Barbosa; e Lérida Nascimento.
A Sala Memória é aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 17h. Para visitação nos fins de semana é preciso fazer agendamento.
Estado entrega insumos a Marechal Thaumaturgo e Porto Walter para o enfrentamento da crise climática
Em meio às dificuldades causadas pela seca dos rios e pelas queimadas que afetam a região, o governo do Estado, por meio da Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre), realizou na terça-feira, 24, a entrega de 270 caixas de hipoclorito de sódio para as cidades de Porto Walter e Marechal Thaumaturgo. Foram destinadas 120 caixas para Porto Walter e 150 para Marechal Thaumaturgo, com o objetivo de garantir a qualidade da água para as comunidades ribeirinhas.
A ação faz parte do esforço do governo para mitigar os impactos da crise climática que afeta a saúde pública local. Entre os meses de agosto e o início de setembro, outros insumos já haviam sido enviados a municípios isolados, como Santa Rosa e Jordão.
Foram destinadas 120 caixas para Porto Walter e 150 para Marechal Thaumaturgo. Foto: Abigail Sunamita/ Sesacre
Além da distribuição de hipocloritos, uma equipe técnica da Sesacre, liderada pela Secretaria Adjunta de Administração e o Departamento de Vigilância em Saúde, realizou uma inspeção nas unidades de Saúde das localidades. O objetivo foi avaliar as necessidades estruturais e logísticas, especialmente nas áreas de almoxarifado, farmácia e funcionamento geral, com foco no atendimento durante o período crítico da seca.
Durante a seca, as unidades de Saúde enfrentam um aumento nas demandas, devido à maior incidência de síndromes respiratórias e doenças diarreicas. O monitoramento de perto das necessidades é fundamental para garantir que as comunidades, especialmente as mais isoladas, recebam o atendimento necessário.
“Nossa principal intenção, como Secretaria Adjunta de Administração, é nos aproximarmos das gerências de todas as unidades de Saúde do Estado, considerando que temos muitos municípios isolados que enfrentam diversas dificuldades. Essa iniciativa fortalece a equipe, faz com que se sinta acolhida e valorizada, e resulta em uma saúde pública mais igualitária e de qualidade”, destacou Andrea Pelatti, secretária adjunta de Administração da Sesacre.
Andrea Pelatti é secretária Adjunta de Administração da Sesacre. Foto: Abigail Sunamita/Sesacre
Essa ação demonstra o compromisso do governo em enfrentar os desafios trazidos pela crise climática e reforçar o cuidado com as populações vulneráveis e isoladas, especialmente no contexto de saúde pública.
Governo do Acre apoia iniciativa de novo voo para fortalecer laços comerciais e turísticos com o Peru
O governador do Acre, Gladson Cameli, expressou nesta quarta-feira, 25, apoio à iniciativa do deputado Luiz Gonzaga, presidente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), de estabelecer um novo voo ligando o Acre ao Peru. A proposta, que visa aumentar a integração comercial e logística entre os dois territórios, está avançando rapidamente, e os primeiros voos podem começar a operar em até 60 dias.
O anúncio vem após a participação do deputado Gonzaga em uma comitiva no Peru, onde, durante a feira de negócios Expoalimentaria, ele liderou negociações com representantes da empresa peruana Peru Air, que possui 22 anos de experiência e mais de 35.000 horas de voo sem acidentes. A companhia, especializada em transporte aéreo de cargas, passageiros e serviços corporativos, será responsável por operar os novos voos entre o Acre e o Peru, consolidando uma importante rota para o fortalecimento das relações econômicas entre os países.
Rota inédita poderá envolver as cidades de Cruzeiro do Sul e Rio Branco ao país vizinho. Foto: arquivo
“Estamos comprometidos em apoiar essa iniciativa que beneficiará diretamente nossa população e nossa economia. Esse voo é mais um passo para reforçar o papel do Acre como um ponto estratégico na integração entre o Brasil e o Peru, facilitando o comércio exterior e criando novas oportunidades para nossos produtores locais”, afirmou o governador Gladson Cameli.
Durante a visita ao Peru, o deputado Luiz Gonzaga destacou a importância dessa parceria não só para o Acre, mas para toda a região amazônica.
