O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou nesta quinta-feira (18) à Procuradoria-Geral da República (PGR) o laudo no qual peritos da Polícia Federal (PF) confirmaram que o ex-presidente Jair Bolsonaro usou um ferro de solda para violar a tornozeleira eletrônica durante o período em que esteve em prisão domiciliar.
Pela decisão, a PGR terá prazo de cinco dias para se manifestar. Em seguida, o mesmo prazo deverá ser seguido pelos advogados de Bolsonaro.
Os peritos confirmaram que há sinais de violação do equipamento, que apresentou danos significativos na capa plástica da tornozeleira, e que um ferro de solda foi usado pelo ex-presidente.
No dia 22 de novembro, Bolsonaro foi preso em uma sala da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília após confessar que usou a ferramenta para tentar romper o equipamento. Inicialmente sua prisão se deu de forma preventiva, devido ao risco de fuga demonstrado pelo dano à tornezeleira.
Três dias depois, entretanto, o STF determinou a execução da pena de 27 anos e três meses de prisão do ex-presidente, apontado como líder da tentativa de golpe que buscava reverter o resultado da eleição de 2022 para mantê-lo no poder.
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu garantir que mulheres vítimas de violência doméstica podem receber benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) se precisaram de afastamento do trabalho.
A Corte publicou nesta terça-feira (16) a decisão final na qual foram validadas as regras da Lei Maria da Penha que asseguram os benefícios.
A lei definiu que a Justiça deve assegurar à mulher em situação de violência doméstica a manutenção do vínculo empregatício por seis meses enquanto se recupera dos danos causados pelos agressores.
Por unanimidade, os ministros reconheceram que a mulher em situação de violência tem direito a um benefício previdenciário ou assistencial, conforme o vínculo com a seguridade social.
Segurada do INSS
No caso de mulheres que são seguradas do Regime Geral de Previdência Social, como empregada, contribuinte individual, facultativa ou segurada especial, o STF entendeu que os primeiros 15 dias de remuneração pelo afastamento será de responsabilidade do empregador. O período restante fica sob a responsabilidade do INSS.
Para quem não tem relação de emprego, mas contribui para o INSS, o benefício deverá ser pago integralmente pelo órgão.
Não segurada – O STF entendeu que as mulheres que não são seguradas do INSS deverão receber o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Nesse caso, a Justiça deverá comprovar que a mulher não tem outros meios para manter a renda.
Conforme a decisão, a requisição do benefício deverá ser feita pelo juiz criminal responsável pela análise das medidas protetivas, que já também estão previstas na Lei Maria da Penha.
A Corte também definiu a competência da Justiça Federal para julgar ações regressivas para cobrar dos agressores os gastos do INSS com o pagamento dos benefícios.
Acusados de tentar explodir bomba em aeroporto se tornam réus no STF
Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (17) tornar réus três acusados pela tentativa de explosão de um caminhão-tanque nos arredores do aeroporto de Brasília no dia 24 de dezembro de 2022.
O colegiado formou placar de 4 votos a zero para abrir uma ação penal contra os acusados George Washington de Oliveira Sousa, Alan Diego dos Santos Rodrigues e Wellington Macedo de Souza.
Eles vão responder pelos crimes de associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e atentado contra a segurança de transporte aéreo.
Os três acusados já foram condenados pela Justiça do Distrito Federal e estão presos.
Em maio de 2023, a Justiça apenou o empresário George Washington a nove anos e quatro meses de prisão. Alan Diego foi condenado a cinco anos e quatro meses. As condutas envolvem os crimes de explosão, causar incêndio e posse arma de fogo sem autorização.
A Agência Brasil busca contato com a defesa dos acusados. O espaço está aberto para manifestação.
Polícia Civil prende suspeito e recupera bens furtados de comércios em Manoel Urbano
A atuação rápida da equipe da Delegacia-Geral de Manoel Urbano resultou na recuperação de eletrônicos e dinheiro avaliados em aproximadamente R$ 4 mil, na última quarta-feira, 17. A ação foi conduzida por oficiais investigadores de Polícia Civil, que obtiveram êxito em uma operação que recuperou diversos objetos furtados durante a madrugada.
