quarta-feira, 11 fevereiro, 2026
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Vacina contra a dengue do Butantan começa a ser aplicada em janeiro

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Vacina contra a dengue do Butantan começa a ser aplicada em janeiro


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O Ministério da Saúde anunciou, nesta terça-feira (9), as diretrizes para o uso da nova vacina contra a dengue, o primeiro imunizante de dose única produzido integralmente no Brasil pelo Instituto Butantan.Vacina contra a dengue do Butantan começa a ser aplicada em janeiro | Cidade AC News – Notícias do AcreVacina contra a dengue do Butantan começa a ser aplicada em janeiro | Cidade AC News – Notícias do Acre

As primeiras 1,3 milhão de doses já fabricadas serão destinadas aos profissionais da Atenção Primária, que atuam nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e em visitas domiciliares, seguindo a recomendação da Câmara Técnica de Assessoramento de Imunização (CTAI). A previsão é de que o lote inicial esteja disponível até o fim de janeiro de 2026.

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Durante o anúncio, o ministro Alexandre Padilha destacou a importância de proteger os trabalhadores que lidam diretamente com os primeiros atendimentos de dengue.

“A vacinação já começa com a produção do Butantan, que vai disponibilizar volume suficiente para iniciarmos a imunização dos profissionais da atenção primária em todo o país. A atenção primária é a porta de entrada para os casos de dengue, por isso é fundamental proteger o mais rápido possível esses profissionais”, afirmou.

Com a ampliação da capacidade produtiva, o ministério pretende estender a vacinação ao público geral. A campanha deverá começar pelos adultos mais velhos — a partir de 59 anos — e avançar gradualmente até atingir a faixa dos 15 anos.

O aumento da oferta de doses será possível graças a uma parceria entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, responsável pela produção em maior escala e pela transferência de tecnologia.

A definição do público prioritário levou em conta critérios técnicos e o perfil epidemiológico do país, discutidos na reunião da CTAI realizada em 1º de dezembro.

Impacto na população

Parte das doses será destinada a uma estratégia específica em Botucatu (SP), que servirá como área de estudo para avaliar o impacto da vacinação em massa na dinâmica da doença. Diferentemente do restante do país, o município deverá iniciar mais rapidamente a vacinação de toda a população de 15 a 59 anos.

A expectativa é que, com adesão entre 40% e 50% do público-alvo, já seja possível observar impacto significativo no controle da dengue.

Durante a pandemia de covid-19, Botucatu também participou de uma iniciativa semelhante de vacinação em massa. Outros municípios com predominância do sorotipo DENV-3 — considerado determinante para o aumento de casos em 2024 — também estão sendo avaliados para integrar a estratégia.

Eficácia 

A vacina desenvolvida pelo Butantan demonstrou eficácia de 74,7% contra a dengue sintomática em pessoas de 12 a 59 anos e de 89% contra formas graves e com sinais de alarme, segundo estudos apresentados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que concedeu o registro ao imunizante na segunda-feira (8).

O Sistema Único de Saúde (SUS) já oferece uma outra vacina contra a dengue, fabricada por um laboratório japonês e aplicada em duas doses, destinada a adolescentes de 10 a 14 anos.

Desde 2024, quando o Brasil se tornou o primeiro país a incorporar o imunizante na rede pública, mais de 7,4 milhões de doses foram aplicadas. Para 2026, o Ministério da Saúde garantiu 9 milhões de doses desse imunizante, com previsão de mais 9 milhões para 2027.

 

Plano para biodiversidade prevê criação de unidades de conservação

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Plano para biodiversidade prevê criação de unidades de conservação

Em todo mundo, 1 em cada 3 espécies de árvores está ameaçada de extinção. No Brasil, com quase 15% de toda biodiversidade do planeta, é conhecido 1200 de animais em ameaça e 3700 espécies de flora e fungos. Plano para biodiversidade prevê criação de unidades de conservação | Cidade AC News – Notícias do AcrePlano para biodiversidade prevê criação de unidades de conservação | Cidade AC News – Notícias do Acre

E as causas dessas ameaças são muitas: perda e degradação de ecossistemas, a mudança do clima, exploração insustentável da biodiversidade, poluição e a invasão de espécies exóticas. 

Para mudar esse quadro, o Ministério do Meio Ambiente lançou, nesta segunda-feira, a nova Estratégia e Plano de Ação Nacionais para Biodiversidade, a EPANB, de 2025 até 20230.  O objetivo é tomar medidas urgentes para reverter a perda da biodiversidade, além dos meios para sua implementação. 

O plano é previsto na Convenção Internacional sobre Diversidade Biológica, assinado pelo Brasil em 1992, e foi construído com participação da sociedade civil, setor empresarial, academia, governos federal e estaduais. 

O ministro interino do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, reforçou que a estratégia do governo é liderar pelo exemplo, disse que as ações em curso já estão em andamento. 

Simone Tenório, representante da sociedade civil na Comissão Nacional da Biodiversidade, reforça que esforço intersetorial do plano e na importância da execução das ações previstas. 

A Estratégia e Plano de Ação Nacionais para Biodiversidade prevê 234 ações para 20 ministérios e 30 órgãos da administração federal. O plano prevê metas, entre elas está a criação, até 2030, 3 milhões de hectares de unidades de conservação na Amazônia, 200 mil na Caatinga e no Pantanal, e 50 mil no Cerrado

Também é planejado propostas para novas unidades de conservação em 200 mil hectares na Mata Atlântica e no Pampa. 

Outras metas é de aumentar para 30% os territórios de corredores ecológicos no país e 180 mil hectares de cobertura vegetal em áreas urbanas.

3:12

SP: Defesa Civil alerta para temporal e ventania entre terça e quinta

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SP: Defesa Civil alerta para temporal e ventania entre terça e quinta

A Defesa Civil de São Paulo emitiu alerta para temporal entre esta terça e quinta-feira. As condições do tempo são reflexo do ciclone extratropical no sul do país. A previsão é de alto volume de chuvas, rajadas de vento forte, queda de raios e granizo em todo o estado paulista.SP: Defesa Civil alerta para temporal e ventania entre terça e quinta | Cidade AC News – Notícias do AcreSP: Defesa Civil alerta para temporal e ventania entre terça e quinta | Cidade AC News – Notícias do Acre

Na terça-feira, o dia deve ser chuvoso com precipitações mais intensas na divisa com o Paraná, na região central e leste, incluindo regiões metropolitanas e o litoral. 

O acumulado de chuva deve atingir níveis muito altos na Serra da Mantiqueira, o que pode provocar  alagamentos, enxurradas e deslizamentos. 

A partir de quarta-feira, o vento ganha força com rajadas que podem ultrapassar os 90 km/h no litoral. A ventania pode provocar queda de árvores, de estruturas frágeis e impactando no fornecimento de energia elétrica. 

Os riscos de temporais diminuem na quinta-feira, mas os ventos fortes devem continuar em regiões como Campinas, Grande São Paulo, Baixada Santista e Vale do Paraíba. 

O gabinete de crise da Defesa Civil será ativado a partir desta terça, para agilizar a gestão de emergência. 

Os cuidados nesse período devem ser redobrados, como não se abrigar perto de árvores e estruturas frágeis, não tentar atravessar áreas alagadas ou com enxurradas e ficar atento a sinais de deslizamento de terra. 

Em caso de emergência, o contato da Defesa Civil é 199 e do Corpo de Bombeiros, 193.

