Programa de alfabetização do governo ensina e transforma vidas no bairro Cidade do Povo
Valorizar a experiência de vida dos alunos, sobretudo dos adultos, na medida em que elas são ricas em conhecimentos prévios que podem ser utilizados como ponto de partida para o ensino: essa tem sido uma das premissas para a política de alfabetização do governo do Acre, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE).
E é exatamente o que vem acontecendo dentro do programa Alfabetiza Acre/EJA, lançado no último mês de maio pelo governo do Estado, em parceria com o governo federal. O programa já chegou a mais de 2,4 mil alunos em todo o estado, distribuídos em 192 turmas.
Uma dessas turmas está localizada na escola Cristina Maia, no bairro Cidade do Povo, onde as professoras Zulene Sales Souza e Francisca Sandra Rodrigues da Silva são responsáveis pela alfabetização de pelo menos 36 alunos, na maioria idosos que possuem histórias de superação e aprendizado.
Na escola Cristina Maia funciona uma turma do programa Alfabetiza Acre/EJA. Foto: Stalin Melo/SEE
Em todo o estado, de acordo com dados do Ministério da Educação (MEC), o Acre possui em torno de 70 mil analfabetos, tornando o processo de alfabetização um desafio para o governo. “Vamos erradicar o analfabetismo em nosso estado e isso é um compromisso do nosso governo”, afirma o secretário de Educação, Aberson Carvalho.
Na turma da escola Cristina Maia, as histórias de vida e superação se multiplicam. Na maioria dos casos, as pessoas nasceram e viveram boa parte da vida nos seringais e não tiveram a oportunidade de estudar quando jovem. De acordo com a professora Zulene Sales, a maioria já consegue ler e assinar o nome.
Professora Francisca Sandra: “Eu é que acabo aprendendo com eles”. Foto: Stalin Melo/SEE
“É a primeira vez que trabalho como alfabetizadora. Antes, eu era mediadora, mas tem sido muito gratificante. Aqui, com esses alunos especiais, eu consigo tirar todo o meu estresse. Para você ter uma ideia, antes eu pegava nas mãos deles para escrever, mas agora não pego mais”, conta.
A professora Francisca Sandra trabalhava com o 4° ano do ensino fundamental, anos iniciais, na escola Cristina Maia. Para ela, tem sido uma experiência maravilhosa trabalhar com adultos. “Eu é que tenho a oportunidade de aprender com eles”, afirma.
Quer fazer enfermagem
Para quem pensa que os sonhos morrem está enganado. Marina Leandro de França, em seus 70 anos, é um exemplo de vida. Ainda aprendendo as primeiras letras no programa Alfabetiza Acre/EJA, seu sonho é se tornar enfermeira e realizar partos.
Dona Marina Leandro quer fazer enfermagem e realizar partos. Foto: Stalin Melo/SEE
Na Cidade do Povo ela mora há 10 anos, mas nasceu e passou parte da infância no seringal Cametá, ao longo do Rio Purus. Os pais faleceram quando ela tinha sete anos de idade e não teve mais tempo para estudar. Foi cortar seringa e trabalhar na roça para poder sobreviver.
Depois, veio o casamento e teve que cuidar da casa e dos filhos. Também sobrevivia da pesca. “Hoje eu já sei fazer o meu nome, vou tirar a minha identidade e quero continuar estudando, meu sonho é fazer uma faculdade, quero fazer enfermagem e ser parteira”, diz.
Abraçou a oportunidade
A exemplo de Marina Leandro, Maria José Martins é outra aluna do programa Alfabetiza Acre/EJA. No bairro Cidade do Povo ela mora há nove anos e, da mesma forma, está aproveitando a oportunidade de estudar, de aprender a ler e escrever.
Dona Maria Martins aproveitou a oportunidade do programa Alfabetiza Acre/EJA para aprender a ler e escrever. Foto: Stalin Melo/SEE
Ela também nasceu em um seringal, só que no Itamaraty, localizado ao longo do Rio Abunã, só que do lado boliviano. Teve que se casar cedo, aos 18 anos de idade e, após o falecimento do marido, teve que criar sozinha nada menos do que 6 filhos e 4 netos.
“Eu me sinto muito feliz e alegre. A professora é muito paciente com a gente, tanto que já aprendi a escrever o meu nome e já até tirei a carteira de identidade com a minha própria assinatura e isso é muito gratificante”, explica.
Pegar ônibus sozinha
Para Deuzuite Galdino Ferreira, o seu maior desejo é conseguir pegar um ônibus sozinha, lendo o nome do bairro ao qual pretende ir. Assim como os demais da sua turma, ela também não teve a oportunidade de estudar quando era mais jovem.
Deuzuite Galdino quer pegar o ônibus sozinha. Foto: Stalin Melo/SEE
Nasceu no seringal Tabocal, no Rio Tarauacá, já próximo ao que hoje é o município do Jordão. Lá, ela conta, não tinha escola, não tinha nada. Com o falecimento dos pais foi obrigada a ir para Tarauacá, onde casou aos 17 anos. Foi trabalhar de doméstica. Com o falecimento do marido, veio para Rio Branco.
“Agora é que estou tendo a oportunidade de estudar. Já assinei até a minha identidade e meu próximo passo, meu próximo desejo, é pegar um ônibus sozinha, por isso pretendo continuar estudando para aprender ainda mais”, afirma.
Sonha em ler a bíblia
Já a aposentada Maria Olívia da Costa diz que vai tirar a nova carteira de identidade, já assinada por ela, e que seu sonho é ler a bíblia. Mas, ao contrário de Deuzuite Galdino, já consegue pegar o ônibus sozinha sem a ajuda de terceiros.
Dona Maria Olívia quer continuar estudando para poder ler a bíblia. Foto: Stalin Melo/SEE
Maria Olívia não teve vida fácil. Quando o pai e a mãe faleceram em Pauini, no interior do Amazonas, ela foi trabalhar em uma casa de família onde lavava e cozinhava. Devido aos maus tratos da patroa, fugiu aos 15 anos, quando se casou e foi morar em Manoel Urbano, onde chegou a conseguir uma casa para morar.
