Semulher realiza ação de saúde e conscientização para mulheres travestis e transsexuais em situação de prostituição
A Secretaria de Estado da Mulher (Semulher) realizou uma das ações do projeto ‘Sou A Travesti, Existo!’, na noite da sexta-feira, 27, em Rio Branco. Nesta ocasião, a equipe multidisciplinar levou kits de saúde e materiais informativos para as mulheres em situação de prostituição, com os métodos de proteção e prevenção as Infecções Sexualmente Trasmissíveis (ISTs). As atividades contaram com o apoio da Polícia Militar.
Equipe da Secretaria de Estado da Mulher contou com o apoio da Polícia Militar. Foto: Franklin Lima/Semulher
A chefe do Departamento de Ações Temáticas e Políticas de Cuidado, Alice Flores, destaca que a ação foi pensada para poder alcançar aquelas mulheres em situação de vulnerabilidade e mostrar que a Secretaria da Mulher se coloca à disposição para auxiliar e orientar. “A Semulher também busca ver essas mulheres, incentivar elas a cuidar da sua saúde, utilizar métodos contraceptivos e de prevenção. Além disso, nós fazemos um mapeamento para pensarmos em políticas inclusivas e específicas para esse público”, disse.
Além da distribuição de kits de saúde e materiais informativos, a ação também contou com rodas de conversa. Foto: Franklin Lima/Semulher
“Eu acho que essa ação deve continuar e vocês sempre tem que estar vindo ajudar a gente, porque às vezes, a gente passa constragimentos e não pergunta sobre essas coisas. É super importante, até porque tem muita gente dessa de trabalho que não é bem informada, então vocês vem, ajudando a gente, trazendo preservativo e também trazendo informações sobre os medicamentos, exames e essas coisas, eu acho ótimo”, relatou F. M. de 43 anos.
Além da distribuição dos kits de saúde e materiais informativos, a ação também contou com rodas de conversa, nas quais as mulheres puderam compartilhar suas vivências e levantar questões sobre saúde, segurança e direitos. A ação do projeto “Sou A Travesti, Existo!” faz parte de um esforço maior para combater a marginalização e promover a inclusão social das mulheres transexuais e travestis. A pasta busca, por meio de iniciativas como essa, não apenas fornecer suporte imediato, mas também criar oportunidades de reinserção social e profissional.
“É super importante, até porque tem muita gente dessa área de trabalho que não é bem informada”, disse F. M. de 43 anos. Foto: Franklin Lima/Semulher
“O projeto Sou A Travesti, Existo!, também conscientiza e educa a sociedade sobre a transfobia e os direitos das mulheres LBTs. O intuito, é fomentar a empregabilidade das mulheres transexuais e travestis, entendendo, muitas vezes, essa situação da prostituição, não como algo fixo na vida delas, mas como uma fase que pode ser superada através da união de esforços. Por isso vamos até elas com conscientização, para que enquanto elas trabalham, não coloquem em risco suas vidas e saúde. Falamos sobre violência contra a mulher e os canais de denúncia, algo que é essencial”, explicou a responsável pela Divisão de Diversidade de Orientação Sexual e Identidade de Gênero, Luar Fernandes.
“Eu super aprovo essa ação de vocês, até mesmo porque a gente precisa. E, pra gente, é até muito dificultoso correr atrás disso, porque passamos a noite na rua e ficamos indisponíveis durante o dia. Por isso que eu acho muito gratificante quando vocês vem”, disse uma das mulheres atendidas pela ação, J. A. de 29 anos.
Da rotina à transformação: como a gestão do tempo pode revolucionar sua vida
O livro “Mude seus horários, mude sua vida”, do autor Suhas Kshirsagar, ressoa profundamente em um mundo onde a correria e a falta de tempo parecem ser a norma. Essa afirmação nos convida a refletir sobre como nossas rotinas diárias e a maneira como gerenciamos nosso tempo podem impactar não apenas nossa produtividade, mas também nossa saúde mental, bem-estar e qualidade de vida.
Em nossa sociedade contemporânea, muitas vezes nos vemos presos em uma rotina que não favorece nosso desenvolvimento pessoal ou profissional. A pressão para cumprir prazos, atender às demandas do trabalho e equilibrar a vida pessoal pode nos levar a hábitos prejudiciais, como o estresse crônico e a falta de sono. Kshirsagar sugere que, ao reavaliarmos nossos horários e priorizarmos atividades que realmente importam, podemos transformar não apenas nosso dia a dia, mas também nossa perspectiva de vida.
Uma mudança simples na forma como organizamos nosso tempo pode trazer benefícios significativos. Por exemplo, estabelecer uma rotina matinal mais tranquila e intencional pode nos ajudar a começar o dia com foco e energia. Em vez de mergulhar imediatamente nas obrigações diárias, dedicar alguns minutos para meditar, exercitar-se ou planejar as tarefas do dia pode criar um espaço mental mais positivo.
Além disso, é importante considerar o impacto das pausas e do descanso em nossa produtividade. Muitas vezes, acreditamos que trabalhar sem parar é a chave para o sucesso. No entanto, Kshirsagar nos lembra que momentos de pausa são essenciais para recarregar nossas energias e manter a criatividade fluindo. Incorporar intervalos regulares em nossa rotina pode resultar em um desempenho melhor e maior satisfação no trabalho.
Outro aspecto crucial abordado por Kshirsagar é a importância de alinhar nossos horários com nossos valores e objetivos pessoais. Se passamos nosso tempo em atividades que não ressoam com nossas paixões ou propósitos, podemos acabar sentindo um vazio existencial. Ao refletir sobre o que realmente importa para nós e ajustar nossos horários para dar prioridade a essas atividades significativas — seja passar mais tempo com a família, dedicar-se a um hobby ou investir em aprendizado — podemos criar uma vida mais gratificante.