2:00

Drama da desidratação: S.O.S! Terra Chamando!” enfrenta crise da água

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Drama da desidratação: S.O.S! Terra Chamando!” enfrenta crise da água

Neste episódio, Aquecida e Desidratada, do  S.O.S! Terra Chamando!, a narrativa se aprofunda na crise hídrica global, demonstrando como o aquecimento do planeta desequilibra o ciclo da água e ameaça a vida.Drama da desidratação: S.O.S! Terra Chamando!" enfrenta crise da água | Cidade AC News – Notícias do AcreDrama da desidratação: S.O.S! Terra Chamando!" enfrenta crise da água | Cidade AC News – Notícias do Acre

O episódio traz um testemunho dramático e crucial direto da linha de frente da crise. Manoel Cunha, representante do ICMBio na Reserva do Médio-Juruá (AM), relata a seca histórica que atingiu a Bacia Amazônica, a região com o maior volume de água doce do planeta.

“Nunca na história se viu esse rio [Juruá] tão seco perder condições de navegabilidade,” afirma Cunha.

Essa escassez, ligada ao desmatamento transfronteiriço e às mudanças climáticas, impacta diretamente a economia e a segurança alimentar das comunidades extrativistas, que perdem colheitas tanto pela seca quanto por cheias inesperadas.

Oceanos em risco e a luta pela humanidade

O aquecimento não afeta apenas os rios; ele atinge os 70% da superfície terrestre cobertos pela hidrosfera. O oceanógrafo Afonso Gonçalves volta ao podcast para reforçar que aquecer a atmosfera é, inevitavelmente, aquecer os oceanos, os grandes reguladores do clima.

“A questão do oceano é como uma grande bomba, que pulsa e que redistribui calor que torna a vida possível,” alerta Gonçalves, clamando pela preservação desse “ser” fundamental.

O episódio conclui com a urgência da conscientização e da justiça ambiental, citando a visão de Chico Mendes: “No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras… Agora, percebo que estou lutando pela humanidade.”

O Episódio 5: Aquecida e Desidratada já está disponível nas principais plataformas de áudio e é uma escuta fundamental para entender a interconexão da crise climática.

O podcast é uma parceria entre a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Além de conferir aqui na Radioagência Nacional, o podcast está disponível nas principais plataformas de áudio.

👉 Ouça agora e siga o podcast S.O.S! Terra Chamando!, no seu tocador favorito! 

💻 Em breve com interpretação em Libras no canal da Rádio Nacional no YouTube.

💬 Você pode conferir, no menu abaixo, o roteiro base do episódio, a tradução em Libras e ouvir o podcast no Spotify.

S.O.S! Terra Chamando! –  Episódio 5 – Aquecida e Desidratada

🎵 Abertura 🎵

🎵 Barulho hospital marcador de sinais vitais 🎵

Terra (Kailani Vinício): Me sinto desidratada…..

Dr. Cruz (Pablo Aguilar): Como é isso? Como é se sentir desidratada, Terra?

Terra : É assim doutor…nas minhas palavras, tá? Vai desculpando aí!

Dr. Cruz: Pode ficar à vontade…

Terra: É que parece que esse aquecimento maluco secou tudo em mim, sabe? Tô sem lágrimas até para chorar! (abatida)

Dr. Cruz: Eu entendo! Vamos seguir com o soro intravenoso e aumentar a hidratação. Mas, como falei, a senhora tem sintomas de esgotamento. O pulmão me preocupa e ainda tem essa febre que me deixa de orelha em pé. (preocupado)

Terra: Queria eu estar de pé…

Dr. Cruz: E, desidratada, a senhora perde a capacidade de regular a temperatura…

Terra: E tem mais, doutor!!! Não esquece da minha irritação! Irritada com a humanidade. Ah, que crise!!! (irritada)

🎵Sobe Som 🎵

Adrielen Alves: A Terra sabe tudo! E mais, sente tudo – tá a flor da pele! Mesmo sem dar “nome aos bois”, como diz o velho ditado, ela sabe que vive “a” crise. Crise planetária. Climática. Hídrica. Tudo junto.

 A Terra, nossa personagem principal, vive uma mistura de sintomas: do aumento da temperatura à sensação de desidratação. Quem aí se identifica?

Dr. Cruz: A Terra já disse antes e eu reafirmo agora: está tudo interligado!

Adrielen: Polui lá, aquece aqui, altera o ciclo das águas ali. Está tudo interligado mesmo, como alerta o meu, o seu, o nosso Dr. Cruz.

 Esse médico se diz de “orelhas em pé”, uma metáfora, né gente, não podia deixar de ser – para expressar preocupação com a saúde da Terra.

Terra: Pelo menos alguém nesse planeta todinho preocupado comigo!

Adrielen: Em nossa defesa, eu faço por mim e por você que me escuta agora, eu digo à Terra que não é só o Dr. Cruz que está preocupado. Viu Terra? Estamos todos aflitos com esse drama!

Passando da nossa radionovela, aqui para a vida real: tem uma galera ligada no movimento, sim, e preocupada, simmm, em salvar o planeta, que se chama Terra, mas poderia tranquilamente, se chamar: Planeta Água.

Eu sou Adrielen Alves, jornalista de ciência. Este é o episódio cinco da primeira temporada do podcast: S.O.S! Terra Chamando! Uma parceria da Empresa Brasil de Comunicação e da Casa de Oswaldo Cruz.

🎵Sobe Som 🎵

Adrielen: A situação é dramática! E o testemunho vem diretamente da Floresta Amazônica, com Manoel Cunha. Ele é representante do Instituto Chico Mendes na Reserva do Médio-Juruá, em Carauari, Amazonas.

Manoel Cunha: “Para você ter uma ideia, a situação dramática que está hoje no Rio Juruá nunca na história se viu esse rio tão seco perder condições de navegabilidade, está vinculado ao desmatamento que nós temos lá no Peru, lá na Bolívia. Como nós tivemos uma grande seca e a nascente do nosso rio está bastante desmatada por dois países que não é nem o Brasil então veja que está caindo sobre nós, diminuiu o curso de água do rio e volume de água do rio, também diminuiu a velocidade que essa água corre e começou a formar bancos de areia pelo meio do rio, como também começou a acumular tronco de madeira pelo meio do rio, furando os barcos e naufragando os barcos, e gerando o acidente de lancha e entre outros tipos de acidentes. Então o meio ambiente é completamente equilibrado e interligado.”

Adrielen: O extrativista, assim como a Terra lá no início do podcast, relata o impacto da seca, da escassez de água na região que tem a maior concentração…… (Terra interrompe)

Terra: Peraí, Adrielen! Fala bem devagar pra todo mundo entender

Adrielen: Ok, Terra…! Seu pedido é uma ordem! Vamos lá: estamos falando de escassez de água na região que tem a maior concentração de rios do planeta: a Bacia Amazônica. Que ironia do destino!

Dr. Cruz: É mesmo um grande paradoxo, e infelizmente real.

Adrielen: A Bacia Amazônica tem simplesmente o maior volume de água doce do globo terrestre e escoa um quinto dessa água. Os dados são do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

E é justamente nesse lugar do planeta…que a escassez de água não dá trégua, minha gente.

O Rio Juruá, por exemplo, que nasce lá no Peru e banha, no Brasil, o Acre e o Amazonas, teve, em 2024, uma seca histórica!

Mas, se um tempo é de seca, pode acreditar que tem também tempo de cheias… históricas, como relembra o Manoel.

