Nova definição do Conselho Federal de Medicina muda critérios para diagnóstico da obesidade; especialistas destacam que o foco agora é nas doenças associadas ao acúmulo de gordura
Por Redação Cidade AC News – Saúde
Publicado em 06/02/2026 – Atualizado às 21h10
Introdução do artigo…

O termo “obesidade clínica”, citado no laudo médico da Polícia Federal sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, reacendeu o debate sobre as novas diretrizes médicas para o diagnóstico da obesidade no Brasil.
O documento, elaborado por peritos da PF, lista o quadro como um dos sete problemas crônicos de saúde do ex-chefe do Executivo e recomenda cuidados intensificados para evitar complicações cardiovasculares, como infarto.
De acordo com o laudo, Bolsonaro apresenta hipertensão arterial, apneia obstrutiva do sono grave e refluxo gastroesofágico — condições frequentemente associadas ao excesso de gordura corporal.
⚕️ O que significa “obesidade clínica”
O conceito de obesidade clínica foi atualizado recentemente pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), acompanhando as mudanças propostas por publicações científicas internacionais, como a revista The Lancet.
Segundo o cirurgião bariátrico Luiz Fernando Córdova, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), a obesidade deixou de ser vista apenas como excesso de peso corporal e passou a ser definida pela presença de doenças relacionadas ao acúmulo de gordura.
“O entendimento mudou. O diagnóstico não depende apenas do peso na balança, mas de quanto essa gordura afeta o metabolismo e a saúde do paciente”, explica Córdova.
📊 IMC isolado não é mais suficiente
Um dos principais pontos da nova diretriz é a limitação do Índice de Massa Corporal (IMC) como critério isolado.
De acordo com o especialista, pessoas com IMC elevado, mas alto percentual de massa muscular — como atletas — podem ser classificadas erroneamente como obesas, quando na verdade não apresentam risco metabólico.
“Mais importante do que o número do IMC é entender a composição corporal e onde a gordura está concentrada”, destaca Córdova.
🩸 Critérios para diagnóstico
A avaliação da obesidade clínica agora considera três fatores principais:
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Circunferência abdominal: em homens, medidas acima de 102 cm são indicativos de risco.
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Presença de comorbidades: hipertensão, diabetes tipo 2, apneia do sono, refluxo, esteatose hepática e outras doenças relacionadas ao metabolismo.
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Distribuição da gordura corporal, especialmente a gordura visceral — conhecida popularmente como “barriga de cerveja” — que está diretamente ligada a alterações hormonais e inflamatórias.
No caso de Bolsonaro, o laudo da PF confirma três dessas condições associadas, o que enquadra o ex-presidente nos parâmetros clínicos atualizados para obesidade.
Para garantir informação médica precisa, este conteúdo se baseia em diretrizes e publicações oficiais:
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Conselho Federal de Medicina (CFM) – Resolução sobre novos critérios diagnósticos da obesidade
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Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) – Artigos científicos e atualizações sobre obesidade e cirurgia metabólica
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The Lancet – Publicação científica sobre redefinição da obesidade como doença crônica
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Organização Mundial da Saúde (OMS) – Fatos e dados sobre obesidade e saúde global
📌 Essas fontes são reconhecidas internacionalmente e fortalecem a credibilidade do conteúdo.
🏥 Impacto nas indicações cirúrgicas
A nova classificação também alterou as regras de acesso à cirurgia bariátrica e metabólica.
Antes, o procedimento só era recomendado para pacientes com IMC acima de 35.
Com a revisão, pessoas com IMC a partir de 30 e doenças metabólicas associadas já podem ser indicadas para a cirurgia.
“Hoje, o foco não é operar por peso, mas pela doença associada. A cirurgia é uma ferramenta de controle metabólico, não estética”, explica o diretor da SBCBM.
🍎 Tratamento e mudança de hábitos
Para o tratamento clínico, o laudo da PF recomenda mudanças expressivas no estilo de vida de Bolsonaro, incluindo ajustes alimentares e acompanhamento multidisciplinar.
Segundo fontes médicas, o ex-presidente mantém atualmente uma dieta rica em ultraprocessados e pobre em frutas e vegetais — algo que precisa ser revisto para o controle das comorbidades.
Córdova reforça que o combate à obesidade deve ser integral, envolvendo acompanhamento nutricional, físico e psicológico.
“A saúde mental tem papel decisivo. Ansiedade e estresse influenciam diretamente nos padrões alimentares e nas compulsões. É um tratamento que exige equilíbrio entre corpo e mente”, conclui o especialista.
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📍 Fonte: Polícia Federal | CFM | SBCBM | Revista The Lancet
📸 Crédito da imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
✍️ Edição: Redação Cidade AC News – Saúde