Mudar nossos horários não se refere apenas a reorganizar compromissos; é uma oportunidade de transformação pessoal. Ao tomarmos consciência do nosso uso do tempo e fazermos ajustes deliberados, temos o poder de moldar nossas vidas de maneira mais positiva. Essa mudança pode levar à redução do estresse, aumento da felicidade e uma sensação renovada de propósito.
Por fim, a frase “mude seus horários, mude sua vida” nos convida a refletir sobre a maneira como administramos nosso tempo. Ao incorporarmos práticas mais saudáveis e que estejam em sintonia com nossos valores pessoais, não apenas elevamos nossa qualidade de vida, mas também podemos inspirar as pessoas ao nosso redor a fazerem o mesmo. A verdadeira transformação inicia-se com pequenas alterações em nossas rotinas diárias. Que tal dar o primeiro passo hoje?
Cristiany Sales é controladora interna da Agência de Negócios do Acre (Anac S.A.); pós-graduada em Auditoria Empresarial; Planejamento e Gestão; Pedagogia Empresarial com Ênfase em Gestão de Pessoas; Justiça Restaurativa e Mediação de Conflitos; e graduada em Pedagogia
Cruzeiro do Sul: 120 anos de cores, sabores e sons de uma das poucas cidades planejadas da Amazônia
Das memórias afetivas que mais sou apegada, com certeza estar deitada olhando para o céu em busca da constelação de Cruzeiro do Sul em noite estrelada está no meu top 5. Quando criança, meu pai contava histórias de seringueiros, pescadores e quando o céu parecia estar mais perto de nós, ele ensinava como identificar aquela constelação que dava nome à cidade onde nasci e me criei, estabelecendo memórias que até hoje me ligam ao sentimento de lar, de pertencimento àquele lugar.
Já me desculpando por parecer bairrista demais, mas, o céu de Cruzeiro do Sul é diferenciado. Não é à toa que fazia parar uma criançada ligada nos 220 volts… Era difícil não deitar de peito pra cima para ver aquele manto estrelado que parecia estar tão perto de nós. Era um dos meus passatempos preferidos, assim como adivinhar quais os desenhos se formavam naquelas nuvens em dias de céu azul e limpo.
Minha infância foi em igarapés, pé no chão e ouvindo histórias de personalidades icônicas que fazem parte dessa história. Em cada canto da cidade, de ladeiras compridas, arquitetura diferenciada e escadarias famosas, a imaginação voava longe. Quantas histórias não criei e quantas vezes remontei a casa do Joaquim Maria Ruela, que os mais velhos falavam que era um verdadeiro palácio.
Por um tempo, moramos perto de Seu Januário. E em uma ladeira gigante descíamos de carrinho rolimã feito com latas, daquele jeito bem improvisado. A risada era certa e a preocupação dos pais também. E como tive a sorte de crescer em uma família que ama música, tive acesso cedo às músicas regionais que contam nossa história.
Como não citar “Retórica Sentimental”, de Alberan Moraes, que fala dos inúmeros personagens sobre os quais crescemos ouvindo suas narrativas. Alguns até fazem parte de nossas famílias.
“Tanta gente aqui chegou, gente boa que partiu Avô Carrapicho, Tereza Biloto, Dom José, Sr. Jamil Como é bom sonhar poder recordar Do Antônio Branco, Antônio Geraldo Paturí, da Chiquita, da Guidola Dona Fifi, dona Quita, da morena Sr. Estevão e o Moacir, Sr. Mansito Sr. Lindolfo do Mamede Cameli Me lembrei dos comissários Sr. Alfredo, Januário, carnaval no ideal”.
Daquela época, apesar de pequena, lembro-me dos meus pais se arrumando para grandes bailes, como os que aconteciam no Clube do Magid, Samambaia, Asmirrex e nas grandes festas da Maçonaria. Tive muita sorte de nascer e me criar nas águas pretas do meu Juruá. Na vida, podemos ter muitas casas, ocupar diversos locais, mas há sempre para onde nossas raízes nos chamam. Há espaços em que nossas boas lembranças moram e as minhas estão em Cruzeiro do Sul.
Lembranças que têm sons, cheiros e gostos. Como o badalar do sino da Catedral, que por muitos anos foi batido pelo Seu Alberto Brito. Nascido em 15 de novembro de 1932, no Seringal Cruzeiro do Vale, Colocação Campo de Santana, em Porto Walter, também no interior, o ministro da eucaristia começou a tocar o sino da Catedral, quando o prédio ainda era construído em madeira, no alto do Morro da Glória.
Ainda do som característico dessa terra, como não lembrar da revoada de andorinhas no Centro da cidade no fim da tarde. O aviso sonoro de que aquele dia estava terminando, mais eficaz do que qualquer relógio de ponteiros.
Dos cheiros, tenho a lembrança do café sendo torrado pelo Centro da cidade, das feiras e mercados que sempre gostei de visitar e adoro, até hoje, explicar para os rio-branquenses que o pé de moleque conhecido por eles nos é conhecido como beléu. Do gosto ainda tenho na memória o vip e o picolé de buriti. Por muito tempo, quando vim para a capital, esta era uma das minhas saudades gastronômicas mais fortes. Agora já conseguimos achar esse picolé com mais facilidade pelas bandas de cá.
Outra característica que me vem à cabeça da culinária cruzeirense é o uso da pimenta do reino fortemente nas receitas. Bom, pelo menos na minha casa, é um dos temperos principais e quando sinto o gostinho dela já me teletransporto para a mesa de casa, com todo mundo falando junto.
Como não citar tantos nomes inusitados: Ladeira do Bode, Ladeira da Remela, Morro dos Quibes e Estrada Tiro ao Alvo. O Cais também é ponto de encontro, local que alguns historiadores querem deixar como Marco Zero da cidade. Por lá chegavam as embarcações na cidade.