Ação rápida da Polícia Civil resulta na prisão de suspeito e recuperação de bens em Manoel Urbano. Foto: cedida
O crime ocorreu nas primeiras horas do dia, quando o suspeito invadiu estabelecimentos comerciais da região e subtraiu aparelhos celulares, quantias em dinheiro e outros equipamentos eletrônicos. Após o registro da ocorrência, a equipe da Delegacia-Geral iniciou diligências imediatas, com buscas ininterruptas pelo autor.
As investigações apontaram que o suspeito é contumaz na prática de crimes contra o patrimônio, possuindo diversas passagens pela polícia por delitos semelhantes. Com base nas informações levantadas, os investigadores conseguiram identificar o autor, localizá-lo em seu esconderijo e efetuar sua prisão em flagrante, além de recuperar os bens subtraídos.
De acordo com a delegada Rivânia Franklin, os objetos recuperados estão avaliados em aproximadamente R$ 4.000,00 e, após a realização dos procedimentos legais, serão devidamente restituídos aos seus legítimos proprietários.
“Todo o material apreendido já se encontra na unidade policial. O suspeito foi identificado e permanece à disposição da Justiça. Seguimos com as investigações para consolidar as provas e verificar a possível participação de outros envolvidos no crime”, disse a delegada.
Polícia Civil cumpre mandado de internação contra envolvido em latrocínio em Cruzeiro do Sul
A Polícia Civil do Acre (PCAC), por meio do Núcleo Especializado em Investigações de Crimes Patrimoniais (Nepatri), cumpriu na tarde da última quarta-feira, 17, um mandado de internação contra o nacional W.G.D.S., atualmente com 18 anos de idade, envolvido em um crime de latrocínio (roubo seguido de morte) ocorrido no município de Cruzeiro do Sul.
PCAC cumpre mandado de internação contra envolvido em latrocínio em Cruzeiro do Sul. Foto: cedida
O crime aconteceu no dia 31 de janeiro de 2025, no bairro Cruzeirão, quando Manoel Carlos Alemão da Costa, de 48 anos, foi morto com um disparo de arma de fogo na região do tórax, dentro de seu próprio estabelecimento comercial, durante a tarde. O caso foi prontamente apurado pela Polícia Civil.
Logo após o ocorrido, equipes do Nepatri iniciaram diligências ininterruptas, com levantamento de informações, análise e cruzamento de dados, realização de oitivas e monitoramento dos envolvidos, o que possibilitou a rápida identificação de todos os autores do crime.
Como resultado da investigação, a Polícia Civil prendeu em flagrante o autor maior de idade, identificado pelas iniciais J.V.M.A., e apreendeu dois adolescentes, entre eles W.G.D.S., pela participação direta no latrocínio.
Em momento posterior, W.G.D.S. chegou a ser desinternado por decisão judicial. No entanto, diante da gravidade do delito, foi expedido novo mandado de internação. Após trabalho de monitoramento, a equipe da Polícia Civil localizou o investigado e cumpriu a ordem judicial.
Após a apreensão, W.G.D.S. foi conduzido à Delegacia de Polícia, onde foram adotadas todas as providências legais cabíveis. O jovem permanece à disposição da Justiça e será encaminhado ao Instituto Socioeducativo.
Polícia Civil leva emissão da Carteira de Identidade Nacional a comunidades ribeirinhas de Sena Madureira
O Instituto de Identificação da Polícia Civil do Acre (PCAC), que atua no município de Sena Madureira, realizou, na última terça-feira,16, atendimentos para emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN) nas comunidades Campinas e Santa Polônia, localizadas às margens do Rio Purus, a cerca de uma hora de viagem de barco da cidade.
Polícia Civil esteve nas comunidades Campinas e Santa Polônia, em Sena Madureira, levando o direito à identidade a quem mais precisa. Foto: cedida
A ação teve como objetivo atender moradores de localidades de difícil acesso, especialmente pessoas com algum tipo de comorbidade ou limitação física, que enfrentam dificuldades para se deslocar até a sede da Delegacia de Polícia, onde funciona o posto de identificação.