Manoel Cunha: “Em 2021, nós tivemos uma cheia muito grande, que carregou todas as sementes que a gente coleta, nós somos fornecedor de matéria prima, de manteiga de murumuru, óleo de andiroba foi mais de um milhão de reais que as comunidades deixaram de receber, porque a água, se antecipou, levou todas as sementes deles. Quando foi em 2020, que nós tivemos um período de uma “alagação” muito longa, que matou bastante as ‘plantações’ de seringueiras, os seringueiros deixaram de produzir a quantidade certa que eles produziam, que já equilibrava, que já tinha como base do equilíbrio da sua família, diminuiu isso drasticamente. Quando agora que a gente tem uma seca dessa, que a comunidade não consegue fazer os seus manejos, a comunidade que tinha se organizado, contando com aquele recurso que era o oriundo do seu manejo da pesca, o manejo do pirarucu, que agora não vai chegar na família. Imagina como a família vai se reorganizar no seu processo financeiro, e as compras, e as contas que a família tinha feito pensando naquele dinheiro, como que vai ser? Então está tudo interligado!

Adrielen: É seca. É enchente. Tá explicado porque a Terra anda tão irritada e a humanidade tão afetada.

 🎵  Sobe Som  🎵

Adrielen: Tem água. Falta água. Ora estiagem, ora inundação!

 Da Amazônia ao Rio Grande do Sul. Do Brasil ao Afeganistão, as mudanças climáticas impactam o curso, fluxo, ciclo das águas que por sua vez impactam, lógico, a nossa vida.

 E aproveitando o gancho do encontro das palavras “água” e “vida”, tudo na mesma frase, vamos ao clássico da astronomia, quando falamos em vida no universo:

 “Se tem água, tem vida”, como bem nos explicou a astrônoma Simone Daflon, no primeiro episódio.

Simone Daflon: Porque a água é um dos ingredientes fundamentais para o desenvolvimento da vida como a gente conhece.

Adrielen: Esta composição química riquíssima está em tudo: compõe cerca de 70% dos nossos corpos e…pasmem…70% da superfície do planeta – a famosa hidrosfera, formada pelos rios, lagos, mares, oceanos e vapor de água

Terra: Olha como a gente dá match! É 70% meus e 70% seus!

Adrielen: Dos rios aos oceanos – o aquecimento das águas terá reflexo direto no nosso modo de estar no planeta. Foi o que ouvimos há pouco sobre os povos da floresta que perderam tudo – ora com a escassez, ora com as enchentes dos rios amazônicos.

O alerta vem também com Afonso Gonçalves, oceanógrafo que está de volta ao podcast.

Afonso Gonçalves: A gente está em crise, a crise climática, é real, causada pelo homem, existe, é importante, a gente tem que ficar preocupado com isso, porque põe em risco o modo de vida que a gente tem a nossa proximidade com os oceanos, com os nossos alimentos, da forma como se relaciona com a agricultura, a pecuária, com a pesca, tudo é influenciado por isso.

Adrielen: Se liga nessa equação (não é matemática, mas é equação de vida): Aquecer a atmosfera é aquecer os oceanos, um dos principais reguladores da temperatura do planeta.

Afonso Gonçalves: Nos oceanos, a gente tem essa regulação do clima muito fortemente gerida pelo oceano, a gente tem esse feedback muito forte entre o oceano e a atmosfera. Então os movimentos que acontecem há muitos anos, já há décadas. E a questão do oceano é como uma grande bomba, que pulsa e que redistribui calor, que absorve e redistribui calor que torna a vida possível. Então, assim como é fundamental, a gente pensar na temperatura do planeta, é fundamental pensar no oceano como um “ser”[0:26:44] que precisa ser preservado para que a gente consiga manter o nosso estilo de vida minimamente como a gente conhece.

Adrielen: Com tudo aquecido, com esse o aquecimento global o regime de chuvas muda, gente. Daí esse “modo alucicrazy”, que tem estiagem histórica em um ponto, e enchentes nunca vistas antes em outro ponto.

Pontos diferentes, mas tudo dentro do planeta, né Afonso?!!!

Afonso Gonçalves : A cultura nossa como humanidade está interligada ao oceano. Se quisermos usar os oceanos, usando o oceano como lazer, como fonte de alimento, como um local para transporte. E como biodiversidade mesmo, né? Porque tem essa questão da regulação do clima pelo oceano, a gente precisa manter o oceano mais próximo possível do original.(…) A gente polui os oceanos, isso impacta diretamente a saúde humana, a saúde ambiental, (…)a gente está alterando as paisagens na região costeira, a urbanização excessiva, mineração, extração de minerais nos oceanos, isso modifica o as paisagens, modifica o ecossistema. Isso tudo impacta em outro ponto muito importante, da perda de biodiversidade, a gente perde, porque a biodiversidade marinha nos ajuda. Retirando o gás carbônico da atmosfera, devolvendo oxigênio, servindo de alimentação para a gente, uma fonte de proteína muito importante. Então tem vários níveis, a gente tem que tentar preservar o máximo possível. E aí o ponto fundamental, das mudanças climáticas incide como a gente está afetando o oceano, a água está aquecendo, e as correntes estão tão mudando, e isso tudo, as mudanças climáticas têm um pezinho em todos esses pontos que a gente falou, da poluição, da alteração de paisagem, da perda de biodiversidade. Fundamental que a gente tenta voltar para ter o oceano mais próximo possível de como era antes de a gente começar a Revolução Industrial, começar essa loucura toda com toda de um uso exacerbado, com tanto impacto negativo.

Adrielen: O apelo das Nações Unidas vai no mesmo sentido. O aquecimento global, a crise hídrica, vão atingir em cheio os mais vulneráveis…mas, mais adiante, pode ficar tranquis ou não , vai atingir a todos.

Dr. Cruz: É Terra, trata-se mesmo de uma insegurança hídrica.

Terra: Mexeu comigo, mexeu com todos!

🎵Sobe Som 🎵

Adrielen: É! Mexeu com a Terra, mexeu com a gente! Mexeu comigo, que moro no Planalto Central! Contigo, que mora em outras partes do país: Onde você está? No litoral, no interior do país, ou na Floresta Amazônica, como o Manoel Cunha?

Manoel Cunha: Então, a mudança climática, eu sempre digo que ela é como a guerra, ela chega para fazer o mal em todos os aspectos da vida da pessoa. E é uma guerra difícil de encarar, porque se a gente olhar e comparar ela com a guerra, as nossas comunidades tradicionais, nós somos soldados da frente, quer dizer, é aquele que está com sua vida mais em risco. Mas nós não temos a caneta, nós não temos o poder de decisão de fazer algo que possa minimizar, que possa mitigar os impactos das mudanças climáticas. Então, eu sempre digo que nós estamos primeiro, soldado da frente, e sem arma. Não tem como nós se defender, porque as mudanças climáticas tão aí, não é por ação nossa, é por ação dos homens, mas não pelas ações das comunidades tradicionais que são conservadoras de meio ambiente, de floresta, de tudo que nós tem de riqueza natural.

Adrielen: Se tem uma coisa que temos nos empenhado nesse podcast é em diversificar as vozes das ciências, do meio ambiente, da vida! E há quase que uma unicidade de vozes quando a gente fala da Terra:

Colagem (Julianne Gouveia, Anita Lucchesi, Teresa Santos, Ana Elisa Santana): “Ainda dá tempo de salvar o planeta: a hora de mudar é agora”! “Precisamos frear as emissões de gases que agravam o Efeito Estufa!” “Água é vida! Floresta de pé é vida!” “Cada um faz a sua parte. Juntos, cuidamos do todo!”

Adrielen: Tem também, uma que gosto muito e que já ouvi por aqui na voz de André Felipe, pesquisador da Casa de Oswaldo Cruz: Bora conscientizar agora!