Terra boa também desde as águas do Rio Croa e as praias que se formam ao longo dos rios Moa e Juruá. Nas curvas dos rios, seguem também as narrativas contadas pelas perspectivas de seus olhares. Histórias eternizadas em melodias ou nos contos de narradores que se deparam com ouvidos curiosos e atentos.
Nos 120 anos, vale lembrar o início dessa cidade, uma das poucas planejadas da Amazônia, pensada para ser uma fortaleza militar, mas se tornou um refúgio dos filhos dessas terra, que têm sangue do povo dos Náuas e tem crescido no ritmo do desenvolvimento acelerado, sem perder a graça e os traços de uma Cruzeiro do Sul de outros tempos.
Que a história permaneça viva e que a segunda maior cidade do estado continue nas memórias vívidas dos filhos dessa terra, seja eternizada por seu hino ou nas canções de talentosos artistas locais. Pedindo licença para citar mais uma vez Alberan, termino esse texto citando esses versos, que fazem morada nas minhas boas lembranças:
“Como é bom sonhar, poder recordar Vendo cinco estrelas num céu todo azul Eu quero é cantar pra um dia brilhar Tua história é meu canto, Cruzeiro do Sul”.
Tácita Muniz é comunicóloga, repórter na Agência de Notícias do Acre; trabalhou por quase 11 anos na editoria do Portal G1 no Acre, encabeçando projetos envolvendo todos os estados. Também foi responsável por alimentar uma página com reportagens especiais sobre a Amazônia. É fã de rock, filmes, livros e boxe, além de aprendiz de escritora nas horas vagas.
A bioeconomia, especialmente na região Amazônica, tem emergido como uma solução promissora para a conciliação entre desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental. Essa abordagem econômica, que valoriza os recursos biológicos e os coloca no centro das cadeias produtivas, oferece potenciais para a preservação da biodiversidade, inovação tecnológica e inclusão social. Entretanto, para uma análise profunda e estratégica de seu potencial, é essencial utilizar uma ferramenta amplamente reconhecida, como a Análise Swot, que permite identificar as forças (strengths), fraquezas (weaknesses), oportunidades (opportunities) e ameaças (threats) da bioeconomia na Amazônia.
Strengths (forças)
Entre as principais forças da bioeconomia na Amazônia está a vasta biodiversidade da região, que oferece uma ampla variedade de recursos naturais, como plantas medicinais, alimentos, fibras e óleos essenciais. Esses recursos são fundamentais para o desenvolvimento de produtos com alto valor agregado, especialmente nos setores farmacêutico, cosmético e alimentar. Além disso, a bioeconomia promove o uso sustentável dos recursos naturais, ao mesmo tempo em que fomenta a conservação da floresta e a manutenção dos serviços ecossistêmicos, como a regulação climática e a conservação dos solos (Brasil, 2024).
Outro ponto positivo reside no crescente apoio internacional para iniciativas de sustentabilidade e economia verde, especialmente em contextos de mitigação das mudanças climáticas. Iniciativas como o REDD+ e o ART-Trees estão em consonância com os objetivos da bioeconomia, oferecendo incentivos financeiros para projetos que conservem a floresta e promovam práticas econômicas sustentáveis (MMA, 2023).
Weaknesses (fraquezas)
Apesar do imenso potencial que a bioeconomia na Amazônia apresenta, ainda existem algumas áreas que podem ser aprimoradas. A infraestrutura disponível e as políticas públicas relacionadas ao desenvolvimento sustentável de cadeias produtivas ainda têm espaço para evolução, o que poderia ampliar as oportunidades no setor. Além disso, o acesso a financiamentos e a tecnologias inovadoras para pequenos produtores e comunidades tradicionais ainda pode ser facilitado, de modo a fortalecer a competitividade desses produtos no mercado internacional (Secchi, 2021).
Em termos de desenvolvimento técnico e inovação, há um campo promissor para aumentar o investimento em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, o que certamente impulsionaria a capacidade local e fomentaria novos avanços no setor. Ainda, a coexistência de diferentes atividades econômicas na região traz desafios que podem ser abordados com mais clareza em termos de regulamentação e fiscalização, garantindo que o progresso da bioeconomia possa coexistir harmoniosamente com o desenvolvimento sustentável (Oliveira & Santos, 2022).
Opportunities (oportunidades)
A bioeconomia amazônica também apresenta oportunidades estratégicas, especialmente no cenário atual de transição para uma economia de baixo carbono. O reconhecimento global da importância da Amazônia para o equilíbrio climático mundial torna a região uma peça-chave em iniciativas de compensação de carbono e soluções baseadas na natureza. Programas como o mecanismo REDD+ e a Estratégia Nacional de Bioeconomia, incorporada recentemente pelo Decreto nº 12.044/2024, abrem possibilidades de atração de investimentos estrangeiros e maior participação do Brasil em mercados globais de carbono e produtos sustentáveis (Brasil, 2024).
A crescente demanda por produtos naturais e orgânicos, tanto no mercado interno quanto externo, oferece uma oportunidade significativa para a bioeconomia. Produtos da biodiversidade amazônica, como açaí, cupuaçu e andiroba, estão cada vez mais presentes no mercado internacional, valorizados por suas propriedades nutricionais e cosméticas. Esse contexto pode incentivar a inovação nas cadeias produtivas e aumentar a competitividade da região no mercado global (Pinto, 2023).
Threats (ameaças)
Apesar dos avanços promissores, alguns desafios ainda persistem e podem dificultar a consolidação da bioeconomia na Amazônia. Entre eles, destaca-se a expansão gradual do agronegócio e da pecuária extensiva, cujas práticas, em alguns casos, ainda exercem pressão sobre áreas florestais, o que pode impactar negativamente os esforços de preservação ambiental. Além disso, mudanças nas políticas ambientais e eventuais ajustes nas regulamentações podem criar incertezas, o que pode influenciar a adoção de práticas sustentáveis por investidores e comunidades locais (Nascimento et al., 2023).