“É um sonho antigo da população do Juruá, e estamos próximos de torná-lo realidade. A integração logística com o Peru vai acelerar o desenvolvimento da nossa economia, e também estamos negociando para que produtos que entram no Brasil pelo Peru sejam distribuídos diretamente a partir de Rio Branco”, afirmou Gonzaga.
Além do impacto comercial, o novo voo proporcionará ganhos significativos para o setor de turismo, que poderá atrair turistas peruanos e facilitar o acesso de brasileiros ao país vizinho, um dos maiores polos turísticos da América do Sul. A rota direta entre os dois países deverá impulsionar o fluxo de negócios e visitantes, fomentando o crescimento de diferentes setores econômicos.
Eric Fernandez, gerente-geral da Peru Air, ressaltou a importância estratégica dessa parceria. “A ideia principal é conectar o estado do Acre com o Peru e a Bolívia, aproveitando as oportunidades que o Acre oferece para distribuição em toda a América do Sul. Graças ao apoio do deputado Luiz Gonzaga, esse plano está avançando rapidamente e, em breve, teremos voos de carga e passageiros em operação”, declarou.
A nova rota aérea proposta entre o Acre e o Peru não apenas fortalecerá as relações turísticas, mas também poderá abrir portas para o desenvolvimento de setores estratégicos, como a exportação de produtos alimentícios. De acordo com as informações obtidas, a Peru Air está desenvolvendo um plano de logística aérea que inclui o transporte de hortifrutigranjeiros. A intenção é que esses produtos possam ser transportados de forma eficiente e rápida, garantindo frescor e qualidade ao chegarem no Acre.
Deputado Luis Gonzaga em viagem ao Peru tem articulado a vinda da empresa aérea ao Acre. Foto: Assessoria
Além disso, a rota aérea visa conectar importantes cidades da região, criando um corredor de mobilidade que facilitará o fluxo turístico entre o Brasil e o Peru. Entre as rotas planejadas estão conexões entre Cruzeiro do Sul, Rio Branco, Porto Maldonado, Cusco e Lima, com a possibilidade de expandir para Pucallpa e Cobija, na Bolívia.
A combinação do transporte de produtos hortifrutigranjeiros e o incentivo ao turismo evidencia o caráter multifacetado dessa iniciativa. O deputado Luiz Gonzaga destacou que, além de fortalecer a economia local, o projeto busca integrar o Acre de forma estratégica com importantes polos turísticos e comerciais do Peru, promovendo uma conexão eficiente entre as regiões e impulsionando o desenvolvimento socioeconômico do estado.
O apoio do governo do Acre à iniciativa, somado ao trabalho do deputado Luiz Gonzaga, reforça o compromisso com o desenvolvimento regional, integrando o estado em rotas comerciais internacionais e criando novas possibilidades para o futuro econômico da região.
Michelle Melo denuncia funcionários fantasmas no IDAF e critica gestões estadual e municipal
Durante a sessão desta quarta-feira (25) na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), a deputada Michelle Melo (PDT) fez um discurso denunciando a existência de funcionários fantasmas no Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (IDAF). Segundo a parlamentar, pessoas apadrinhadas politicamente ocupam cargos, sem trabalhar, enquanto aqueles que passaram em concursos permanecem sem ser chamados.
“Estamos lutando para que o Estado pare de pagar funcionários fantasmas e convoque os cadastros reservas, que estão prontos para trabalhar e servir ao povo”, afirmou Michelle.
A deputada também comemorou a vitória na luta contra o aumento do IPVA em 2025, salientando que o imposto não será reajustado graças à pressão da bancada. “O IPVA só não subiu porque estivemos lá, lutando contra essa proposta absurda que só serviria para encher os cofres públicos”, disse.
Michelle Melo criticou severamente as gestões do prefeito Tião Bocalom e do governador Gladson Cameli, classificando ambas como desastrosas. Segundo ela, tanto o município quanto o Estado têm falhado em entregar serviços essenciais, como melhorias na infraestrutura e saúde pública. “O prefeito aumentou o IPTU, a conta de água, mas não entregou uma casa ou asfaltou uma rua”, declarou. Ela também destacou o impacto da exoneração de 500 profissionais da educação municipal, que, de acordo com a deputada, foram abandonados pela gestão.
A parlamentar concluiu seu discurso alertando sobre a situação crítica da saúde pública no Acre, com a falta de um hospital infantil e condições precárias nas UPA’s e prontos-socorros. “As famílias acreanas hoje choram pela falta de atendimento adequado para suas crianças. A incompetência dessas gestões está clara e afeta diretamente a nossa população”, finalizou.