“Agora eu tive essa chance de estudar. A nossa professora é maravilhosa. Eu já até consigo assinar o meu nome e até já pego o ônibus sozinha. Meu sonho agora é continuar os estudos e, se Deus quiser, ler a bíblia também”, relata.
Transformar condições que, para muitos, poderiam ser vistas como desfavoráveis e limitantes em oportunidades para crescer, aprender e vencer na vida é uma capacidade extraordinária que poucos possuem. Apresento aqui a surpreendente e inspiradora história de vida do acreano Leonardo Fleming: policial militar, escritor best-seller, Acadêmico Imortal e, recentemente, um dos 10 melhores palestrantes do Brasil na categoria Educação, no concurso The Best Speaker Brasil. Essa plataforma renomada reúne os principais talentos da oratória e do desenvolvimento humano no país, e, neste ano, contou com cerca de 19 mil inscritos. Mas, para chegar a esse momento, a trajetória de Leonardo não foi nada fácil.
Desde cedo, Léo, como é carinhosamente chamado, percebeu que era diferente. Começou a falar apenas aos 5 anos e, mesmo com o passar do tempo, tinha dificuldades para pronunciar as palavras corretamente. Ele não se encaixava nos padrões sociais dos ambientes que frequentava. Na escola, sofreu diversas formas de bullying, tinha dificuldades para compreender os conteúdos aplicados nas aulas, tirava notas baixas e recebia apelidos depreciativos. Muitas vezes era taxado como “burro” por professores e colegas, sentimento que carregou por muito tempo, entrando em um processo de depressão e ansiedade.
Felizmente, o menino pobre, morador da periferia de Rio Branco, encontrou em sua jornada o que ele chama de verdadeiros anjos. O maior deles foi sua mãe, dona Leci, que, apesar do pouco estudo, detinha grande sabedoria. Auxiliar de limpeza na escola onde Léo estudava, ela acompanhava de perto as dificuldades do filho, sempre o defendia e incentivava. Pensando “fora da caixa”, passaram a buscar formas alternativas para que Léo pudesse aprender. Foi assim que ele criou seu próprio método de aprendizagem: o Nota 10 na Vida, que ele define como “uma abordagem que não só ensina a aprender, mas também a superar os próprios limites”. Com muita luta, Leonardo concluiu os estudos e, em 2002, veio a primeira grande conquista: a aprovação no concurso para soldado da Polícia Militar do Acre (PMAC). Já dá para imaginar as inúmeras situações difíceis pelas quais ele passou nesse processo — uma vida cheia de altos e baixos, mas sem nunca desistir.
Como é comum atualmente, somente na fase adulta, já trabalhando como policial militar, Leonardo descobriu os transtornos que o afetavam. Foi diagnosticado com quatro deles: dislexia e discalculia (transtornos de aprendizagem), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e Transtorno do Espectro Autista (TEA), ambos do neurodesenvolvimento. Não bastasse tudo isso, recentemente ele foi diagnosticado com Espondilite Anquilosante, uma doença autoimune degenerativa que trouxe novos desafios emocionais e físicos, obrigando-o a se afastar definitivamente do trabalho após 22 anos de serviço na instituição militar.
Mesmo antes dos diagnósticos, Leonardo já demonstrava sua incrível capacidade de superação. Em vez de se deixar abater, percebeu que podia ajudar outras pessoas. Ele transformou suas barreiras em desafios e motivação para ensinar e inspirar, com a meta de levar sua história o mais longe possível. A essa altura, já ministrava mentorias, escreveu sua experiência e método no livro Seja o Nota 10 na Vida: Aprenda a Conquistar Seus Sonhos, que se tornou best-seller na Amazon, e começou a ministrar palestras. Mas não parou por aí. Já acompanhado de sua esposa e filha, mudou-se para o município de Cabedelo, na Paraíba, onde conquistou uma cadeira na Academia Cabedelense Infantojuvenil de Artes e Letras Litorânea, sendo o primeiro autor neurodivergente a se tornar Acadêmico Imortal no Brasil.
Na nova cidade, Léo se divide entre tratamentos e terapias, momentos com a família, que lhe dá total apoio, e os cuidados com a filha Luane, de apenas dois anos, sem jamais deixar de levar sua mensagem por meio de novos projetos, como o Palestra na Rua, voltado para comunidades de baixa renda. Além disso, o palestrante Nota 10 continua na disputa do The Best Speaker Brasil, no qual alcançou o primeiro lugar pelo voto popular. Foram mais de 2.000 votos na primeira fase e, na segunda, seu vídeo alcançou quase 4.000 visualizações no YouTube em apenas sete dias, solidificando ainda mais sua liderança na competição. Léo considera essa conquista o reconhecimento de sua jornada de superação e dedicação, bem como reflexo da força do Movimento Nota 10 na Vida, criado por ele para incentivar as pessoas a enxergarem os obstáculos como degraus para o crescimento.
O mundo é pequeno para Léo, que sonha com um país onde cada indivíduo tenha a oportunidade de aprender, crescer e se tornar a melhor versão de si mesmo, independentemente dos desafios da vida. Assim, ele se destaca como uma voz poderosa no cenário de palestras e motivação do Brasil. Sua jornada de superação, seu compromisso com a educação e o desenvolvimento humano, e sua mensagem, carregada de força e autenticidade, tornam Leonardo Fleming um dos palestrantes mais inspiradores do país.
Há três décadas o Acre vem lutando para concretizar um sonho, que é a integração com os países vizinhos, em especial com o Peru. E, neste sentido, diversas foram as ações empreitadas na busca de concretizar este feito, como missões institucionais e empresariais, participação de feiras, encontros, reuniões, rodas de negócios, que por vezes acabavam em uma sensação de frustração coletiva, porém hoje o contexto é outro.
Na verdade, sem perceber, a cada ação ou movimento concretizado impulsionava um pouco mais o processo desta integração. Passados diversos anos após a implantação da rodovia interoceânica, que liga o Acre ao Peru, houve momentos que a nossa sociedade chegou até a questionar a finalidade desta estrada, pois até então os números oficiais não demonstravam resultados que poderiam impactar na nossa economia, seja no campo do comércio, indústria ou turismo.