Outro ponto de atenção é a necessidade de maior sinergia entre os diferentes setores governamentais e econômicos. A bioeconomia, por seu caráter abrangente, exige um alinhamento eficaz entre políticas ambientais, agrárias e de desenvolvimento, o que, em alguns casos, pode não ocorrer de forma totalmente integrada. Sem essa coordenação aprimorada, os projetos de bioeconomia correm o risco de não alcançar todo o seu potencial em termos de impacto (Lima, 2022).
Conclusão
A Análise Swot da bioeconomia na Amazônia revela um cenário complexo, mas cheio de possibilidades. Com suas imensas riquezas naturais e o crescente apoio internacional, a região possui enorme potencial para se consolidar como um polo global de bioeconomia. No entanto, é necessário enfrentar suas fragilidades, como a falta de infraestrutura e a competição com atividades insustentáveis, além de mitigar as ameaças impostas pela expansão do agronegócio e a instabilidade política. A adoção de políticas públicas mais integradas, somada a investimentos em inovação e capacitação, será essencial para que a bioeconomia se torne um motor de desenvolvimento sustentável na Amazônia.
*José Luiz Gondim dos Santos é gestor de políticas públicas, advogado especialista em Constitucional, Mudanças Climáticas e Negócios Ambientais
Novo PAC: BNDES viabiliza financiamento de R$ 1 bilhão para obras de saneamento e abastecimento no Ceará
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do programa BNDES Invest Impacto, contratou operação de R$ 1 bilhão com o Estado do Ceará para investimentos em abastecimento de água e esgotamento sanitário, no âmbito do Novo PAC. Atualmente, 152 entre os 184 municípios cearenses são atendidos pela companhia estadual e a cobertura do sistema de esgoto é de apenas 48%.
O anúncio do contrato e a assinatura de ordem de serviço, no Palácio do Planalto, às 16h, contarão com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; do governador do Ceará, Elmano de Freitas; do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante; e da diretora Socioambiental do Banco, Tereza Campello.
“Prioridade do governo do presidente Lula, o saneamento é indispensável para a qualidade de moradia e de vida da população, por reduzir riscos à saúde, principalmente infantil. A infraestrutura sanitária de qualidade também contribui para manutenção de empregos e mitigação às mudanças do clima”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
1,5 MILHÃO DE HABITANTES – A expectativa é de que a expansão dos serviços beneficie 39 municípios e 1,5 milhão de habitantes. Além do contrato assinado, a Área de Desenvolvimento Social e Gestão Público do BNDES e o Governo do Ceará negociam uma nova operação, no valor de R$ 600 milhões, para obras associadas à mitigação e adaptação às mudanças climáticas, igualmente realizada dentro das ações do novo PAC.
MEIO BILHÃO – Dos R$ 1 bilhão contratados, R$ 500 milhões são voltados para projetos de reposição da infraestrutura de saneamento existente no Ceará, atualmente considerada insuficiente pelo desgaste dos equipamentos e pelo aumento da demanda acima do suportado pelo sistema. A falta de reposição gera desperdício na distribuição de água e paralisação da coleta de esgoto. Entre os investimentos previstos com o objetivo de garantir a segurança hídrica da região, está a duplicação do Eixão das Águas, que leva água do açude Castanhão até a Região Metropolitana de Fortaleza.
CAGECE – Os outros R$ 500 milhões do contrato firmado são destinados a aporte de capital na Companhia de Água e Esgoto do Ceará (CAGECE), o que contribuirá para o alcance da meta de universalização de esgotamento sanitário até 2033.
CEARÁ E BNDES – O BNDES e o Ceará são parceiros desde 1979 em projetos variados que incluem áreas como saneamento, infraestrutura e social. Nos últimos 30 anos, o Banco desembolsou mais de R$ 4,6 bilhões para projetos da administração pública estadual cearense.
INVEST IMPACTO – O acordo com o Governo do Ceará foi viabilizado por meio do BNDES Invest Impacto. Lançado em 2023, o programa contribui para a retomada do investimento público como indutor do crescimento e desenvolvimento estadual, principalmente para reduzir vulnerabilidades socioeconômicas e combater as mudanças climáticas. Com o BNDES Invest Impacto, além de apoiar financeiramente, o banco auxilia os estados a qualificarem seus investimentos, fomentando ações alinhadas às políticas públicas federais que contribuam para a redução de desigualdades e o enfrentamento da crise ambiental e climática.
AGILIDADE E PREVISIBILIDADE – Estruturado para apoiar planos setoriais ou multissetoriais, o BNDES Invest Impacto busca agilizar o processo de contratação e dar mais previsibilidade aos estados no planejamento de seus investimentos. Isso contribuiu para o uso qualificado do espaço fiscal aprovado anualmente pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) para cada ente federativo. A solução possibilita que os governos apresentem inicialmente um conjunto de investimentos e, depois, submetam o detalhamento técnico dos projetos individuais para aprovação do Banco.
Emerson Jarude critica projeto de aumento do IPVA e questiona governo sobre responsabilidade
Na sessão desta quarta-feira, 25 de setembro, na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), o deputado Emerson Jarude (Partido Novo) voltou a criticar o projeto do governo que previa um aumento de 50% no IPVA a partir de 2025, destacando a ausência de parlamentares da base governista e apontando que a retirada da proposta foi motivada por interesses eleitorais.
“A gente vive nesse plenário aqui a ressaca da derrota do IPVA. Hoje você observa que a base não compareceu, o líder do governo não compareceu. Estão aqui os deputados que de fato lutaram a favor da população para que o IPVA não fosse aumentado em 50% a partir de 2025”, afirmou o parlamentar.