André Felipe: Então, nós precisamos também inclusive ser criativos nas formas como nós vamos organizar e nas formas como nós vamos responder a esses desafios. Então, eu acho que a gente precisa ser muito atento, inclusive, para um certo uso político desse discurso neoliberal que tem de jogar tudo nas costas do indivíduo. Então, você precisa economizar a água, você precisa fazer isso, fazer aquilo. Na verdade, é claro que isso é importante. De forma nenhuma, eu desaconselho esse tipo de medida. Mas se você vê, é importante não perder de vista. Quem usa, por exemplo, dois terços dos usos de água. Quem são os responsáveis por dois terços dos usos de água? Quem são os grandes responsáveis pelo desmatamento? E como isso te afeta? Qual é a cadeia de produção daquilo que você está consumindo? Então, eu acho que essa conscientização, ela precisa vir junto para a gente conseguir lidar com isso de uma maneira efetiva.

Adrielen: Está tudo conectado – modo socioeconômico, com política, com justiça e consciência ambiental. Pode até parecer que não, mas está, tá bem?

Vide Chico Mendes, uma das maiores lideranças ambientais do mundo, assassinado em 1988, em Xapuri, no Acre. Ele teve um insight brilhante, que compartilho na voz de Thiago Regotto.

Thiago Regotto: No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade.

🎵  Sobe Som 🎵

Dr. Cruz: Pelo menos mais alguns dias aqui na UTI, Terra! É pra sua segurança!

Terra: Doutor, quero sair daqui! E quem depende de mim, como fica?

Dr. Cruz: A senhora realmente está preocupada com ‘’o outro’’?

Terra: É que sei que se adoeço, todo mundo adoece…

🎵 Vinheta Encerramento 🎵

Adrielen:  No sexto episódio:

Adrielen: O que será da humanidade com a Terra colapsada?

🎵 Sobe Som Trilha 🎵

Adrielen: Este é o S.O.S! Terra Chamando! O podcast sobre a saúde do planeta. Uma co-produção da Empresa Brasil de Comunicação e da Casa de Oswaldo Cruz.

Eu sou Adrielen Alves, responsável pela idealização, roteiro e apresentação. A pesquisa e a produção são de Anita Lucchesi e Teresa Santos.

 A edição de conteúdo é da Julianne Gouveia.

 A revisão é da Ana Elisa Santana.

Fazem parte da comissão técno-científica: Carlos Machado de Freitas da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca; Carlos Henrique Assunção Paiva, Diego Vaz Bevilaqua, Dilene Raimundo do Nascimento, Magali Romero Sá, da Casa de Oswaldo Cruz; e Tereza Amorim Costa, do Museu da Vida Fiocruz, unidades da Fundação Oswaldo Cruz.

Os atores são Georgiana Góes e Pablo Aguilar, do Museu da Vida Fiocruz.

 O apoio à produção em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo, ficou por conta de Adriana Ribeiro, Mara Régia e Victor Ribeiro. A operação de áudio é de Álvaro Seixas, Thiago Coelho e Reynaldo Santos, Thales Santos e Reinaldo Shiro.

A locução de frase de Chico Mendes é do Thiago Regotto.

A edição final e a sonoplastia são da Pipoca Sound.

Este episódio usa áudios de Ana Elisa Santana, da TV Brasil., Anita Lucchesi, André Felipe, da Casa de Oswaldo Cruz; Afonso Gonçalves, do Instituto de Oceanos de Bermudas, nos Estados Unidos, Julianne Gouveia e Teresa Santos, do Museu da Vida Fiocruz, Manoel Cunha, representante do ICMBIO na Reserva Extrativista do Médio Juruá, no Amazonas, de Simone Daflon, astrônoma do Observatório Nacional, além do acervo da Empresa Brasil de Comunicação.  Até a próxima!

🎵 Vinheta Encerramento 🎵

🎵 Som de fita voltando 🎵

Beatriz Arcoverde: Também contribuíram na Coordenação de Processos, implementação e publicação nas plataformas: Equipe da Radioagência Nacional – EBC,  Interpretação em Libras: Equipe de tradução da EBC, na edição de vídeo para o youtube: Mateus Araújo e o responsável pela arte: Vinícios Espangeiro.

🎵 Vinheta de Encerramento 🎵

Em breve

 

20:02

Pesquisa: carne de caça é essencial na dieta dos povos originários

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Pesquisa: carne de caça é essencial na dieta dos povos originários

Um estudo divulgado pelo INPA mostra que manter a floresta Amazônica em pé é essencial para garantir a alimentação de povos indígenas e comunidades tradicionais. A pesquisa revela quanto a carne de animais silvestres representa na dieta dessas populações e como o desmatamento ameaça esse recurso.Pesquisa: carne de caça é essencial na dieta dos povos originários | Cidade AC News – Notícias do AcrePesquisa: carne de caça é essencial na dieta dos povos originários | Cidade AC News – Notícias do Acre

De acordo com a pesquisa, florestas saudáveis garantem que povos amazônicos tenham acesso à carne de caça, uma das principais fontes de proteína dessas comunidades. O estudo analisou mais de 600 comunidades ao longo de quase 60 anos e mostrou que, em áreas preservadas, a caça tradicional fornece nutrientes essenciais, como proteína, ferro e vitaminas, fundamentais para a saúde dessas populações.

A pesquisa mostrou uma diversidade surpreendente de animais consumidos, envolvendo 490 espécies, sendo a paca a mais caçada na Amazônia.

Especialistas explicam que a carne silvestre, em algumas regiões, pode representar até metade da proteína consumida pelas famílias que vivem na floresta.

Mas o relatório traz um alerta: onde há desmatamento, há menos animais. Em áreas com mais de 70% de floresta perdida, que corresponde a cerca de 500 mil km², houve uma redução de 67% na quantidade de animais e da produtividade da carne, com impacto direto nas comunidades, de acordo com um dos autores do artigo, o ecólogo de fauna André Antunes.

“Em regiões que você tem uma maior degradação, principalmente pelo desmatamento, você passa a ter uma menor disponibilidade de animais de caça e isso, provavelmente, vai ter reflexo na própria segurança alimentar e nutricional dessas pessoas que passam a depender, de carnes domésticas. Provavelmente o frango, que é mais barato. Que, em geral é um tipo de carne que tem menor disponibilidade de nutrientes, quando você compara com carne de casa”, explica Antunes.  

Ao todo, 59 pesquisadores de instituições nacionais e internacionais assinam o trabalho que tem também a coparticipação de pesquisadores indígenas de dez povos de toda a Amazônia.

Para Dzoodzo Baniwa, líder e pesquisador indígena do povo Baniwa, a participação dos povos indígenas na pesquisa é um passo importante para tornar a ciência mais inclusiva.

“Percebo que estamos contribuindo com a ciência, incorporando nossos manejos ancestrais sobre manejo sustentável da fauna. Não só da fauna, mas o manejo sustentável do território, fortalecendo a construção de um conhecimento verdadeiramente intercultural e sistêmico. Vejo como um movimento que traz justiça epistêmica”.

3:20

Basta ao Feminicídio é o grito do Levante de Mulheres em São Paulo

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Basta ao Feminicídio é o grito do Levante de Mulheres em São Paulo


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A mobilização contra o feminicídio encheu a Avenida Paulista neste domingo (7), em um grande ato com a participação de milhares de mulheres e homens. Nas faixas e nos discursos, o levante pediu o fim da violência contra as mulheres, com penas mais duras para crimes motivados por misoginia, e combate ao discurso de ódio.Basta ao Feminicídio é o grito do Levante de Mulheres em São Paulo | Cidade AC News – Notícias do AcreBasta ao Feminicídio é o grito do Levante de Mulheres em São Paulo | Cidade AC News – Notícias do Acre

O ato trouxe para a discussão questões estruturais que reforçam e mantém a violência de gênero. Entre os temas estavam legislação, liberdade e respeito.

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“Vim hoje porque acho que é muito importante tornar visível a questão de quanto a misoginia fere o direito da mulher de existir, a nossa verdade de viver. Eu acho que tudo começa aí. Ela é tudo que fere a liberdade da mulher”, disse a professora Jessica Torres, 39 anos.