Para a realização dos atendimentos, o coordenador do Instituto de Identificação em Sena Madureira, Carlos Ferrari, e o oficial investigador da Polícia Civil, Marcos Oriar, se deslocaram até as comunidades ribeirinhas, garantindo que o serviço fosse prestado diretamente à população local.
Ao todo, oito pessoas foram atendidas, entre elas uma idosa de 68 anos com problemas de locomoção, pessoas com problemas cardíacos, um senhor que sofreu um derrame, além de crianças que necessitavam do documento.
De acordo com o diretor do Instituto de Identificação, Júnior Cesar, a iniciativa reforça o compromisso da Polícia Civil com a população de Sena Madureira e com o programa Identidade para Dignidade, desenvolvido em parceria com o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), na comarca do município. “Essa ação leva cidadania, dignidade e acesso a direitos às comunidades mais distantes, assegurando a inclusão dessas pessoas nos serviços públicos essenciais”, destacou.
A mobilização do Instituto de Identificação reafirma o papel social da Polícia Civil do Acre, promovendo cidadania e garantindo direitos fundamentais à população ribeirinha.
Depois de dois anos em queda, a produção científica brasileira voltou a crescer em 2024, com a publicação de mais de 73 mil artigos. O número representa um avanço de 4,5% na comparação com 2023, conforme aponta novo relatório publicado pela editora científica Elsevier em parceria com a agência de notícias científicas Bori.
Apesar disso, a ciência brasileira ainda precisa aumentar sua produtividade para recuperar o patamar anterior às quedas. Em 2021, foram 82.440 artigos científicos publicados.
O levantamento também mostra aumento expressivo na quantidade de pesquisadores brasileiros que publicaram artigos na última década. Em 2004, eram 205 autores a cada 1 milhão de habitantes, já no ano passado, essa proporção quase quintuplicou para 932 por milhão.
O relatório é feito a partir da Scopus, a maior base de dados de literatura científica revisada por pares dos mundo, que inclui mais de 100 milhões de publicações editadas por cerca de 7 mil editoras nas áreas de ciência, tecnologia, medicina, ciências sociais, artes e humanidades.
Já a análise por áreas mostra que as ciências da natureza seguem como as que mais publicam no Brasil, seguidas pelas ciências médicas. No entanto, o maior aumento em 2024 foi verificado entre os artigos de engenharias e tecnologias: 7,1%.
O relatório também verificou a variação da produção de 32 instituições de pesquisa brasileiras que publicaram mais de 1 mil artigos em 2024, e verificou crescimento em 29 delas, com destaque para as Universidades Federais de Pelotas, de Santa Catarina e do Espírito Santo.
Na outra ponta, as três instituições com diminuição na produção de artigos foram a Universidade Federal de Goiás, a Universidade Estadual de Maringá e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Panorama mundial
O relatório avaliou dados de 54 países com produção anual superior a 10 mil artigos e identificou que quase todos apresentaram crescimento em sua produção científica de 2023 a 2024, à exceção de Rússia e Ucrânia.
Também foi calculada a taxa de crescimento composta de cada nação, ao longo de 10 anos, de 2014 a 2024. Nos países de alta renda, que já possuem tradição em pesquisa científica, essa taxa tende a ser menor do que 5% por ano, enquanto países de renda média e baixa, que ainda estão consolidando seus sistemas de Ciência e Tecnologia apresentam índices mais altos.
No período analisado, por exemplo, os maiores crescimentos foram verificados no Iraque, Indonésia e Etiópia, e os menores na França, Japão e Taiwan.
No entanto, o Brasil aparece na 39ª, com crescimento semelhante ao de países desenvolvidos como Suíça e Coréia do Sul e, de acordo com o relatório, tem perdido fôlego nos anos mais recentes.
De 2006 a 2014, essa taxa ficou consistentemente próxima de 12%, caindo bruscamente em 2016 e mantendo essa trajetória de desaceleração desde então. No período de dez anos encerrado em 2014, o Brasil cresceu apenas 3,4%.
Morre em São Paulo o professor e intelectual Luiz Roberto Alves
Faleceu na noite desta quarta-feira (16), aos 78 anos, o professor e ativista Luiz Roberto Alves, um dos principais nomes da educação pública, alfabetização e ensino de comunicação no país. O velório ocorrerá a partir das 9h de quinta-feira (18), na Câmara Municipal de Santo André.