Anna Lúcia e Rafael Max conquistam o 1º ouro do Brasil
O Brasil conquistou sua primeira medalha de ouro no Campeonato Sul-Americano de Esportes Aquáticos, realizado em Cali, na Colômbia. A conquista veio nos Saltos Ornamentais, com Anna Lúcia Santos e Rafael Max, no trampolim de 3m sincronizado, disputado nesta quarta-feira (24). Ao todo, o país subiu ao pódio seis vezes neste segundo dia de competições.
Para chegar ao título, a dupla brasileira (Anna Lúcia e Rafael Max) somou 239,40 pontos nos cinco saltos realizados. A prata foi para a dupla colombiana Gabriela Zarabanda e Esteban Alvarez, que somou 227,91 pontos. Por fim, os argentinos Manuel Iglesias e Azul Rolandi completaram o pódio com a soma de 185,88.
Além disso, o Brasil ainda foi ao pódio em mais duas provas neste segundo dia de Saltos Ornamentais no Sul-Americano. Luiz Felipe Moura (prata) e Rafael Max (bronze), no trampolim de 3m masculino, e Caio Dalmaso e João Margiotto (bronze), na plataforma sincronizada masculino.
Nado Artístico
O dia também foi de medalhas no Nado Artístico. Luiza Santos e Bernardo Santos levaram o Brasil ao pódio da rotina técnica do Dueto Misto com a pontuação de 193.0067.
Na rotina acrobática, a seleção brasileira, formada por Vitória Casale, Luzia Fonseca, Ana Beatriz Nunes, Celina Rangel, Sara Ribeiro, Luiza Santos, Anna Giulia Veloso, Eduarda Lima (r) e Bernardo Santos (r), terminou com a medalha de prata com a pontuação de 179.4434.
Assim, o Brasil finaliza o segundo dia de Sul-Americano com mais seis medalhas conquistadas e 12 no total (uma de ouro, seis de prata e cinco de bronze). Ademais, vale destacar que competição segue nesta quinta-feira (26) com disputadas dos Saltos Ornamentais pela manhã e de Nado Artístico pela tarde.
“Nunca estive tão otimista com o acordo União Europeia-Mercosul”, diz Lula após agenda em Nova York
Nesta quarta-feira, 25 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou à imprensa um balanço da visita oficial a Nova York, nos Estados Unidos, iniciada no sábado (21). Durante a viagem, Lula discursou na 79ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) e se reuniu com líderes como os presidentes Emmanuel Macron (França), Pedro Sánchez (Espanha) e Ursula von der Leyen (Comissão Europeia), entre outros compromissos.
“Nunca estive tão otimista com o acordo União Europeia-Mercosul. Ontem, eu disse à Ursula von der Leyen que o Brasil está pronto para assinar o acordo, que agora a responsabilidade é toda da União Europeia e não do Brasil. Porque durante 20 anos se jogava a culpa nos países do Mercosul”
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Presidente da República
“Nunca estive tão otimista com o acordo União Europeia-Mercosul. Ontem, eu disse à Ursula von der Leyen que o Brasil está pronto para assinar o acordo, que agora a responsabilidade é toda da União Europeia e não do Brasil. Porque durante 20 anos se jogava a culpa nos países do Mercosul”, frisou o presidente, na coletiva de imprensa.
Lula afirmou que sugeriu que a assinatura do acordo ocorra durante a Cúpula do G20 — grupo que reúne as maiores economias do mundo —, que será realizada nos dias 18 e 19 de novembro, no Rio de Janeiro, ou em uma reunião na sede da União Europeia.
“Temos muitos outros acordos para fazer. Preciso fazer acordos estratégicos com a Índia, porque é um país muito grande. O nosso comércio bilateral é muito pequeno, se você imaginar as duas economias. Queremos trabalhar melhor a questão da China, da União Europeia, queremos voltar a trabalhar as nossas políticas na América do Sul, na América Latina”, declarou o presidente.
ONU — Sobre a Assembleia Geral da ONU, Lula disse que “a participação do Brasil foi um momento de marcar posição com relação às coisas que estamos reivindicando há algumas décadas. Todo mundo sabe que o Brasil tem falado, insistido e tentado articular com outros presidentes a necessidade da gente renovar as Nações Unidas para que ela possa resolver conflitos que hoje estão simplesmente à deriva, porque não tem governança global no mundo”.