Jarude chamou atenção para o fato de que, segundo ele, a retirada da proposta não foi resultado de uma reconsideração do governo em relação ao impacto sobre a população, mas sim por causa da proximidade das eleições. “Ficou muito claro nas declarações do governo que o motivo da retirada é a questão eleitoral. Não é porque repensaram, não é porque acham que vão prejudicar a população. Não estão querendo assim dispor em véspera de eleição”.
O deputado ressaltou ainda que continuará vigilante para impedir que a proposta retorne e afete negativamente os cidadãos acreanos. “Vamos ficar atentos, vamos fazer de tudo para que esse PL passe bem longe deste poder”, disse.
Outro ponto levantado por Jarude foi a responsabilidade do próprio governo estadual na autoria do projeto, questionando as declarações recentes do governador. “O que mais me espantou foi a declaração do próprio governo do Estado do Acre que, nas palavras do governador, disse o seguinte: ‘parece pegadinha’. Alguém vai ter que se responsabilizar. Alguém quem? O documento vem assinado pelo governador do Estado do Acre. Não é por um secretário, não é por um terceiro. Quem tem que se responsabilizar é o responsável.”
Finalizando sua fala, o parlamentar parabenizou os colegas que, assim como ele, se posicionaram contra o aumento do imposto, mencionando nominalmente Fagner Calegário, Edvaldo Magalhães e Michelle Melo. “Graças a Deus conseguimos evitar esse prejuízo para vocês”, concluiu.
Brasil fecha Sul-Centro Americano Cadete com duas pratas
Não foi o dia do Brasil no handebol. Com derrotas no masculino e no feminino, as seleções nacionais sub-16 ficaram com a prata no Campeonato Sul-Centro Americano Cadete. Assim, a Argentina derrotou as equipes brasileiras nos dois gêneros para ficar com os títulos nos dois naipes. Além disso, a Seleção Feminina sofreu derrota para Portugal.
Em Assunção, no Paraguai, duas derrotas nas finais do campeonato continental para categorias de base, deixou o Brasil em segundo lugar no pódio. Primeiramente, o time masculino sofreu contra os vizinhos azuis-celestes. Apesar de terminar a etapa inicial com a igualdade no placar (14 a 14), o Brasil não resistiu na segunda metade e sucumbiu por 26 a 21.
A possibilidade de “vingar” a derrota poderia vir em seguida com as meninas. No entanto, o primeiro tempo já sinalizava grandes dificuldades para o Brasil, que terminou perdendo por 11 a 8. Na segunda etapa, a distância só aumentou a favor das argentinas, que fecharam o marcador em 30 a 19 para fazer a alegria de seus conterrâneos nas arquibancadas.
Desse modo, o Brasil amargurou duas derrotas nas decisões e precisou se contentar com a medalha de prata. Anteriormente, ainda neste sábado (28), a Seleção adulta feminina competiu no Torneio Internacional de Batalha. Na partida amistosa contra Portugal, uma derrota por 24 a 23, em um duelo que serviu para a comissão técnica testar novas jogadoras para o começo de ciclo. Na sexta-feira, o Brasil derrotou a Turquia por 30 a 25.
Alex Malacarne fica em 3° lugar na etapa de Lake Placid do XCO
Neste sábado (28), aconteceu a etapa de Lake Placid, nos Estados Unidos, marcando o segundo dia da Copa do Mundo de Mountain Bike. O evento contou com as provas de short track nas categorias elite masculina e feminina, além das disputas do Cross Country Olímpico (XCO) nas categorias sub-23 masculina e feminina. Representando o Brasil na categoria sub-23, Alex Malacarne superou o líder da competição e conquistou seu segundo pódio do ano, ao garantir o terceiro lugar
Em uma impressionante prova de recuperação, o atleta brasileiro Alex Malacarne superou Riley Amos, líder da competição, e completou o percurso em 01h05min01s, garantindo 80 pontos no ranking do XCO. Ele cruzou a linha de chegada em terceiro lugar, atrás do canadense Cole Punchard, que venceu a prova com o tempo de 01h04min07s, apenas 54 segundos à frente de Malacarne. A segunda colocação ficou com o suíço Dario Lillo, que somou 100 pontos.
Alex Malacarne também participou da prova de short track (XCC) sub-23 no dia anterior (27), onde terminou em 22° lugar com um tempo de 20min57s. O suíço Dario Lillo conquistou a vitória na corrida com 20min33s, enquanto o francês Luca Martin e o compatriota Luke Wiedmann completaram o pódio.
A etapa de Lake Placid é a penúltima da Copa do Mundo de ciclismo mountain bike na temporada. A competição deve se encerrar na próxima semana, em Mont Saint Anne, no Canadá. As corridas devem acontecer entre os dias quatro e seis de outubro.
“Em nome de Jesus, Senhor, já estou curado.” Esse tipo de prece é comum na rotina do pequeno Bryan Vinicius de Souza Vidal, de 4 anos, que trava uma guerra contra o câncer. Diagnosticado com sarcoma de células claras (SCC) há um ano, ele é um dos pacientes da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia do Acre (Unacon), da ala de pediatria. Em suas redes sociais, a mãe, Sislânia Oliveira, posta as vitórias do pequeno e tem registrado as últimas sessões de quimioterapia que ele está fazendo. Em outro vídeo, ela mostrou o momento que ele arrasta uma mala e comemora: “Só falta mais uma [sessão de quimio].”
Bryan Vinicius faz tratamento contra o câncer em Rio Branco. Foto: cedida
Setembro tem como uma de suas cores o dourado, que é uma campanha global de conscientização sobre o câncer infantojuvenil e tem como objetivo alertar a população sobre a importância do diagnóstico precoce da doença. Depois de receber a confirmação da doença, é iniciado um longo processo de tratamento e, para que a família seja acolhida da melhor maneira, a Secretaria de Saúde do Acre montou um espaço pediátrico dentro da Unacom.