Nascido em janeiro de 1947 em Murutinga do Sul (SP), Alves tratava um câncer e as complicações de um recente acidente vascular cerebral (AVC). Ele morreu no Hospital Beneficência Portuguesa, de São Paulo.
Trajetória acadêmica
Professor sênior livre docente na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, Alves teve sua carreira e militância divididos entre a capital e o ABC Paulista. Iniciou no magistério já graduado em Letras, como professor em escolas públicas de Mauá, São Bernardo do Campo e Diadema, onde também atuou como diretor, durante mais de 20 anos.
Por sua atuação nos anos 1970 foi perseguido por agentes da ditadura militar, tendo se exilado em Israel, onde pesquisou em universidades locais.
Após seu retorno, esteve na fundação do Partido dos Trabalhadores, em 1980. No ABC, lecionou desde 1981 nos cursos de jornalismo, rádio e TV e publicidade, pela Universidade Metodista, onde desenvolveu pesquisa de relevância internacional e se destacou como acadêmico dos mais produtivos e criteriosos.
Desde 1988, sua docência, centrada na área de Cultura Brasileira, se estendeu à Universidade de São Paulo, junto à ECA e, mais recentemente, ao Instituto de Estudos Brasileiros (IEB).
Trajetória política
Além da carreira acadêmica, Alves foi presidente da Câmara de Educação Básica e vice-presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), entre 2012 e 2016, e secretário de educação, cultura e esportes das cidades de São Bernardo do Campo (1989-1992) e Mauá (2001-2003), na Grande São Paulo.
Ainda na região do ABC, na década de 90, foi um dos idealizadores do Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos (MOVA), com apoio do educador Paulo Freire, envolvendo sindicatos e entidades da sociedade civil.
Na área da infância e juventude, esteve no grupo fundador, na década de 80, do Projeto Meninos e Meninas de Rua de São Bernardo do Campo, juntamente com a pastora Metodista Zeni de Lima Soares. A entidade existe até hoje e teve grande atuação no enfrentamento aos grupos de extermínio de jovens que atuavam na região do ABC, até os anos 1990, sendo referência em metodologias de abordagem e educação social para menores em situações de vulnerabilidade social.
Além de Ariel, deixa os filhos Daniel e José Celso de Castro Alves, do primeiro casamento, e Ana Sara Linder Alves, do segundo casamento. Ele também deixa a atual esposa, a professora Sabine Linder, e o neto Gael, filho de Ariel.
Estudo coordenado pelo Hospital Moinhos de Vento (HMV) e financiado pelo Ministério da Saúde, por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), vai procurar avaliar a genética dos pacientes que tiveram um acidente vascular cerebral isquêmico (AVC isquêmico). Esta é uma doença que ocorre quando há obstrução de uma artéria, impedindo a passagem de oxigênio para células cerebrais, que acabam morrendo. Essa obstrução pode acontecer devido a um trombo (trombose) ou a um êmbolo (embolia). O AVC isquêmico é o mais comum e representa 85% de todos os casos, de acordo com o Ministério da Saúde.
“Hoje, a gente tem um entendimento melhor do quanto esse risco genético pode influenciar a chance de eu ter um AVC. Mas não somente isso, mas outras doenças que podem provocar um AVC, como pressão alta, problemas com o colesterol, diabetes”. A informação foi dada nesta quinta-feira (18) à Agência Brasil pela neurologista do Hospital Moinhos de Vento e investigadora principal do projeto Ártemis-Brasil, Ana Cláudia de Souza.
Projeto Ártemis é avaliado pela médica Ana Cláudia de Souza que estuda genética de pacientes que sofreram AVC Foto:HMV/Divulgação
“Uma vez a gente podendo mapear melhor, analisando o que se chama hoje de genoma humano, que é esse grande livro de receitas que coordena e comanda como o nosso organismo funciona, a gente acha que vai ser muito bom para que, no futuro, possamos desenvolver novos medicamentos, ser mais precisos quando estamos indicando algum tratamento para alguém. Porque além de conseguir ver o risco de a pessoa ter um AVC, a gente também consegue ver como um organismo responde a um tratamento com base no seu perfil genético”, completou.