Para ela, não há uma idade a partir da qual se deve falar sobre o assunto com as crianças. A docente trabalha o tema como parte do conteúdo desde o ensino infantil,  já que os pequenos costumam repetir comportamentos da família, inclusive os discriminatórios.


São Paulo (SP), 07/12/2015 - Ato nacional pelo fim da violência contra as mulheres, com o tema Basta de feminicídio. Queremos as mulheres vivas!, na Avenida Paulista.  Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Ato nacional pelo fim da violência contra as mulheres, com o tema Basta de feminicídio. Queremos as mulheres vivas!, na Avenida Paulista. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

“Por isso é importante que os professores abordem com livros, atividades, com carinho e cuidado, demonstrem o que são atitudes misóginas. É uma coisa que pode ser leve, entende? A gente não está aqui para ser agressivo, a gente só quer poder ser livre”, acrescenta.

A pedagoga Fernanda Prince, 34 anos, trabalha com crianças de 6 a 8 anos. Ela considera muito fácil e interessante trabalhar o tema com esse público.

“Eles entendem muito fácil. É claro que sempre vai ter uma família ou outra que pode ver isso com maus olhos, mas é fundamental trabalhar essa pauta do feminicídio, da violência contra a mulher desde pequeno. E [esse tema] está em tudo, por exemplo, nos brinquedos, essa coisa de brinquedo de menina, brinquedo de menino, cor de menina, cor de menino. Tudo isso que parece ser bem ingênuo, na verdade, estão ali as sementinhas, tanto para o bem quanto para o mal” explica a docente, que foi para a mobilização neste domingo por já estar exausta. “Eu acho que não tem mais como não vir pra rua”, afirma, frente à quantidade de feminicídios e à facilidade com que pautas e influenciadores machistas destilam seu ódio em redes sociais e na comunicação eletrônica.

Maria das Graças Xavier, 58 anos, organizou a participação no protesto de um grupo de mulheres e homens que atua no movimento de moradia na região sudeste da capital paulista. Segundo ela, a articulação foi rápida e potente.

“A gente percebe que é um machismo estrutural, e precisamos acabar com isso,  temos que quebrar com o patriarcado. Esse ato foi uma chamada das mulheres, feita em menos de 10 dias, nacionalmente, em todos os estados. Estou aqui em São Paulo, mas teve ato em Pernambuco, na Bahia, em Minas, em vários estados”, destaca a militante.

Graça, como prefere ser chamada, considera urgente a discussão do papel do Estado na construção de campanhas e políticas públicas de combate à violência. Para ela, quem vive nas periferias vê constantemente mulheres machucadas e vê ou sabe de mortes causadas porque homens não aceitam a igualdade ou mulheres não se submetam a eles.

Leis severas

Durante a manifestação, os participantes levavam centenas de cartazes que pediam leis severas contra o feminicídio.

“Existe uma cultura de opressão às mulheres, uma cultura milenar. E tem muita mulher morrendo por causa disso, morrendo aos poucos com terrorismo psicológico, morrendo por falta de espaço na sociedade, dentro de casa, no trabalho. E a gente precisa muito falar disso”, afirma a comerciante Lilian Lupino, 47 anos. “Os homens se sentem protegidos por falta de leis severas de punição.”

Veja fotos da manifestação em São Paulo:

 

Mulheres protestam no Rio e pedem maior presença do Estado

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Mulheres protestam no Rio e pedem maior presença do Estado


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A tentativa de feminicídio que sofreu em 6 de fevereiro de 2017 ainda provoca uma mistura de sentimentos e lágrimas na agente de educação infantil do município do Rio de Janeiro Evelyn Lucy Alves da Luz, de 44 anos. Os tiros que levou do ex-marido estão marcados nela e na filha, que na época tinha 6 anos e assistiu a tudo.Mulheres protestam no Rio e pedem maior presença do Estado | Cidade AC News – Notícias do AcreMulheres protestam no Rio e pedem maior presença do Estado | Cidade AC News – Notícias do Acre

“Ele desferiu os tiros na frente da criança. Ela presenciou a mãe sendo quase morta, tornando esse crime ainda mais cruel”, contou em entrevista à Agência Brasil, enquanto participava de manifestação contra o feminicídio, na Praia de Copacabana.

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Evelyn disse que a filha carrega o trauma até hoje. “Infelizmente, ela ainda está muito traumatizada, não fala sobre o assunto. Até hoje, luto para que tenha uma vida saudável e plena, mas é muito difícil tendo vivenciado o que vivenciou”, afirmou.


Rio de Janeiro (RJ), 07/12/2025 - Evelyn Lucy Alves da Luz vitima de tentativa de feminicídio 071225
Ato para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres.
Foto: Cristina Indio do Brasil/Agência Brasil

Evelyn Lucy Alves da Luz, vitima de tentativa de feminicídio, denuncia violência de que foi vítima – Foto Cristina Indio do Brasil/Agência Brasil

“Foi à luz do dia, em um sábado de carnaval. Esse homem fez isso na frente de todos, algo que é comum. Eles não têm medo de serem violentos e agressivos”.

Os disparos foram em frente à casa dela, em Vila Isabel, na zona norte do Rio, depois de o ex-marido trazer de volta a filha que tinha ido com ele para um encontro determinado pela Justiça. A menina, que não queria ir, voltou chorando com o pai dez minutos depois. “Ele retornou à minha residência e desferiu três tiros, dois foram no meu abdômen, perdi o baço, um pedaço do fígado e o ovário esquerdo, e o outro foi no rosto”, revelou, acrescentando que ficou 21 dias internada no hospital, sendo 11 no Centro de Terapia Intensiva. 

“Carrego essas marcas até hoje. Tanto físicas quanto emocionais. Sei muito bem o que é”, contou em meio às manifestantes que participaram do ato Na Rua por Mulheres Vivas!, no posto 5 da Praia de Copacabana.

“Hoje estou aqui. Poderia ter virado uma estatística, mas estou aqui porque sou realmente uma sobrevivente de tentativa de feminicídio”.

Evelyn pôde contar com uma rede de apoio de mulheres que foi se formando ao seu redor como grupos e coletivos. “Fui recebendo muito amor e afeto, inclusive uma das pessoas de quem recebi esse afeto, logo em seguida, foi a Vanderlea Aguiar, também militante do Movimento Emancipa. Uma das pessoas que foi meu suporte para que eu chegasse até aqui”.

“Só de estar viva, acho que já é uma grande militância porque passei por algo que nenhuma mulher merece passar”.

Evelyn, no entanto, reclama da falta de apoio do Estado. “Recebi apoio de pessoas e não de organizações e nem do governo. Não recebi nenhum tipo de ajuda, nenhum tipo de ligação, não recebi apoio psicológico, financeiro, nada. Tive que me reerguer com meios próprios”, afirmou.

“É um dos meus questionamentos. A mulher que sobrevive a uma violência, seja patrimonial, emocional, ou a uma tentativa de feminicídio, não recebe apoio do governo para se restabelecer”.

O agressor chegou a responder a processo na Justiça e foi preso, mas depois de uma pesquisa na internet, Evelyn se assustou ao saber que ele está solto. “Ele está solto desde 2024 e ninguém me avisou”, contou, acrescentando que esse foi mais um motivo para estar no ato em Copacabana.

“Estou aqui por mim, por todas as outras que se foram e por aquelas que querem ser livres”.

Também presente à manifestação de mulheres na capital fluminense, Vanderlea Aguiar, 49 anos, conta que conseguiu sair de um relacionamento difícil por instinto de sobrevivência.