O presidente reforçou que o governo brasileiro defende que todos os continentes estejam representados na ONU, inclusive no Conselho de Segurança, com o fim do direito de veto e elevação do poder de comando da organização. “Se isso acontecer, eu penso que a gente poderia evitar muitos conflitos que tem hoje”, argumentou.
G20 — Antes da entrevista coletiva, Lula participou de reunião de ministros das Relações Exteriores do G20. Por iniciativa do Brasil, os membros do grupo adotaram o “Chamado à Ação sobre a Reforma da Governança Global”, documento com compromissos de reforma e modernização das principais organizações internacionais, como as Nações Unidas e a Organização Mundial de Comércio (OMC).
Em 2024, o Brasil exerce a presidência do G20 e, segundo Lula, pretende fazer um evento especial. “Não só porque vai ser feito no Rio de Janeiro e, só por isso, já é um pouco especial, mas porque nós vamos ter no dia 16, me parece, um G20 social, em que estão sendo convocadas pessoas do movimento social de vários países. E, depois, acho que vai ter uma participação apenas entre membros fixos e convidados muito importante, porque além de discutir a desigualdade, além de voltar a discutir a convergência da ONU, a questão da transição climática, a gente tem que discutir outros temas que estão na ordem do dia e que não era possível colocar na pauta quando nós fizemos a pauta”, relatou à imprensa.
“Para a minha alegria, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza tem sido um sucesso e, até agora, todos os países que nós temos conversado têm tido a posição extraordinária de aceitar participar dessa aliança global”
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
ALIANÇA GLOBAL — Durante a Cúpula do G20 no Rio de Janeiro, o Brasil vai lançar oficialmente a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa que foi tema de reuniões bilaterais que Lula teve em Nova York. “Para a minha alegria, a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza tem sido um sucesso e, até agora, todos os países que nós temos conversado têm tido a posição extraordinária de aceitar participar dessa aliança global”, compartilhou.
O governo brasileiro vai apresentar os exemplos de políticas públicas nacionais bem-sucedidas e também vai estudar iniciativas exitosas de outros países. “Com um conjunto de políticas bem-sucedidas, vamos poder provar que a única possibilidade que nós temos de cumprir essa meta é colocar o povo pobre no orçamento de cada país”, assinalou.
DEMOCRACIA — Lula também destacou o evento “Em Defesa da Democracia. Lutando Contra o Extremismo”, promovido pelo Brasil em parceria com a Espanha, na terça-feira (24). “Chamei os democratas para a gente discutir onde é que a democracia errou. Porque em algum momento a democracia cometeu uma falha que permitiu que pessoas extremistas e de extrema direita pudessem questionar a própria democracia, o sistema, uma série de coisas”, comentou.
Participaram do encontro líderes e representantes de Barbados, Cabo Verde, Canadá, Chile, Colômbia, Estados Unidos, França, México, Noruega, Quênia, Senegal, Timor Leste, além do presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e do secretário-Geral Adjunto das Nações Unidas, Guy Ryder.
“É uma discussão muito séria, porque eu considero a democracia o sistema de governo mais extraordinário que se inventou, porque somente num processo democrático é que um metalúrgico pode chegar à presidência de um país que é a oitava economia do mundo”, disse o presidente.
INVESTIDORES — A agenda de Lula nos Estados Unidos também incluiu reuniões com empresários e agências de classificação de risco. “São pessoas que querem fazer investimento no Brasil, que estão acreditando que as coisas estão dando certo. A economia brasileira está surpreendendo os homens do mercado externo, do mercado interno, os pessimistas de plantão. As pessoas estão percebendo que a economia vai crescer no Brasil, que o salário mínimo vai continuar crescendo no Brasil, que as políticas de inclusão social vão continuar acontecendo, e que a gente vai continuar a levar o Brasil para viver um padrão de vida que seja respeitável”, pontuou.