Formada por profissionais qualificados, espaços lúdicos e muitas cores, o ambiente faz parte do tratamento e foi pensado como uma forma de amenizar o fardo durante tantas idas ao hospital. Além de tudo, garante que as crianças que estejam passando por esse processo tenham a infância preservada enquanto lutam contra essa doença.
Sislânia lembra que o pai de Bryan teve um sonho em que um homem o alertava para olhar a barriga do filho e foi quando eles começaram a investigação. “No outro dia, quando meu marido acordou, fui olhar a barriga dele e notei um caroço no abdômen, então fomos ao posto de saúde e foi diagnosticado um tumor”, relembra.
A partir daí, a família foi encaminhada para a Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre), onde foi feita uma cirurgia e a biópsia. “Dia 6 de julho de 2023 tive o diagnóstico de câncer e fiquei sem chão, desesperada, mas a Dra. Valéria sempre me mostrando que não era o fim, mas que tinha cura sim”.
Para Sislânia, o acolhimento que recebeu foi fundamental para que fosse fortalecida enquanto acompanha o filho.
O alerta
A pediatra oncologista Valéria Paiva, a qual a mãe faz menção, é uma das que acompanham esse trabalho na unidade, sendo uma referência na área. Ela conta que o serviço existe desde 2007 e já passaram 850 crianças pelo local. “Atualmente, temos 20 crianças em tratamento, mas lembrando que todas ficam em acompanhamento, mesmo após 5 ou 10 anos. O tipo mais comum de câncer nas crianças é a leucemia linfoide aguda, seguida pelos tumores cerebrais e linfomas, que seguem a mesma epidemiologia do mundo”, relata.
Médica Valéria Paiva atua no estado do Acre há quase 18 anos. Foto: Izabelle Farias/Sesacre
Os pais devem ficar atentos a alguns sinais para que, caso haja algo diferente na criança, ela seja levada o mais rápido possível para uma unidade de saúde e tenha uma resposta rápida e eficaz.
É preciso ficar alerta em casos de anemia e palidez bruscas, manchas roxas em locais nos braços e no tronco, que não estejam relacionados à trauma, dor de cabeça persistente com diminuição de força, dor de cabeça com vômitos, estrabismo ou a leucocoria, que é a mancha branca no olho quando tira foto com flash, dor nas pernas com piora e aumento dos linfonodos, nódulos palpáveis e corpo ou massas palpáveis no corpo.
“Aqui no estado a gente tem o tratamento tanto de quimioterapia, cirurgia, como a radioterapia. E a gente tenta fazer da melhor forma possível. O câncer infantil é totalmente diferente do câncer do adulto, sendo mais agressivo, mas com melhor resposta à quimioterapia. Então as chances de cura podem chegar a mais de 85%, mas depende do diagnóstico precoce”, ressalta a médica.
E, para que esse processo se torne mais leve, tanto para o paciente, como para a família, o espaço tem um papel crucial nessa acolhida. “A gente faz algumas adaptações para que a criança fique mais tranquila no tratamento. As quimioterapias geralmente são internações, então esse é um lugar mais colorido, enfeitado e lúdico. Tentamos relacionar essa com uma brincadeira, um super-héroi e deixamos coloridos”, pontua.
Érica Araújo, de 12 anos, sonha em poder voltar à rotina normal. Foto: José Caminha/Secom
‘Quero minha rotina de volta’
Érica Araújo, de 12 anos, é uma das pacientes que está fazendo quimioterapia no local. Acompanhada da avó, Maria de Lourdes Lima, ela revela qual é o principal plano para quando esse processo acabar: “Quero voltar a ter uma rotina normal”.
Atleta de taekwondo, estudante e viajante, ela começou o tratamento em julho deste ano contra linfoma de Hodgkin. Uma das coisas que lhe trouxe alívio foi conseguir fazer seu tratamento em Rio Branco. “É importante ter esse apoio por perto, porque fiquei com medo da doença”, contou.
A avó, Maria de Lourdes, complementa informando que o atendimento na unidade é um marco. “Aqui somos bem atendidas, tanto pacientes como acompanhantes. Gosto muito do atendimento, os funcionários são um amor de pessoa. Não foi necessário viajar, porque aqui tem de tudo, está bem avançado. Inclusive, minha irmã tem câncer e é tratada aqui, a esposa do meu irmão também é tratada aqui. Não foi preciso viajar”, reforça.
Érica é atleta de taekwondo, estudante e viajante, ela começou o tratamento em julho deste ano contra linfoma de Hodgkin. Foto: José Caminha/Secom
De paciente a enfermeira
Raissa Silva, hoje com 25 anos, foi uma paciente pediátrica da unidade quando tinha 12 anos. De Cruzeiro do Sul, na época, quando tinha 12 anos, teve que ir para a capital acreana para tratar de um linfoma. “Eu tive um linfoma no braço esquerdo e o meu diagnóstico foi precoce, mas tive que passar por quatro médicos antes de receber o diagnóstico fechado de câncer. Foi precoce porque minha mãe sempre foi muito atenta à minha saúde. Os meus sintomas eram muito inespecíficos, então, foi um pouco difícil de se descobrir assim no início”, relembra.
Desde o diagnóstico, o tratamento foi feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o sistema que hoje ela compõe como enfermeira. Durante a guerra que travou, o tratamento que recebeu dos funcionários da unidade foi um refrigério.
Curada de câncer, Raissa hoje é enfermeira e trabalha na Unacom. Foto: cedida
“A escolha da minha profissão foi motivada pelo que passei. Eu quis entrar para a enfermagem por causa desse cuidado, porque a enfermagem é a arte de cuidar, então, gostaria de ajudar outros pacientes. Durante a minha formação como enfermeira não fui muito para a área da oncologia. Na verdade eu estudei mais para ser enfermeira de urgência e emergência, que é a minha pós-graduação, mas eu não esperava voltar para Rio Branco. Na verdade, trabalhava no Hospital do Juruá, na área que eu mais me identifico, que é a área da urgência e emergência da UTI, só que acabou que o destino me trouxe de volta para Rio Branco e para o Hospital do Câncer”, relata.