Mas avaliando o cenário de uns cinco anos para os dias atuais, mesmo considerando a ocorrência da pandemia da covid, pudemos observar que as atividades econômicas relacionadas ao nosso comércio exterior sofreram um crescimento acelerado.
Nos últimos cinco anos, já exportamos mais de R$ 1,4 bilhões por meio de uma diversificação de produtos: madeira, castanha do Brasil, soja, carne bovina, carne suína, alimentos diversos, sendo que até o mês de outubro deste ano já exportamos aproximadamente U$ 75 milhões, 63% a mais que 2023, indicando que alcançaremos um ano recorde nas nossas exportações anuais, com a previsão de fechar o ano com mais de 80 milhões de dólares exportados (aproximadamente R$ 450 milhões), provando que o Acre já é um estado exportador.
Recentemente, o governo federal, assim como o Acre, passou a considerar e estruturar a logística do Brasil para o Pacífico, com o Programa Rotas de Integração Nacional, o qual incluiu a nossa rota, a Quadrante Rondon. Com este programa, o Acre passa a ser oficialmente um elo de conexão entre o Brasil e o Pacífico, por meio do Peru, uma vez que este nosso corredor conecta o Brasil com os Portos deste país vizinho.
A implantação da Rodovia Interoceânica, a conclusão da ponte sobre o Rio Madeira, a obra da ponte sobre o Rio Acre e anel viário de Brasiléia, a manutenção da BR-317, a manutenção da carreteira Sur (pelo lado do Peru), a implantação de sistemas de transmissão de energia para a fronteira, dentre outros, são investimentos regionais que contribuem nos aspectos da infraestrutura para o aumento do interesse por parte dos negócios comerciais, logísticos e operadores de comércio exterior.
Dado este cenário, e com a entrada do Porto de Chancay, no Peru, operando com diversos segmentos, e pelo seu porte, pretende ser o principal porto não somente do Peru, mas de toda a América Latina, uma vez que irá receber navios em linha direta com a Ásia, especialmente oriundas da China, transformando o Peru em um hub logístico de ordem mundial.
Este porto faz parte da estratégia global da China de implantar uma nova rota da seda, com caráter global, projeto este que os chineses denominam de “Cinturão e Rota”, e que vem realizando investimentos em vários lugares do mundo na busca de consolidar sua conectividade e logística com os principais continentes, permitindo vazão para seus produtos e seu abastecimento com matéria-prima.
Certamente o maior interesse da China com este mega porto de Chancay é entrar no Brasil, com este projeto da nova rota da seda global. E é neste contexto que está a nossa oportunidade, pois a estrada que nos conecta a esse projeto conta com uma infraestrutura já instalada e em funcionamento, apesar de ainda estar em consolidação.
Com a nossa rota, uma carga que sai do Peru ou a Ásia para o Brasil, e vice-versa, economizará entorno de 15 dias, sendo este um dos maiores atrativos, implicando em uma significativa redução de custos, evitando atravessar o canal do Panamá ou o Sul da Argentina.
Apesar de nossa infraestrutura ainda estar em consolidação, permite a realização de operações comerciais e, além disso, estamos na frente das outras mapeadas pelo governo federal na nossa Região.
Dentre as intervenções necessárias de curto prazo, podemos citar a conclusão do anel viário de Brasiléia, pois a parte da ponte sobre o Rio Acre já está praticamente concluída, a melhoria dos serviços alfandegários, em especial o aumento de fiscais do Mapa, situação que será melhorada após conclusão do concurso que encontra-se em andamento, previsto para se concluir em janeiro de 2025, permitindo que este importante órgão possa contar com mais cinco novos fiscais, investimentos estes que já irão fortalecer a nossa rota.
Outro investimento que irá complementar este contexto e também contribuir com a atração de negócios para a nossa rota será a nova Zona de Processamento de Exportações, a ZPE, que passou por uma mudança na legislação federal, ficando mais simplificada e ampliando as possibilidades de negócios por meio deste importante incentivo, e assim, fez com que este empreendimento possa cumprir um novo papel dentro deste cenário de conexão com o Pacífico.
Atualmente, a ZPE encontra-se alfandegada e à disposição de atender aos negócios interessados, com a disponibilização de terrenos e um incentivo fiscal para empresas que desejam atuar com comércio exterior. A ZPE passa por uma melhoria na sua infraestrutura, sendo preparada para este novo cenário. Além de ser uma oportunidade para empresas exportadoras, a nova ZPE poderá ser utilizada para implantar centros de distribuição de importação de produtos oriundos da China ou outros países, visando comercializar para outros estados do Brasil.
Além dos incentivos para o setor empresarial, o governo do Estado do Acre tem apoiado fortemente na promoção da rota interoceânica, na manutenção da certificação internacional por área livre de aftosa sem vacinação, na busca por soluções políticas e institucionais a diversos setores, com a realização de expo feiras, participação em missões e ações de promoção de negócios acreanos em eventos no Peru e Bolívia.
Vale destacar ainda o esforço do governador Gladson Cameli em promover o nosso Acre com destaque em vários eventos internacionais, fortalecendo a nossa imagem e posicionamento.
Outro ponto que merece atenção é a capacidade do setor produtivo acreano, que vem se estruturando e investindo em qualificação, promoção de seus negócios, nos seus produtos e processos. Cada vez mais, empresas acreanas estão realizando comércio exterior.
Neste sentido, não podemos deixar de lembrar das diversas instituições que têm contribuído nestas ações de apoio ao empresário, como o governo federal, o governo do Estado do Acre, o Sebrae, as instituições e federações empresariais, o Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento, a bancada Federal, a Assembleia Legislativa, dentre outros.
Uma outra preocupação que devemos levantar é sobre as oportunidades que os municípios acreanos que se encontram nesta rota terão, principalmente na demanda por serviços, como como hotéis, postos de combustíveis, oficinas, restaurantes, que serão necessidades que estes operadores de logística necessitarão em virtude do possível aumento do fluxo de veículos, motivo pelo qual vale um olhar dos novos prefeitos para este tema.