Segundo Ana Cláudia de Souza, o projeto Ártemis-Brasil vai abrir a porta da medicina de precisão, principalmente no Sistema Único de Saúde (SUS). A partir desses dados, os pesquisadores pretendem contribuir para modelos de cuidado mais personalizados dentro do SUS.
Participantes
Onze centros de referência no atendimento ao AVC, distribuídos por todas as regiões brasileiras, participam do estudo.
“São todos centros de alta complexidade que atendem pacientes com AVC no SUS. Vai ser uma boa contribuição para o nosso SUS”. O estudo já foi iniciado e incluiu o primeiro participante em novembro passado. O objetivo, disse a doutora Ana Cláudia, é chegar a mil participantes até o final de 2026. Serão incluídos 500 pacientes que tiveram AVC isquêmico e 500 pessoas saudáveis que nunca tiveram histórico de AVC. “Para que a gente possa fazer uma comparação entre as alterações que realmente levam à doença, é preciso comparar pessoas que tiveram AVC com outras que nunca apresentaram a doença”.
O tratamento do AVC, principalmente na fase aguda, evoluiu muito no Brasil, nos últimos 20 anos, muito em razão do trabalho da Rede Brasil AVC e da Sociedade Brasileira de AVC, que conseguiram trazer para o SUS tratamento que ajuda as pessoas na fase aguda, para desentupir um vaso cerebral quando um coágulo está entupindo, e leva aos sintomas do AVC e, mais recentemente, outro tratamento feito em alguns centros do SUS que fazem o que se denomina de cateterismo cerebral, que é a trombectomia mecânica, que remove o coágulo.
“É muito parecido com o cateterismo que a gente faz no coração, só que nos vasos do cérebro”, explicou Ana Cláudia. Admitindo que o tratamento precisa muito ainda expandir para áreas de vazio assistencial do país, em especial das regiões Norte e Nordeste. “Mas a gente evoluiu bastante nos últimos anos,” explicou.
Impacto
O impacto do AVC no Brasil é muito alto. Dados da Rede Brasil AVC mostram que 85.427 pessoas morreram em decorrência da doença, em 2024. Nos anos anteriores, os registros também foram altos: 81.822 óbitos em 2021, 87.749 em 2022 e 84.931 em 2023. De acordo com o Ministério da Saúde, o AVC segue como a principal causa de morte e incapacidade no país, com 11 óbitos por hora.
“Os últimos dados mostram que ele voltou a ser a primeira causa de morte no nosso país e é a causa de maior incapacidade de todas as doenças”, indicou Ana Cláudia. Após um AVC, a pessoa pode ficar sem falar, sem se movimentar, e isso traz um impacto elevado para as famílias, para o próprio doente e para a nação, refletindo em custo alto também no SUS, acrescentou a neurologista.
Daí a importância da prevenção, não só dos principais fatores de risco, que aumentam a chance de a pessoa ter um AVC, como pressão alta, diabetes, fumo, maus hábitos de vida, má alimentação, mas também estratégias para depois que a pessoa teve um AVC, de modo a prevenir para que não tenha um segundo acidente desse tipo.
“Aí acaba entrando também o projeto Ártemis-Brasil, porque cada indivíduo é único na sua genética. E a gente, entendendo melhor como são essas características, consegue fazer uma prevenção muito mais precisa para essa pessoa. Pode indicar um tratamento específico, um regime de exercícios, alimentação, com base nesse perfil,” disse.
Na avaliação de Ana Cláudia de Souza, vai ser um estudo único porque grande parte das pesquisas de genômica é feita nos países desenvolvidos, envolvendo populações europeias, norte-americana e até parte asiática. Não existem muitos estudos mostrando a diversidade da população latino-americana e brasileira. Com o Ártemis-Brasil, o país passa a integrar um grupo limitado de nações que investigam, em larga escala, a relação entre fatores genéticos e doenças cerebrovasculares. Uma vez concluído com sucesso no Brasil, a médica acredita que o estudo poderá ser estendido para a América Latina, por exemplo. “Ele tem potencial grande de, no futuro, a depender dos resultados, ser expandido para outras regiões que possam se juntar na iniciativa”.