Durante sua caminhada, Raissa disse que nunca perdeu a fé na cura. A experiência como paciente reflete na sua atuação como profissional. “Talvez por eu ter passado por esse tratamento tão jovem, nunca tive medo, sempre imaginei que eu fosse ser curada e eu nunca pensei na morte. Nunca fiquei triste sobre o câncer. A única coisa que me fez chorar, inclusive é uma das minhas lembranças mais fortes, foi quando a doutora Valéria me falou que eu tinha que ficar em Rio Branco para fazer meu tratamento e eu ia ter que ficar longe da minha família. Eu chorei. O câncer é difícil de curar, mas ele tem cura. Então, quando tratado, quando descoberto logo, a pessoa tem mais chances, assim como eu tive a chance também. É uma doença muito amedrontadora, mas ela pode ser vencida”.
Janini teve a ideia de personalizar as máscaras termoplásticas. Foto: José Caminha/Secom
Héroi usa capa e máscara
Encontrar colaboradores que deixem esse processo mais leve é um acalento. A técnica em radiologia Janini Negreiros tem consciência disso e teve uma ideia, ainda no ano passado, para que os pequenos pacientes que precisam de radioterapia se sentissem mais fortes ao encarar aquela máquina que pode ser assustadora. Pensando em tornar este momento mais tranquilo, teve a ideia de personalizar as máscaras termoplásticas, essenciais para a imobilização dos pacientes durante o tratamento. Ela garante que a cabeça e o pescoço serão mantidos exatamente na posição correta para o tratamento.
“Como tenho filho e ele gosta mais de super-hérois, pensei que ela assim, branca, podia assustar ainda mais. Então, vi no Instagram um colega de outro estado que personalizava as máscaras, tinha todo um cuidado com as crianças e achei interessante”, conta.
Antes de personalizar, a enfermeira conversa com os pacientes. Foto: José Caminha/Secom
Então, ela entrou em contato com a pediatra, que autorizou a personalização. Antes da confecção, ela conversa com os pacientes para saber o perfil de cada um e produzir o equipamento.
“A gente sempre procura fazer assim: conversamos com o paciente, vemos o que ele gosta e vou tendo ideias. Toda criança que vem, a gente procura trazer essa personalização, porque fica mais leve para a criança. Ela se sente mais acolhida, não fica com tanto medo”, conta.
Desde a medida, alguns pacientes que precisaram ser sedados em sessões anteriores conseguiram fazer o procedimento acordado depois de se vestir com a “armadura”. “É uma coisa a menos para eles naquele momento. Quando passei a personalizar, os pacientes chegam aqui correndo e é como virassem verdadeiros hérois naquele momento. E, aos poucos, a gente se junta e já vai incrementando, como o último que fez aqui, além da máscara a gente comprou a roupinha do Pantera Negra”.
Espaço é pensado para deixar tratamento mais leve e manter a infância das crianças. Foto: José Caminha/Secom
A manutenção da infância
O gerente de assistência da Unacom, o oncologista Rafael Teixeira, explica o impacto desses pequenos detalhes no ambiente do tratamento e a importância dessa qualificação dos servidores, que, acima de tudo, colocam a humanidade e sensibilidade à frente da conduta profissional.
Ele explica que o diagnóstico e todo o tratamento não envolvem apenas o paciente, que está na infância, mas também toda a família. “Quando a pessoa tem câncer, independente da idade, a notícia, a expectativa, o medo existe. É o medo de perder, medo de morrer e o paciente não adoece sozinho, a família toda é atingida. E nas crianças isso é muito potencializado, porque, dependendo da idade, a criança não tem perspectiva da gravidade da situação, então fica tudo muito a cargo dos pais, da família”, explica.
O desafio, segundo o médico, é manter a família engajada e com esperança durante esse procedimento. “A gente tem que usar várias estratégias. Não é só dar o remédio, não é só marcar consulta, mas também ter um ambiente acolhedor faz toda a diferença, ter esse cuidado desde a porta de entrada. Precisamos ter um acolhimento legal, com ação lúdica, que também ajuda no enfrentamento da doença, no resultado do tratamento. Não é só do paciente, da família, mas para a equipe também, que sofre muito”.
Médico, Rafael fala da importância desse acolhimento e como isso reflete no tratamento. Foto: José Caminha/Secom
Os tratamentos de câncer são longos. As crianças são acompanhadas por muitos anos após os procedimentos. “Com o passar do tempo, vai criando-se vínculos e existe um peso muito grande. A gente quer que todo mundo fique curado, mas não é sempre assim. As perdas existem e elas são sentidas pela família, claro, mas também pela equipe. O espaço bom, adequado, ajuda nisso tudo, a minimizar alguns sofrimentos e dar o mínimo de, não vou nem dizer conforto, mas daquilo que as pessoas precisam para enfrentar este momento difícil”, evidencia.
O impacto positivo nisso, segundo o médico, é documentado na literatura. O gerente pontua, ainda, que a unidade aceita livros, brinquedos e aparelhos, como videogame, TV e itens que podem ajudar nessas atividades.
“Temos desenhos, livros, historinhas e a professora faz atividade educacional. Tudo isso até para manter a criança sendo criança. Afinal de contas, ela continua sendo uma criança, precisa brincar, viver e já está tão afetada de precisar vir ao hospital tantas vezes que a infância vai ficando um pouco comprometida, e no que a gente pode ajudar, a gente tenta. Por isso, são muitos eventos, festas à fantasia”, relata.