Assim, dado o contexto, com a entrada deste novo Porto em Chancay, nosso estado inevitavelmente será levado a um novo momento do nosso desenvolvimento. Várias oportunidades estarão expostas. E, neste sentido, temos que estar preparados para este novo cenário, especialmente nossos empresários, gestores públicos e classe política, pois de Xangai a Chancay, entrando ou saindo do Brasil pelo Acre, muitas oportunidades virão.
*Assurbanípal Mesquita é titular da Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia, coordenador da Câmara Técnica do Comércio Exterior do Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento.
Papel crucial: A importância da rede de atendimento na recuperação e conscientização de pacientes com AVC e infarto
O acidente vascular cerebral (AVC) e o infarto são duas das condições médicas graves e recorrentes que afetam milhares de pessoas no país. Os dois quadros ocorrem devido à interrupção do fluxo sanguíneo no cérebro – no caso do AVC – ou no coração, ocasionando o infarto. Ambos podem resultar em consequências devastadoras, incluindo incapacidade permanente, e até morte.
Diante desse cenário, a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) mantém, em todo o estado, não apenas o trabalho de atendimento e suporte a esses pacientes, mas também um movimento de conscientização de mudanças de hábitos que podem evitar a doença.
Atendimento rápido reduz danos causados pelo infarto e AVC. Foto: cedida
Atualmente, qualquer unidade de saúde do Estado está apta a fazer o primeiro atendimento desses pacientes, sendo o Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) considerado referência no estado. Dados da Gerência Assistencial da unidade revelam que a média de atendimentos relacionados a AVC é de cem casos por mês. Já os atendimentos de infarto agudo do miocárdio (IAM) chegam a 50.
O Portal da Transparência do Centro de Registro Civil (CRC) do Brasil, com dados dos atestados de óbitos brasileiros, mostra que a mortalidade por AVC no estado acreano tem ficado acima de 400 por ano, atingindo o montante de 2.518 nos últimos seis anos.
Nesse período, 1.114 pessoas morreram em decorrência de infarto, menos de 200 por ano. Assim, o AVC continua, desde 2019, ultrapassando o número de mortes de causa cardiovascular no Brasil, seguido do infarto.
Os números servem de alerta para que a população esteja mais atenta a hábitos e estilos de vida que possam evitar ou minimizar o impacto dessas patologias.
Neurocirurgião Juan Dorado enfatiza que AVC pode ser evitado com mudança de hábitos e monitoramento de outras comorbidades. Foto: José Caminha/Secom
Faça sua parte
Os modos de prevenção do AVC são: manter uma dieta saudável, praticar atividade física regularmente, evitar o fumo e não ultrapassar o limite do consumo de álcool. Há também fatores de risco, como hipertensão, diabetes e colesterol, que precisam ser monitorados com frequência. É preciso, ainda, estar atento ao estresse, depressão e gordura abdominal.
O neurocirurgião do Pronto-Socorro de Rio Branco, Juan Dorado, descreve o perfil das pessoas acometidas pelo AVC: “Geralmente são pessoas idosas, dislipidêmicas (com níveis elevados de gordura no sangue), que não fazem atividade física e que não seguem aqueles cuidados básicos que a gente pede, como dieta por estar acima do peso”.
A Associação Beneficente Síria – Hospital do Coração (Hcor), sediada em São Paulo (SP), destaca que o AVC é a segunda principal causa de morte entre pessoas acima dos 60 anos de idade, e a quinta causa principal dos 15 aos 59 anos. Também afeta crianças, incluindo recém-nascidas.
O especialista explica que casos que acometem pessoas mais jovens são investigados, por estarem, na maioria das vezes, ligados a outras questões. “Quando o jovem é acometido pela doença, muitas vezes há uma causa secundária para esses AVCs, então a gente faz um estudo mais profundo para saber o motivo daquele quadro”, esclarece.
Há basicamente dois tipos de acidente vascular cerebral: o isquêmico e o hemorrágico. O primeiro e mais comum é causado pela falta de sangue no cérebro devido à obstrução de uma artéria, e o segundo é uma consequência da falta de controle da pressão alta, o que causa um sangramento e, por isso, é conhecido popularmente como derrame.
“Para evitar ambos, é preciso ter uma vida regrada, evitar excessos e o tabagismo, porque o cigarro contribui muito para quadros como esse. Conjuntamente, é indicado fazer uma dieta e atividade física diária, porque isso é muito importante para evitar esse tipo de patologia. Tomando as medidas necessárias, é muito mais fácil impedir o avanço da doença. Claro, existem casos em que não há como, mas a grande maioria dos casos é evitável”, orienta Dorado.
Cardiologista alerta que pessoas devem atentar para mudança de hábitos para evitar infarto. Foto: José Caminha/Secom
Tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada, colesterol alto, estresse excessivo, diabetes, hipertensão arterial e histórico familiar de doenças cardíacas contribuem para os quadros de infarto.
O cardiologista Rodrigo de Azevedo, do Huerb, chama a atenção para um dado preocupante: a incidência dessa patologia em pessoas mais jovens. “O que tem piorado, na visão médica, é o estilo de vida que as pessoas têm levado, com má alimentação, aumento do uso de cigarro, seja eletrônico ou habitual, consumo excessivo de bebida alcóolica, gordura e fritura. E, paralelo a isso, o não tratamento das comorbidades de base”, enumera.
Hábitos simples podem preservar a saúde. Para reduzir a incidência de infarto, é necessário que a pessoa procure manter um acompanhamento de rotina, principalmente se tiver alguma das predisposições para o quadro, assim como hábitos saudáveis, desde atividades físicas até a alimentação.
“Aqui no Pronto-Socorro a gente tem a obrigação e o compromisso com os pacientes mais urgentes, então é muito importante que a população faça o acompanhamento ambulatorial da maneira correta, para diminuir a incidência de doenças coronarianas”, orienta.
No início deste mês, Jonas Cavalcante, de 66 anos, teve uma parada cardíaca enquanto mexia na tampa de um poço. A rapidez no atendimento foi fundamental para que, em cinco dias, o paciente estivesse animado e otimista com sua recuperação.