ENERGIA — Lula ressaltou que o Brasil vai aproveitar o potencial que tem de liderar a transição energética, o que vai alavancar a economia nacional. “O mundo inteiro está falando que nenhum país do mundo tem as condições que o Brasil tem para ser um país exemplo de fazer a energia mais limpa do planeta Terra, em quase toda a sua plenitude. O Brasil tem uma chance que a gente não vai jogar fora. E eu, sempre que tenho oportunidade nesses fóruns internacionais, faço questão de dizer o que a gente quer fazer”, afirmou.
RECONHECIMENTO — Além disso, o presidente participou da Cúpula do Futuro, evento que precedeu a Assembleia Geral da ONU, e da premiação anual Goalkeepers, organizada pela Fundação Bill e Melinda Gates. Lula foi premiado pelas políticas de combate à fome e à pobreza implementadas durante seus três mandatos na Presidência da República, como o programa Bolsa Família.
Oficina sobre monitoramento da biodiversidade capacita comunitários no Complexo de Florestas do Rio Gregório em Cruzeiro do Sul
Moradores de comunidades do Complexo de Florestas Estaduais do Rio Gregório (CFERG), em Cruzeiro do Sul, participaram de uma oficina sobre o Sistema Rápido e Colaborativo para Estudo da Biodiversidade (Rapeld), realizada entre os dias 15 e 24 de setembro, com foco no inventário e monitoramento da biodiversidade e dos processos ecossistêmicos locais.
O treinamento, promovido pelo Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio), com o apoio da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), faz parte do projeto Inventário e Monitoramento da Biodiversidade, Análise Integrada de Ecossistemas e Diálogos Científicos Multiculturais no Acre, que visa reforçar o conhecimento científico sobre a biodiversidade local e incentivar a conservação dos recursos naturais em regiões estratégicas da Amazônia.
“A oficina foi muito boa, pois pude aprender várias formas de preservar a natureza, as plantas e os animais, tanto na teoria quanto na prática. Acho que o sistema é uma solução, uma esperança para nós que moramos na floresta e dependemos dela para sobreviver. Se não cuidarmos do nosso meio ambiente, o futuro será como já estamos presenciando, com vários problemas”, relata Keila da Cruz Oliveira, moradora da Vila Liberdade, sobre sua participação na capacitação.
Participantes coletam amostras durante oficina sobre monitoramento da biodiversidade no CFERG. Foto: cedida
Durante a oficina, foram instaladas duas unidades amostrais permanentes e dois piezômetros – instrumentos que medem a pressão estática de água em solo, rochas, fundações e estruturas de concreto – nas florestas estaduais do Rio Liberdade e do Rio Gregório, para monitorar a variação da profundidade do lençol freático. Os participantes também coletaram dados sobre a cobertura florestal, respiração do solo e amostras de solo para análise da presença de metais pesados.
Claudia Lima, gestora do CFERG, destacou a relevância do projeto e a integração com as comunidades locais. “A realização desse trabalho no Complexo de Florestas Estaduais do Rio Gregório representa uma iniciativa de grande importância para a preservação ambiental e o fortalecimento da ciência colaborativa. Além de aprofundar o conhecimento sobre a biodiversidade local, o projeto promove uma análise integrada dos ecossistemas da região, envolvendo especialistas, pesquisadores e as comunidades locais, fomentando uma abordagem inclusiva e sustentável para a conservação”, explicou.
Pesquisadores e moradores locais trabalham juntos em inventários de plantas e animais durante a oficina. Foto: cedida
A oficina incluiu o inventário de diversas espécies da flora e fauna, com especial atenção para plantas lenhosas (árvores, palmeiras e lianas), samambaias, macrofungos, peixes e macroinvertebrados bentônicos aquáticos. O projeto está sendo implementado nas três florestas estaduais que compõem o complexo (Liberdade, Mogno e Gregório) e, em cada uma delas, serão instaladas cinco parcelas permanentes com piezômetros, ampliando as áreas monitoradas no estado.
De acordo com coordenador do Núcleo Regional do PPBio no Acre, Marcos Silveira, a iniciativa reforça o monitoramento da biodiversidade na região. “A instalação dessas unidades permanentes e a capacitação de estudantes e pesquisadores locais representam um grande avanço para o monitoramento da biodiversidade nas florestas estaduais do Acre. Essa integração com as comunidades locais e a utilização de protocolos padronizados fortalecem a conservação e o estudo dos ecossistemas da Amazônia”, afirmou.