Espaços de esclarecimentos
A conscientização não deve ficar restrita apenas ao Setembro Dourado, mas deve ser disseminada constantemente na população. No dia 5 de outubro, no Horto Florestal, haverá um evento de luta contra o câncer infantil. A atividade foi adiada anteriormente, mas vai ocorrer das 8h às 12h. Além disso, o perfil da ala pediátrica compartilha informações importantes e as conquistas na área. A médica Valéria destaca, ainda, que esse trabalho de qualificação é estendido à atenção primária.
“Faço essa capacitação ensinando como aumentar a rapidez do diagnóstico precoce, para que essas crianças cheguem logo à Unacom e tenham maior chance de cura”, destaca.
Também está marcada uma corrida para este domingo, 29, para chamar a atenção da população para o mês de luta. A reunião vai começar no Quiosque do Coco, a partir das 6h30.
Dúvidas, informações e orientações podem ser tiradas por meio do perfil da conta oficial da OncoPedAcre. É importante lembrar que esta é uma unidade que recebe paciente por meio de encaminhamento. Já na ação no dia 5 de outubro, vai ter brincadeira, pinturas, balões e folhetos informativos para fazer o diagnóstico precoce.
Governador Gladson Cameli prestigia festa em celebração aos 120 anos de Cruzeiro do Sul
Cruzeiro do Sul, conhecida como a capital nacional da farinha de mandioca, a terra dos Náuas e a princesinha do Juruá, está em festa neste sábado, 28. Seus quase cem mil habitantes celebram 120 anos de uma história marcada por lutas, conquistas e busca por prosperidade. O governador Gladson Cameli prestigiou a festa realizada na Praça Orleir Cameli, região central do município.
Governador Gladson Cameli prestigiou festa em celebração ao aniversário de Cruzeiro do Sul. Foto: Diego Gurgel/Secom
Ao lado de políticos e autoridades locais, o chefe do Executivo discursou para as milhares de pessoas presentes ao evento, que se iniciou com desfile cívico-militar. “São 120 anos de força, de coragem e de uma história que honra não somente nossos antepassados, mas também as gerações do presente e do futuro”, destacou.
Gladson Cameli agradeceu a sua terra natal pelas oportunidades concedidas no cenário político, entre elas, a de gerir o Acre durante dois mandatos. “Eu só tenho gratidão a Deus, à minha família e ao povo da terra onde nasci por ter me confiado a missão de governar o nosso Estado por dois mandatos, e ainda representá-los como deputado federal e senador da república”, proferiu.
Gladson Cameli: “São 120 anos de uma história que honra o seu povo”. Foto: Diego Gurgel/Secom
O governante acreano enfatizou, ainda, a importância do trabalho de homens e mulheres que, por meio do suor derramado no solo cruzeirense, colaboraram com a construção de uma localidade que caminha a passos largos rumo ao progresso. Segundo o gestor, a união de esforços é a chave para seguir desenvolvendo a segunda maior cidade dos acreanos.
“Aqui, diante dessa festa linda, faço uma reflexão sobre a importância da união para fazer de Cruzeiro do Sul, coração da economia do Juruá, um lugar cada vez mais próspero de se viver. Quero parabenizar a união de esforços entre o governo do Estado, a Prefeitura, a Assembleia Legislativa, os nossos deputados federais e os nossos senadores, uma aliança que tanto tem trabalhado pelo desenvolvimento da nossa cidade. Fazer Cruzeiro do Sul crescer é transformar o Acre num estado de oportunidades e mais digno à população”, declarou Cameli.
Henrique Afonso: “Não tenho dúvidas de que virá um futuro ainda mais próspero para a nossa gente”. Foto: Diego Gurgel/Secom
“É um momento especial para todos nós. O dia 28 de setembro é muito significativo, um símbolo de civismo e de patriotismo de cada cruzeirense. É quando expressamos o que somos para o Acre, Brasil e o mundo. Não tenho dúvidas de que teremos um futuro ainda mais pujante para o nosso município, sobretudo, com o crescimento do agronegócio, com a vinda do linhão para cá, com a consolidação e reestruturação da BR-364, a futura ligação comercial da região com o Peru, por exemplo. São grandes as nossas expectativas”, ratificou o vice-prefeito Henrique Afonso.
Festa que aquece a economia
A festa do aniversário de Cruzeiro do Sul, realizada pela Prefeitura Municipal, tem o governo do Estado como parceiro. Além do desfile cívico-militar, a festividade conta com a Feira do Empreendedor, uma oportunidade para a geração de renda e riqueza, que aquece a economia local.
Festividade movimenta a economia local com a Feira do Empreendedor. Foto: Diego Gurgel/Secom
Ao todo, 50 empreendedores atuarão com vendas de bebidas e comidas típicas, faturando um dinheirinho extra, que ajuda no orçamento de casa e na realização de projetos familiares.
“Todos os anos em que fazem a Feira do Empreendedor, eu e minha família participamos. É um dinheirinho que ajuda em casa e a realizar sonhos, como foi o caso da minha irmã, que comprou um carro novinho. Estou com boas expectativas de vender bastante hoje”, disse a empreendedora Eliete Nascimento Monteiro, que comercializa comidas típicas, como carnes na chapa e de sol.
Artesanato é a principal fonte de renda à família de Nilma: “Temos que aproveitar as oportunidades”. Foto: Diego Gurgel/Secom
O artesanato se tornou solução para os problemas financeiros da família de Nilma Nascimento dos Santos. A empreendedora celebra mais uma oportunidade de comercializar seus produtos, feitos à base de matéria-prima como sementes e fibras, na Feira do Empreendedor. “O Artesanato se tornou a principal fonte de renda e de sustento da minha família. Hoje, estou aqui aproveitando o momento, com a meta de vender bastante, porque temos que aproveitar as oportunidades”, reforça.