“Tenho hipertensão e mantinha o acompanhamento médico nos postos de saúde. Até aquele dia, estava tudo certo, então continuei na luta diária. De repente, estava em casa e me senti mal. Achei que no infarto a gente sentisse dor no peito, mas senti no tórax. Demorei a perceber e só ia piorando”, relembra.
Encaminhado ao Pronto-Socorro e pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), foi diretamente para a cirurgia. E relata o apoio dado durante sua internação, destacando que foi um diferencial. “Tive um atendimento VIP e agora é só agradecer. Foi muito rápido, não esperei nada, cheguei e já fiz o procedimento. A nota aqui é dez para toda a equipe, do zelador até o diretor”, diz bem-humorado e almejando a alta.
Jonas Cavalcante teve infarto e deu entrada no PS levado pelo Samu: “Nota dez para toda a equipe”. Foto: José Caminha/Secom
Capacitação e rede de atendimento
Qualquer atendimento de saúde necessita de capacitação para que se reflita na qualidade do serviço oferecido à população. Casos de média e alta complexidade demandam ainda mais esse cuidado, não só em atendimentos emergenciais, mas nos encaminhamentos para a rede de suporte ao paciente.
Em maio do ano passado, foi ministrado um curso aos profissionais do pré-atendimento e atendimento intra-hospitalar da Rede Pública Estadual.
O objetivo foi promover a especialização no atendimento ágil em casos de AVC, para que a recuperação dos pacientes seja mais rápida, tornando a instituição referenciada acreditada nessa linha de cuidado. As palestras foram ministradas pelo consultor científico da Iniciativa Angels e funcionário da indústria farmacêutica Boehringer Ingelheim, cuja sede brasileira está localizada em São Paulo (SP), Alessandro Rômulo.
“Se conseguirmos, com conhecimento, fazer as intervenções adequadas, que são a identificação, remoção rápida para um centro referenciado, que tem uma tomografia, e a equipe para atender, mudamos a realidade da doença, salvamos vidas”, enfatizou durante o curso.
O gerente de assistência do PS, Daniel Gustavo de Oliveira, explica que todos os procedimentos são seguidos rigorosamente para que as sequelas nesses pacientes sejam as menores possíveis.
“Os pacientes de AVC ou infarto têm duas portas de entrada na unidade. Uma delas é pelo Samu e a outra é pelo ambulatório. Eles vêm na consulta, o médico da triagem identifica se o paciente tem risco, está infartando ou tendo um AVC e imediatamente os direciona para a Sala Vermelha, onde são realizados exames para constatar ou descartar esse diagnóstico. Caso o paciente esteja infartando e precise de intervenção imediata, a gente tem um serviço 24 horas, que é o serviço do Hemocardio [Centro Hemodinâmico e Cardiológico]”, explica.
Nesse primeiro atendimento, o paciente faz todos os exames necessários. No caso de AVC, há também um neurocirurgião 24 horas na unidade, que inicia, caso seja necessário, cirurgia em casos de ser o hemorrágico, por exemplo.
Gerente de Assistência do Pronto-Socorro explica como funcionam os atendimentos na unidade, que é referência nos casos de AVC e infarto. Foto: José Caminha/Secom
O gerente explica que, mesmo sendo um estabelecimento de porta aberta, é importante que o paciente ingresse no PS referenciado por alguma unidade de saúde, seja posto de saúde ou unidades de pronto-atendimento.
“Constantemente trabalhamos com nossos leitos quase todos ocupados, e a gente precisa de uma retaguarda, que é essa triagem feita nas unidades de saúde para filtrar os casos realmente graves. Existem pacientes que, infelizmente, já vêm com um AVC instalado, então viram pacientes de longa permanência, porque vão ficar acamados e podem desenvolver doenças associadas”, esclarece.
No caso de infarto que necessita de cirurgia, de maneira geral o tempo de internação é de cinco dias, podendo ser mais, a depender do quadro. Para humanizar e ajudar nessa recuperação, ainda na unidade é disponibilizada uma equipe multidisciplinar que inicia os procedimentos fundamentais para a reabilitação do paciente.
“Nós temos serviço de fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e psiquiatria, porque a reabilitação passa por todos esses profissionais. Temos a clínica médica especializada e o serviço de UTI e, ao receber alta, o paciente passa a receber suporte por meio do programa Melhor em Casa”, informa.
Suporte em domicílio
Composta por médico, enfermeiro, fisioterapeuta, assistente social, nutricionista, fonoaudiólogo e técnico de enfermagem, a equipe do Serviço de Atendimento Domiciliar (SAD) leva cuidado aos pacientes que precisam de atenção frequente. Os atendimentos são direcionados pela própria unidade de saúde, que indica o tratamento.
Participam do programa pessoas que tiveram AVC recentemente, que passaram por cirurgia e precisam de cuidados pós-procedimento, que precisam de cuidados paliativos ou que necessitam de reabilitação intensiva. O Melhor em Casa funciona em Rio Branco desde 2012 e atualmente acompanha 45 pacientes em domicílio em Rio Branco. Atualmente, o programa conta com 2.187 equipes, atendendo cerca de 45% da população em mil municípios do país. No Acre, está presente em três municípios, com quatro equipes dedicadas ao cuidado domiciliar.
“O programa oferece cuidados domiciliares para pacientes que precisam de atenção contínua, geralmente pacientes crônicos que, por algum motivo, estão passando por um processo de agudização do estado de saúde. A maioria deles são traqueostomizados e/ou gastrostomizados; também temos sete pacientes que utilizam ventilação mecânica em domicílio. O objetivo do programa é evitar internações prolongadas e promover a recuperação e o conforto do paciente no âmbito familiar”, explica Janaína Linard, gerente de Assistência do Programa Melhor em Casa Estadual.
Equipe do Programa Melhor em Casa atende pacientes em domicílio, mantendo o tratamento. Foto: cedida
Para ter acesso ao programa, é necessário solicitar uma avaliação, geralmente encaminhada pelo próprio hospital, informando que o paciente encontra-se internado. A equipe de assistência social vai até a unidade hospitalar fazer uma visita e aplicar um questionário e, se o paciente obtiver a pontuação necessária para se encaixar no programa, é feita a admissão.