“A gente está cansada de ver as mulheres morrendo simplesmente pelo fato de serem mulheres e porque os homens acham que são donos da nossa vida e do nosso corpo. Pode-se dizer até da nossa alma”, disse à Agência Brasil.


Rio de Janeiro (RJ), 07/12/2025 - Wanderlea Aguiar e Adriana Herz Domingues do coletivo Juntas 071225
Ato para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres.
Foto: Cristina Indio do Brasil/Agência Brasil

Wanderléa Aguiar e Adriana Domingues, no ato contra os feminicídios, no Rio de Janeiro – Foto Cristina Índio do Brasil/Agência Brasil

“Apoiar a Evelyn e as mulheres é dizer que a gente está viva, sobrevivendo e, mais do que isso, é dizer chega e que a gente não aguenta mais. Que a gente é dona das nossa vida, sim”.

Adriana Herz Domingues, 31 anos, é uma das coordenadoras estaduais do Coletivo Juntas, presente ao ato deste domingo (7). Segundo a psicóloga, o aumento dos casos de feminicídio foi o estopim para a realização da manifestação. A falta de investimentos para uma rede de acolhimento e da realização de concursos públicos para esses espaços também estão na lista de reivindicações.

“A gente está lutando por isso, mas em primeiro lugar que os casos de violência não aconteçam. É muito importante ter a Lei Maria da Penha e debates nas escolas sobre a violência contra mulher. Discutir por que o machismo existe e outras questões.”

O debate sobre o que é a violência, conforme a psicóloga, é fundamental, porque ainda há mulheres que não identificam o que sofrem. “Isso envolve esse debate nas escolas, no Sistema Único de Saúde, campanhas do próprio governo e também ter os aparelhos de Estado para acolhimento”. Para Adriana, embora as Casas das Mulheres sejam uma conquista do movimento feminino e funcionem bem em alguns lugares, o equipamento público ainda existe em número insuficiente.

“O atendimento psicológico é importante para a mulher de forma que sinta que não está sozinha, tem um amparo, muitas vezes em grupo para as que passam pela situação se fortalecerem coletivamente”, disse.

Ela lembrou que há casos em que a mulher não deixa o relacionamento violento por dificuldades financeiras.

“[É preciso] a gente garantir emprego pleno, ter concursos públicos para que as mulheres possam ter empregos bons, bolsas para mulheres que estão em situação de violência. São propostas para a gente combater isso”, observou


Rio de Janeiro (RJ), 07/12/2025 - Deise Coutinho professora aposentada no ato contra feminicídio 071225
Ato para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres.
Foto: Cristina Indio do Brasil/Agência Brasil

A professora Deise Coutinho coloca girassóis ao lado de cruzes em Copacabana para protestar contra o feminicídio – Foto Cristina Indio do Brasil/Agência Brasil

A professora aposentada Deise Coutinho, 68 anos, levou girassóis e colocou ao lado de cruzes pretas espalhadas na pista da orla de Copacabana representando as mortes por feminicídio. Representante do Sindicato dos Professores de Escolas Particulares, ela reivindica do governo respostas às mortes de mulheres por feminicídio. “Girassol é uma flor que se levanta, é o lema. Nós nos levantamos para lutar, para acabar com essa matança das mulheres.”   

Ministras exaltam luta das mulheres em ato contra o feminicídio

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Ministras exaltam luta das mulheres em ato contra o feminicídio


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Seis ministras e um ministro do governo federal participaram, neste domingo (7), em Brasília, do ato Levante Mulheres Vivas convocado por dezenas de organizações da sociedade civil. A manifestação ocorreu em diversas capitais do país após sucessão de casos de feminicídios que chocaram a sociedade. Ministras exaltam luta das mulheres em ato contra o feminicídio | Cidade AC News – Notícias do AcreMinistras exaltam luta das mulheres em ato contra o feminicídio | Cidade AC News – Notícias do Acre

Sob fortes pancadas de chuva, o ato contou também com a participação da primeira-dama Janja Lula da Silva. O ministro que participou foi o do Desenvolvimento Social, Wellington Dias.  


Brasília (DF), 07/12/2025 - As ministras da Igualdade Racial, Anielle Franco, das Mulheres, Márcia Lopes, e da Gestão, Esther Dweck, durante ato do Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília, para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

As ministras da Igualdade Racial, Anielle Franco, das Mulheres, Márcia Lopes, e da Gestão, Esther Dweck, durante o Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília – Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

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A ministra da Mulher, Márcia Lopes, defendeu que as mulheres precisam ocupar 50% dos cargos políticos no Brasil. “Não vamos votar em homem que agrida, que ofenda as mulheres. Não vamos votar”.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse que essa é uma luta civilizatória, que precisa da participação dos homens.

“É muito importante ter os homens ao lado da gente nessa caminhada. Essa luta é de toda a sociedade. Temos que unir forças para tirar essa chaga da sociedade. Nós temos um problema histórico e cultural de subordinação das mulheres e temos que mudar isso”, afirmou.

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, lembrou sua irmã Marielle Franco, vereadora carioca assassinada em 2018 no Rio de Janeiro (RJ).


Brasília (DF), 07/12/2025 - A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, durante ato do Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília, para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, fala durante o Levante Mulheres Vivas em Brasília – Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Quando Marielle foi assassinada da maneira que foi, com cinco tiros na cabeça, logo depois a mãe Bernadete, poucos anos depois, com 21 tiros na cabeça, há um recado dado para essas mulheres. A gente tá aqui hoje pra dizer que vai permanecer viva, de pé, lutando, ocupando todos os espaços, eles queiram ou não. A gente vai permanecer”, afirmou.

Mesmo se recuperando de uma cirurgia, a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, participou do ato em uma cadeira de rodas. Ela lembrou que a violência contra as mulheres indígenas segue invisível.

“Essa violência que a gente vê hoje em redes sociais, em noticiários, nos territórios indígenas acontece igualmente e nem notícia vira. Elas continuam no anonimato e ainda nem estatística viraram”, lamentou.

Também participou do ato a ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, que argumentou que a luta das mulheres contra a violência é secular. 

“Isso é para que a gente possa ter a dimensão da batalha que tem pela frente. Por isso, a luta para que tenhamos salário igual para função igual, creches, direitos para que, nas universidades, as mulheres que sigam a carreira científica possam avançar sem nenhum tipo de empecilho”, afirmou.

Em sua fala, a primeira dama Janja Lula da Silva lamentou os feminicídios e pediu medidas mais duras contra o assassinato de mulheres.


Brasília (DF), 07/12/2025 - A primeira-dama, Janja Lula da Silva, durante ato do Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília, para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A primeira-dama, Janja Lula da Silva, pediu penas mais duras para o feminicídio – Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Que hoje seja um dia que fique marcado na história desse movimento das mulheres pelo Brasil. A gente precisa de penas mais duras para o feminicídio. Não é possível um homem matar uma mulher e, uma semana depois, estar na rua para matar outra. Isso não pode acontecer”, disse.

Também participou do ato, na Torre de TV, na área central de Brasília, a ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck.

Entenda

A mobilização nacional foi convocada após uma onda de feminicídios recentes que abalaram o país.

No final de novembro, Tainara Souza Santos teve as pernas mutiladas após ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro, enquanto ainda estava presa embaixo do veículo. O motorista, Douglas Alves da Silva, foi preso acusado do crime.

Na mesma semana, duas funcionárias do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-RJ), no Rio de Janeiro, foram mortas a tiros por um funcionário da instituição que se matou em seguida.

Na sexta-feira (5), foi encontrado, em Brasília, o corpo carbonizado da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, 25 anos. O crime está sendo investigada como feminicídio após o soldado Kelvin Barros da Silva, 21 anos, ter confessado a autoria do assassinato.