O projeto também integra o Programa Genomas Brasil, que busca ampliar a diversidade genômica nacional, hoje pouco representada em estudos globais. Essa lacuna dificulta a construção de políticas e práticas clínicas que dialoguem diretamente com a realidade tão diversa da genética da população brasileira. Além da produção científica, a iniciativa prevê a capacitação de equipes do SUS em genética, aconselhamento genético e conceitos de medicina de precisão.
Especialista diz que é cedo para alarme com vírus K no Brasil
A identificação no Brasil de um novo tipo do vírus influenza A (H3N2), conhecido como “vírus K”, ainda não é motivo para preocupação, avalia o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri. Segundo o especialista, a circulação de variantes do influenza faz parte da dinâmica natural do vírus e, neste momento, não há elementos suficientes para prever impacto maior na próxima temporada de gripe.
Qualquer estimativa sobre gravidade, duração ou intensidade da próxima temporada seria prematura.
“Não sabe se essa vai ser a variante circulante e predominante ainda no mundo. Está começando a temporada no Hemisfério Norte. Nem sabemos se vai ser a temporada do H3N2 ou se vai vir outro H1N1. Isso é tudo muito teórico ainda”, disse Kfouri.
Na semana passada, a Organização Mundial da Saúde emitiu nota informativa em que chama atenção para o aumento rápido da circulação da variante K do Influenza A no Hemisfério Norte, em especial na Europa, América do Norte e Leste Asiático.
Na Europa, a atividade da influenza iniciou mais cedo do que o habitual. A variante K representou quase metade dos casos de infecções reportadas entre maio e novembro de 2025. Não foi registrada ainda nenhuma mudança significativa na gravidade clínica, em termos de internação hospitalar, admissões em cuidados intensivos ou óbito.
O Ministério da Saúde publicou nesta semana informe sobre a situação epidemiológica do país e destacou, pela primeira vez, a identificação de um caso da variante K no Brasil, no estado do Pará.
Nesta quarta-feira (17), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) trouxe mais detalhes sobre o registro. A amostra com a presença da nova variante foi coletada em Belém (PA), no dia 26 de novembro, e inicialmente analisada pelo Laboratório Central do Estado do Pará (Lacen-PA).
Depois da confirmação de influenza A (H3N2), o material foi encaminhado ao Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), onde passou por sequenciamento genético.
O caso refere-se a uma paciente adulta, do sexo feminino, estrangeira, oriunda das ilhas Fiji, e foi classificado como importado. Até o momento, não há evidências de transmissão local associada à variante no Brasil.
Para Kfouri, a detecção de novas variantes é esperada.
“Todo ano temos novidade do influenza. É da natureza do vírus sofrer mutações e causar epidemias anuais. Por isso, que precisamos tomar vacina todo ano. As vacinas são atualizadas conforme o que se consegue prever do que vai circular na temporada seguinte”, explicou.
O especialista destaca que, mesmo quando há alguma distância genética entre a vacina e o vírus circulante, a proteção permanece, especialmente contra formas graves da doença. “O que faz às vezes com que a efetividade da vacina seja um pouco maior no ano do que no outro ano, mas nunca se perde a efetividade. Há sempre alguma perspectiva ou expectativa de proteção, especialmente contra desfechos mais graves de hospitalização e morte”, disse.
Especialistas da Fiocruz reforçam que a vacinação segue como a principal ferramenta de prevenção. A composição da vacina recomendada pela OMS foi atualizada em setembro, com cepas mais próximas das atualmente em circulação, incluindo o subclado K.
“A composição da vacina de influenza recomendada pela Organização Mundial de Saúde foi atualizada em setembro para o próximo ano, com cepas mais próximas dos clados atualmente em circulação, incluindo o subclado K”, diz Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais do IOC.
Além da vacinação, as recomendações incluem higienização frequente das mãos, evitar contato próximo em caso de sintomas respiratórios, uso de máscara e busca por atendimento médico, especialmente diante de febre. Para os serviços de saúde, a principal orientação é manter o fortalecimento contínuo da vigilância epidemiológica, laboratorial e genômica.