Maria José Mesquita, mãe de Felipe Emanuel, de 2 anos, recebe visitas regulares da equipe para o menino, que tem traqueostomia e gastrostomia. “O Melhor em Casa é maravilhoso. Me ajuda psicologicamente, com apoio das profissionais, e também quando o Felipe tem algum problema e precisa do médico, fisioterapeuta, fonoaudióloga, dos profissionais. É muito bom mesmo. E aí vêm os insumos, os equipamentos, a dieta, o cuidado que eles têm com a gente”, relata.
A coordenadora-geral de Atenção Domiciliar do Ministério da Saúde, Mariana Borges, afirma que o Melhor em Casa é o maior hospital público do Brasil. Os principais problemas de saúde atendidos são: Acidente Vascular Cerebral (AVC) e suas sequelas, infecções, descompensação de diabetes, insuficiência cardíaca, enfisema, fase terminal de câncer, demências e feridas.
“A atenção domiciliar é uma porta de saída qualificada que colabora para a desinstitucionalização e desospitalização da saúde. O hospital sempre irá existir, mas a internação será cada vez por menos tempo. A pessoa entra, faz o que precisa e volta para casa. Se estiver estável e não necessitar de cirurgias adicionais, pode ficar em casa. Estudos mostram que o paciente, com a mesma medicação, leva o mesmo tempo para ter alta, estando em casa ou no hospital. No entanto, em casa o custo é em média 70% menor. Fora do hospital se compreende a multiplicidade de fatores que a equipe de saúde pode atender, a dinâmica completa do indivíduo, que deixa de ser biológico para ser biográfico”, completou a coordenadora.
Gestão de Riscos: A bússola estratégica para o futuro das organizações
A gestão de riscos se apresenta como uma disciplina essencial no ambiente corporativo moderno, onde as incertezas do mercado e as constantes mudanças regulatórias desafiam as organizações a se adaptarem e a se tornarem mais resilientes. Essa prática vai além de evitar problemas e minimizar perdas: é uma abordagem estratégica e proativa que fortalece a organização, permitindo que ela antecipe e gerencie ameaças, ao mesmo tempo em que explora oportunidades. Por ser uma jornada contínua, a gestão de riscos demanda comprometimento e adaptação constantes, configurando-se como um pilar para a sustentabilidade e o sucesso organizacional a longo prazo.
Quando as empresas adotam uma abordagem estruturada e proativa de gestão de riscos, elas aumentam significativamente a qualidade de suas decisões. Por meio da identificação e análise criteriosa de potenciais ameaças e oportunidades, as organizações desenvolvem uma base de conhecimento sólida que orienta suas escolhas. Esse processo estratégico reduz a incerteza nas decisões e favorece um planejamento mais assertivo, possibilitando que os objetivos sejam alcançados de forma mais sustentável. Ao inserir a gestão de riscos no centro de suas operações, as empresas garantem que suas decisões estejam alinhadas com a realidade do mercado e com seus próprios valores.
A resiliência organizacional é outro grande benefício da gestão de riscos. Em um cenário de negócios caracterizado por crises financeiras, mudanças tecnológicas e demandas regulatórias, é crucial que as empresas estejam preparadas para se adaptar rapidamente. A implementação de um processo estruturado de gestão de riscos e o uso de ferramentas adequadas fortalecem a capacidade de resposta das organizações, permitindo que elas lidem com imprevistos sem comprometer a continuidade dos negócios. Essa resiliência é um diferencial competitivo, garantindo que a empresa possa manter sua operação e proteger seus ativos mesmo diante de desafios inesperados.
Além disso, a gestão de riscos contribui diretamente para a sustentabilidade organizacional, pois ajuda as empresas a se adequarem às regulamentações e a responderem às pressões ambientais e sociais. Em um contexto onde a responsabilidade social e ambiental é cada vez mais valorizada, a gestão de riscos permite que as organizações alinhem suas operações a práticas responsáveis, contribuindo para um desenvolvimento mais sustentável. Essa adequação aos padrões e às expectativas do mercado é essencial não apenas para cumprir com as obrigações legais, mas também para fortalecer a reputação e o valor da marca.
Outro ponto importante é que a gestão de riscos permite que as organizações cultivem uma cultura de segurança e responsabilidade em todos os níveis hierárquicos. Quando essa filosofia é incorporada ao dia a dia da empresa, todos os colaboradores passam a compreender a importância de identificar, reportar e mitigar riscos. Isso cria um ambiente onde a responsabilidade é compartilhada, e a organização como um todo se torna mais preparada para lidar com incertezas. A construção de uma cultura de gestão de riscos promove o engajamento dos funcionários e cria uma base sólida para o crescimento sustentável da empresa.
Portanto, a gestão de riscos é mais do que uma prática operacional; ela é uma abordagem estratégica fundamental para a sustentabilidade e o sucesso das organizações no longo prazo. Ao integrar a gestão de riscos à sua cultura e aos seus processos, as empresas constroem um futuro mais seguro e resiliente. Essa prática não apenas assegura a continuidade dos negócios, mas também promove um ambiente de inovação e adaptabilidade, permitindo que as organizações prosperem em um mundo cada vez mais volátil e competitivo.
*Cristiany Sales é controladora interna da Agência de Negócios do Acre (Anac S.A.); pós-graduada em Auditoria Empresarial; Planejamento e Gestão; Pedagogia Empresarial com Ênfase em Gestão de Pessoas; Justiça Restaurativa e Mediação de Conflitos; graduada em Pedagogia.
Brasil faz bom jogo mas é vice no sub-19 misto do WTT Youth
Não deu! O Brasil, com Sabrina Miyabara e Hamilton Yamane, perdeu a final do sub-19 misto do WTT Youth Contender Buenos Aires 2024 por 3 a 2 (11/8, 6/11, 11/9, 12/14 e 10/12) neste sábado (16). Os algozes brasileiros foram o canadense Laurent Vigneault e a porto-riquenha Edmarie Leon. Além da final, os adversários brasileiros do último dia de competição foram definidos.