Cerca de 3,7 milhões de mulheres brasileiras viveram um ou mais episódios de violência doméstica nos últimos 12 meses, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero.

Em 2024, 1.459 mulheres foram vítimas de feminicídios. Em média, cerca de quatro mulheres foram assassinadas por dia em 2024 em razão do gênero. Em 2025, o Brasil já registrou mais de 1.180 feminicídios.

Em Brasília, mulheres denunciam feminicídios e a omissão do Estado

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Em Brasília, mulheres denunciam feminicídios e a omissão do Estado


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“Estupros corretivos, tapas e facadas. Querem nos manter de bocas fechadas, mas nem a morte irá nos calar. Mulheres vivas!”, com essas palavras a assistente social Elisandra “Lis” Martins encerrou sua fala na Batalha de Rimas, no centro de Brasília, no ato Levante Mulheres Vivas, realizado em diversas capitais do país neste domingo (7).Em Brasília, mulheres denunciam feminicídios e a omissão do Estado | Cidade AC News – Notícias do AcreEm Brasília, mulheres denunciam feminicídios e a omissão do Estado | Cidade AC News – Notícias do Acre

Sob fortes pancadas de chuva, milhares de pessoas participaram do protesto no Distrito Federal (DF) para denunciar a violência contra a mulher, o feminicídio e a omissão do Estado na proteção e prevenção à violência de gênero.

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O “Levante” foi convocado por dezenas de organizações de mulheres, após sucessivos casos emblemáticos de feminicídios que chocaram o Brasil nos últimos dias. Em Brasília, falas de lideranças e apresentações culturais movimentaram a Torre de TV, no centro da capital.

A rimadora Elisandra “Lis” Martins, de 31 anos, faz parte do coletivo Batalha das Gurias, da Frente Nacional de Mulheres no Hip-Hop, e compareceu ao ato para denunciar a violência de gênero na esperança de provocar uma reação do Estado. 

“É violência de gênero, é violência de raça, por esses motivos temos as nossas vidas escassas, é como viver no submundo dos empregos, periferias e até do próprio mundo. Da não aceitação até a depressão que nos mata, mantendo viva a respiração”, rimou a moradora do Itapoã, região administrativa do DF a cerca de 10 quilômetros da Esplanada dos Ministérios.  

A manifestação contou com a presença de representantes do governo federal, entre eles, seis ministras, além de deputadas federais, da primeira-dama Janja Lula da Silva e diversas lideranças populares.

Durante o domingo também foram realizados protestos de mulheres em outras capitais como Rio de Janeiro, onde centenas se reuniram na Praia de Copacabana, e São Paulo, onde a concentração foi realizada na Avenida Paulista.

Violência do Estado

Na capital federal, foram recorrentes as falas contra o Estado e a omissão e incapacidade das instituições de protegerem as mulheres vítimas de violência, assim como de prevenir esses crimes.

A doutora em ciência sociais Vanessa Hacon é ativista do Coletivo Mães na Luta, que assessora mulheres vítimas de violência. Ela afirma que o sistema de Justiça é negligente no atendimento às mulheres e, na maioria dos casos, culpa a própria vítima.

“As mulheres saem de casa para se livrar da violência doméstica e vão parar dentro do sistema de Justiça, onde a violência processual é intensa e absurda e os juízes não fazem nada”, disse Vanessa.


Brasília (DF), 07/12/2025 - Carla Michelli e Vanessa Hacon durante ato do Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília, para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Carla Michelli e Vanessa Hacon no Levante Mulheres Vivas, em Brasília, contra o feminicídio – Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

A ativista reclama que as instituições do sistema de Justiça não concedem as medidas protetivas às mulheres quanto necessário.

“Existe uma ideologia machista nos tribunais que deslegitima denúncias com base em estereótipos de gênero vulgares, do tipo ‘essa mulher é uma ressentida’, ‘não aceita o fim do relacionamento’, ‘vingativa’. Essas denúncias precisam ser levadas a sério e, de fato, processadas corretamente, ao invés de arquivadas sob argumentos vagos”, criticou.

Patriarcado

Com gritos como “Feminismo é revolução” e “Mulheres Vivas”, as manifestantes destacaram que a forma “patriarcal” como a sociedade foi estruturada ao longo dos séculos contribui para uma espécie de “epidemia” de feminicídios no Brasil.

“O patriarcado é quando a sociedade se estrutura a partir da lógica de que o homem, de que o gênero masculino, tem o poder, e o poder é centralizado neles, a partir deles, e é a partir deles que as coisas acontecem”, afirmou a militante do Movimento Negro Unificado (MNU), Leonor Costa.

Ela destacou à Agência Brasil que os casos “absurdos” de feminicídios nos últimos dias acenderam a revolta das mulheres pelo país.
 


Brasília (DF), 07/12/2025 - Leonor Costa durante ato do Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília, para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Militante do Movimento Negro, Leonor Costa diz que educação é fundamental para mudar violência contra mulheres – Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Espero que esses atos sensibilizem a sociedade e mostrem o perigo que as mulheres vivem no seu cotidiano e, mais do que isso, que sensibilize o Estado. É fundamental que haja políticas públicas que sejam capazes de frear esse nível de violência”, afirmou.

Para a representante do MNU, a educação é fundamental para mudar essa cultura. “São necessárias políticas de educação que consigam conscientizar a sociedade como um todo para entender que esse é um problema do país. Esse não é só um problema meu, que sou mulher”, completou.

Papel dos homens e do orçamento público
 


Brasília (DF), 07/12/2025 - O Levante Mulheres Vivas realiza ato na área central de Brasília para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres.
 Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Levante Mulheres Vivas realiza ato na área central de Brasília para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A maioria da manifestação foi formada por mulheres, mas muitos homens acompanharam o ato e as lideranças presentes destacaram o papel deles na luta contra a violência de gênero, como explicou a escritora, cineasta e professora aposentada Renata Parreira.  

“É preciso convocar os homens a discutir, a refletir sobre sua masculinidade tóxica. Trazê-los como aliados para essa luta, porque é uma luta de todas e todos para que possamos mudar o projeto de sociedade”, destacou.

Para Renata, que integra o Levante Feminista contra o Feminicídio, Lesbocídio e Transfeminicídio, é preciso ainda reforçar o orçamento público para combater a violência de gênero.

“Sem orçamento público, sem equipe qualificada, sem indicadores econômicos e sociais de pesquisa não há como elaborar políticas públicas efetivas para a prevenção da violência de mulheres. Nós precisamos, por meio da educação, transformar a realidade porque a cultura não é fixa, ela é dinâmica e pode ser mudada”, completou.


Brasília (DF), 07/12/2025 - Renata Parreira durante ato do Levante Mulheres Vivas, na área central de Brasília, para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Para a escritora Renata Parreira, é preciso orçamento público para combater violência de gênero – Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

Questão econômica

A situação econômica das mulheres foi outro elemento lembrado no ato como fator que alimenta a violência de gênero.

A empreendedora Aline Karina Dias, de 36 anos, avalia que a questão financeira é a arma para emancipar muitas mulheres dos ciclos de violência e exclusão.

“Compreendemos o empreendedorismo, a questão financeira, como uma ferramenta de emancipação e de existência das mulheres. Muitas que sofrem feminicídio são devido a questões sociais, por falta de moradia e de emprego”, disse.

Aline Karina lidera o Sebas Turística, projeto de afroturismo de base comunitária que visa promover o turismo cidadão em São Sebastião, região administrativa do DF a cerca de 17 km do centro de Brasília.