O coordenador ressalta que o projeto também proporciona a capacitação dos participantes no uso de protocolos padronizados de amostragem, permitindo que o estado faça parte de uma rede nacional de pesquisa. “Essa rede integra pesquisadores e jovens cientistas de diversas regiões da Amazônia e do Brasil, promovendo o compartilhamento de conhecimentos e a colaboração em estudos ambientais de grande escala”, complementou.
O evento contou com a participação de docentes e estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) e do Instituto Federal do Acre (Ifac) de Cruzeiro do Sul, além dos comunitários.
Detran encerra Semana Nacional de Trânsito com ação educativa na Avenida Antônio da Rocha Viana, em Rio Branco
Um dos pontos de maior circulação de veículos e pessoas em Rio Branco, a Avenida Antonio da Rocha Viana, foi o local escolhido nesta quarta-feira, 25, para encerrar as atividades desenvolvidas pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran/AC) durante a Semana Nacional de Trânsito (SNT).
Atividade foi realizada na Avenida Antonio da Rocha Viana. Foto: Renato Beiruth/Detran
Próximo à rotatória do Horto Florestal, por onde circula diariamente uma enorme quantidade de veículos, ciclistas e pedestres, as equipes de Fiscalização e Educação da autarquia estadual montaram um circuito para abordagem obrigatória de todos os que transitavam pela via nas primeiras horas do dia.
Uma dessas pessoas abordadas foi a açougueira Esmeralda Brandão, que avaliou de maneira positiva a iniciativa do Detran. “Precisamos dessas ações de conscientização, pois os índices de acidentes têm aumentado bastante. Essa forma de chamar a atenção dos condutores é importante”, disse.
Esmeralda aprovou a iniciativa do Detran. Foto: Renato Beiruth/Detran
Josimar Oliveira, que é bombeiro, fez questão de parar, desligar totalmente o veículo e ouvir atentamente as instruções dos orientadores de trânsito. O também operador da Segurança Pública falou sobre os danos que os sinistros de trânsito podem causar às famílias dos envolvidos.
“Aparentemente são coisas simples, como o uso do cinto de segurança e do celular, mas que podem ceifar vidas. Uma desatenção pode causar um acidente e gerar danos aos familiares das vítimas. A sociedade precisa ser lembrada sobre esses importantes cuidados”, ressaltou Oliveira.
Bombeiro Josimar Oliveira ficou atento às orientações dos educadores de trânsito. Foto: Renato Beiruth/Detran
Com ações em todo o estado, as atividades da SNT percorreram escolas, empresas, instituições públicas e estiveram nas ruas e pontos de grande circulação de pessoas. Panfletagem, palestras, pit-stops e apresentações teatrais fizeram parte da programação.
“Encerramos as nossas atividades nessa ação conjunta, especialmente no Dia Nacional do Trânsito. Estamos conversando com o máximo de pessoas possível, levando essas dicas de segurança, essa reflexão e enfatizando sobre os cuidados que devemos ter todos os dias”, disse Cléia Machado, coordenadora de Educação de Trânsito do Detran/AC.
Acre protagoniza debate sobre distribuição de recursos internacionais para moradores da floresta na ONU
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), agência ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), que presta apoio técnico no desenvolvimento de políticas públicas para a preservação e desenvolvimento sustentável da Amazônia, promoveu uma séries de debates na programação da Semana do Clima, em Nova York, que acontece de 22 a 29 de setembro.
No primeiro painel, o órgão debateu sobre o direcionamento dos recursos financeiros vindos das negociações de créditos de carbono em Redd+ com o foco nas iniciativas que contemplam as comunidades indígenas, ribeirinhas e extrativistas da Amazônia.
O governo do Acre foi representado pela titular da Secretaria Extraordinária de Povos Indígenas (Sepi), Francisca Arara, e pelo presidente do Instituto de Mudanças Climáticas (IMC), Leonardo Carvalho.
Francisca participou do painel com outros gestores de pastas estaduais ligadas às populações originárias da Amazônia. A gestora destacou o respeito aos povos indígenas e os esforços do governo do Acre na aplicação dos recursos que contemplam essas populações.
“O importante, ao longo desses processos, é que os direitos indígenas não sejam violados e os recursos cheguem de acordo com a nossa realidade. As iniciativas não têm que ser para os povos indígenas, mas com os povos indígenas. No Acre temos programas e projetos sendo executados de acordo com as necessidades daqueles que protegem a floresta. Um exemplo são os projetos que contemplam a formação e o pagamento de bolsa aos agentes agroflorestais indígenas, que têm uma enorme relevância na defesa da preservação do bioma florestal”, afirmou.