Sabrina Miyabara e Hamilton Yamane vinham de um bom desempenho nas semifinais, onde venceram por 3 a 1 (11/13, 11/8, 11/7 e 11/7) os paraguaios Axel Bertolo e Florência Paiva. Os brasileiros começaram à frente e, mesmo sofrendo o empate, conseguiram vencer o primeiro set por 11 a 8.
O segundo set foi completamente diferente. As duplas se alternavam na ‘liderança’, até que os paraguaios fizeram 6 a 5 e, depois disso, não foram mais alcançados, vencendo por 11 a 6. O terceiro período serviu para que os brasileiros recuperassem a confiança, já que, após estarem perdendo por 8 a 3, a dupla brasileira conseguiu virar e vencer por 11 a 9.
Contudo, após a alta de Sabrina e Hamilton no WTT, os adversários retomaram as rédeas da partida e, após muito esforço, venceram o quarto e quinto sets, por 14 a 12 e 12 a 10, respectivamente.
BRASILEIROS NA AGENDA
Mesmo com a derrota na final do sub-19 misto do WTT, ainda tem mais Brasil na competição argentina. Amanhã (17) será o último dia do WTT Youth Contender Buenos Aires 2024 e os seguintes brasileiros estarão no páreo:
Sub-19
Felipe Doti x Bosman Botha (EUA) ou Ivan Schvartz (Argentina) – oitavas de final
Hamilton Yamane x Gonzalo Vera (Peru) – oitavas de final
Julia Hatakeyama x Kailyn Cruz (Porto Rico) – oitavas de final
Beatriz Fiore x Abril Iwasa (Argentina) – oitavas de final
Sabrina Miyabara x Manuela Pereyra (Argentina) – oitavas de final
Sofia Kano x Constanza Orellana (Chile) – oitavas de final
Karina Senaga x Sofia Kano (Brasil) ou Constanza Orellana (Chile) – quartas de final
Sub-15
Gustavo Silva x Alan Nakagama (Argentina) – segunda fase
Antônio Poletto x Tobias Martínez (Argentina) – segunda fase
Sub-11
Luís Ferreira x Luca Muller (Argentina) – quartas de final
Bia Haddad e Carol Meligeni comentam sobre vitórias na BJK Cup
O Brasil conseguiu duas vitórias neste sábado (16) para derrotar a Argentina nos playoffs da Billie Jean King Cup. Bia Haddad Maia venceu Solana Sierra de virada por 2 a 1, com parciais de 1/6, 6/4 e 6/1. Em seguida, na quinta e decisiva partida nas duplas, Bia e Carol Meligeni Alves derrotaram Julia Riera/Jazmin Ortenzi por 6/3 e 6/2 para garantir a vaga do Brasil no qualifying da BJK Cup de 2025.
No começo da tarde, Bia Haddad Maia encarou Solana Sierra. Após um primeiro set bem abaixo do seu desempenho normal, a brasileira reencontrou o seu saque a partir do segundo set para virar o jogo. “Nos meus dois jogos de simples eu não comecei de uma forma boa como gostaria. Mas levei como sempre tento encarar [as partida] na minha carreira. O jogo de tênis é longo, eu tenho minhas qualidades e conheço as adversárias, então sabia que em algum momento teria algumas oportunidades. Eu entrei em quadra querendo que desse certo e muito convicta que eu ia conseguir reverter o resultado”, analisou Bia.
(Foto: Caio Poltronieri/OTD)
Decisão nas duplas
Como Laura Pigossi perdeu para Jazmin Ortenzi na quarta partida do confronto, foi necessário o quinto jogo, nas duplas, para desempatar o duelo. Bia Haddad Maia voltou para quadra, dessa vez ao lado de Carol Meligeni Alves. As brasileiras ganharam o duelo por 6/3 e 6/2.
(Foto: Caio Poltronieri/OTD)
Inicialmente, Ingrid Martins foi escalada para o jogo de duplas junto de Bia Haddad. Mas o capitão Luiz Peniza optou por colocar Carol Meligeni Alves na partida, sob recomendação dos fisioterapeutas da equipe brasileira, após Ingrid sentir um desconforto na coluna. Mesmo com a mudança de última hora, Carol cumpriu o seu papel e teve uma boa atuação para ajudar o Brasil a derrotar a Argentina. “Não dá para negar que é uma grande responsabilidade jogar pelo Brasil e entrar no último jogo do confronto. Mas na hora não dá para pensar nessas coisas. Acho que o time todo veio preparado e nosso capitão deixou claro que devíamos estar prontas para todas as situações possíveis. Eu acabei entrando junto com a Bia e para mim foi um privilégio jogar com ela por esse quinto ponto e conseguir essa vitória”, comentou a tenista.
Carol também destacou o bom entrosamento com Bia Haddad que vem desde as categorias de base. “A gente se conhece desde muito novinhas, sempre jogando juntas. Então poder ter mais essa vitória com a Bia tem um gostinho muito legal”, completou.
Próximos passos
A Billie Jean King Cup foi o último evento de Bia Haddad Maia nesta temporada. Mas ela não quis comentar sobre planos para 2025 e disse que no momento o seu foco está nas férias, para recuperar as energias para o ano que vem. A próxima competição de Bia deve ser a United Cup, evento de equipes mistas que abre a gira australiana do circuito entre 27 de dezembro e 5 de janeiro.
Carol Meligeni Alves ainda compete mais alguns torneios na América do Sul até o final do ano, tentando ganhar pontos nos torneios WTA 125 no continente. Na próxima semana, Carol compete no WTA 125 de Colina, no Chile, onde enfrenta a francesa Chloe Paquet na primeira rodada. A atleta já embarcou para o Chile na noite desde sábado (16), saindo direto do Ginásio do Ibirapuera para o aeroporto.