Entenda
 


Brasília (DF), 07/12/2025 - O Levante Mulheres Vivas realiza ato na área central de Brasília para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres.
 Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Levante Mulheres Vivas realiza ato na área central de Brasília para denunciar o feminicídio e todas as formas de violência contra mulheres. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A mobilização nacional foi convocada após uma onda de feminicídios recentes que abalaram o país.

No final de novembro, Tainara Souza Santos teve as pernas mutiladas após ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro, enquanto ainda estava presa embaixo do veículo. O motorista, Douglas Alves da Silva, foi preso acusado do crime.

Na mesma semana, duas funcionárias do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet-RJ), no Rio de Janeiro, foram mortas a tiros por um funcionário da instituição que se matou em seguida.

Na sexta-feira (5), foi encontrado, em Brasília, o corpo carbonizado da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, 25 anos. O crime está sendo investigada como feminicídio, após o soldado Kelvin Barros da Silva, de 21 anos, ter confessado a autoria do assassinato.

Cerca de 3,7 milhões de mulheres brasileiras viveram um ou mais episódios de violência doméstica nos últimos 12 meses, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero.

Em 2024, 1.459 mulheres foram vítimas de feminicídios. Em média, cerca de quatro mulheres foram assassinadas por dia em 2024 em razão do gênero. Em 2025, o Brasil já registrou mais de 1.180 feminicídios.

Veja galeria de fotos da manifestação em Brasília:
 

 

Acesso à internet cresce entre classes sociais, mas ainda é desigual 

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Acesso à internet cresce entre classes sociais, mas ainda é desigual 


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Os brasileiros já acessam a internet, em ampla maioria, mas a qualidade e o tipo de conteúdo que buscam pode apresentar diferenças consideráveis, relacionadas à renda das famílias. Segundo a pesquisa TIC Domicílios, lançada nesta terça-feira (9), 86% dos domicílios tem acesso a internet, maior número da série histórica, iniciada em 2015, quando 51% tinham acesso. Isso significa 157 milhões de usuários da rede, chegando a 163 milhões se considerado o acesso de aplicativos que acessam indiretamente a rede.Acesso à internet cresce entre classes sociais, mas ainda é desigual  | Cidade AC News – Notícias do AcreAcesso à internet cresce entre classes sociais, mas ainda é desigual  | Cidade AC News – Notícias do Acre

O salto expressivo em uma década reflete a expansão do acesso aos mais pobres. Em 2015, 15% dos lares considerados de classes D e E tinham acesso à rede. Em 2025, o número chega a 73%, tendo avançado 5 pontos somente no último ano.

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O aumento reflete a expansão do acesso por cabo ou fibra óptica entre os mais pobres. A tecnologia se consolidou como a principal porta de acesso, sendo usada por 73% das pessoas, mas aqui já é percebido o primeiro dado de desigualdade: nas classes D e E apenas 60% usam essa tecnologia.

Questão financeira

A desigualdade motivada pela questão financeira permanece muito expressiva para o acesso em termos gerais. Nas classes A e B, o acesso é próximo do universal, com 99% e 95% de acessos respectivamente. Na classe C, o número já despenca para 86%, e nas classes D e E, ele se resume a 73%, ou seja, um quarto dos brasileiros das classes D e E não têm acesso.

A classe D e E lidera quando o quesito é o acesso somente por celulares. São 87% dos brasileiros nesta classe que utilizaram a rede somente por meio de aparelhos de telefone, indicando que o uso supera o de páginas de internet, redes sociais e afins. A pesquisa percebeu ainda a consolidação das ferramentas de governo virtual, com acesso motivado principalmente pelo uso de serviços de saúde e pela emissão ou acesso de documentos.

O acesso à rede, em geral, também cai drasticamente entre os moradores de áreas rurais, chegando a 77%. A escolaridade é outro fator determinante: 98% dos brasileiros com ensino superior usam a internet, ante 91% daqueles com ensino médio e 74% daqueles com ensino fundamental. Seu uso também está relacionado à idade.

Todas as faixas etárias entre 10 e 44 anos tem mais de 90% de acesso. Esse número recua para 86% entre aqueles com mais de 45 anos e para 54% entre aqueles com mais de 60 anos. Em todos esses recortes o uso de celulares como única forma de acesso é mais difundido entre as populações que tem menos acesso.

A pesquisa também avaliou, pela primeira vez, a qualidade do acesso de internet entre os usuários de pacotes para celulares. A maior parte dos que responderam, 55%, têm pacotes suficientes para seu uso, mas um grupo significativo indica queda na velocidade após o uso completo do pacote (33% dos brasileiros e 38% entre os das classes DE) e ter de contratar pacotes adicionais de acesso (30-37%, respectivamente).

A pesquisa TIC Domicílios é um levantamento do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) que mapeia o acesso e o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) nos lares e por indivíduos de 10 anos ou mais no Brasil, os três principais órgãos de acompanhamento e gestão da internet no país, e teve apoio da Unesco.

Como o brasileiro usa a internet

Em 2023 e 2024, o brasileiro usou a internet principalmente para se comunicar, com 92% das pessoas enviando mensagens instantâneas, 81 realizando chamadas de vídeo e 80% usando redes sociais. Houve queda na predominância de uso da rede para assistir a filmes (71% em 2025 ante 77% em 2024) e queda entre aqueles que compartilharam algum conteúdo (62% em 2025 e 67% em 2024). O uso da rede para o pagamento por pix, por sua vez, aparece pela primeira vez e está consolidado, sendo usado por 75% das pessoas. 

O uso da rede para apostas online passou a ser medido neste ano, indicando que 19% dos brasileiros usam a rede para esse fim, com predominância masculina (25%) nos quatro tipos de uso medidos, que foram o acesso a cassinos online (10% dos homens e 6% das mulheres); a participação em rifas ou sorteios (9% e 5%); a realização de apostas esportivas (12% e 2%); e a aposta em loterias federais (9% e 4%)

O uso de Inteligência Artificial (IA) generativa também foi questionado pela primeira vez: 32% dos brasileiros já as usam, sendo 35% dos homens. Há uma diferença marcante de uso por classe – 59% daqueles com ensino superior, 29% entre os que completaram o médio e 17% entre os que completaram o fundamental – e por renda (69% na classe A, 52% na B, 32% na C e 16% nas classes DE).

O uso das ferramentas de IA ainda tem relação com a idade: 55% dos jovens de 16 a 24 anos usam IAs, número que cai para 44% na população entre 25 e 34 anos, 40% entre os jovens de 10 a 15 anos e fica abaixo de 30% para aqueles com 35 a 44 anos. Entre as pessoas com idades entre 45 e 59 anos somente 18% usa IAs, e entre os maiores de 60 anos esse número beira o residual, com 6% de uso.

Entre os que usam a maioria utiliza a IA para fins pessoais (84%), enquanto 53% usa para pesquisas ou trabalhos acadêmicos e 50% para uso profissional ou de trabalho. A principapal diferença aqui está no uso para trabalho, sendo predominante entre os profissionais com ensino superior, dos quais 69% utilizam a IA para uso profissional.

Entre os que tem nível médio esse uso cai para 41%, e para os trabalhadores com nível fundamental apenas 23% usam a IA para fins profissionais. No ensino fundamental, porém, o maior uso é para pesquisas acadêmica, 67%, o que pode indicar uso amplo da tecnologia entre os estudantes de ensino fundamental.

Governo eletrônico é amplamente utilizado

A pesquisa também constatou que  a plataforma de governo público gov.br permanece sendo amplamente utilizada, com acesso por 56% da população total e divisão, por classe, de 94% para a classe A e queda conforme diminui a renda, sendo 79% para a B, 56% para a C e 35% para D e E. Há também uma disparidade regional importante. A média de uso por região é entre 57 e 60%, mas entre os moradores do nordeste são apenas 48% os que utilizam a plataforma.

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