Secretária dos Povos Indígenas, Francisca Arara (de crachá) destacou os esforços do governo do Acre na aplicação dos recursos que contemplam os povos indígenas. Foto: cedida
“Estamos vivendo na Amazônia um momento muito delicado. É preciso colocar recursos para os eventos extremos, que causam perda de produção na cheia e, na seca, falta de água potável e de trafegabilidade nos rios, além de problemas de segurança alimentar. As burocracias atrapalham, porque o tempo passa e os recursos demoram para chegar às comunidades”, completou, ao reforçar a urgência na liberação de recursos para minimizar os impactos das mudanças climáticas.
“Precisamos nos fortalecer com equipes técnicas adequadas, criando políticas públicas para os habitantes da floresta que sejam executadas com rapidez e eficiência. Um outro ponto importante é ouvir diretamente as populações indígenas, os pequenos agricultores dos ramais e os ribeirinhos”, disse.
Já Leonardo Carvalho participou do painel sobre os avanços do Programa Jurisdicional de Redd+ nos estados brasileiros. Em sua fala, destacou o pioneirismo do Acre na implementação exitosa do primeiro programa jurisdicional, por meio do Sistema de Incentivo a Serviços Ambientais (Sisa), e os desafios para o alinhamento com projetos de Redd+ com o setor privado.
O gestor destacou ainda o trabalho desenvolvido pelo instituto para realização das escutas participativas, que irão definir como se dará a repartição de benefícios, a partir das novas captações de fundos climáticos.
Governo do Acre, representado pelo presidente do IMC, debateu os avanços do Programa Jurisdicional de Redd+ nos estados brasileiros, em painel promovido pelo Pnud. Foto: cedida
“Uma chave importante são as consultas públicas para a repartição de benefícios originados na comercialização dos créditos de carbono. No Acre, ainda em 2024, o governo estadual vai ouvir as populações originárias, extrativistas e ribeirinhos para determinar o direcionamento dos recursos que virão. Outros esforços estão sendo realizados para atualizarmos nosso sistema de Redd+ jurisdicional, para que possamos obter a certificação e a posterior venda dos créditos para beneficiar as populações da floresta”, relatou.
Pnud: um parceiro no fortalecimento das políticas ambientais do Acre
Letícia Guimarães, que coordena os projetos nos estados da Amazônia para os Mercados de Carbono, por meio do Pnud, elogiou a criação da Sepi como uma decisão política acertada do governador Gladson Cameli.
“A criação de secretarias estaduais que colocam as prioridades, as necessidades e as visões dos povos indígenas no centro da atuação política é essencial para avançar no respeito e promoção de direitos coletivos dos povos indígenas. Reivindicar e ocupar espaços de decisão política é mais um passo importante para que as populações originárias determinem livremente o seu desenvolvimento social, econômico e cultural. Como Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento [Pnud], queremos seguir apoiando essas secretarias no cumprimento desta autodeterminação e das suas tarefas históricas”, ressaltou Letícia.
Letícia Guimarães, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), destacou o apoio e parceria no fortalecimento das políticas públicas ambientais do Acre. Foto: cedida
Letícia também relembrou a importância e o protagonismo do Acre na atualização do sistema de Redd+ jurisdicional do Sisa, que vem sendo coordenado pelo IMC.
Painel promovido pelo Pnud debateu as parcerias e os avanços do Programa Jurisdicional de Redd+ nos estados da Amazônia Brasileira. Foto: cedida
“O Estado do Acre é conhecido no mundo como pioneiro no desenvolvimento de sistemas jurisdicionais para REDD+. O Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais [Sisa] e o IMC têm garantido que os povos e comunidades tradicionais tenham seus direitos assegurados e sejam parceiros ativos no acesso à pagamentos por resultados de REDD+. No Pnud estamos muito honrados de poder colaborar com essa instância única na Amazônia Brasileira no estabelecimento da conformidade com padrões de mercados de carbono de alta integridade e, dessa maneira, alavancar recursos de fontes de financiamento internacionais para implementar políticas de redução do desmatamento e promoção de sustentabilidade”, afirmou.