Lula no encerramento do G20 Social: “Aqui tomam forma a expressão e a vontade coletiva”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado, 16 de novembro, no Rio de Janeiro, do encerramento da Cúpula do G20 Social, evento que antecede o encontro entre os chefes de Estado, na segunda-feira (18) e na terça-feira (19). Foi a primeira vez que houve a participação de grupos da sociedade civil nos debates do principal fórum de cooperação econômica internacional.
“Este é um momento histórico para mim e para o G20. Ao longo deste ano, o grupo ganhou um terceiro pilar, que se somou aos pilares político e financeiro: o pilar social, construído por vocês. Aqui tomam forma a expressão e a vontade coletiva, motivadas pela busca de um mundo mais democrático, justo e diverso”
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Presidente da República
O G20 Social ocorreu desde quinta-feira (14) e concluiu os trabalhos neste sábado (16), com a entrega ao presidente Lula de um documento final com a consolidação das demandas da sociedade civil à Cúpula de Líderes. “Este é um momento histórico para mim e para o G20. Ao longo deste ano, o grupo ganhou um terceiro pilar, que se somou aos pilares político e financeiro: o pilar social, construído por vocês. Aqui tomam forma a expressão e a vontade coletiva, motivadas pela busca de um mundo mais democrático, justo e diverso”, destacou Lula, lembrando que dialogou pessoalmente com os representantes de cada grupo de engajamento do G20.
Na avaliação do presidente, os membros do G20 têm a responsabilidade de fazer a diferença para muitas pessoas e a participação das organizações e movimentos sociais foram fundamentais para a presidência brasileira do grupo. “A mobilização permanente de vocês será fundamental para impulsionar os trabalhos da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e avançar na tributação dos super-ricos; para garantir o cumprimento das metas de triplicar o uso de energias renováveis e antecipar a neutralidade de emissões; e para levar adiante nosso Chamado à Ação pela Reforma da Governança Global, assegurando instituições multilaterais mais representativas”, disse.
“Vou levar as recomendações contidas na declaração final que vocês me entregaram aos demais líderes do G20 e trabalhar com a África do Sul para que elas sejam consideradas nas discussões do grupo. Espero que esse pilar social do G20 continue nos próximos anos, abrindo cada vez mais nossas discussões para o engajamento da cidadania”, continuou o presidente.
Lula concluiu seu pronunciamento com uma mensagem para o público. “Também conto com a força de vontade e o dinamismo da sociedade civil para dois outros eventos que o Brasil sediará no próximo ano: a Cúpula do BRICS e a COP 30”, afirmou.
50 MIL PARTICIPANTES — Na cerimônia, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macêdo, destacou que o G20 Social contou com a presença de mais de 50 mil participantes em três dias de evento, com 17.703 pessoas participando ativamente dos debates. “O troféu, presidente, que esse campeonato produziu na festa da democracia do G20 Social que antecede o G20 dos chefes de Estado, que será entregue a vossa excelência e ao Governo da África do Sul, é a participação social na defesa das políticas públicas que serão construídas pelos chefes de Estado, que esse G20 Social faz um furo no presente e entra no G20 dos chefes de Estado para que o passado, a nossa cultura, a nossa história, a luta do povo possa passar para construir um futuro melhor para a humanidade”, declarou
A ativista dos direitos humanos iemenita Tawakkol Karman, ganhadora do Nobel da Paz de 2011, foi uma das representantes da sociedade a discursar no evento. “Esse é o momento de discutir e proteger a paz global. Devemos defender e proteger a democracia. Temos que proteger as mulheres, jovens e os povos indígenas, e isso cabe aos líderes. A igualdade da humanidade é a chave para a construção da paz, e por isso é preciso diminuir a diferença entre ricos e pobres”, disse.
EXEMPLO — O ministro das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Ronald Lamola, representante do país que assumirá a presidência do G20 após o Brasil, garantiu que sua nação também vai envolver os movimentos sociais nas discussões do fórum. “Na África do Sul, nós aprendemos com a experiência de vocês, e eu espero que nós possamos atender os desafios nas nossas mãos. Nós acreditamos que a sociedade civil é um motor vital que conecta os países do G20 todos os dias. E nós aplaudimos o Brasil e a iniciativa tão corajosa de promover esta reunião da sociedade civil e de todos os grupos sociais de todo o Brasil e do mundo”, enfatizou.
DOCUMENTO FINAL — A Declaração do G20 Social insta os líderes ao engajamento por uma transformação efetivamente possível e duradoura. O documento será entregue aos líderes do G20 em sua Cúpula na segunda-feira (18) e na terça-feira (19). O texto enfatiza três pilares centrais: combate à fome, à pobreza e à desigualdade; enfrentamento das mudanças do clima e transição justa; e reforma da governança global.
Construído com a contribuição de grupos historicamente marginalizados, como mulheres, negros, indígenas, pessoas com deficiência, trabalhadores da economia formal e informal, comunidades tradicionais e pessoas em situação de rua, o texto traz a demanda de mais participação desses segmentosnos processos de governança mundial.
Os movimentos pedem uma reforma urgente para que instituições como a ONU e outros organismos multilaterais reflitam a realidade contemporânea. A reformulação do Conselho de Segurança da ONU é vista como fundamental para ampliar a representatividade global e promover soluções mais justas e eficazes.
A mudanças do clima foi outro ponto destacado do documento. Os movimentos sociais exigem compromissos concretos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e proteger ecossistemas essenciais, como as florestas tropicais. A Declaração propõe a criação de um fundo internacional para financiar ações de conservação e incluir as populações locais em atividades produtivas sustentáveis.
Whindersson Nunes compara antes e depois de perder 15 kg para luta de boxe
Whindersson Nunes surpreendeu ao exibir sua transformação após perder 15 kg em dois meses para a luta contra o indiano Neeraj Goyat. O humorista pode não ter levado a vitória no ringue, mas o shape com certeza está em dia! Veja:
Whindersson Nunes perde luta e reage à ‘sarrada’ de indiano no ringue
Após perder para o indiano Neeraj Goyat no boxe, Whindersson Nunes comentou a luta nas redes sociais, destacando o momento em que levou uma ‘sarrada’ do oponente no ringue. “Passar por uma palhaçada dessas por 500 mil dólares, nunca mais”, brincou o humorista.